A Nova Ceplac vem aí

Encontro será nesta quarta-feira, a partir das 9h, no Auditório Maior do Mapa

Domingos Matos, 08/08/2017 | 00:18

Representantes da cadeia produtiva do cacau participam, nesta quarta-feira (9), em Brasília, de um seminário para concluir o debate sobre a readequação da futura Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em um novo contexto na estrutura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Além do novo desenho de gestão, o seminário servirá para reforçar à cadeia produtiva e a representantes de governo estaduais a importância regional da Ceplac nos estados em que ela atua.

O novo modelo foi delineado pelo Grupo de Trabalho (GT) Ceplac. Segundo o coordenador do GT, Jair Marques, serão apresentadas alternativas viáveis para o fortalecimento e modernização da Ceplac a partir de levantamentos e estudos de atribuições e recursos técnico-científicos, patrimoniais, estruturais e humanos.

“O seminário é de fundamental importância para a reorientação da Ceplac, considerando que a sociedade e toda a cadeia produtiva contribuirão para adequá-la às atuais necessidades do setor rumo à retomada do crescimento da cacauicultura brasileira”, destaca Marques.

Ele ressalta ainda que a Ceplac tem posição de grande relevância no cenário internacional da cacauicultura, devido ao seu histórico de conhecimento técnico–científico. “A Ceplac faz história e continuará tendo protagonismo no contexto mundial”, diz Marques.

“A Ceplac tem importante contribuições para dar à modernização e à atualização do setor, criando oportunidades para seu desenvolvimento na era digital”, acrescenta o coordenador do GT.

A expectativa do grupo é apresentar o trabalho ao secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, até o próximo dia 30. “Será um trabalho com perspectiva de grande avanço para o setor”, ressalta Marques. O seminário será no Auditório Maior do Mapa e começará às 9h, com encerramento previsto para as 17h.

Professora da rede estadual em Itabuna é finalista do prêmio Educador Nota 10

Domingos Matos, 31/07/2017 | 18:03

A professora de Educação Física, Mayllena Carvalho, que leciona no Colégio Estadual General Osório, em Itabuna, na região sul do estado, está entre os 50 educadores finalistas do prêmio Educador Nota 10. Seu projeto “O ensino de Educação Física e as práticas corporais de aventura, desenvolvido com estudantes do Ensino Fundamental e Médio, foi selecionado entre os mais de cinco mil trabalhos inscritos. O resultado será divulgado até o dia 7 de agosto, no site www.educadornota10.org.br.

O projeto tem o objetivo de analisar e identificar as possibilidades, bem como os desafios das práticas corporais de aventura no ensino da Educação Física. Para a prática pedagógica, foram ministradas aulas com oficinas de Patins, Skate, Slackline e Parkpur, além de explorar o repertório de conhecimentos com as atividades de aventura terrestres, aquáticas e aéreas.

De acordo com a professora Mayllena, o projeto foi desenvolvido no percurso da primeira unidade para contextualizar aspectos relevantes frente o desafio de promover oficinas sobre práticas corporais de aventura. “A metodologia utilizada para promover vivências aos alunos por meio de oficinas foi uma inovação pedagógica na tentativa de realizar aulas de Educação Física, permitindo ao aluno vivenciar outras possibilidades corporais”, explica a educadora.

Sobre o prêmio 

A premiação realizada pela Fundação Victor Civita, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, reconhece professores da Educação Infantil ao Ensino Médio, coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país, por desenvolverem projetos em diferentes áreas do conhecimento que destacam a importância da aprendizagem de crianças e jovens. Entre os finalistas, são escolhidos os dez Educadores Nota 10, além do Educador do Ano.

Biometria no Conjunto Penal de Itabuna - Matéria TV Cabrália

Domingos Matos, 27/07/2017 | 10:13
Editado em 27/07/2017 | 10:20

Matéria veiculada na Record Bahia - TV Cabrália sobre o pioneiro sistema de controle biométrico no interior do Conjunto Penal de Itabuna.

Temer empurra servidores para demissão voluntária e licença sem vencimentos

Domingos Matos, 26/07/2017 | 09:22
Editado em 26/07/2017 | 18:06

Após anunciar o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) para servidores do Poder Executivo, o Ministério do Planejamento divulgou ontem (25) a possibilidade de os funcionários públicos federais aderirem a uma licença incentivada sem remuneração (LIP).

Nela, os trabalhadores poderão suspender temporariamente o vínculo com a administração por três anos consecutivos, prorrogáveis por igual período, recebendo como incentivo o valor equivalente a três meses de sua remuneração. O servidor que optar pela medida não poderá retornar ao trabalho antes do fim do prazo acordado.

Em nota, o Ministério do Planejamento informou que os servidores que optarem pela adesão ao programa perderão o vínculo com a administração pública e, portanto, deixarão de participar do Regime Próprio de Previdência Social.

Para a pasta, assim como a LPI, o PDV e a jornada de trabalho reduzida com remuneração proporcional, as duas últimas anunciadas na segunda-feira (24), visam “aumentar a eficiência no serviço público”. A adesão poderá ser feita já em 2017, e não há prazo final estipulado para que o servidor interessado possa aderir ao programa. O impacto financeiro da medida será observado em 2018.

Rui lança projeto Escolas Culturais em Itabuna

Domingos Matos, 26/07/2017 | 09:09

O governador Rui Costa lança, às 16h desta quinta-feira (27), o projeto Escolas Culturais. O ato será realizado no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, na cidade de Itabuna, no sul do estado. O projeto integra o programa Educar para Transformar e tem como objetivo promover o protagonismo estudantil, além de reconhecer e requalificar a escola como um espaço de circulação e produção da diversidade cultural do Território de Identidade onde está inserida.

O lançamento terá a participação dos secretários de Cultura, Jorge Portugal; da Educação, Walter Pinheiro; e de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Carlos Martins; além de alunos da rede estadual de ensino de Itabuna e de grupos culturais da região.

Pioneiro no país, Conjunto Penal de Itabuna distribui kits de higiene com controle biométrico

Domingos Matos, 25/07/2017 | 12:59
Editado em 25/07/2017 | 13:01

O Conjunto Penal de Itabuna (CPI) está distribuindo os kits de higiene pessoal e colchões controlados por um sistema de biometria para os internos que cumprem pena na unidade. O presídio itabunense é o primeiro do país com esse sistema. A iniciativa é do Governo do Estado, que faz a administração da unidade em sistema de cogestão com a empresa Socializa Brasil, como forma assegurar a transparência em todas as ações que desenvolve.

A primeira distribuição 100% controlada está sendo feita no presídio desde a terça-feira (18). De acordo com o diretor do CPI, capitão PM Adriano Jácome, essa é uma forma de melhor atender ao princípio da transparência, uma vez que pelo antigo modelo de controle por assinatura há brechas para burlas, como troca de nomes, o que prejudica a universalização dos direitos e isonomia no tratamento da população carcerária.

“Para nós, enquanto órgão de Estado, cumprir a Lei da Transparência em todos os aspectos, é uma obrigação. Esse é o princípio que temos aplicado aqui, através da parceria com a empresa Socializa, que operacionaliza o sistema. Como agente fiscalizador, temos orgulho do pioneirismo e do cumprimento a esse preceito, tão caro à democracia, que é a transparência na execução das ações públicas”, observa o diretor Adriano Jácome.

Compromisso

Ao longo dessa semana estão sendo distribuídos com certificação digital de identidade itens como colchões novos e produtos de higiene pessoal. Assim como na distribuição dos kits, o controle biométrico também é utilizado para o acesso de visitas dos internos na unidade prisional. Além disso, a entrega de materiais de trabalho e equipamentos de proteção individual (EPIs) aos colaboradores do CPI também serão auditados por biometria. 

O controle biométrico é elogiado até pelos internos, a exemplo de Jarbas Gutierri, que destaca o caráter de justiça que o novo sistema proporciona. “É importante, porque há um controle maior. Eu tenho cuidado com minhas coisas, mas nem todos são assim. Então, também cria um compromisso de nossa parte, de conservação, porque tudo fica documentado”.

Cidadão

Recentemente o Conjunto Penal de Itabuna promoveu uma feira de saúde, que atendeu a mais de 350 internos. Outros projetos ressocializadores, parcerias institucionais e a garantia dos direitos à saúde e educação, além de atividades laborais promovidos pelo CPI, ganharam o reconhecimento da comunidade e levaram à proposição e aprovação do nome do diretor Adriano Jácome para receber da Câmara Municipal o título de Cidadão Itabunense.

A honraria é concedida a quem, nascido em outra localidade, tenha prestado relevantes serviços a Itabuna, ao Brasil e/ou à humanidade. A entrega será realizada na próxima quarta-feira (26), em cerimônia no salão de festas da AABB.

PF deflagra operação contra pedofilia em 14 estados

Domingos Matos, 25/07/2017 | 10:43
Editado em 25/07/2017 | 10:50

A Polícia Federal (PF) está cumprindo hoje (25) mandados judiciais dentro da segunda fase da Operação Glasnost, que combate a exploração sexual de crianças e o compartilhamento de pornografia infantil na internet. A ação é continuação da operação deflagrada em novembro de 2013, quando foram cumpridos 80 mandados judiciais, entre eles, 30 prisões em flagrante por posse de pornografia infantil. Foram ainda identificados e presos diversos abusadores sexuais, bem como resgatadas vítimas, com idades entre 5 e 9 anos.

De acordo com a PF, 350 policiais cumprem nesta terça-feira 72 mandados de busca e apreensão, três de prisão preventiva e dois de condução coercitiva. As ações ocorrem em 51 municípios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Sergipe.

A PF informa ainda que a investigação teve como base o monitoramento de um site russo. Ele era usado como “ponto de encontro” de pedófilos de vários países. As investigações identificaram centenas de usuários, brasileiros e estrangeiros, que compartilhavam pornografia infantil na internet, bem como diversos abusadores sexuais e produtores de pornografia infantil.

“Os investigados produziam e armazenavam fotos e vídeos de crianças, adolescentes e até mesmo de bebês com poucos meses de vida, muitos deles sendo abusados sexualmente por adultos, e as enviavam para contatos no Brasil e no exterior”, diz a nota da PF.

O nome da operação, Glasnost, faz referência ao termo russo que significa transparência. A palavra foi escolhida porque a maior parte dos investigados utilizava servidores russos para a divulgação de imagens de menores na internet e para contatos com outros pedófilos ao redor do mundo.

Via Agência Brasil

Hospital Manoel Novaes anuncia UTI Pediátrica

Domingos Matos, 25/07/2017 | 10:12

A Santa Casa de Misericórdia de Itabuna acaba de ajustar os termos finais de um contrato de habilitação de leitos SUS para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Pediátrica do Hospital Manoel Novaes. A unidade é a única com este perfil em todo Sul e Extremo Sul da Bahia e foi estruturada com investimentos da instituição em parceria com o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC). No total de 10 leitos, 7 estarão habilitados para atendimento ao SUS.

A Unidade é estratégica para a integralidade do serviço de Oncologia Pediátrica, sobretudo a Oncohematologia da Santa Casa de Itabuna, hoje responsável por atender a 50% dos municípios baianos. A inauguração do serviço garantirá também melhor assistência às emergências e cirurgias pediátricas e neuropediátricas no Hospital Manoel Novaes.

A nova UTI atenderá crianças de até 13 anos de idade e todos os leitos são equipados com suporte de ventilação e monitorização contínua, além de uma equipe integrada na assistência de alto risco.

“Após várias gestões de discussão, a Secretária de Saúde de Itabuna, Lísias São Mateus, prontamente acolheu e formalizou o pleito da habilitação. Agradecemos assim, à gestão municipal na pessoa do prefeito Fernando Gomes, ao Governo do Estado, em especial ao Governador Rui Costa, ao vice-governador João Leão e ao Secretário de Saúde Fábio Villas Boas”, declarou o provedor da Santa Casa de Itabuna, Eric Ettinger Júnior.

Governo do Estado lança em Ilhéus a Estrada do Chocolate

Domingos Matos, 23/07/2017 | 23:10

O Governo do Estado lançou o projeto de implantação da Estrada do Chocolate em Ilhéus, no sul da Bahia, durante o Festival Internacional do Chocolate e Cacau - Chocolat Bahia 2017. No roteiro, os turistas conhecerão a cultura do cacau e a produção do chocolate, por meio de visitas a fazendas existentes ao longo da BA-262, com sítios históricos, rios, cachoeiras e áreas de preservação ambiental.

Este será o primeiro roteiro turístico temático da Bahia e, inicialmente, vai abranger os municípios de Ilhéus e Uruçuca. O projeto foi lançado pelo secretário do Planejamento e vice-governador, João Leão, neste sábado (22), com as presenças dos secretários de Turismo, José Alves, e Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues, além do coordenador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jonas Paulo.

Na apresentação do projeto, João Leão destacou que “existem cidades no Brasil e no mundo que não produzem uma única amêndoa de cacau e vivem exclusivamente do chocolate. O Governo da Bahia está somando esforços com os empresários e outras instituições, como prefeituras e universidades, no sentido de impulsionar a produção de chocolate e fazer com que essa região de torne um polo de atração de investimentos, impulsionando o turismo e a economia como um todo”.

O roteiro começa a operar a partir de agosto. Ele inclui ainda as fábricas do parque moageiro de cacau, no Distrito Industrial de Ilhéus, fazendas/fábrica de chocolate gourmet, fazendas de cacau com acervo histórico-arquitetônico, Estação Rio do Braço, arquitetônico da sede do antigo distrito de Ilhéus e a Biofábrica do Cacau.

A Estrada do Chocolate também lembra os cenários da obra imortal do escritor Jorge Amado, conhecida em todo o mundo. “Essa é uma região única, com uma cultura e história que giram em torno do cacau e que vamos transformar também na região do chocolate de origem”, acrescentou Leão.

Desenvolvimento regional

O secretário de Turismo explicou que “as pessoas que visitarem o sul da Bahia poderão conhecer todo o processo, de cultivo, colheita, preparação das amêndoas e produção do chocolate, adquirindo marcas de qualidade”.

Jonas Paulo lembrou que “a meta do Governo da Bahia é a retomada do desenvolvimento regional, e a Estrada do Chocolate é estratégica porque atua como polo difusor da produção verticalizada, além do forte atrativo turístico", destacando o casamento entre as belezas naturais da região e o sabor do chocolate premium.

Já Jerônimo Rodrigues ressaltou que “a Estrada do Chocolate abrange várias propriedades da agricultura familiar, que vem recebendo recursos do Governo do Estado para capacitação e ampliação de toda a cadeia produtiva. O nosso diferencial será a amêndoa de qualidade, o chocolate de origem e o respeito ao meio ambiente com a conservação da Mata Atlântica.”

Com apoio do Governo da Bahia, o Festival Internacional do Chocolate e Cacau reúne cerca de 80 expositores e apresenta 40 marcas de chocolates finos. O evento acontece até este domingo (23), no Centro de Convenções de Ilhéus.

Fotos: Daniel Thame/GOVBA

“O cacauicultor mudou a forma de pensar”

Entrevista com Milton Andrade – Presidente do Sindicato Rural de Ilhéus

Domingos Matos, 23/07/2017 | 20:28
Editado em 23/07/2017 | 20:37

O presidente do Sindicato Rural de Ilhéus e integrante da Câmara Setorial do Cacau, Milton Andrade, faz uma avaliação da inclusão do cacau no Plano Agrícola e Pecuária 2017/2018. A apresentação foi feita pela superintendente interina do Banco do Brasil no sul da Bahia, Vanessa Bernardo, e pelo assessor para o Agronegócio, Antônio Bastos Leite Filho, no último dia 11. Nessa entrevista, o dirigente do sindicato rural faz uma análise da volta do crédito para o cacau e analisa o momento atual, com as mudanças no cenário e até na forma de pensar o cacau. “O cacauicultor mudou a forma de pensar. Hoje pensamos como um ele dentro de uma cadeia produtiva”.

Como o senhor viu o anúncio de financiamento para o cacau?

Muito importante. Dentre as linhas de crédito para o agronegócio no sul da Bahia, o cacau, dendê e o açaí passam a ser contemplados pelo ABC, que é o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, com recursos na ordem de R$ 2,13 bilhões. Os bancos não estavam operando com linhas de crédito públicas e nós, da cacauicultura, agora fomos inseridos. Na realidade, para nossa região, o cacau especificamente receberá R$ 2,52 bilhões, sendo a maior parte será pela linha ABC devido à característica de nossas cabrucas.  Na realidade os bancos abriram as portas para oferecer crédito para o cacau e isso é muito bom.

Era o que o produtor esperava?

Achamos que as taxas, que serão trabalhadas numa faixa de 7,5% ao ano, ainda são muito altas para a agricultura, ainda que tenha caído um ponto percentual, porque eram de 8%. Porém o passo dado para que nós tivéssemos acesso a essas políticas públicas, a esses recursos voltados para o cacau, que há mais de 25 anos não dispunha de recursos, achamos realmente fantástico e um ganho para a região.

O senhor tem alguma avaliação do que levou a essa retomada, após 25 anos sem dinheiro novo na cacauicultura?

Para a liberação desses recursos houve uma articulação muito grande entre produtores e uma participação muito grande do diretor da Ceplac, Juvenal Maynart, nesse processo, a quem a gente agradece muito. Maynart se articulou e nos deu um apoio muito grande nessa batalha junto à diretoria da área de créditos do Ministério da Agricultura. Então o resultado dessas gestões foi muito favorável e hoje a gente vê os resultados.

O dinheiro foi anunciado, e está sendo comemorado pelos produtores. Mas, em se tratando de cacau, as notícias devem ser comemoradas com certa cautela. Tudo foi resolvido?

Com certeza, não. Mas esse é um assunto que deve ser entendido bem. A nossa região está completamente engessada, endividada e, por conta disso, nós fomos contemplados com a lei 13.340, de 2016. Essa lei, na realidade, é para liquidação, a quitação e renegociação das dívidas dos produtores do Nordeste, com apoio maior para a região do semiárido, mas também para as regiões que estão fora do semiárido, que ganham descontos menores, como é o caso nosso. Essa lei é de setembro do ano passado e até hoje o Banco do Brasil não a está aplicando. O Banco do Nordeste começou a aplicar desde janeiro, fez a regulamentação e já está aplicando a lei, e o BB, que alcança uma gama grande de produtores, não está trabalhando até hoje. São 10 meses de espera.

E a consequência disso...

Temos um Plano Safra que nos oferece recursos de um lado, e produtores do outro lado que não tem condição de ter acesso a esses recursos, porque a lei, promulgada 10 meses atrás, não está ainda em aplicação. Portanto, os produtores que estão com suas propriedades hipotecadas não terão acesso a esses recursos. Foi uma queixa nossa, nós deixamos registrado durante nosso pronunciamento no lançamento do Plano Safra, na Superintendência do BB em Itabuna, e eles ficaram de se empenhar para que isso fosse resolvido. Na realidade é um contrassenso, nós que há mais de 25 anos não temos crédito para nossa atividade, de repente a gente tem um crédito e não podemos ter acesso, porque o BB, que detém a maior parte das operações hoje na região, não está renegociando ou facilitando a quitação dessas dívidas.

“A gente hoje pensa como cadeia produtiva e

não só apenas olhando para um microespaço”

 

Há alguma perspectiva para uma solução a tempo de alcançar esses recursos do Plano Safra?

Eles responderam que estavam fazendo, mas na realidade nós recebemos no sindicato queixas diárias de produtores que vão até a agencia do BB de Ilhéus e eles não sabem nada. Vamos encaminhar oficialmente uma correspondência para deixar registrado o nosso pleito visando agilizar o processo para que os produtores de cacau dessa região tenham acesso ao crédito e a gente possa, enfim, iniciar o processo de revitalização da lavoura cacaueira.

Qual impacto desse impasse numa região com tanto desemprego, especialmente na área rural?

Muito grande. O prejuízo é imenso para toda a região. Hoje, nós temos tecnologia que atende ao produtor com relação à vassoura-de-bruxa, o que soluciona a questão da produtividade. A gente precisa hoje é de dinheiro para fazer o investimento e a gente fazer o cacau voltar a ser uma atividade mais forte, porque a cadeia produtiva do cacau continua sendo o eixo da economia regional, movimentando cerca de R$ 300 milhões de dólares nessa região. Então é necessário que o banco, que o Governo do Estado também olhe para isso e o Governo Federal observe também. Entender que o cacau tem condição, sim, de aumentar em muito a receita, o PIB do nosso Estado, dando a sua contribuição mais expressiva. É isso que nós precisamos.

Talvez esse reconhecimento passe pela questão da representatividade. Historicamente, o cacau sofre com esse problema. Qual a situação do cacau e dos cacauicultores no cenário atual?

Podemos dizer que o cacau hoje tem voz dentro do Ministério da Agricultura, especialmente através da Câmara Setorial do Cacau. É uma ferramenta fantástica para o produtor. O presidente atual, Guilherme Moura, que ocupa o diretório da FAEB e é presidente do Sindicato Rural de Camacan, tem feito um excelente trabalho de reestruturação e modernização da Câmara Setorial do Cacau nacional. Nós, produtores, estamos numa articulação para uma maior participação junto a essa câmara, o sindicato rural de Ilhéus já faz parte. Estamos articulando, em paralelo a isso, a Câmara Setorial estadual. O secretário estadual da Agricultura, Vitor Bonfim, está reativando as câmaras setoriais, que haviam sido estruturadas pelo então secretário Eduardo Sales.

Os cacauicultores estão ocupando espaços...

Deixa-me dizer uma coisa. Os produtores estão atuando muito junto com a indústria moageira, que tem nos dado um apoio muito grande em Brasília, a IPC, através do executivo Eduardo Bastos, tem nos ajudado. Temos atuado em parceria, porque a visão hoje dos produtores é uma visão diferente da do passado. A gente hoje pensa como cadeia produtiva e não só apenas olhando para um microespaço, pensando apenas como produtor.

Essa convivência já foi vista com desconfiança, na verdade, até recentemente. É possível uma relação ganha-ganha entre produtores e moageiros?

Lógico. Nosso papel, de defender os nossos interesses enquanto produtor, é prioridade, mas precisamos pensar mais adiante, pensar no conjunto e este conjunto tem estado muito bem orquestrado, junto com o elo seguinte ao produtor, que é o elo das moageiras. Precisamos trabalhar os pontos convergentes. Pontos divergentes nós teremos sempre. O preço, por exemplo, vamos brigar sempre com eles nessa questão, cada um visa a sua margem de lucro. Porém, precisamos ter uma visão de que o nosso negócio depende dos elos seguintes da cadeia produtiva.

Por exemplo...

Por exemplo, o elo do consumo, que vai gerar ganhos para todos os elos. À medida que se aumenta o consumo de chocolate, por exemplo, adicionando o chocolate na merenda escolar nacional ou que seja determinado o mínimo de 35% de cacau num produto para ele ser considerado “chocolate”, entre outras medidas, não tenha dúvida de que isso vai refletir no preço da matéria prima. Então o que nós estamos fazendo é trabalhar esse conjunto de forma harmônica, como cadeia produtiva, e a Ceplac tem sido um instrumento muito participativo nesse momento. Nesse sentido, eu gostaria muito de salientar a participação de Juvenal Maynart junto com os produtores. Temos estado com ele com frequência, temos trocado ideias e mostrado os nossos interesses, e ele tem sido um participante muito ativo da região e, principalmente, representando uma instituição como a Ceplac.

Como os produtores veem Ceplac num momento de virada do cacau, como o senhor destaca, em termos de financiamento e dessa nova abordagem, agora como cadeia produtiva?

Nós, produtores, consideramos a Ceplac de grande importância para o desenvolvimento da região. E, para essa nova fase do cacau, necessitamos dela reestruturada. Estamos acompanhando a iniciativa do Mapa com a instalação da comissão, já tratando do assunto da modernização e reestruturação da instituição. Estamos trabalhando em contato permanente com o diretor Juvenal Maynart e todos os outros dirigentes do órgão em Brasília, a exemplo de Manfred Muller e Edmir Ferraz.

Ainda se fala na criação do Fundo do Cacau?

Estamos agindo, está muito adiantado, na verdade. Em breve faremos o lançamento do projeto, as representações já estão debruçadas nesse sentido, porque será a ferramenta que vai auxiliar muito o desenvolvimento pretendido. Tivemos oportunidade de passar isso para o Ministério da Agricultura, quando o secretário-executivo, Eumar Novack, participou do Dia Internacional do Cacau, promovido pela Ceplac, no ano passado. Na oportunidade, tivemos três horas de reunião com ele e expusemos as nossas dificuldades. Falamos da criação do fundo que, vale salientar, estamos nos espelhando em outros fundos existentes no Brasil, com total sucesso. O mundo inteiro funciona com esse importante instrumento para a agricultura e a cacauicultura vai ter oportunidade de experimentar essa grande ferramenta, que pode se tonar o maior fator de desenvolvimento da cacauicultura e da região, após a criação da Ceplac na década de 1950.

(Publicada originalmente no Jornal Agora)

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