Meu dinheiro sumiu…

Domingos Matos, 16/02/2018 | 15:17
Editado em 16/02/2018 | 15:26

Walmir Rosário*

Esse título, “Meu dinheiro sumiu...”, por si só, não quer dizer nada. Não é nenhuma novidade os parcos recursos percebidos por qualquer aposentado junto à Previdência Geral desaparecerem após o pagamento das primeiras despesas. No meu caso, entretanto, a situação foi agravada por não ter sido sequer creditado na minha conta, na instituição bancária que me repassa, mensalmente, os precários reai$.

Pois foi o que me aconteceu em janeiro por culpa exclusiva da Caixa Econômica Federal, cujos lépidos diretores resolveram fechar a agência de Canavieiras de uma vez por todas, deixando ao “Deus dará” milhares de clientes. Dentre esses clientes estão classes sociais da mais variadas, como os investidores, grandes correntistas, pequenos poupadores, aposentados – entre os quais me incluo – e os beneficiários dos programas sociais do Governo Federal.

Pelo visto, a visão geral é que os homens do governo não respeitam os próprios homens do governo, sejam em que governo for, não importando o governante, pois, ao que parece, cada um toma conta do seu feudo da maneira que melhor lhe apraz. Pois é, decidiram fechar mais de uma centena de agências, mesmo as superavitárias, de uma só canetada, como a de Canavieiras, há tempos marcada para morrer.

E foi bem assim, de maneira simplista, que retiraram o CNPJ da agência da Previdência Social, o que motivou a transferência das minguadas “merrecas” para outro banco, sem qualquer aviso prévio. Imaginem as visões de choro e ranger de dentes dos coitados dos aposentados e pensionistas ao não encontrarem um só tostão na conta, principalmente os que não têm nenhuma intimidade com os complicados caixas eletrônicos…

Após uma série de contratempos, fui descobrir que os mirrados “garangaus” estavam lá no Bradesco, aguardando apenas que me apresentasse e metesse a mão, para alívio dos meus sempre exigentes credores. Em vez de reclamar, fiquei até agradecido, pois a solução miraculosa da Caixa era que eu me transferisse de mala e cuia para uma agência na cidade de Ilhéus, distante 230 quilômetros (ida e volta).

E essa não é a primeira vez que, na minha condição de aposentado, tenho sofrido alguns sobressaltos. Por umas duas ou três vezes fui compelido a comparecer a uma agência do banco onde recebo, para provar que continuava vivo, apesar da teimosia de minha saúde. Vou a um guichê do caixa, me apresento mostro um documento de identidade, o cartão de movimento da conta e saio feliz da vida, já que o bancário confirma a minha existência.

Mesmo assim, por repetidas vezes, recebia um aviso assim que acessava o caixa rápido ou pela internet, me avisando necessidade da prova de vida, mesma já feita. E lá fui eu de novo, me apresentar mais uma vez. Como seguro morreu de velho, fui também a uma agência da Previdência mostrar que continuava vivo, sem qualquer risco de morrer, a não ser por uma daquelas fatalidades.

Me senti constrangido por essa insistência do banco ou da previdência em duvidar de minha existência e já comecei a pensar que estavam querendo apressar a minha morte, embora não possa especificar o motivo. Foi aí que descobri que poderia me considerar um felizardo, com as notícias veiculadas com muita ênfase (até desnecessária) que um banco e a Previdência do Estado de São Paulo também não acreditavam que o presidente da República, Michel Temer, continuasse vivo. Para ele, o Michel já era, tinha batido as botas, morrido seja lá de que motivo.

Aí sim, eu acreditava até que tenha sido algum tipo de perseguição ao próprio Temer pelos seus colegas paulista, já que ele estava, e ainda está, com a ideia fixa de mudar as condições para a aposentadoria. Foi então que me informaram não ter nenhum tipo de vingança, pois quem manda são os programas dos computadores. Não se apresentou para provar que está vivo, adeus dinheiro.

Diante da chuva de notícias sobre o presidente, até agora não fiquei ciente do motivo pelo qual ele não foi fazer a prova de vida, se devido às muitas ocupações inerentes ao cargo, por esquecimento ou falta de aviso dos assessores. Em conversa nem tão reservada lá na Confraria d’O Berimbau, soube que Temer estava pouco se lixando pelo dinheiro da aposentadoria, calculada em quase R$ 50 mil, embora só repassem a ele pouco mais de R$ 20 mil.

Pela abissal diferença entre nossos ganhos, resolvi tomar uma certa distância do presidente, pois já estava até me sentido com certa intimidade – ou compaixão – da sua pessoa, pelo que eu considerava um infortúnio nosso. Mas, felizmente, para o nosso gáudio, ambos os recursos foram colocados à nossa disposição. A parte que me cabia, como disse, prontamente entregue aos credores; quanto ao de Temer, não tenho a menor ideia.

Agora, o que sinto e que me faz por demais agradecido, foi a ampla mobilização para a reabertura da agência da Caixa em Canavieiras, para que os pobres aposentados e pensionistas não fiquem na mão. Pelas minhas contas, foi preciso mais de 300 anos para que Canavieiras encontrasse pessoas capazes de solucionar seus intermináveis problemas. E sequer imploraram qualquer ajuda a São Boaventura.

*Radialista, Jornalista e advogado.

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