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Itabuna-BA | Segunda, 06 de fevereiro de 2012
 
 
 
 
 
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Réus confessos


Em: 22.11.2010 22:43

Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br

walmirPela leitura dos jornais do final de semana (20 a 22), em Itabuna, dá para se ter uma ideia dos rumos que têm tomado nossa sociedade. A manchete do Jornal AGORA traz uma matéria na qual o presidente da Câmara Municipal de Itabuna, Clóvis Loiola, assume a condição de réu confesso e diz que o esquema de fraudes na instituição que dirige “tungou” mais de R$ 5 milhões dos cofres públicos.

E Loiola vai além e confessa, publicamente, que existe a possibilidade de pagar por isso na cadeia, mas faz uma ameaça a seus pares: “Posso ir preso, mas levo todos os vereadores comigo”, estampa a manchete das páginas centrais do AGORA. Essa afirmação, por si só, já é um libelo de acusação, mas que vem passando ao largo das instituições que devem evitar os desvios de conduta da sociedade, notadamente o Ministério Público (fiscal da sociedade) e o Poder Judiciário.

Mais estranho, ainda, é que essas declarações têm sido feitas pelo ainda presidente da Câmara, Clóvis Loiola, na presença dos seus advogados, profissionais escolhidos “a dedo” pelos porões do Centro Administrativo Firmino Alves, onde se escondem alguns membros do Poder Executivo. Digo estranhar esse fato pela defesa, baseado no princípio constitucional de que um cidadão (qualquer) não está obrigado a produzir provas contra si.

Quem também está sempre presente às declarações de Loiola da sua participação na fraude do dinheiro público é o “homem” responsável pela sua apuração e condutor do setor de Recursos Humanos da Câmara (mas que trata das finanças). É outra indicação do Poder Executivo para manter o Poder Legislativo debaixo das botas.

Do alto da minha “santa ignorância”, nunca conseguiu vislumbrar as causas que despertam o interesse dos vereadores em se manterem subordinados ao Poder Executivo, mesmo possuindo todas as garantias constitucionais de ser um “fiscal da administração municipal”. Como se isso fosse pouco, a Constituição Federal ainda garante “Inviolabilidade dos vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do município”.

Não consigo entender e “minha burrice nesse tema chega a ser científica”, como gostava dizer o saudoso Carlito Alemão, o motivo desse complexo de “vira-latas” que assola os vereadores. Por simples submissão não deve ser, pois como dizem os entendidos em política, nas câmaras municipais só tem gente sabida, já que os bestas não conseguiram uma vaga nesse tão seleto grupo.

Tudo indica que há nesse relacionamento mais interesses do que possa enxergar a míope visão dos entendidos políticos. Há quem diga e jure de pés juntos, que o relacionamento é incestuoso, haja vista qualquer cidadão de perfeito juízo não desprezar, jogar na lata do lixo, o artigo 2º (Cláusula Pétrea, é bom que se diga), da nossa Carta Magna que estatui: “São poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

Passo os olhos em outro jornal, o A REGIÃO, e não consigo ler notícias mais amenas, pelo contrário, além das mazelas praticadas pelos nossos bravos vereadores, vislumbramos as fraudes cometidas pelo Poder Executivo contra a Receita Federal e os coitados dos servidores municipais. A título de lembrança, a apropriação indébita cometida pelo Capitão Azevedo, oficial da Polícia Militar, que tem o dever de defender a lei e não infringi-la, o que já contamos aqui em artigo anterior.

Entre uma leitura e outra, me veio à mente ser todos esses desmandos fruto da consagrada (lá entre eles) impunidade que assola o país. O Executivo, acossado pela fiscalização contra o esquema de corrupção fincada no governo, “compra” a cumplicidade do Legislativo (há quem diga que não paga conforme contrato), e transfere as “baterias” da imprensa e outros organismos de pressão social para a Câmara.

É perfeitamente factível essa modesta tese, pois todas as variáveis descritas neste despretensioso artigo combinam, fecham questão. Nesse caso, além do complexo de vira-latas, teremos também a síndrome de Estocolmo, um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de sequestro. No caso em questão, a síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do opressor.

Já que nem o Ministério Público ou o Judiciário se mostraram dispostos a acudir a sociedade, livrando a Nação de fichas-sujas no comando dos órgãos públicos, somente resta às organizações sociais assumirem uma grande campanha de mobilização para evitar a perpetuação e institucionalização do roubo do dinheiro público. E olha que poderá vir ainda mais dinheiro para isso, por conta da CPMF.

Será uma fartura só!

Walmir Rosário  é jornalista, advogado e editor do site www.ciadanoticia.com.br

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Reconhecer - ainda que pareça difícil, não é impossível. É preciso! - II


Em: 22.11.2010 22:42

Osias Ernesto Lopes

osiasUrge que seja (re)criada uma agenda positiva para a política em Itabuna. É preciso acabar com esse negócio de buscar brilho fácil (e falso) simplesmente falando mal de políticos. É fácil e dá “ibope” mas nada, nada constrói. A única coisa que resulta disso é o surgimento (ou a criação proposital? Olha, tem gente “pra” tudo...!) de algum “salvador da pátria”.

Pior do que forjar “salvador da pátria”  -  o que já é de todo execrável  -,  é fazer política “com o fígado”, por ódio a alguém, ou para satisfazer a interesses pessoais, trabalhando para derrotar determinado candidato, negando-lhe, de maneira odiosa, irresponsável e até inconsequente, virtudes que sabe lhe serem próprias.  

É preciso ter juízo! Política, justamente por almejar o bem comum, é coisa séria.

Aqui já falei sobre Emanoel Acilino e da extraordinária contribuição que deu (e que ainda pode e deve dar) à Administração Pública local, especialmente à política, mostrando que é possível, sim, construir uma discussão política decente, e portanto à altura dos anseios itabunenses, bastando para isso dialogar com pessoas de bem, coisa que, felizmente, a nossa sociedade possui à mancheia.

Na crença e na defesa intransigente do pluralismo de idéias, cuja compreensão é vital para a vida democrática, posso aqui me referir a mais um importante cidadão político de nossa terra: Dr. João Otávio Macedo.

Médico, pessoa admirada por todos que o conhecem, um verdadeiro cidadão, conhecedor das questões que são caras à nossa cidade e à Região Cacaueira. Político de primeira grandeza, Dr. João Otávio foi Presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna em passado não muito distante. Lisura, decência, honradez, são adjetivos que incorpora naturalmente.

Apesar de infelizmente não mais ter se lançado candidato, João Otávio mantém uma coluna no jornal de Valdenor Ferreira, de onde, fiel aos seus princípios ideológicos e com aguda perspicácia, trata de assuntos de interesse geral, e não raras vezes de natureza política. Mas para o seu potencial é pouco. Ele também pode (ou melhor, deve) contribuir muito mais para a ala sadia da política grapiúna.

O certo é que nomes não faltam a Itabuna para a composição de um Legislativo eficaz, competente, sóbrio, honesto, eficiente. Uma legislatura contando ao mesmo tempo com as participações de políticos como Emanoel Acilino e João Otávio não é quimera, é merecimento.

Itabuna precisa.

Osias Ernesto Lopes é advogado e ex-secretário da Administração de Itabuna

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PC do B terá candidato em 2012 - por que duvidamos disso


Em: 22.11.2010 22:41

domingos

Domingos Matos | redacao@otrombone.com.br

Temos por princípio reconhecer a legitimidade de qualquer partido lançar-se em candidaturas próprias em qualquer eleição. Por isso, não vemos como absurdo o anúncio de que o Partido Comunista do Brasil vá lançar candidato à prefeitura de Itabuna no próximo pleito, em 2012. Apenas ‘não acreditamos’ que isso vá ocorrer.

Esse ceticismo, um mês após o primeiro turno das eleições gerais na Bahia, em que saiu consagrado com uma ‘vitória moral’ o vereador Wenceslau Júnior, que concorria a uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PC do B, até poderia soar como algo totalmente irreal, uma vez que além da legitimidade institucional, há o invejável patrimônio de mais de 30 mil votos acumulado pelo edil nessa disputa (embora em Itabuna tenha alcançado apenas 13.676 votos). Mesmo assim, não acreditamos.

Os motivos básicos de nossa desconfiança são aqueles que todos já conhecemos; não trazemos novidades, nem inventamos a roda. Em Itabuna, PC do B é aquele partido que ainda vive uma espécie de crise existencial, que sabe de sua importância como fiel da balança mas, também, reconhece que não consegue ir tão além de seus próprios redutos, quais sejam os movimentos sociais ligados aos trabalhadores. Uma liderança que não ultrapassa muito os limites de sua própria casa. No máximo, chega ao passeio, mas não alcança a rua, se é que me entendem.

Acrescentamos outro ingrediente: a maturidade política que o partido já alcançou será maior que a vontade juvenil de querer alçar voos de Ícaro. Não quer (ou não deveria querer) repetir 1996. Todos lembram, foi quando, com uma candidatura sem chances, o PC do B acabou por garantir a eleição de Fernando Gomes, na medida em que seus seguidores, que votariam em Renato Costa, pela afinidade com as esquerdas, desviaram esses votos para Davidson Magalhães. Esse protagonismo coadjuvante garantiu a Davidson pecha de candidato-laranja por algum tempo – uma ‘homenagem’ de Manuel Leal.

Como saber se aquele episódio contribuiu para o amadurecimento político do PC do B? Não temos essa garantia, uma vez que sempre baixa um espírito de Ícaro nos seus comandantes... Mas, com certeza, aprendeu-se algo com a repetição do roteiro de 96 em 2004, ali já com os papeis invertidos – foi a candidatura de Renato Costa quem ganhou o prêmio Laranja de Ouro.  O mesmo veneno de 96 foi oferecido aos comunistas, apenas trocaram os cálices: Geraldo Simões tinha como companheira de chapa Conceição Benigno (PC do B), mulher de Davidson Magalhães.

A coisa é simples: esquerda só ganha, aqui, se estiver bem fechadinha. Uma candidatura posta em momento errado pode dar nova vitória à direita, que dessa vez tende a ser representada pelos algozes de GS & Cia em 2004: Fernando Gomes e Capitão Azevedo. Deverá ser uma disputa interessante, Geraldo x Fernando x Azevedo. Ao PC do B, caberá decidir quem quer ver no Centro Administrativo Firmino Alves.

É um papel importante, o de melhor ator coadjuvante. Numa analogia com o Oscar, o “prêmio máximo”* do cinema mundial, um reconhecimento que não deve em nada ao do ator principal.  Mas, como diz o ditado, é cada um na sua, e a amizade continua. Se a ideia da candidatura própria ganhar corpo, a legitimidade do PC do B é sagrada. As conseqüências disso é que devem ser bem avaliadas enquanto há tempo.

Um devaneio: quem sabe 2016 não seja um número mais adequado a essas pretensões emancipatórias?  De nossa parte, vemos o pós-Copa e o pós-Olimpíadas como o melhor cenário para a afirmação definitiva do PC do B, com apoio do Ministério dos Esportes...

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* Um dos pretendentes do PC do B à prefeitura, Luís Sena, cinéfilo de carteirinha, entenderá as aspas, assim também como todos os que gostam de cinema.

Domingos Matos é repórter e editor d'O Trombone

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Reconhecer - ainda que pareça difícil, não é impossível. É preciso!


Em: 22.11.2010 22:39

Osias Ernesto Lopes

osiasAs pessoas parecem estar habituadas a somente ouvir pessoas a falar mal de outras pessoas. É assim no trabalho, nas esquinas e, infelizmente, também e principalmente, no mundo político. E isto é cultivado com tal intensidade que sempre soa estranho quando alguém fala bem de alguém.

Também parece que se habituou a somente falar bem de alguém depois desse alguém morrer. Aí é homenagem daqui, homenagem dali, duvidosas manifestações de saudades, de tardia admiração, tardio respeito, e muito, mas muito trololó.

As críticas são sempre importantes. Mas é preciso também  que se fale bem, que se elogie, principalmente quando se está falando sobre comportamentos ocorridos, passagens registradas.

Tenho visto e ouvido, com tristeza, ao longo de minha vida, tanto na advocacia como na vida pública propriamente dita cada coisa... como por exemplo “amigos” dizerem: “você não é político, você é técnico”, como se política fosse algo inalcançável para muitos e privilégio de poucos. Mui amigos... Quanta ignorância! Parece que nunca ouviram um certo e eminente filósofo grego ensinar  -  isso há mais de dois mil anos!  -  que o homem é um animal político!

Assim, convenhamos, políticos todos nós, naturalmente, somos.

Já falei aqui, em outro artigo (“A Boa Política – o itabunense merece, Itabuna agradece"), que política não é e não pode ser, nem resumir-se, em politicagem, politiquice. É uma ciência extraordinária, dela dependendo o bom viver em sociedade.

Pois assisti a muitos desses “amigos políticos” se enrolarem em suas “sabedorias” sem nunca terem alcançado um cargo eletivo sequer (ora por medo das urnas, ora por incompetência mesmo), conseguindo, quando muito, se manterem, a duras penas, em apenas foscos e opacos assessores, e não raras vezes, inconvenientes “liderados”, ou “auxiliares de duvidosa categoria”, constituindo-se, assim, em verdadeiros estorvos. 

Mas vamos voltar ao assunto colocado inicialmente. Vamos falar bem de alguém, até porque nada se constrói quando apenas se cuida de destratar pessoas.

E a presente narrativa começa assim: na manhã do dia 31 do mês passado, dia da votação em segundo turno para Presidente (ou melhor, para Presidenta!) da República Federativa do Brasil, estava eu me dirigindo à Seção Eleitoral na qual sou inscrito, situada no Bairro São Caetano, mais precisamente no Colégio Estadual de Itabuna – CEI, para cumprir com meu dever/direito cívico e assim votar na candidata do Lula, a qual logo, logo, viria a se tornar a primeira mulher eleita Presidente do nosso país, e lá me encontro com Emanoel Acilino Teotônio da Luz, ou simplesmente, para os amigos, Acilino.

Estava ele acompanhado do Deputado Federal reeleito, Geraldo Simões de Oliveira e sua esposa, Juçara Feitosa. Havia muito tempo que eu não avistava Acilino, e foi grande a satisfação de rever o amigo. Em poucos minutos de conversa relembramos anos e anos em que trabalhamos juntos na política itabunense.

Conheci Acilino pessoalmente no ano de 1995, na Prefeitura Municipal de Itabuna, eu Procurador Geral do Município, ele Presidente do então IAPSEMI (Instituto de Assistência e Previdência dos Servidores Municipais de Itabuna), reivindicando e defendendo intransigentemente os direitos e interesses dos aposentados. E como ele dava trabalho à Procuradoria!

Fez no IAPSEMI um trabalho marcante, competente, saneou o Instituto financeiramente, fez valer os direitos dos aposentados e se credenciou para ocupar uma cadeira no Legislativo Municipal. Exerceu a vereança por dois mandatos consecutivos.

Inteligente e competente, Acilino foi sem qualquer sombra de dúvida um dos melhores edis grapiúnas dos últimos tempos. Combateu tenazmente a corrupção, fiscalizando os atos do Executivo, cultuando o hábito de freqüentar a 4ª IRCE do TCM para avaliar as prestações de contas do então Prefeito, denunciando as irregularidades perante aos Tribunais de Contas dos Municípios (TCM), do Estado (TCE) e da União (TCU) e ao Ministério Público (tanto Federal, como Estadual), e ainda apresentou moções, projetos de leis, pedidos de providências, etc., etc., etc., sempre na luta e no intuito de ver formada uma sociedade mais justa, mais igual, mais democrática.

Homem de bem, Emanoel Acilino é daqueles políticos que a boa e salutar vida pública exige, carece e merece, porque sempre a enalteceu e a robusteceu com seriedade e atuação ímpar.

Será que iremos contar com sua candidatura, também, na próxima campanha municipal?

Tomara que sim. A Câmara de Vereadores está carecendo...

Osias Ernesto Lopes é advogado e ex-secretário da Administração de Itabuna

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E o Capitão criou o caos
"As finanças vão de mal a pior, não só na Administração Direta"

Em: 06.11.2010 11:49

Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br

walmirA situação na Prefeitura de Itabuna beira à irresponsabilidade administrativa. Um caos seria a expressão mais adequada para avaliar o atual estágio da Administração Pública Municipal. Um prefeito que não governa e se esquiva dos problemas, delegando-os a pessoas de sua confiança, mas sem qualquer traquejo ou conhecimento administrativo.

As finanças vão de mal a pior, não só na Administração Direta, pois as descentralizadas também não dão bons exemplos. O Hospital de Base é um eterno campeão de notícias negativas e, a bem da verdade, não se pode culpar a direção atual. Faltam apenas recursos para impedir mortes, dar manutenção à vida de pessoas que pagam impostos e que deveriam receber serviços como contrapartida.

Mas o dinheiro não chega. E isso não é exclusividade do Hospital de Base. A Fundação Marimbeta sobrevive a duras penas, como se diz, respaldada no prestígio pessoal do seu presidente, Geraldo Pedrassoli. O pouco que faz é com dignidade e bem feito. Poderia fazer mais, mas a Fundação não está nas prioridades do prefeito e a entourage que o cerca.

Na Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), não é diferente, já que cultura não é a praia do ilustre alcaide. Recursos somente para pagar a folha e mais uns “garangaus” para tapear meia dúzia de pessoas ligadas às artes. O que está sendo feito é resultado de esforço hercúleo para não deixar a cultura passar em brancas nuvens. Mas é fato.

Entre as secretarias a situação chega a ser escandalosa: como já disse aqui neste espaço em outras oportunidades, ninguém se entende. E não é por falta de sequência de procedimentos burocráticos e sim por falta de cumprimento das ações planejadas. Como serão fechadas as contas do município no exercício de 2010 pouco se sabe, embora alguns digam, com propriedade, que as ferramentas mais apropriadas serão martelos e talhadeiras.

Por determinação do próprio prefeito, a desobediência civil foi instalada no seio de várias secretarias. Foram delegados, superpoderes aos ocupantes de cargos hierarquicamente inferiores, no sentido de “minar” os ocupantes dos cargos superiores. Essa prática está na secretaria de Desenvolvimento Urbano, com o mestre de obras Pascoal, dando ordens a torto e a direito, inclusive nos engenheiros e arquitetos, para não mencionar o próprio secretário da pasta.

O mesmo exemplo vale para a secretaria de Assistência Social. Para o gabinete do prefeito, Administração. O funcionalismo público municipal recebe tratamento de morcego, conhecido “morde e assopra”. A Administração prepara folha, manda para a Fazenda, que não paga. Tem outras prioridades, desconhecidas e inconfessáveis.

Se com a folha de pagamento o procedimento é de “arrasa orçamento dos servidores”, uma “tabelinha entre a Fazenda e a Procuradoria (pai e filha) é ainda mais devastadora. As informações sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e as contribuições à Previdência (patronal e do empregado) não são informadas à Receita Federal e ao INSS através da Gfip. Tudo com a complacência desses órgãos federais.

Na Saúde as circunstâncias sempre foram mais graves. Há desautorização expressa do secretário em diversas situações, através da nomeação de “feitores” e grupos de comando paralelos. Mais visível impossível: saúde básica não funciona; alta e média complexidade, em constante conflito com o Governo do Estado.

Na Emasa o imbróglio é de alto coturno. O presidente é nomeado e confirmado pelos acionistas, mas o prefeito recebe um grupo de poder paralelo denominado de G20. A empresa demonstra que é viável, mas o prefeito usa os recursos da empresa, uma Sociedade Anônima (SA) em outras obras que não de saneamento.

Como os culpados não se apresentam, paga a conta o tão sofrido povo. Enquanto a população terá que aturar mais dois anos de desmandos, a vida em Itabuna vai perdendo a qualidade, a cidade sua pujança, a economia perdendo espaço para outras.

Enquanto isso, dentro da Prefeitura o estacionamento se transforma em camping, com funcionários municipais acampados em barracas à espera do pagamento pelo mês trabalhado. Fora os funcionários tentam se comunicar com o prefeito, dentro se tornou impossível, haja vista o “potente alicate” da OI ter cortado os fios da comunicação telefônica por falta de pagamento, coisa de vários meses.

Como se nada disso bastasse, o prefeito também pretende, quer dizer, já dominou a Câmara de Vereadores, mantendo seus tentáculos também no Legislativo. Tudo para bancar as imoralidades praticadas pelo presidente Loiola, que hoje se mostra servil ao Executivo, de onde emanam as ordens, inclusive para a CEI que apura o caso “Loiolagate”.

Convenhamos: Itabuna não merece tanta baixaria.

Walmir Rosário é jornalista, advogado e editor do site www.ciadanoticia.com.br

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DE RODAPÉS E ACHADOS


Em: 23.08.2010 22:39

Adylson MachadoNo correr destes dias alguns fatos trazidos a lume dispensam comentário mais apurado. Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.

Adylson Machado

 

Rabo preso

benéNão repercute bem no seio de uma sociedade civilizada ações como a do HBLEM, de impedir o trabalho da equipe da TVI que pretendia realizar matéria sobre o estado em que se encontra o hospital, ainda que não suficientemente esclarecido se o registro violaria a privacidade dos pacientes ou se apenas alcançaria almoxarifado, cozinha, laboratório etc.

Negar a Ederivaldo "Bené" Benedito (foto) acesso à documentação de fatos que se tornaram públicos foi jogar farinha no ventilador. E o pior: além inviabilizar a tomada de cenas (velada confissão em relação ao que buscaria a matéria apurar), levar legítimo jornalismo ao plantão policial.

Até porque, se todas as denúncias de descaso procederem, caso de polícia é o próprio hospital.

FHC no programa do PSDB

Em sua segunda aparição eleitoral, o candidato José Serra mostrou-se ao lado do Presidente Lula, elogiando a ambos.

Se atentarmos para a última estimulada do DATAFOLHA, não funcionou (Dilma 47% X Serra 30%). A solução é trazer Fernando Henrique Cardoso ao programa, no status de ex-presidente e cabo eleitoral, ainda no primeiro turno, para pedir votos para o tucano. Depois é só conferir as pesquisas de intenção de voto.

Polícia prendendo polícia

Para o cidadão habituado a ver ações policiais levadas à cinematografia - com amplo e subjetivo respaldo de alguns órgãos da imprensa local - causou espanto a prisão de um delegado da Polícia Civil da Bahia como suspeito de crimes diversos, inclusive assassinato de um colega.

Aguarda-se a reação do jornalismo que se encantou com as ações comandadas pelo delegado, enquanto autoridade em Itabuna.

Quem tem olhos fundos

Lídice e Pinheiro inauguraram comitê eleitoral em Itabuna. Se não houver mudanças na majoritária para o Senado pela Bahia, um deles prepara terreno para disputar a única vaga nas eleições de 2014. A não ser (quem sabe?) que o César se torne cavalo paraguaio.

De qualquer forma, como diziam antigamente - dentre eles minha avó Tormeza - "quem tem os olhos fundos começa a chorar mais cedo".

Campanha da fraternidade

sollaReunidos em torno da mesma mesa Deputados, Secretários, Ministério Público, Prefeito, Vereadores discutindo o HBLEM, na legítima busca por mais dinheiro, com suas provas da carência (na ambiguidade que a expressão ora adquire, que aqui se ajusta tanto à falta de recursos como à falta de melhor atendimento à população).

Um semblante centraliza as atenções: o Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Jorge Solla.

Fotografia na primeira do Diário Bahia (sexta, 20) mostra um secretário "reunido em Itaici". Fisionomia contemplativa, de Bispo da CNBB preparando a Campanha da Fraternidade.

Subindo a serra

Eduardo Anunciação (Política, Gente, Poder), no Diário Bahia, trouxe na sexta-feira 20, uma pérola de achado, que dispensa as centenas de páginas publicadas sobre o quadro recente da corrida presidencial, considerando as pesquisas de intenção de voto, calando alguns "jornalistas" que se empolgam quando o seu candidato vai bem, ainda que no twitter.

eduardo"Dilma Rousseff, subindo a serra", pontuou Eduardo Anunciação (foto) em suas "anunciações" na mais perfeita e lúcida conclusão sobre o momento traduzido pelos institutos.

Em meus tempos de primário, difícil era escrever Kubitschek. Como as coisas caminham, a meninada vai ter que aprender Rousseff, que anda "subindo a serra", como primou Eduardo.

Porta pede proteção

Nessa briga de foice no escuro, tendo por palco a Câmara Municipal de Itabuna, vai sobrar para quem não tem nada a ver: a porta da sala da Presidência da Casa, ultimamente vítima de reações inusitadas.

Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

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Prazer, BR-415, mas pode me chamar de 'tábua de pirulito'


Em: 15.08.2010 12:22

Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br

walmirExposta na mídia política como objeto de investimentos do Governo Federal, que prevê sua duplicação pela margem direita do rio Cachoeira, o Governo do Estado, a quem cabe a manutenção dessa importante rodovia, não faz nada para mantê-la em perfeitas condições de tráfego.

No trecho entre Itabuna e Ilhéus, o mais movimentado, os motoristas têm que ter "jogo de cintura" para "driblar" os constantes buracos ao longo de toda a pista. Os que se aventuram a trafegar todos os dias na chamada avenida Jorge Amado, têm que se resignar com os constantes obstáculos ao longo de todo o percurso.

Pode parecer exagero, mas a buraqueira obriga os viajantes a ter habilidade de piloto de rally para chegar inteiro em seu destino. A situação se agrava ainda mais com a ocorrência das chuvas, fenômeno que diminui a visibilidade do motorista, que permanece numa imensa fila durante o trajeto.

Como a recuperação foi feita com "lama asfáltica", qualquer operação tapa-buracos se torna inócua, pois não há como agregar a massa asfáltica nova à antiga, já que a espessura é de cerca de três centímetros. Com isso, qualquer recuperação deverá preceder da retirada da camada superior, para em seguida colocar uma camada nova.

Enquanto a nova pista não sai, os investimentos na disponível também não chegam. A BR-415 foi recapeada com "lama asfáltica" no final do governo de Paulo Souto, paralisada no começo do de Jaques Wagner, retomando os serviços meses após, após as auditorias de praxe, além da necessidade política de deixar o problema agravar para solucioná-lo, em parte, depois.

"Pais da criança", à parte, o certo é que deputados, senadores, o governador e até os candidatos de agora usam, sem a menor cerimônia, o melhoramento da BR-415 e a sua duplicação como promessa de campanha. E o que é ainda mais lamentável: fica só no blá-blá-blá!

Uma sugestão que faço, se tenho direito a tanto, é ampliar a duplicação pela margem direita do rio de forma futurista, dotando-a, desde já, de duas pistas, a exemplo da Salvador-Feira de Santana. Uma obra desse porte permitiria que a atual, pela margem esquerda do rio Cachoeira, se concretizasse como avenida Jorge  Amado.

Esses investimentos seriam bastante valiosos para todos os segmentos econômicos e políticos, resolvendo, de forma definitiva, o tráfego por dentro da cidade de Ilhéus. Isso possibilitaria evitar a circulação desnecessária pelo centro da cidade, de veículos que se destinam a bairros, distritos e outros municípios.

A tão sonhada e portentosa avenida Jorge Amado ligando Ilhéus a Itabuna, se depender dos investimentos públicos, vai ficando para outra ocasião, mesmo com as constantes emendas ao Orçamento da União, enriquecendo o discurso dos políticos com mandato. Isso é fato público e notório.

Na contramão do público, os investimentos privados vão demonstrando que a BR-415 é um dos equipamentos rodoviários mais importantes da região cacaueira, prestes a ter status de região metropolitana. Essa demonstração está presente na implantação do Atacadão Carrefour, na loja de atacados Makro (obra em fase de conclusão), no Maxxi, em fase de instalação, da Uesc, do Instituto Federal da Bahia (IFBa), além de uma série de grandes, médias e pequenas empresas que tem feeling para acompanhar o crescimento.

Enquanto as instituições públicas fazem "ouvidos de mercador", a avenida Jorge Amado, a despeito desse descaso, vai se transformando num grande centro comercial regional, uma verdadeira e bem produzida vitrine de encher os olhos dos consumidores, como descobriu há tempos os comerciantes do bairro ilheense do Banco da Vitória.

Antes que me esqueça, duas importantes informações: primeiro, o último investimento sério na BR-415 foi realizado ainda no governo de Roberto Santos (década de 1970). Segundo, se a rodovia é uma das mais bonitas do Brasil é graças ao plantio de árvores feito pela Ceplac, por obstinação de Lício Fontes.

Por último, o título acima merece uma explicação: tábua de pirulito era uma roda de madeira cheia de furos, nos quais eram enfiados os pirulitos, com uma haste no meio, que servia para o vendedor sustentá-la chamando a atenção de todos. Mas isso era coisa de antigamente, o descaso com a BR-415, dos homens públicos de hoje.

Publicado inicialmente no Cia da Notícia

Walmir Rosário é jornalista, advogado, editor do site www.ciadanotícia.com.br e usuário (diário) da rodovia

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Os caretas vivem mais


Em: 15.08.2010 12:20

Leila Vilas Bôas

leilavilasboasPerdi mais um menino. Estou de luto. Para muitos só mais "um traficantezinho que já estava na mira", pra mim, tinha um nome, um sorriso, um sonho dentre muitos: ver a filha crescer e se casar!

O que eu, no mergulho da minha experiência veterana, não consigo deixar de refletir e constatar com minhas lágrimas, é que falhamos! Falhamos como sistema de garantia de direitos, falhamos como educação formal, falhamos como mídia, falhamos como adultos que somos, com obrigação de sermos modelo, de protegê-los, de orientá-los, segundo designa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Falhamos, e por isso, perdemos os nossos meninos diariamente, assim tem sido... que missão árdua essa nossa. Será que o próximo será meu??

Jovem é para viver, crescer, amar, ter opções de escolhas. Entretanto, confirmo com muito temor que para os nossos restam poucos caminhos. Diante disso, escolhe-se o que mais seduz, que fortalece a "síndrome do super homem", da "onipotência", tão característica nessa fase... mas eles morrem, nossos super meninos morrem...

As explicações, elucubrações, são tantas, diversas e em tantas direções: quem começou a falhar? Quem é o pai do erro, da falha? Quem será a mãe que parirá a solução? Enfim, hoje não tenho intenção de tentar fazer análises sociológicas ou psicológicas, apenas constato, com a minha dor, que perdi mais um menino, que vi mais uma mãe perder o seu tesouro, mais uma vida sendo ceifada no auge de sua existência.

São necessárias medidas urgentes de todos os atores sociais que estão envolvidos nesta problemática. Tenho a sensação de que vivemos uma onda de "extermínio" de adolescentes neste contexto da nossa cidade. São eliminados, viram estatísticas, se esquece o nome, até o próximo e... a vida continua, desliga a TV meio dia, trabalho, por favor, um café...

Precisamos de ações urgentes para analisar com consistência e construir estratégias para atingir de maneira significativa esse problema, sob pena de que nossa cidade seja lembrada, que nossa sociedade seja futuramente referida como aquela que foi inerte e omissa em relação a essa "carnificina" de jovens.

Os caretas vivem mais. E os adolescentes devidamente assistidos pelas políticas públicas, pela família, pela escola, que recebem condições e vivenciam o auto cuidado, também. Infelizmente, aquele sorriso tímido, porém sincero, se foi antes de poder usufruir de uma vida diferente, com escolhas mais conscientes e lúcidas...

Perdi mais um menino, mas não quero perder minha esperança.

Leila Vilas Bôas é psicóloga das Unidades de Execução de Medidas Sócio Educativas em Itabuna e Ilhéus e trabalhou na Fundação Reconto no período de 2005 a 2009. 

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Itabuna e o censo 2010


Em: 06.08.2010 00:12

Adylson Machado

adylsonA credibilidade do IBGE é patente, mas não o exime da possibilidade de ter sido enganado em algumas de suas conclusões, amparadas em vícios "municipais" que pretendiam dados que atendessem a interesses, mormente quando o populacional passou a ser referencial para fixar os índices das transferências de recursos financeiros intragovernamentais. Ainda que pontuais - podemos admitir - existiram.

Por conta disso, em passado não longínquo, nos rincões do Brasil - não os descarto até nos não-rincões - distorções elaboradas fizeram crescer populações, restringir outras.

Pequeno município não muito distante de Itabuna teve, no censo de 1970, a população reduzida drasticamente, fazendo o coeficiente do FPM despencar de 1.8 para 1.6. Quando as pesquisas se iniciaram naquele agosto, todos os recenseadores, sob controle do então prefeito - indicados a dedo, dentre os de sua confiança - foram utilizados como apêndice da campanha eleitoral, casa a casa, relegando ao segundo plano o registro dos dados populacionais.

Em tempo de censo demográfico do IBGE/2010, no particular, voltam-se as atenções para a "disputa" entre Itabuna e Ilhéus, quando se espera a possibilidade da grapiúna superar a praieira em habitantes.

Ainda que Ilhéus tenha sido beneficiada das mais diferentes formas (apoio explícito do governo estadual, passando pela vigorosa propaganda televisiva na cacunda da obra amadiana nas novelas globais), a distorção sempre se afigurou flagrante e, de certa forma, inexplicável. Ilhéus já chegou a ter população em torno de 30 mil almas superior a Itabuna, recentemente. A propósito, determinado prefeito ilheense poderia explicar porque o número de habitantes de Ilhéus superou o de Itabuna, na dimensão em que ocorreu, e os métodos por ele utilizados que, certamente, permaneceram durante algum tempo.

De lá para cá muito melhorou o processo censitário, para evitar manipulações locais. Em especial, no que diz respeito aos critérios de recrutamento dos recenseadores, efetivado através de seleção pública nestes últimos tempos.

Com o evidente aperfeiçoamento na forma de recrutar, não fora os avanços tecnológicos que remetem ao quase imediato monitoramento dos dados coletados (antes registrados em planilhas, a lápis) Itabuna pode aguardar o retorno da realidade no que diz respeito à sua concentração populacional que não pode ser, ou continuar, tão desigual como a registrada nas últimas décadas em relação a Ilhéus.

Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum
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Caixa quer vender casas a jornalistas sindicalizados. Mas sindicato não sindicaliza jornalistas


Em: 04.08.2010 11:26

Domingos Matos - matos.domingos@gmail.com

domingos artigoInteressante a notícia que recebo no email, oriunda da assessoria de imprensa da prefeitura de Itabuna. Em letras destacadas em negrito, o título anuncia que "Profissionais de imprensa e comerciários terão acesso a Programa Habitacional" - leia aqui, só de pirraça.

Maravilha, penso. Lendo com mais cuidado, porém, descubro que o "convênio assinado na tarde da última sexta-feira (30) entre Prefeitura de Itabuna, Caixa Econômica Federal (CEF), e a FM Construtora está assegurando o acesso de jornalistas e radialistas sindicalizados ao Programa de Financiamento Habitacional "Minha Casa, Minha Vida". (grifo meu)

Ou seja, não é pra qualquer um jornalista. Tem que ser sindicalizado - nem é bom perguntar o que eles têm para blogueiro, visto que nosso Trombone tem classificação 'livre'. Mas vamos nos ater ao caso dos jornalistas e radialistas "tradicionais". Melhor, vamos ficar apenas com o caso dos jornalistas, uma vez que identifico maior facilidade para os companheiros do microfone na seara em que quero meter o bedelho.

Voltemos ao final dos anos 1990, exatamente aos idos de 1998/99, quando eu e uma turma de novos jornalistas ainda tínhamos ilusões quanto ao 'nosso' sindicato, o Sinjorba. Lembro que um grupo de fedelhos, todos com menos de 80 quilos - composto por este que vos escreve, além de Davidson Samuel e Ricardo Ribeiro (Pimenta), Simone Nascimento (Diário Bahia - licenciada) e, logo após, Ailton Silva (A Região) - partiu em busca da "legalização" na profissão, e procurou o glorioso Sinjorba.

Não eram, ainda, os anos de chumbo que hoje vivemos, a ditadura do diploma  - ou a síndrome da certificação, como define Adylson Machado, em seu ABC do Cabôco. Havia certa liberdade para sindicalizar os profissionais que já atuassem no mercado, que não tivessem problemas com a Justiça - tentativa de expurgar os picaretas - estivessem em vias de serem contratados por algum veículo e, regra estranha, declarassem não haver jornalista desempregado na cidade. Preenchíamos todos os requisitos - até rezávamos para que o Agora e o A Região não demitissem nenhum de nossos colegas, como Daniel Thame, Luiz Conceição, Joel Filho... Eles não sabem, mas foram alvos de nossos clamores.

Mas, também no jornalismo, existe um dispositivo ilegal - embora praticado a torto e a direito - chamado "reserva de mercado". No nosso caso era pior, uma vez que não havia nenhum jornalista sindicalizado desempregado na cidade - nossas orações eram fortes! -, e enfrentávamos uma "reserva de mercado futuro!", caso um desses filhos de Deus tomasse uma tábua de graxa durante nossa luta pelo registro profissional.

Resultado, fomos enrolados pelos sucessivos delegados sindicais que por aqui apareceram, entramos pelos anos 2000, participamos - para fazer número - de encontros de jornalistas no interior (valia pela cachaça), onde se debatia o fim da sindicalização de jornalistas como eu e como meus companheiros. Sacanas...

E hoje, invadindo minha caixa de email, me vem o Sinjorba com esse nhenhenhém de que "a parceria [para a aquisição da casa própria] é um ato de justiça porque irá assegurar um benefício social, com o acesso a moradia, para profissionais de três setores importantes da economia do município de Itabuna e da região", nas palavras de seu atual representante regional, Valério de Magalhães. Arre!

Torço para que os companheiros do rádio consigam ter acesso ao programa, assim como os comerciários. Torço até para que os jornalistas sindicalizados consigam sua casa própria, e que o Sinjorba não estipule uma regra do tipo "desde que não haja nenhum jornalista diplomado sem-teto na cidade" - sim, porque essa agora é a bandeira do nosso sindicato, mesmo sem esquecer a reserva de mercado para quem já estava dentro até o momento do boom dos cursos de jornalismo em nosso estado.

Ah, só pra não ser injusto com o magnânimo Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia - gostei desse termo 'magnânimo', com que a Ferrari premiou Felipe Massa, o sonso, depois da vergonha da corrida da Alemanha: após o início do período dos anos de chumbo, o Sinjorba concedeu, sim, um registro profissional e o direito de sindicalizar-se a um jornalista itabunense - Ednei Bonfim.

Mas este nunca pertenceu àquele nosso grupo.

Domingos Matos é jornalista sem registro e sem sindicato; é blogueiro e escreve quando quer

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