Opinião

Meu dinheiro sumiu…

Domingos Matos, 16/02/2018 | 15:17
Editado em 16/02/2018 | 15:26

Walmir Rosário*

Esse título, “Meu dinheiro sumiu...”, por si só, não quer dizer nada. Não é nenhuma novidade os parcos recursos percebidos por qualquer aposentado junto à Previdência Geral desaparecerem após o pagamento das primeiras despesas. No meu caso, entretanto, a situação foi agravada por não ter sido sequer creditado na minha conta, na instituição bancária que me repassa, mensalmente, os precários reai$.

Pois foi o que me aconteceu em janeiro por culpa exclusiva da Caixa Econômica Federal, cujos lépidos diretores resolveram fechar a agência de Canavieiras de uma vez por todas, deixando ao “Deus dará” milhares de clientes. Dentre esses clientes estão classes sociais da mais variadas, como os investidores, grandes correntistas, pequenos poupadores, aposentados – entre os quais me incluo – e os beneficiários dos programas sociais do Governo Federal.

Pelo visto, a visão geral é que os homens do governo não respeitam os próprios homens do governo, sejam em que governo for, não importando o governante, pois, ao que parece, cada um toma conta do seu feudo da maneira que melhor lhe apraz. Pois é, decidiram fechar mais de uma centena de agências, mesmo as superavitárias, de uma só canetada, como a de Canavieiras, há tempos marcada para morrer.

E foi bem assim, de maneira simplista, que retiraram o CNPJ da agência da Previdência Social, o que motivou a transferência das minguadas “merrecas” para outro banco, sem qualquer aviso prévio. Imaginem as visões de choro e ranger de dentes dos coitados dos aposentados e pensionistas ao não encontrarem um só tostão na conta, principalmente os que não têm nenhuma intimidade com os complicados caixas eletrônicos…

Após uma série de contratempos, fui descobrir que os mirrados “garangaus” estavam lá no Bradesco, aguardando apenas que me apresentasse e metesse a mão, para alívio dos meus sempre exigentes credores. Em vez de reclamar, fiquei até agradecido, pois a solução miraculosa da Caixa era que eu me transferisse de mala e cuia para uma agência na cidade de Ilhéus, distante 230 quilômetros (ida e volta).

E essa não é a primeira vez que, na minha condição de aposentado, tenho sofrido alguns sobressaltos. Por umas duas ou três vezes fui compelido a comparecer a uma agência do banco onde recebo, para provar que continuava vivo, apesar da teimosia de minha saúde. Vou a um guichê do caixa, me apresento mostro um documento de identidade, o cartão de movimento da conta e saio feliz da vida, já que o bancário confirma a minha existência.

Mesmo assim, por repetidas vezes, recebia um aviso assim que acessava o caixa rápido ou pela internet, me avisando necessidade da prova de vida, mesma já feita. E lá fui eu de novo, me apresentar mais uma vez. Como seguro morreu de velho, fui também a uma agência da Previdência mostrar que continuava vivo, sem qualquer risco de morrer, a não ser por uma daquelas fatalidades.

Me senti constrangido por essa insistência do banco ou da previdência em duvidar de minha existência e já comecei a pensar que estavam querendo apressar a minha morte, embora não possa especificar o motivo. Foi aí que descobri que poderia me considerar um felizardo, com as notícias veiculadas com muita ênfase (até desnecessária) que um banco e a Previdência do Estado de São Paulo também não acreditavam que o presidente da República, Michel Temer, continuasse vivo. Para ele, o Michel já era, tinha batido as botas, morrido seja lá de que motivo.

Aí sim, eu acreditava até que tenha sido algum tipo de perseguição ao próprio Temer pelos seus colegas paulista, já que ele estava, e ainda está, com a ideia fixa de mudar as condições para a aposentadoria. Foi então que me informaram não ter nenhum tipo de vingança, pois quem manda são os programas dos computadores. Não se apresentou para provar que está vivo, adeus dinheiro.

Diante da chuva de notícias sobre o presidente, até agora não fiquei ciente do motivo pelo qual ele não foi fazer a prova de vida, se devido às muitas ocupações inerentes ao cargo, por esquecimento ou falta de aviso dos assessores. Em conversa nem tão reservada lá na Confraria d’O Berimbau, soube que Temer estava pouco se lixando pelo dinheiro da aposentadoria, calculada em quase R$ 50 mil, embora só repassem a ele pouco mais de R$ 20 mil.

Pela abissal diferença entre nossos ganhos, resolvi tomar uma certa distância do presidente, pois já estava até me sentido com certa intimidade – ou compaixão – da sua pessoa, pelo que eu considerava um infortúnio nosso. Mas, felizmente, para o nosso gáudio, ambos os recursos foram colocados à nossa disposição. A parte que me cabia, como disse, prontamente entregue aos credores; quanto ao de Temer, não tenho a menor ideia.

Agora, o que sinto e que me faz por demais agradecido, foi a ampla mobilização para a reabertura da agência da Caixa em Canavieiras, para que os pobres aposentados e pensionistas não fiquem na mão. Pelas minhas contas, foi preciso mais de 300 anos para que Canavieiras encontrasse pessoas capazes de solucionar seus intermináveis problemas. E sequer imploraram qualquer ajuda a São Boaventura.

*Radialista, Jornalista e advogado.

Quem tem medo do mercado digital?

Domingos Matos, 13/10/2017 | 23:58
Editado em 14/10/2017 | 00:03

Domingos Matos

Recentemente falei aqui da morte dos blogs jornalísticos - depois da morte do próprio jornalismo. Curiosamente, continuo escrevendo em um blog. Mas, os meios de chegar à audiência são o que atestam a minha tese: as redes sociais são os tubos de oxigênio que mantêm as funções vitais enquanto não aprendemos a lidar com as novas formas de comunicação.

Hoje, quero falar sobre outro tema que me fascina: o mundo quase inexplorado dos negócios digitais. E começo falando por um lugar-(quase)comum: o medo do mercado digital.

Um termo relativamente recente - "internet das coisas" -, ainda não muito difundido em mercados secundários de tecnologia, como o do Brasil, parece que por aqui "explodirá" antes do do comércio eletrônico - este bem mais antigo entre nós, porém ainda cercado de desconfianças. Reforçando: trato aqui dos conceitos, não de números absolutos ou fenômenos reais. Há muito mais adeptos das compras na internet do que gente falando sobre ou mesmo utilizando bugingangas conectadas.

Por internet das coisas, entendemos, grosso modo, aquelas facilidades que a cada dia surgem e já nem nos surpreendem, como um veículo que informa, via central multimídia, a hora de ir pra oficina. Ou, um relógio que lê e interpreta seus batimentos cardíacos e pressão arterial e te avisa de um possível problema de saúde.

Estamos nos acostumando a isso mais rapidamente do que a realizar uma compra em um site, mesmo que seja de um gigante do mercado.

Acredito que a falha esteja exatamente na educação digital, que praticamente inexiste. As grandes corporações de publicidade e marketing, os grandes gênios do convencimento, que quebram objeções de milhões de pessoas e elegem um corrupto, muitas vezes condenado por corrupção, como gestor, não são conseguem tirar da cabeça do consumidor o medo de inserir dados em um site.

O argumento da falta de segurança no ambiente virtual é facilcmente superado quando pensamos que a clonagem de cartões e outras fraudes se dão basicamente no mundo físico. Chupa-cabras e outras fraudes e fraudadores, como o vendedor que leva o cliente a inserir a senha onde deveria ser informado por ele - vendedor - o preço do produto entre outras.

Comprar pela internet é tão seguro - e inseguro - quanto no mundo físico. Somente o amadurecimento desse mercado é o que fará a devida depuração, separando o joio do trigo e elevando o nível de confiança, a lucratividade dos empreendedores e a abrindo um mercado que se apresenta - timidamente, ainda - com infinitas possibilidades.

Convido os empresários e profissionais liberais a experimentarem investir nesse novo modelo: considerem levar seus negócios para a internet, invistam em marketing digital e sejam pioneiros. Em breve, quem sabe não chegam bugingangas que induzam os clientes a comprarem em seus co-irmãos digitais.

Prevejo, por exemplo, o tempo em que o médico não mais emita receitas em papel para a autorização de aquisição de medicamentos. Bastará um código, enviado para um dispositivo como um relógio digital, prescrevendo a droga necessária.

Já pensou se a farmácia não estiver conectada?

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Editor

DUPLICAÇÃO: 1977 a 2017 - 40 anos de castigo em forma de espera!

Domingos Matos, 10/10/2017 | 09:47

Carlos Eduardo Sodré*

A história é a grande fonte alimentadora da verdade. Quando, hoje, o governador Rui Costa autoriza a deflagração da obra de duplicação da BR-415, trecho Ilhéus/Itabuna, impõe-se, a bem da verdade, o resgate do quê está por trás dessa importantíssima conquista.

Corria o ano de 1977. Governava a Bahia o Prof. Roberto Santos que experimentava, em Itabuna, mercê da célebre mesquinhez política que acompanha a vida de Itabuna desde priscas eras, oposição hostil dos mandatários locais. Como representante, aqui, do Governador e preocupado com a possibilidade de perdermos a chance de conseguirmos, para Itabuna, Ilhéus e a região, importantes obras de que tanto a nossa terra carecia, concebi um comitê informal das entidades representativas da comunidade local e, por esse conduto, levamos ao Chefe do executivo estadual, dentre outros, o pleito da obra de duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, trecho inicial da BR-415, com a justificativa de que, além de aliviar o engarrafamento do seu tráfego em razão do movimento já intenso apurado, era o acesso fundamental ao porto de Ilhéus para as nossas riquezas, especialmente o cacau.

O governador Roberto Santos, sempre sensível aos nossos pleitos, determinou imediatos estudos cujo resultado, viera a lume no início de 1978 apontando para a plena viabilidade da obra. Sua Excelência tratou, então, de buscar que se elaborasse o projeto com vista ao equacionamento da construção. Mas, àquela altura, o governo militar já houvera escalado o mandatário que governaria a Bahia no período 79/83 o qual (impossível esquecer), de conhecido estilo prepotente e retaliador, já antecipara ao empresariado baiano dedicado ao ramo das obras públicas, a ameaça de que, os que aceitassem a encomenda de serviços do governo sainte, passariam literalmente "a pão e água" o quadriênio seguinte, já avisados portanto de que, no seu mandato, nada conseguiriam construir para o Estado da Bahia...

Ducha de água fria no nosso sonho; o Governador - que desejava aquinhoar a região com a necessária e importante obra - ficou de mãos atadas e o nosso povo 40 longos anos sem a obra tão necessária. Inevitável destacar que, em 2007, 2008, deve ser levado em conta, para que se entenda quanto padeceu o governa­dor Jaques Wagner quando, sem promessa de campanha nesse sentido, retirou o antigo pleito do "congelador" onde colocada pelo "regime" carlista, e trabalhou tenazmente para que a demanda pudesse ser atendida, tarefa que coube ao governador Rui Costa levar a cabo até transformar em realidade o nosso velho sonho que, agora, se materializa depois do extenuante trabalho que desenvolveu para que pudéssemos vislumbrar a vitória de sua realização.

Impossível, sublinhar - até para mostrar como politicamente a nossa região atua de forma tão incompetente que, nesses 40 anos transcorridos, durante 30, pelo menos, os que impediram a realização da obra ainda conseguiram que a região houvesse votado no malfeitor já falecido e nos seus apaniguados sucessores, obra da falta de siso das lideranças que, cultivando requintado puxa-saquismo por causa de interesses pessoais ou grupais não raro indecorosos, fizessem desta região um bastião de sua sustentação político-eleitoral, no estado, de tão malfadados e nocivos efeitos na vida do povo baiano e, em particular, de nossa região, sempre usada como massa de manobra.

Relembranças como esta são feitas para que a gente aprenda com o erro, para não errarmos mais. Até por que, esse tipo de erro invariavelmente tem um custo alto. E é um prejuízo irreparável pois, face a essa constatação, a quem cobrar a conta do castigo dessa espera de 40 anos de atraso para o atendimento dessa nossa necessidade essencial?

Bem, no futuro pleito, se algum herdeiro ou sucessor aparecer por aqui, suplicando votos, coloquemos essa conta na ponta do espeto da cobrança e façamos com que vá tocar a sua viola em outras freguesias...

Parabéns, Governador Rui ! A sua atuação em favor da nossa região, com a realização de grandes obras como vem fazendo, o credenciam a merecer o melhor de nossa gratidão.

Foi um castigo injusto, essa longa espera. Mas, vale repetir o sempiterno Castro Alves lembrando que "...toda noite tem aurora".

A nossa está chegando.

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*Carlos Eduardo Sodré é advogado

carlossodre2014@gmail.com

 

MINHA MÃE FOI FESTEJAR NA ETERNIDADE

Domingos Matos, 01/10/2017 | 15:15

Adroaldo Almeida*

Dona Almerinda, minha mãe, abriu as cortinas do baile do tempo e foi celebrar na eternidade. Pôs o seu vestido mais bonito, estampado de ternura e gentileza, descansou os pés da máquina Singer, calçou sapatilhas adornadas com o perene orvalho translúcido da aurora e flutuou no tapete mágico da espiritualidade para virar estrela na constelação da misericórdia.

Dona Almerinda, minha mãe, partiu na primavera carregando um buquê de crepúsculos e madrugadas nas agulhas e dedais das suas mãos, bordando matas celestes e rios siderais na fina seda do tecido de nossas vidas.

Dona Almerinda, minha mãe, calou o silêncio e soprou sobre a brisa da vida o ar e a voz da sua mansidão angelical. Então, resoluta e de roupa nova, suave e pura, atravessou a excelsa torrente até a outra margem e retornou para sua mesa no banquete do Pai Eterno.

Dona Almerinda, minha dulcíssima mãe, dona de casa e costureira, fatigada de combater na Terra, subiu ao Céu para preparar os manjares de Deus e alinhavar as túnicas do Criador. Para sempre, como sempre.

Adroaldo Almeida é filho de ALMERINDA NASCIMENTO SILVA (1929-2017).

Parem de pedir o fortalecimento da Ceplac!

Domingos Matos, 28/08/2017 | 20:51

Por Domingos Matos

É batata. Toda autoridade que por aqui chega ou mesmo aquelas que daqui não saem, na falta do que dizer sobre a Ceplac, ou pedem ou prometem o seu fortalecimento.

Por favor, parem!

A Ceplac, também conhecida como a Velha Senhora da Cacauicultura, já foi muito forte, em sua mocidade.

Naquela época, não faltou quem dela tirasse pedaços, vantagens e sua seiva. Muitos até dos que hoje falam em pedir seu "fortalecimento".

Hoje, sessentona, ela não quer essas migalhas traduzidas nas tais promessas de vitaminas e sais minerais dos políticos sem criatividade e sem informações.

Sim, sem informações. Porque, se ao menos consultassem seus assessores, se os tivessem bons e antenados, evitariam falar essa grande bobagem. Mesmo quando 'orientados' por alguns ceplaqueanos, a "velharia" erra. Simplemente porque pergunta sobre a Ceplac à "velharia" da Ceplac.

A Ceplac está discutindo a pós-modernidade. Trabalho em redes digitais, a partir de conceitos de tecnologia, inovação e comunicação.

A Ceplac quer estar na GigaSul. "Ah, mas precisa de concurso!". Precisa, claro. Mas para implantar a Nova Ceplac, jamais para "fortalecer" a atual. Fazer mais e melhor, com menos estrutura.

Sair da lógica da assistência técnica de porteira em porteira. Em tempos de diárias minguadas, combustíveis escassos, pessoas obsoletas...

Discute, por exemplo, fazer ciência por demanda, não por vontade do clubinho.

O paradoxo máximo será a cara da própria Ceplac, expert em contradições: ela vai se modernizar quando o Brasil, enquanto nação, se atira num buraco negro do atraso, levado por um governo totalmente analógico, desde os conceitos até as pessoas. Mas, que seja. Até porque, esse processo não é tão novo, embora dele a Velha Ceplac nada fale. No coments. O bom é manter o status quo.

O importante é que vai se (pós)modernizar para, aí sim, se fortalecer, na medida de sua capacidade e da necessidade de sua missão.

Portanto, político, antes de prometer "lutar" pelo fortalecimento da Ceplac, que tal saber da Ceplac o que a própria está projetando? Atente, porém, para a recomendação: saber sobre o que ela está projetando não é o mesmo de saber o que alguns dela estejam querendo.

Esses, infelizmente, acham que "fortalecer" a Ceplac lhes garantirá um elixir da eternidade. Ou, um suprimento eterno de viagra.

Sinto dizer, mas a discussão da Ceplac hoje é outra, tios. Vocês, ó. Nadavê.

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Editor

Chocolate é comida de boi

Domingos Matos, 12/07/2017 | 07:52

Por Walmir Rosário

Calma, gente, isso acontece lá na Austrália, onde o chocolate serve como iguaria e tranquilizante para os animais da raçaWagyu (japonesa), que são transformados em kobe beef, uma das carnes mais saborosas do mundo. E como tudo tem seu preço, um quilo dessa carne é vendida em todo mundo pelo preço de arrobas que conseguimos vender por aqui.

Ao tomar conhecimento dessa notícia,pensei logo nos benefícios que poderiam trazer à cultura do cacau, com esse incentivo ao consumo do conhecido manjar dos deuses. Já imaginaram quanto embolsariam a mais os nossos produtores exportando mais cacau? Marketing a Canavieiras é o que não falta e teríamos como símbolo a fazenda Cubículo, primeira plantação de cacau da Bahia.

Mas ao relembrar as propostas de aumento da produção de cacau através da elevação do consumo, logo me aquietei pensando no histórico dessas tentativas anos a fio pelo antigo Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau (CCPC), que trocou o C de Consultivo pelo N de Nacional.

Ainda recordo das visitas de nossos conselheiros à China, que tinha como missão fazer com que apenas 10% dos chineses tomassem apenas uma pequena xícara diária de chocolate. Entre idas e vindas, a verdade é que se passeou muito e não conseguiram trocar o sagrado chá dos chineses pelo nosso cacau.

Uma lição caseira também me chama a atenção, que seria a introdução do chocolate na merenda escolar, com pioneiras tentativas, todas infrutíferas e de redundante fracasso. Não o porquê, mas a verdade é que essa ideia nunca foi transformada numa política pública, e não cabe a esse pobre escrevinhador pesquisar. É o papel dos cacauicultores.

Longe de mim afirmar – em alto e bom som – que a atitude do pecuarista australiano não irá produzir resultados positivos para o cacau. Também não vou sair por aí recomendando a introdução dessa nobre dieta aos pecuaristas brasileiros. Cabe-me apenas mostrar o que está sendo feito em terras distantes aos nossos patrícios. E vale a pena tomar conhecimento.

Antes de mais delongas, vale explicar que o kobe beef é considerada sinônimo de maciez, com gordura marmorizada e sabor inconfundível, que combina com o paladar dos consumidores que pagam em dólares e euros. Afinal, esses animais recebem um tratamento de luxo e carinho, sem falar da alimentação especial que recebem. Nada mais justo.

Tudo é uma questão de valor e disposição de pagar, como diriam os economistas para explicar a disposição desse seleto grupo de exigentes consumidores. De olho nessa demanda, o pecuarista Scott de Bruin, do Sul da Austrália, passou a investir na alimentação desses bovinos, oferecendo grãos especiais e frutas como maçãs.

Para agregar mais valor ao seu produto, Scott também passou a incluir o nosso chocolate na dieta do rebanho Wagyu, com a finalidade de aumentar as calorias consumidas. Com isso, conseguiu – segundo ele – a elevar o marmoreio da carne, tornando o kobe beef do seu rebanho ainda mais especial e de preço alto.

Acreditem que é a mais pura verdade. O pecuarista australiano consegue servir essa dieta composta por grãos, frutas e chocolate a todo o seu rebanho, formado por 7,5 mil cabeças, quando eles atingem os 30 meses. Ao sentir o cheiro do chocolate, as rezes se aproximam e comem à vontade (acredito que lambendo os beiços, como se diz popularmente).

Para o fazendeiro australiano, o consumo do chocolate faz com que o seu rebanho fique bem alimentado e mais feliz, transferindo esse bem-estar à qualidade e ao sabor da carne. A qualidade do tratamento a esses animais não se restringe ao chocolate e eles também ganham sessões de massagens, acupuntura, ouvem música clássica e dormem em tapetes térmicos, para que não sofram estresse. Um luxo!

Pelos meus parcos conhecimentos da pecuária, não sei se o chocolate é o elixir da felicidade para os nobres animais da raça Wagyu do Sul da Austrália, mas de cátedra, posso assegurar que no Brasil não merece confiança o chocolate por aqui consumido. Com raríssimas exceções, oriundas de fabricação caseira (artesanal) e pequenas fábricas.

Cada um tem o sonho de consumo que merece.

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Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado

Novos convertidos

Domingos Matos, 30/06/2017 | 00:13
Editado em 30/06/2017 | 00:29

Por Domingos Matos

Quem é protestante sabe. Mesmo quem não o seja, mas que se preocupe minimamente em observar a vida ao seu redor, ao se deparar com um chamado “evangélico” trajando vistosos ternos e portando um exemplar da Bíblia Sagrada em tamanho desproporcional à idade/acuidade visual, logo imagina: “eis um novo crente”. Como tudo que é novo tende ao extrapolo, da conversão religiosa ao namoro, a conversão política também salta aos olhos pelo exagero típico.

Isso pode ser comprovado na visita que o governador Rui Costa fez a Ilhéus e Itabuna. Na Terra de Gabriela, aonde primeiro chegou para vistoriar a ponte e entregar obras e convênios, foi recebido por uma típica comitiva de novos convertidos. À frente da missão, gravata vermelha, ninguém reconheceria o prefeito de Itabuna, fernando Gomes, se não soubesse – ou deduzisse – de sua condição de neo petista.

Prudentes dirão que é “apenas” um novo costista, um adepto do governador Rui Costa, dependente que sempre foi de governadores estaduais em seus infindáveis mandatos como prefeito de Itabuna. Mas aquela gravata vermelha não era sem motivo. Não demora será filiado – por Salvador – no Partido dos Trabalhadores.

Para reforçar esse entendimento, outro sinal, pouco discreto, emitido pela figura mais emblemática da direita itabunense – visto que Fernando tem esse lado governista que não lhe confere uma identidade ideológica permanente – Maria Alice Pereira ostentava um conjunto vermelho.  Vermelho mesmo, como muitos petistas nem vestem, justo por serem petistas, e não neo petistas. Claro, era para afirmar nas imagens, que sabia que circulariam pelas redes, a sua disposição à futura filiação. Mera formalidade, já que se considera petista (de Salvador) de primeira hora.

(Mas esse blogueiro se orgulha – humildemente – de ter feito a melhor sequência de imagens para traduzir tudo o que vai escrito até aqui. Elas podem ser conferidas ao final do texto).

Não se sabe, pela impossibilidade natural, se Deus fica contente com os novos convertidos na medida dos exageros que esses cometem, ou se prefere o low profile dos crentes antigos. Mas, em termos mundanos e políticos, esses novos fieis foram um regozijo para o líder. Tanto que Rui Costa confirmou publicamente o que muitos acreditavam ser um blefe fernandiano, como tantos outros até confessados pelo próprio: o governador vai participar do aniversário do prefeito, nessa sexta-feira.

O “culto” da quinta-feira (28) em Ilhéus teve esse enredo, senhores. Uma romaria, novos convertidos louvando fervorosamente e comportando-se de maneira exagerada na adulação. Porém, tudo movido por um sentimento nada ecumênico e pouco recomendável para espíritos superiores, como diria o papa do ateísmo (Nietzsche): a vingança.

Irmandade mais volátil, impossível.

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Domingos Matos é jornalista e blogueiro, editor de O Trombone

DICAS DE DIREITO IMOBILIÁRIO - INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONTA DE ÁGUA

Com Vercil Rodrigues

Domingos Matos, 14/06/2017 | 09:38

Em nossa assembleia condominial, o síndico nos trouxe a possibilidade de individualizarmos nossas contas de água. Será que vale a pena economicamente? Rita Maria.

Rita, a cobrança coletiva das contas de água e gás costuma gerar polêmica em assembleias dos condomínios e individualizar as taxas seria uma das saídas.

A cobrança de contas de água e gás nos novos condomínios é na sua maioria individualizada. Já nos antigos, a cobrança é coletiva. Isso tem um custo que não é muito barato. As pessoas têm que estar dispostas a investir para fazer a individualização.

O índice de reclamações sobre a cobrança coletiva é grande porque tem gente que utiliza a água, por exemplo, de maneira errada. Quando é coletiva, o pessoal não se liga e a reclamação é enorme.

O peso dessas contas nas despesas do condomínio não é tão alto com relação ao gás, mas com relação à água representa valor significativo. O valor do impacto da água é em torno de 20%, às vezes até mais segundo especialistas. Ou seja, quando individualiza, cai esse valor.

Portanto, vale a pena individualizar. Além da economia, tem a conscientização de que água é objeto de muito valor. Não é só economizar dinheiro, mas valorizar a água, só gastar o que você utiliza. Não só da economia, mas da conscientização das pessoas em saber como tem valor guardar.

Gostaria que meu prédio tivesse a conta de água individualizada. Posso como condômina sugerir a individualização ou é o síndico que deve propor? Cláudia Lisboa.

Claudia, nada impede que você apresente a proposta. Lembrando que não existe uma pessoa sozinha. Ou seja, todos tem que dar as mãos. Porque senão as pessoas que usam de maneira errada a água nunca vão querer fazer a individualização. Pode então partir do condômino, do síndico ou até mesmo da administradora, sendo um ou outro, aconselhamos contratar uma consultoria, para  que seja demonstrado através do estudo técnico o que efetivamente pode ser feito e os custos. Deve, portanto, partir de todo mundo, do síndico, da administradora, dos condôminos, como maneira de viver melhor.

O primeiro contato após a decisão da implantação é com alguém das empresas fornecedoras de água, Embasa em quase toda Bahia e em Itabuna a Emasa, mas hoje já tem

empresas que fazem essa intermediação. O síndico ou a administradora do condomínio faz o contato diretamente com a concessionária responsável ou terceiriza com alguma empresa especializada no ramo.

A individualização da água traz uma substancial diminuição das taxas de condomínio e a conscientização, por gastar menos água. Além disso, os especialistas afirmam que a individualização contribui para a redução da inadimplência.

Vercil Rodrigues - Advogado. Pós graduado em Direito Público e Privado. Membro-fundador da Associação Sul Baiana de Advogados Previdenciaristas (Asbap). Membro- idealizador- fundador e Vice-presidente da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia (Aljusba) e autor dos livros “Breves Análises Jurídicas”, “Dicas de Direito Imobiliário” e “Dicas de Direito Previdenciário” (DIREITOS Editora). Itabuna – Bahia. Tel. (73) 98852 2006 – 99134 5375 e 3613 2545. vercil@jornaldireitos.com jornalocompasso@gmail.com e vercil5@hotmail.com

Advogado de envolvido na Operação Citrus repudia matéria do Fantástico

Domingos Matos, 16/05/2017 | 23:48

NOTA PÚBLICA - KÁCIO CLAY SILVA BRANDÃO

Em face da repercussão, em nível nacional, da operação denominada “CITRUS” deflagrada na cidade de Ilhéus/BA, pelo GAECO, órgão do Ministério Público Estadual da Bahia, considerando a matéria jornalística que foi exibida no programa “FANTÁSTICO”, da Rede Globo de Televisão, no dia 14 de maio de 2017, a defesa de KÁCIO CLAY SILVA BRANDÃO vem, publicamente, no exercício do seu direito de resposta, se manifestar nos seguintes termos.

A matéria exibida no programa fantástico, na data de ontem, foi editada de forma irresponsável, retirando as informações da investigação da operação CITRUS do contexto em que foram colhidas e colocando-as em outro contexto, confundindo a opinião pública, estabelecendo a ligação de nomes de pessoas investigadas a fatos com os quais não possuem qualquer vínculo.

A tônica da matéria, mais comprometido com o apelo emocional do que com a verdade, é o “desvio de verbas de merenda escolar” e de “verbas da Secretaria Municipal de Educação”. A maior parte do tempo da matéria foi preenchida com imagens de uma escola, da zona rural do Município de Ilhéus, contendo trechos de uma entrevista feita com uma criança e com uma professora, narrando as condições precárias em que a escola e os alunos se encontram. Contudo, logo em seguida, são apresentados os nomes do investigado KACIO BRANDÃO e de outros denunciados nos autos da Ação Penal originada pela operação CITRUS.

A matéria apresenta um liame de raciocínio falacioso e mentiroso, onde é atribuída a KÁCIO e a outros servidores da secretaria de desenvolvimento social a responsabilidade pelo desvio de verbas que provocou aquela situação de precariedade na escola da zona rural de Ilhéus. Todavia, a matéria não esclarece que o investigado NADA TEM HAVER COM A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO, ou com VERBAS DE MERENDA ESCOLAR ou COM OS PROCEDIMENTOS DE COMPRA E ENTREGA DA CARNE ESTRAGADA NAS ESCOLAS DO MUNICÍPIO.

As atribuições dos cargos ocupados por KACIO, na SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL não possuem qualquer relação com aquelas verbas ou qualquer procedimento da área da Secretaria de Educação.   

Em verdade, as investigações realizadas pelo GAECO e as decisões judiciais proferidas na Operação CITRUS estão sendo conduzidas de forma descuidada, desastrosa e irresponsável. Aparentam estar mais comprometidos com a repercussão da operação perante a opinião pública do que com a investigação da verdade dos fatos.

KÁCIO BRANDÃO possui formação profissional, residência fixa e emprego lícito, nunca respondeu a inquérito ou a processo criminal, e sua liberdade não oferece qualquer risco que justifique sua permanência na prisão. As informações contidas na Denúncia não possuem nenhuma relação com a realidade: o patrimônio de KACIO é incompatível com as acusações de envolvimento em desvio de milhões de reais do dinheiro público do Município; até hoje KÁCIO reside na casa dos seus pais (um casal de idosos) em residência, simples, modesta e desprovida de luxo. 

Como exemplo dos abusos praticados nesta operação, podemos citar a situação pela qual passou o investigado LUCIVAL BONFIM ROQUE. Ele foi preso, exclusivamente, pelo fato de ser contador de um dos investigados. Teve sua vida destruída: foi algemado, teve sua cabeça raspada e as fotos de sua prisão divulgadas a nível nacional; teve sua casa e escritório violados, suas contas bancárias bloqueadas, sigilo telefônico quebrado e, ao final, NÃO FOI SEQUER DENUNCIADO, pois, após as medidas coercitivas dirigidas pelo MP e autorizadas pela Justiça, não foram encontrados elementos para oferecimento de denúncia contra ele, logo em seguida, foi solto. Ou seja, É INOCENTE.

Trata-se de uma prática nefasta: primeiro se prende, divulgam-se as prisões na imprensa para a população que, no afã de satisfazer sua revolta e o seu desejo de “VINGANÇA CONTRA OS CORRUPTOS” anseia por notícias de prisão e se antecipam, apressadamente, em condenar as pessoas investigadas. Neste passo é destruída a honra dos investigados e de suas famílias e, somente depois, caso encontrem provas da prática de algum crime, é dado seguimento ao processo criminal, onde, ao final, podem ser absolvidos por inexistência de provas.

A Defesa possui a firme certeza de que, após a conclusão da instrução criminal, ao fim do processo, será demonstrada a total improcedência da denúncia contra KACIO CLAY SILVA BRANDÃO.

Ilhéus/BA, 15 de maio de 2017.

Sanzio C. Peixoto

OAB/BA nº 27.480

Hora de agradecer

Domingos Matos, 12/04/2017 | 02:22
Editado em 12/04/2017 | 02:39

Flávio Barreto*

No domingo (9) foi realizada mais uma eleição do Partido dos Trabalhadores em todo Brasil. Em Itabuna, tive a honra de ser reconduzido à presidência do PT, com 69% dos votos válidos (369 votos) e nossas chapas municipal e estadual também obtiveram importantes vitórias, com o mesmo percentual a municipal e com 62% a estadual (Muda PT).

Passado o momento de disputa interna, primeiro quero agradecer à nossa militância, que mais uma vez deu uma demonstração de maturidade e de democracia partidária, escolhendo seus dirigentes de forma tranquila. Também agradecer ao companheiro que fez a disputa, Jackson Moreira, e dizer a todos que o PT sai dessa eleição mais fortalecido.

Caminhamos com um conjunto de forças que compreenderam a necessidade de construir uma unidade partidária, que embora não tenha se concretizado totalmente, nos mostrou que o caminho para o fortalecimento de nosso partido é a união de forças. Agradeço a essas tendências e coletivos que nos acompanharam nesse processo e juntos conosco fizeram a diferença.

Nossa tarefa imediata é unir o partido, formar um colegiado com todas as forças representadas no processo, a fim de colocar em prática o projeto vencedor, com a contribuição das demais forças, a fim de promover uma grande revitalização do PT em Itabuna, na Bahia e no Brasil.

Para isso, uma das tarefas mais urgentes é promover uma grande campanha de filiação, trazendo novos quadros, focando especialmente na juventude, que tantas bandeiras tem em comum com o Partido dos Trabalhadores.

São bandeiras que podem ser fortalecidas se conseguirmos, alimentando sonhos coletivos, não apenas enfrentarmos as dificuldades que se apresentam nessa pauta do governo golpista de Michel Temer, mas construir um novo paradigma, progressista, com garantia e ampliação de direitos das classes trabalhadoras, dos LGBT, mulheres, negros e minorias que hoje sofrem graves ameaças com essa agenda de ultra direita que se instalou no país.

Vamos juntos, construir um partido forte e um Brasil sem medo.

*Presidente reeleito do PT-Itabuna

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