DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 02/01/2011 | 10:28
Editado em 03/01/2011 | 17:03

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Ontem e hoje

Somos de um tempo em que o lambe-lambe assegurava a 3x4 para documentos, exibindo peculiar ritual para o fotografar. Casamentos e aniversários traduziam o conceito do profissional, tantas fossem as fotografias expostas enquanto aguardavam entrega. Sinal também de salutar prestígio financeiro.

Nas províncias de todos nós constituía-se especial forma de lazer debruçar sobre o trabalho exibido, identificando os personagens, suas poses. Destacamos desse tempo, no entanto, aquela quantidade de fotos exibidas juntinhas, formando um grande painel. Dezenas de fotografias amontoadas.

Como algumas colunas sociais.

Forjando o resgate cultural

Premiado com o repasse do “Jornal GAMBOA”, jornalgamboa@yahoo.com.br, a nós municiado por Eva Lima  http://evalimaatriz.blogspot.com/, realçando o documentário “O Voo do Caçador”, de Ângela Cibele de Sá Brito. Cibele, que finaliza o trabalho agora em fevereiro, integra um grupo preocupado com o resgate sócio-cultural de Boa Nova, terra do escritor Gey Espinheira (“O Relógio da Torre” – Via Litterarum), e também geografia do romance premiado pelo Bahia de Todas as Letras.

Com qualidade gráfico-textual e acessível eletronicamente o “Jornal da GAMBOA” motiva outros horizontes, demonstrando a riqueza cultural de que dispomos e pouco aproveitamos.

Como Itabuna carece de um trabalho semelhante e que falta nos faz o “ABXZ – Caminho das Letras”! Que, por sinal, num de seus números publicou entrevista com um boanovense internacionalmente conhecido, Aderbal Duarte.

Emoção e lembrança: para não esquecer

De especial significado e simbolismo ímpar o convite da Presidente Dilma Rousseff a 11 ex-companheiras de cela no Presídio Tiradentes, para a posse. (Detalhes em “Companheiros de Cela na Posse” http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/).

Mas, não será surpresa alguma manchete de primeira página de expressão do PiG tipo “Revanchismo: ex-terroristas na posse da presidente...”.

Ministério

Dos 37 que compõem o ministério de Dilma Rousseff, rigorosamente 16 vêm do governo Lula, dos quais apenas oito eram ministros e os demais secretários. Correspondem a 43%, o que permite uma ilação: a continuidade não é tão continuidade assim.

No plano de cada estado individualmente, destaca-se: São Paulo emplacou 9, Rio de Janeiro 6. A Bahia 3, e mais o presidente da Petrobrás. Já Minas, apenas 1, com uma vantagem: a presidente é mineira.

Caminhos menos ásperos

lula e dilma

Há sinais de que Dilma Rousseff disporá de meios para implantar políticas que Lula não conseguiu a partir de uma evidência: a ampliação das forças situacionistas no Congresso. A não ser que ocorra uma hecatombe a pulverização da base parlamentar em muitos partidos permitirá que o governo não fique tão refém do PMDB. O clientelismo deste pode ser pretendido por outros, o que alimentará equilíbrio, implicando no fortalecimento de Dilma e conseqüente redução do poder de barganha da coalizão.

Diferente do tempo em que uma dissensão do PMDB afetava diretamente o Governo, com a base mais diversificada a dissidência tende a prejudicar mais o dissidente do que o Governo.

Detalhes na posse

Dentre os que cumprimentaram a Presidente Dilma, depois dos chefes de Estado, Edir Macedo e diretores da Rede Record. Só por Edir dir-se-ia tê-lo sido como líder religioso. Mas a presença de diretores oferta outra conotação.

Hillary Clinton seguida de Hugo Chaves. Faltou cumprimentarem-se.

Legado I

O legado de Lula ao País é significativo. Todos os indicadores o demonstram em qualquer texto que se refira aos oito anos de governo. Mas algo está acima de qualquer análise: a auto-estima, com todos se sentindo unidades vivas da sociedade. Ou com esperança de alcançá-la.

Contrariando Marx e Engels, que proclamaram em 1848 a insurreição e a revolta da classe operária como solução para um mundo melhor e mais igualitário, as políticas de Lula demonstraram um novo axioma a ser ofertado ao capitalismo: cada um deseja ardentemente consumir; deixe-o fazê-lo.

Legado II

everton e lula

Sentiremos falta dele, como quando amigo ou parente querido viaja para longe. Dorzinha apertada da saudade. De certa forma, órfãos de seu jeito, de seu falar esganiçado. Os que pela primeira vez puderam alcançar o consumo, coisa de privilegiados, na esteira das políticas que repercutiram na melhoria do nível de emprego, reajustes salariais acima da inflação e crédito para quem não o tinha.

Talvez o menino Everton Conceição Santos (foto), de Lauro de Freitas, nos inspire pelo gesto de tocar-lhe a barba como embevecidos e encantados diante de uma figura chamada Papai Noel.

O que ele foi para uma considerável parcela do povo brasileiro.

Legado III

De certa forma, o carisma pessoal que Lula impregnou em sua política externa, leia-se diplomacia, decorreu em muito de certo personalismo amparado em sua história pessoal, de retirante a operário que lidera um movimento sindical, transforma-o em partido político e através deste alcança, depois de três tentativas frustradas, o cargo de Presidente. E o que pareceria de pouca importância, a experiência de sindicalista negociador, torna-se o trunfo essencial na condução direta no concerto das nações.

História igual é difícil de encontrar no cenário das lideranças mundiais.

Em tempo de posse

agouros

Nesse instante não custa lembrar o que andou circulando por este Brasil afora:

“O PT vai pensar com mais cuidado na escolha de seu candidato para a Presidência. Será mesmo a Dilma Rousseff? Se alguém quiser dar nome a um poste, pode chamá-lo de Dilma. Ela nunca foi eleita para um cargo representativo, não tem experiência eleitoral. Como pretendem jogá-la na eleição de 2010, que se anuncia como a mais disputada da história republicana do Brasil?” (Marco Antonio Villa, no “Estado de S. Paulo” 28/10/2008) 

A adversária com que sonham todos os candidatos do mundo“. (Augusto Nunes, título de post no site da “Veja” 7/2/2010)

Nas páginas amarelas da Veja, agosto de 2009, Carlos Augusto Montenegro, do IBOPE, afirmava: “A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição.”

Nada a comentar.

“Ensinantes”

Eis palavra ainda não identificada nos vocabulários tradicionais, doravante utilizada por este escriba toda vez que se tornar necessário: quando imprescindível traduzir o que massifica em detrimento da informação crítica, da pedagogia, da educação.

Ouvimo-la do Professor Edmundo Dourado, enquanto discorríamos por vários temas e em particular essa realidade tolerada: “passar no vestibular” é mais importante do que “aprender para o vestibular”. Sob esse prisma o Professor Dourado definiu: há cursos dominados por “ensinantes” – os que massificam a informação – e outros, tornando-se raros, alimentados por professores.
Para nós, a distinção se configura entre o ciente e consciente de sua função e, antes de tudo, comprometido com ela, preparando gerações para pensar e decidir e os que alimentam a fornalha do mercado incentivando alunos pelo futuro contracheque.

Jorge Medauar I

medauar

Reencontramo-nos com “A Procissão e os Porcos”, de Jorge Medauar. Duas vertentes se nos afiguraram do texto, imortal para qualquer antologia: 1. a de que temos um contista identificável a Medaur; 2. que esse contista, Cyro de Mattos, enquanto dirigente só pensa em si e não na literatura regional.

Sob o primeiro aspecto, Cyro de Mattos, em “Berro de Fogo”, expressa o que há de melhor no conto brasileiro e em particular a grandeza do conto baiano. Para Jorge de Souza Araujo – ainda um “emergente” para Cyro – o conto baiano é a mais elevada manifestação do melhor do conto brasileiro.

Sob o segundo, o fato de “A Procissão e os Porcos” ter 50 anos de publicado. Com peculiar detalhe: obra premiada em concurso nacional promovido para atender as comemorações do Cinqüentenário de Itabuna.

Cyro de Mattos, aprofundado na SNASíndrome da necessidade de aparecer – não lembrou em 2010 do poeta e contista de Água Preta do Mocambo, tampouco da singular premiação 50 anos depois.

No centenário de Itabuna o cinqüentenário de uma obra premiada em idêntica efeméride do município.

Jorge Medauar II

O “Prêmio Anacleto Alves”, em nível nacional, iniciativa do Município para comemorar o cinqüentenário da cidade de Itabuna, destinava-se a obras de ficção sobre a região cacaueira, tendo Jorge Medauar concorrido sob o pseudônimo “J. J. Grapiúna” com o título provisório “9 Histórias do Cacau”.

A comissão do “Anacleto Alves”, composta por Adonias Filho, Eduardo Portela, James Amado, Jorge Amado e Sosígenes Costa premiou a “melhor ficção brasileira” e ainda concedeu Menção Honrosa a “Caxixe”, de Octacílio Lopes e “Uma cidade chamada Itabuna” de Armando Pacheco.

Os dirigentes da Itabuna cinqüentenária instituíram o “Prêmio Anacleto Alves”. Os da centenária não se dignaram de lembrar tão significativo instante. Pelo menos no calendário

Imperdoável esquecimento este da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania-FICC administrada por Cyro de Mattos. Mas, o que não faz alguém acometido de SNA!

Quando a ideia tem dono

Pecou Daniel Thame neste O TROMBONE ao falar “daquilo que alguns chamam de Partido da Imprensa Golpista”, que denomina de “Mídia Pistoleira” (não ficaria mal a retirada das maiúsculas).

A expressão tem autor definido, reconhecido e a ela vinculado: Paulo Henrique Amorim, que a ela (Pig) assim se refere: “Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”.

Direito autoral é para ser respeitado. Pelo menos lembrado, caro Daniel!

Convocação

Daniel, texto a nós trazido pelo inesquecível Manuel Leal, afirma que “O ranger de dentes, a  crítica incessante ainda que trombando com os fatos e as tentativas de desestabilizar o governo, certamente prosseguirá durante o governo de Dilma Rousseff”. Comungamos com Daniel.

Daí esperarmos de Daniel Thame a defesa da regulamentação prevista nos arts. 221 e 222 da Constituição.

Generosidade

Um dado que confirma a generosidade do Governo Federal para com a Globo: no tempo de FHC, detendo 50% da audiência, ficava com 90% da verba publicitária oficial para a televisão. Com Lula, ainda que perdendo audiência, ainda detém 45%, segundo dados em http://www.conversaafiada.com.br/.

Certamente a Globo gargalha com sua parte no bolo. O Fantástico, por exemplo, carro chefe dominical, despencou, na última década, de uma média de 35 para 22 pontos anota Nonato Amorim, em “A Crise do Programa que Consagrou a Globo” (http://www.advivo.com.br/luisnassif/) de 30 de dezembro, com a Record mordendo seus calcanhares não só mais no domingo. 

Deu n’ O TROMBONE

A propósito de “Tirica come demais e é internado”, duas considerações: Primeira: em que pese a  filial informação pode não ter sido apendicite e sim fomite; Segunda; tinha o direito de fazê-lo por conta da remuneração que vai receber, presente dos que saem.

Nada de novo no Ano Novo

No mundo itabunense tudo na mesma: a Câmara e suas múltiplas eleições, com novo componente – a intervenção do Poder Judiciário. Na Prefeitura, a expectativa da reforma administrativa – mais expectativa do que a reforma necessária.

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Cantinho do ABC DA NOITE

caboco

Em 2011 Alencar Pereira da Silveira, o Cabôco Alencar, completará 80 anos. Irônico, já ensaia o seu epitáfio:

“Agradeço à família dos Anjos ter vivido como pecador”

(Delicie-se com o Cabôco Alencar lendo O ABC DO CABÔCO – Via Litterarum).

Depois de tudo

Rir pra não chorar!

traçostraçasAdylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

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