Vida imitando a arte: baleia encalha na praia e moradores pegam pedaços para comer, tal qual na música A Novidade, de Gilberto Gil

Domingos Matos, 02/09/2019 | 15:51
Editado em 02/09/2019 | 15:54

Via G1 Bahia

O corpo de uma baleia jubarte que morreu após encalhar na praia do bairro de Coutos, em Salvador, continua no local aguardando retirada. A previsão é de que o serviço seja concluído ainda nesta semana. Enquanto isso, alguns moradores têm aproveitado para pegar pedaços do animal.

A cena lembra a música de Gilberto Gil, A Novidade, que faz referência a uma sereia que, encalhada na praia, despertava uma disputa entre um feliz poeta e o esfomeado, que queria levar seu "rabo para a ceia".

A baleia, encontrada com vida na sexta-feira (30), era adulta e tinha cerca de 15 metros de comprimento e 39 toneladas.

Naquele dia, diversos moradores estiveram no local para jogar água nela. Equipes do Instituto Baleia Jubarte também prestaram atendimento, mas o animal morreu horas depois. Um dia antes, outra jubarte foi encontrada morta na praia de Plataforma, a cerca de oito quilômetros de Coutos.

Equipes da Empresa de Limpeza Urbana do Salvador (Limpurb) foram acionadas para fazer a remoção do corpo da baleia logo após a confirmação da morte. Por conta da dimensão do animal, a previsão é de que o trabalho só seja concluído a partir da próxima quarta-feira (4).

Necessidade

Um dos moradores da região conta que tem retirado pedaços de carne da baleia para consumir.

“[peguei] Pra comer, meu amigo. A gente está passando uma crise. A gente está passando muita necessidade", contou o homem.

Confira abaixo o vídeo e a letra da música de Gil, A Novidade:

A novidade – Gilberto Gil, 1994

A novidade veio dar à praia

Na qualidade rara de sereia

metade o busto de uma deusa Maia

Metade um grande rabo de baleia

A novidade era o máximo

Do paradoxo estendido na areia

Alguns a desejar seus beijos de deusa

Alguns a desejar seu rabo pra ceia

Ó mundo tão desigual, tudo é tão desigual, ô ô

De um lado este carnaval, de outro a fome total, ô ô

E a novidade que seria um sonho,

O milagre risonho da sereia

Virava um pesadelo tão medonho,

Ali naquela praia, ali na areia

A novidade era a guerra

Entre o feliz poeta e o esfomeado

Estraçalhando uma sereia bonita

Despedaçando o sonho pra cada lado

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