Tag: cooperativas

Agricultura familiar marca presença em encontro internacional Brasil-Alemanha

Domingos Matos, 17/09/2019 | 11:29

A agricultura familiar da Bahia está presente na 37ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o mais importante evento focado nas relações entre os dois países, que teve início no domingo (15) e segue até esta terça-feira (17), no Centro de Convenções, em Natal, Rio Grande do Norte. 

No estande do Governo do Estado da Bahia, produtos como os chocolates da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), de Ibicaraí, doces e cerveja de umbu da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc),  Banana da Terra Chips, da Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), e o mel da Cooperativa Regional dos Apicultores do Médio São Francisco (Coopamesf), de Ibotirama, mostram a potencialidade do rural baiano. 

As cooperativas são apoiadas pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), que já investiu, nos últimos cinco anos, mais de R$1,2 bilhão na agricultura familiar, com ações que vão desde ao manejo até o acesso ao mercado.

Com o tema Parceria Brasil-Alemanha em tempos de mudança global, o evento reúne autoridades governamentais e lideranças empresariais de ambos os países, para estreitar relações, fechar parcerias, fazer intercâmbio de tecnologias e efetivar negócios.

O presidente Coopfesba, Osaná Crisóstomo, destacou que a participação no evento é um momento importante para a cooperativa: “A participação em eventos como esse traz força não só para a cooperativa, mas para os agricultores envolvidos nesse projeto, do cacau ao chocolate. A perspectiva é boa, de novos mercados, e também de colocar um produto de qualidade para o consumidor final, do cacau cabruca, da origem ao chocolate”. 

 

Bahia x Alemanha

Com oito grandes empreendimentos alemães implantados na Bahia que, juntos, geram 2,3 mil empregos e somam cerca de R$ 4 bilhões em investimentos, o Governo do Estado participa do Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA-2019), para ampliar o fluxo de negócios com investidores do país europeu, além de fortalecer as relações de cooperação internacional nos campos da economia, turismo, planejamento e cultura. 

O governo baiano montou um estande no evento no qual expõe as oportunidades de investimento e o ambiente de negócios do estado. A Bahia está fortemente interessada em receber esse encontro econômico em 2021, quando voltará a ser realizado no Brasil.

O EEBA é organizado pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) e, nesta edição, contará com a parceria da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN).

Bahia busca novos investimentos da Alemanha em encontro internacional

Domingos Matos, 16/09/2019 | 18:41

Com oito grandes empreendimentos alemães implantados na Bahia que, juntos, geram 2,3 mil empregos e somam cerca de R$ 4 bilhões em investimentos, o Governo do Estado participa do Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA-2019), para ampliar o fluxo de negócios com investidores do país europeu, além de fortalecer as relações de cooperação internacional nos campos da economia, turismo, planejamento e cultura. O evento iniciou nesta segunda-feira (16) e segue até a terça (17), em Natal, Rio Grande do Norte.

"A Alemanha é a quarta economia do mundo e, com essa integração, podemos trazer mais emprego para o Nordeste brasileiro. O encontro pode beneficiar ainda o Consórcio Nordeste, com a ampliação do comércio entre o Brasil, os estados nordestinos e a Alemanha", disse o governador Rui Costa. Em visita ao estande do Governo do Estado no evento, Rui apresentou aos governadores da região os produtos de cooperativas da agricultura familiar.

O EEBA, na opinião do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, João Leão, permite uma maior aproximação da Bahia com investidores alemães. "A Alemanha é um dos países que mais tem investido em nosso estado, com a Basf, Continental, Bosch, Sowitec, Siemens-Gamesa e Knauf. Além disso, atrair as empresas alemãs de médio e grande porte traz perspectivas de empregos e parcerias mais qualificados para nosso Estado", afirma.

O governo baiano montou um estande no evento no qual expõe as oportunidades de investimento e o ambiente de negócios do estado. A Bahia está fortemente interessada em receber este encontro econômico em 2021, quando voltará a ser realizado no Brasil.



Potencial
"A Bahia possui um potencial enorme para o desenvolvimento de novos projetos em parceria com a Alemanha nas mais diversas áreas. Temos, inclusive, avançado nas tratativas com empresas alemãs que pretendem investir na Bahia, como é o caso da Hirmer, com a implantação de um resort no Sul do estado e a construção do novo aeroporto de Porto Seguro, além do fomento para a agricultura familiar e geração de energia renovável", destaca o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro.

Já o secretário do Turismo, Fausto Franco, exalta as potencialidades turísticas e a união dos estados nordestinos como aspecto estratégico para o crescimento da economia: “Esse encontro é muito importante para o Brasil, pois a Alemanha está entre as maiores potências mundiais e, no caso específico da Bahia, que já possui negócios com este país, as oportunidades vão se ampliar ainda mais a partir do Consórcio Nordeste”.

A Secretaria de Cultura também participa do evento com o propósito, segundo Arany Santana, titular da pasta, de fortalecer a dimensão econômica da Cultura, que precisa ser fomentada para além dos seus aspectos simbólicos e cidadão.

Esta é a 37º edição do encontro que reúne empresários interessados em estreitar relações, fechar parcerias, fazer intercâmbio de tecnologias e efetivar negócios. O EEBA é organizado pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) e nesta edição, contará com a parceria da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN).

Centro de Distribuição Logística para cooperativas baianas é inaugurado em São Paulo

Domingos Matos, 03/09/2019 | 15:26

Os produtos de cooperativas da agricultura familiar da Bahia conquistaram os paulistas e agora poderão ser encontrados com mais facilidade na cidade de São Paulo. Na segunda-feira (02), na capital paulista, foi inaugurado o Centro de Distribuição Logística.

A ação é fruto de investimento do Governo do Estado da Bahia, por meio edital Alianças Produtivas, do projeto Bahia Produtiva, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e foi possível graças à parceria com uma empresa de logística, com foco em pequenos produtores.

O edital Alianças Produtivas tem como proposta apoiar as cooperativas baianas no processo de estruturação e melhoria dos produtos visando acesso ao mercado. Contempladas no edital, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) e a Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Coopirecê) se uniram para escoar sua produção na cidade paulistana.

Segundo a gestora de mercados Coopirecê, Vamary de Jesus Santos, a iniciativa da constituição do Centro de Distribuição começou a ser desenhada a partir das rodadas de negócios realizadas durante a Naturaltech Bio Far Brazil, que foi realizada no mês de junho deste ano: “Lá nós conhecemos alguns parceiros de logística e, junto com a Coopercuc, iniciamos o processo de construção da parceria”.

Durante a Naturaltech 2019, o Governo da Bahia, por meio do Bahia Produtiva, levou 17 cooperativas da agricultura familiar para o evento. Segundo o especialista temático na área de mercado privado do Bahia Produtiva, Aldir Parise, o apoio em eventos como esse viabiliza, além da exposição e venda dos produtos, a oferta de serviços de logística: “Empresas de logística, que iniciaram trabalhando em São Paulo com produtos de outras regiões do Brasil, ofereceram para o grupo de cooperativas que estavam expondo na Naturaltech, no stand da Bahia, serviços logísticos que vieram a facilitar a questão de custo e operação logística desses produtos em locais onde eles já vendiam esses produtos”.

O gestor de mercados do Aliança Produtiva da Coopercuc, Dailson Andrade, explica que o Centro de Distribuição foi realizado em parceria com o Amazônia Hub, uma empresa que já atua no mercado de logística com cooperativas do Norte do Brasil e agora começa a operar também com cooperativas do Nordeste.

O Centro de Distribuição das cooperativas baianas está situado na cidade de São Paulo e irá fazer todo o processo de distribuição dos produtos das duas cooperativas, facilitando assim uma entrega mais ágil para o consumidor do estado de São Paulo e assim ajudar na redução dos custos de logística para as cooperativas.

Pessoas físicas e jurídicas que queiram adquirir os produtos de cooperativas baianas terão a opção da plataforma de vendas da Amazônia Hub, que vai prestar o marketplace, serviço realizado a partir de um espaço virtual/site, onde acontece o comércio eletrônico, ou seja, a venda de produtos por meio da internet.

Movimento nacional apresenta projeto para inclusão socioprodutiva de catadores

Domingos Matos, 02/09/2019 | 11:28

Um projeto para inclusão socioprodutiva de catadores por meio de participação na gestão integrada de resíduos sólidos pelos consórcios públicos da Bahia, iniciativa do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), foi apresentado ao secretário estadual do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira. A exposição ocorreu na última quinta-feira (29), no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador, contando com a participação dos representantes do movimento, João Paulo de Jesus e Ubiratan Barbosa, e a equipe técnica da Sema.

“Como a política do Governo do Estado está voltada para o fortalecimento dos consórcios públicos, e a Sema tem um papel fundamental no processo de educação ambiental na gestão dos resíduos sólidos, entendemos como salutar este projeto de inclusão social e geração de emprego e renda aos catadores”, destacou o secretário, João Carlos Oliveira. Por meio da equipe técnica, a Secretaria vai aprimorar o projeto junto com os representantes do MNCR, sobre um modelo participativo e inclusivo das cooperativas de catadores nesse novo modelo de gestão de resíduos sólidos na Bahia.

Além da apresentação do projeto, a reunião serviu também para a divulgação do encontro regional do MNCR, que será realizado em outubro, na capital baiana, e o encontro nacional dos catadores a ser realizado no mês de novembro, no município de Ilhéus. “O propósito dos encontros é fortalecer os catadores de materiais recicláveis no processo de organização, participação da classe na gestão integradas dos resíduos sólidos com os consórcios públicos e discutir parcerias com os poderes públicos para o fortalecimento das cooperativas e associações de catadores no estado”, explicou João Paulo.
 

MNCR 

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) vem organizando há 16 anos os catadores e catadoras de materiais recicláveis pelo Brasil, buscamos a valorização da categoria e garantindo o protagonismo popular da classe. Como princípios, o movimento tem uma metodologia de trabalho guiada pela autogestão e organização, em que a participação de todos os catadores têm o propósito de ajudar a construir a luta de seus direitos.

 

Cooperativas baianas da agricultura familiar participam da Climate Week

Domingos Matos, 22/08/2019 | 19:24

O sistema agroalimentar mundial passa por desafios e traz como consequências o aumento do desmatamento e de doenças relativas ao consumo excessivo de determinados produtos com agroquímica, produzidos pelo sistema convencional.  Todo esse cenário requer uma série de transformações e a agricultura familiar é uma das possibilidades de preservar a biodiversidade. 

Nessa perspectiva, o Governo do Estado, por meio do Bahia Produtiva, projeto da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), apoia a participação de quatro cooperativas da agricultura familiar da Bahia na Semana do Clima da América Latina e Caribe (Climate Week), que acontece no Wet'n Wild,  em Salvador, até esta sexta-feira (23). 

O evento, idealizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é uma preparação para a COP25 (Conferência sobre Mudança Climática), que acontecerá em dezembro, no Chile, para discutir sobre o enfrentamento da emergência climática, tema de urgência mundial.

Participam do evento, a  Cooperativa da Cajucultura Familiar do Nordeste (Cooperacaju), de Ribeira do Pombal, a Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), de Ibicaraí, a Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), de Capim Grosso, e a Central de Comercialização das Cooperativas da Caatinga, de Juazeiro. 

De acordo com o assessor especial do Bahia Produtiva, Guilherme Martins, é importante inserir cooperativas da agricultura familiar em uma discussão dessa natureza, em um ambiente de debates e de comercialização, como da Semana do Clima 2019: “A intenção é que os gestores, as organizações mundiais, gestores públicos e a comunidade que discutem essas questões de mudanças climáticas possam ter conhecimento de projetos como o Bahia Produtiva, que apoia as cooperativas incentivando a sociobiodiversidade na Bahia e adota ferramentas de manutenção e preservação do meio ambiente”. 

Para o presidente da Cooperacaju, Icaro Rennê, essa é mais uma oportunidade que o Governo da Bahia proporciona às cooperativas, que mostraram seu potencial para o público de diversos países: “Participar desse evento do clima, nos proporcionou demonstrar a riqueza da agricultura familiar da Bahia, e o que nós temos de diversidade. O clima é o principal fator responsável por essa produção diversa da Bahia, um estado tão vasto e com grande riqueza de clima e produções”. 

O presidente da Coopfesba, Osaná Crisóstomo, destacou que é essencial que  cooperativas, associações e agricultores familiares tenham esse momento de diálogo: “Precisamos discutir como vamos projetar daqui pra frente, sobre a alimentação saudável, o apelo à qualidade, e, também, sobre a preservação e conscientização que são um grande desafio, pois nós agricultores temos que estar preparados para essas intervenções da natureza, pra saber como nos proteger e produzir um alimento cada vez melhor”. 

O encontro reúne representantes de 26 países e cerca de 5 mil pessoas para debater a crise climática no planeta. A consultora de agricultura do Canadá, Hannah Simmons, conheceu os produtos das cooperativas da Bahia: “Amei os produtos como caju, cacau e mel. Cada vez que eu tenho oportunidade de apoiar e comprar os produtos, eu faço, porque eu adoro valorizar este tio de produção da agricultura familiar e a gente tem que andar junto nesse caminho pra mudar a agricultura”.

Sebrae apresenta soluções no Salão de Empreendedorismo em Itabuna

Domingos Matos, 20/08/2019 | 07:08

O Sebrae Bahia participa no próximo dia 27 de agosto (uma terça-feira), do Salão de Empreendedorismo, que acontece no Teatro Municipal Candinha Dórea, em Itabuna. O evento, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), está em sua primeira edição e tem programação aberta ao público das 8h às 17h.

O objetivo do Salão é divulgar as políticas públicas estaduais e nacionais na área do empreendedorismo individual, coletivo, formal e informal ofertadas no Estado da Bahia. O superintendente do Sebrae, Jorge Khoury, estará presente ao evento.

Além do Sebrae, também participam do Salão o Desenbahia, cooperativas de créditos, Banco do Nordeste, Universidades Estaduais, Federais, startups, o Centro Público de Economia Solidária (Cesol) e o SINEBAHIA, além das entidades de representação empresarial da cidade Sindicato do Comércio Atacadista e Varejista (Sindicom), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação Comercial e Empresarial (ACI). O evento conta com a parceria da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).

Cooperativa da agricultura familiar lança chocolate sem lactose em feira de produtos sustentáveis

Domingos Matos, 10/06/2019 | 11:29

A Bahia é o estado que mais produz cacau, e a agricultura familiar é responsável por 90% dessa produção. A potencialidade da cadeia produtiva do cacau do estado foi conferida pelos visitantes da maior feira de produtos sustentáveis da América Latina, a Naturaltech, encerrada no último sábado (8), no pavilhão Anhembi, na capital paulista.

Entre as novidades apresentadas pela agricultura familiar durante a feira, estão o chocolate em pó com 35% de cacau e açúcar demerara, e as barras de chocolate com 56,70 e 80% de cacau, sem lactose. Ambos são produzidos pela Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopessba), do município de Ilhéus, no Sul da Bahia. Localizada em região de Mata Atlântica, a Coopessba possui 372 cooperados, que têm como objetivo fortalecer os sistemas de produção cacau-cabruca.

Participando da NaturalTech pela primeira vez, a Coopessba já contabiliza bons negócios antes mesmo do fim da feira.  A representante da cooperativa, Carine Assunção, afirma que o evento é uma vitrine para a produção da agricultura familiar. "Várias pessoas estão visitando nosso estante, postando nas redes sociais, provando nossos produtos com a qualidade premium, produtos sem lactose e sem aditivos químicos. Fizemos muitos contatos com empresas que querem revender nosso produto, revendedores e representantes", afirma. 

A representante da Coopessba acrescenta que "ao nos trazer para participar desse evento, o Governo do Estado nos permite acessar um comércio aquecido. A feira é uma vitrine pra todo o mundo, não somente para dentro do Brasil, porque tiveram várias empresas querendo exportação".

 

Bahia Cacau

O chocolate da Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil, administrada pela Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidaria da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), sediada no município de Ibicaraí, também está na NaturalTech. Participando pelo segundo ano, a cooperativa levou para a capital paulista bombons de chocolate recheados com café, frutas desidratadas e licuri, barras de chocolates de 35%, 50%, 60% e 70% de cacau, nibs, cacau em pó e mel de cacau. 

Os produtos, que levam a marca Bahia Cacau, tem como matéria-prima básica o cacau fino, produzido no sistema cabruca. Eles passam por análises constantes de qualidade. Na produção, são utilizados açúcar demerara e lecitina de girassol, o que garante um produto 100% livre de transgênicos. Além disso, a linha de chocolate 70% não contém leite.

"Já trabalho com nibs e conheci aqui no estande os da Bahia. Adorei! Os chocolates também são de qualidade e deliciosos", ressaltou o gestor da empresa Tropical Castanhas, de Goiás, Eduardo Piza, que conheceu os produtos derivados do cacau baiano.

 

Bahia Produtiva

A Coopessba e a Coopfesba fazem parte do grupo de 17 cooperativas que, apoiadas pelo Governo do Estado, estão expondo e comercializando produtos no estande Bahia Produtiva. A inciativa é do Bahia Produtiva, projeto da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio de empréstimo do Banco Mundial, como uma ação estratégica de apoio às organizações produtivas da agricultura familiar para posicionar seus produtos em novos mercados.

 

Fernando Gomes é multado pelo TCM por irregularidades em pregão eletrônico

Domingos Matos, 06/06/2019 | 08:06

O Tribunal de Contas dos Municípios, na quarta-feira (05), multou em R$4 mil o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes Oliveira, em razão de irregularidades em pregão eletrônico realizado no exercício de 2019. O processo licitatório tinha por objeto a contratação de empresa para a prestação de serviços de transporte escolar, no valor estimado de R$992.538,80.

A denúncia, formulada pela empresa Metrópolys Transportes LTDA., indicou ter havido violação ao caráter competitivo do certame, em razão da vedação de participação de sociedades por ação e cooperativas, sendo excetuadas as de consumo, que não guardam relação com o objeto de edital.

O relator do processo, conselheiro Mário Negromonte, considerou que os argumentos apresentados pelo gestor foram insuficientes para justificar a vedação contida no edital quanto à participação de cooperativas. Não restou demonstrado que o objeto licitado, no caso o transporte escolar, por sua natureza, ensejaria a pessoalidade, habitualidade e subordinação jurídica, de forma a justificar a restrição imposta, o que caracteriza uma exigência desnecessária e cláusula restritiva de participação.

Também foram verificadas diversas inconsistências no edital do pregão eletrônico, que inviabilizariam a elaboração de proposta de preços, mais especificamente em relação a indicação do tempo de uso dos ônibus colocados à disposição da administração municipal; determinação de responsabilidade pelo abastecimento dos veículos; e quantidade de dias letivos para fins de cálculo na elaboração da proposta.

O Ministério Público de Contas se pronunciou no sentido da procedência parcial da denúncia, aplicando-se multa ao gestor, bem como recomendação para que “seja determinada a republicação do edital sem as ilegalidades apontadas ao longo deste opinativo”.

Cabe recurso da decisão.

 

Rui entrega equipamentos para fortalecimento da agricultura familiar em 368 municípios

Domingos Matos, 25/03/2019 | 15:32

O Governo do Estado concretizou uma série de ações para o fortalecimento da agricultura familiar baiana na manhã desta segunda-feira (25). Durante evento no Parque de Exposições, em Salvador, o governador Rui Costa realizou a entrega de máquinas, equipamentos e veículos para prefeituras e entidades do ramo. O ato representa um investimento de R$ 47 milhões em iniciativa que impulsiona as atividades da agricultura em 368 municípios baianos. 

“Hoje, diversos municípios baianos estão recebendo máquinas que vão ajudar a melhorar a vida das pessoas, auxiliar nas obras urbanas e garantir novas tecnologias para a infraestrutura hídrica na zona rural. Com os equipamentos, as associações e cooperativas poderão aumentar a produção, melhorando a renda das famílias na área rural e fortalecendo o comércio das pequenas e médias cidades da Bahia ”, ressaltou o governador.

Foram entregues 86 tratores; nove caminhões baú; 14 caminhões basculante; sete pás carregadeiras; 15 rolos compactadores; 22 caminhões-pipa; 13 escavadeiras hidráulicas; 756 implementos agrícolas e quatro máquinas para produção de asfalto. Ainda foram entregues 30 veículos que irão reforçar o trabalho da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). 

Os equipamentos entregues nesta segunda fazem parte de iniciativas que envolvem as secretarias estaduais da Agricultura (Seagri) e de Desenvolvimento Rural (SDR). O titular da Seagri, Lucas Bastos, explicou a forma de distribuição dos equipamentos. “Com relação às máquinas grandes, nós estamos fazendo a entrega para os consórcios. Isso faz com que as máquinas sejam melhor aproveitadas. Os tratores, por exemplo, são destinados diretamente ao gestor municipal, tendo as associações como destinatários finais. São equipamentos que melhoram a logística de produção da nossa agricultura”, ressaltou.

Fotos: Manu Dias/GOVBA

Itacaré: governo discute com agricultores sobre ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos

Domingos Matos, 25/02/2019 | 10:15

A Prefeitura de Itacaré, através das secretarias de Desenvolvimento Social e Agricultura e Pesca, se reuniu na última quinta-feira (21) com associações de agricultores familiares e as famílias atendidas pelos serviços sociais para discutir sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e as metas para o ano de 2019. O objetivo foi informar os detalhes e a importância do PAA, as associações que estão aptas a entregar os produtos esse ano e as famílias que vivem em vulnerabilidade social e alimentar que serão beneficiadas com os alimentos. Esse ano as associações cadastradas para a entrega dos alimentos será a Associação Quilombola do Oitizeiro, Associação do Fojo e a Associação do Porto de Trás.

De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Itacaré, Patrícia Leal, o trabalho vai continuar em 2019 com a distribuição gratuita dos alimentos e a meta é de beneficiar centenas de famílias, não somente da sede, como também de Taboquinhas e região. A previsão é de atender cerca de 200 famílias de Itacaré, 100 do distrito de Taboquinhas e mais cerca de 25 que atuam como catadores de lixo. Mas para isso será necessário atender a alguns critérios como a matrícula dos alunos e a inclusão nos programas sociais. Para fazer esse cadastro e buscar mais informações os beneficiários podem procurar a unidade do Bolsa Família de Taboquinhas e de Itacaré.

O prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, considera importante a manutenção e a ampliação do PAA, pois todos saem ganhando com o programa. Os agricultores familiares ganham com certeza da comercialização dos seus produtos com preços justos, garantindo mais renda no campo. Já as famílias carentes são beneficiadas porque recebem gratuitamente alimentos de boa qualidade. Para isso a Prefeitura de Itacaré vem incentivando os agricultores familiares para que produzam cada vez mais e se organizem através de associações e cooperativas para que possam fazer parte desses programas.

Durante o encontro o secretário municipal de Agricultura e Pesca, Humberto Matos, destacou o quanto o PAA tem sido importante na vida dos agricultores familiares e também no apoio às pessoas que vivem em vulnerabilidade alimentar. Já os representantes das associações deram depoimentos do quanto o PAA vem mudando a vida no campo, oferendo mais oportunidade de emprego, renda e uma melhor qualidade de vida para o povo.

Fernando Gomes é multado pelo TCM por irregularidades em pregão eletrônico

Domingos Matos, 01/05/2018 | 10:02
Editado em 06/06/2019 | 10:52

O Tribunal de Contas dos Municípios, na quarta-feira (05), multou em R$4 mil o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes Oliveira, em razão de irregularidades em pregão eletrônico realizado no exercício de 2019. O processo licitatório tinha por objeto a contratação de empresa para a prestação de serviços de transporte escolar, no valor estimado de R$992.538,80.

A denúncia, formulada pela empresa Metrópolys Transportes LTDA., indicou ter havido violação ao caráter competitivo do certame, em razão da vedação de participação de sociedades por ação e cooperativas, sendo excetuadas as de consumo, que não guardam relação com o objeto de edital.

O relator do processo, conselheiro Mário Negromonte, considerou que os argumentos apresentados pelo gestor foram insuficientes para justificar a vedação contida no edital quanto à participação de cooperativas. Não restou demonstrado que o objeto licitado, no caso o transporte escolar, por sua natureza, ensejaria a pessoalidade, habitualidade e subordinação jurídica, de forma a justificar a restrição imposta, o que caracteriza uma exigência desnecessária e cláusula restritiva de participação.

Também foram verificadas diversas inconsistências no edital do pregão eletrônico, que inviabilizariam a elaboração de proposta de preços, mais especificamente em relação a indicação do tempo de uso dos ônibus colocados à disposição da administração municipal; determinação de responsabilidade pelo abastecimento dos veículos; e quantidade de dias letivos para fins de cálculo na elaboração da proposta.

O Ministério Público de Contas se pronunciou no sentido da procedência parcial da denúncia, aplicando-se multa ao gestor, bem como recomendação para que “seja determinada a republicação do edital sem as ilegalidades apontadas ao longo deste opinativo”.

Cabe recurso da decisão.

 

Ceplac lança cartilha e revista visando transferir tecnologia

Domingos Matos, 23/12/2011 | 18:04
Editado em 24/12/2011 | 07:07

A Ceplac acaba de lançar a revista Difusão Agropecuária, elaborada a partir de pesquisas, entrevistas e temas abordados pelos pesquisadores e a cartilha "Melhoria da qualidade do cacau", editada pelo Centro de Extensão (Cenex). As publicações visam transferir tecnologia aos produtores brasileiros de cacau, reforçar o trabalho dos extensionistas no campo e melhorar a comunicação da instituição com sua clientela.

O chefe do Cepec, Adonias de Castro Virgens Filho, disse  que a publicação visa demonstrar à sociedade brasileira que a Ceplac está firme como organização destinada a produzir ciência para enfrentar os efeitos econômicos, sociais e ambientais da mais longa crise que se abateu sobre a região cacaueira, além de ter como missão promover o desenvolvimento rural sustentável das regiões produtoras de cacau nos biomas mata atlântica e floresta amazônica.

Já o superintendente da Ceplac na Bahia, Juvenal Maynart Cunha, afirmou que a instituição pretende estreitar sua interação com os cacauicultores baianos, principalmente pelas consequências advindas com a vassoura-de-bruxa há quase 25 anos. "É preciso que tenhamos soluções para que o produtor continue confiando na ação da Ceplac uma organização singular na agricultura tropical do mundo, que detém tecnologia e um conjunto de cientistas e pesquisadores dos mais respeitados internacionalmente".

A revista (com tiragem de cinco mil exemplares) e a cartilha (12 mil exemplares) serão distribuídas aos núcleos regionais e escritórios locais da Ceplac, associações e cooperativas, instituições de pesquisa, assistência técnica e extensão rural. O arquivo estará disponível no site da Ceplac.

Juvenal agradece emenda do deputado Geraldo Simões

Domingos Matos, 07/12/2011 | 09:14
Editado em 07/12/2011 | 09:22

estaçãoO superintendente de Desenvolvimento da Região Cacaueira da Bahia da Ceplac, Juvenal Maynart Cunha, agradeceu o deputado federal Geraldo Simões (PT-BA) a apresentação de emenda parlamentar, no valor de R$ 500 mil no Orçamento Geral da União 2012, em favor do Programa de Piscicultura que a Ceplac desenvolve em apoio aos agricultores familiares e médios produtores e suas associações e cooperativas nos municípios sul baianos. O ofício ao Gabinete do político foi enviado nesta terça-feira, 6.

Criada em 1980 para incentivar a criação de peixes nas propriedades e o consumo de proteína de baixo custo entre agricultores familiares e pequenos e médios produtores rurais da Região Cacaueira da Bahia, a Estação de Piscicultura da Ceplac anualmente produz dois milhões de alevinos de 10 espécies de peixes de água doce para distribuição gratuita em programas de agricultura familiar de associações e cooperativas e venda a preços de custo para grandes e médios produtores rurais.

Na Estação de Piscicultura, o Centro de Extensão da Ceplac (Ceplac/Cenex) reproduz as espécies: tambaqui, pacu, curimatã, piauaçú, tilápia; as carpas: comum, cabeça-grande, capim e prateada; e o tambacu, resultante do cruzamento do tambaqui com pacu. Neste ano, até o mês de novembro passado, a distribuição atingiu a marca recorde de 673.500 alevinos beneficiando um total de 560 famílias distribuídas por cerca de 470 propriedades rurais.

Em consonância com o Programa de Erradicação da Miséria do governo da Presidenta Dilma Roussef, a Ceplac projeta a produção anual de três milhões de alevinos com os investimentos que serão feitos na Estação de Piscicultura, localizada na área da Superintendência de Desenvolvimento da Região Cacaueira da Bahia no Km 22 da Rodovia BR-415 – Jorge Amado, trecho Ilhéus – Itabuna, no sul do Estado.

''Restaurante do Povo'' mudará fornecedores para reabrir

Domingos Matos, 29/10/2010 | 17:02
Editado em 29/10/2010 | 18:11

Está prometida para a próxima quarta-feira (3), a reabertura do Restaurante do Povo em Itabuna - por aqui, o município descaracterizou o "Restaurante Popular", inclusive no preço do prato - que fechou as portas essa semana por falta de quem se arriscasse a continuar vendendo fiado para o município.

O anúncio da reabertura, feito pelo secretário da Assistência Social, Antônio Formigli, veio com alguns esclarecimentos. Vai mudar a composição da administração do órgão, entrando no conselho a secretaria da Agricultura, junto à SAS.

Outra importante alteração é no perfil dos fornecedores: sairiam as empresas comerciais e atravessadores em geral, dando lugar aos pequenos produtores, integrantes do Programa de Aquisição de Alimentos, do Governo Federal e tocado, no âmbito municipal, pela secretaria da Agricultura.

Agora é torcer para que os pequenos agricultores das cooperativas que fornecem ao PAA no município recebam o que lhes for devido através da verba específica do governo federal, administrada pela secretaria da Agricultura.

Em outras palavras: não deixem os coitados nas mãos do secretário Carlos Burgos (Fazenda)!

Reprodução de entrevista de Lula ao El País - vale a pena encarar o tamanho do texto

Domingos Matos, 24/05/2010 | 11:50
Editado em 09/05/2010 | 22:33

O Trombone reproduz a íntegra do texto do jornal El País, um dos principais diários do mundo, no qual o presidente brasileiro fala de sua expectativa pelas eleições de outubro, analisa a conjuntura mundial e fala de seu legado à frente do governo do Brasil nesses quase oito anos. Foi mantida a formatação de parágrafos do jornal espanhol. O Texto é de Juan Luis Cebrián - El País.

lulalá"Prefiro o carnaval à guerra". Lula coloca sua mão de operário sobre o meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e sua convicção, a de se comportar de acordo com aquilo que é, da forma como os brasileiros verdadeiramente o veem. "Sou um deles, uma pessoa como eles". Lula vem de onde eles vêm, fala como eles falam, "não sou um estranho no ninho", e até chegar ao poder vestia-se como eles se vestem, "embora tenha trabalhado vinte e sete anos usando um macacão, nunca fiquei à vontade; depois de dois meses usando gravata não tive dificuldade para me acostumar a ela, é uma peça bonita".

Lembrei-me da reflexão de Sancho Pança antes de se tornar governante da ilha Barataria [no clássico "Dom Quixote de La Mancha", de Cervantes]: "vistam-me como quiserem, pois qualquer que seja a roupa que ponham em mim, serei sempre o mesmo Sancho Pança!". Porque o hábito não faz o monge, e Lula é Lula não importa o que esteja vestindo. "Disseram que eu teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso, e muitos me criticaram aqui no Brasil, 'que falta de elegância, de capacidade para exercer a presidência!', até que o rei ligou e disse 'venha como quiser', fui de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho pelo povo. O que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para nos distanciar do povo. Quando você é candidato, vai para todo lugar de camisa, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega à presidência o colocam num carro blindado e você nunca mais vê o rosto dos cidadãos."

Pergunto-me com o que as greves se parecem mais, com as guerras ou os carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva forjou sua carreira política nas mobilizações populares, na agitação nas ruas e na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários brasileiros entrarem em greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir desta data, este combativo dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levaria, 25 anos mais tarde, à presidência da República.

"É notável que nem eu e nem meu vice, um empresário de sucesso, tenhamos diploma universitário", afirma com um certo orgulho que irrita a oposição por causa da ambiguidade que a mensagem pode representar num país em que a educação é o objetivo fundamental do governo e o empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele quer dizer é que a democracia funciona no Brasil, que não são os méritos profissionais, acadêmicos, nem de qualquer outro gênero, que são decisivos para chegar ao poder, mas sim a vontade dos eleitores. Um poder que Lula deixará, pelo menos formalmente, no próximo mês de dezembro depois de oito anos de exercício, e do qual sai cercado de tanta popularidade que alguns esperam que ele saia levitando a qualquer momento, como fez o personagem de García Márquez em "Cem Anos de Solidão", só que por consumir café brasileiro, que ele bebe o tempo todo com avidez, em vez de xícaras de chocolate.

"O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a tomada de posse. Logo dá para perceber que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que o poder me deu mais alegrias do que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante meu governo, mas sairei lamentando o que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não conseguimos dar mais agilidade ao Estado; desde que uma decisão é tomada e até que ela seja executada nos deparamos com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Há o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a Justiça, as questões ambientais, nas quais as ONGs são muito ativas... Ou seja, passam-se dois anos ou três antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável utilizá-la como uma forma de impedir que se façam as coisas de que o Brasil necessita."

Seu pragmatismo, seu jeito bonachão, seu bom senso, tudo nele faz lembrar o governador da ilha Barataria. Quase oito anos depois de ocupar a Presidência da República, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e brincalhão são os mesmos do jovem Lula que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se durante as tardes no bar da Tia Rosa em São Bernardo do Campo, cidade onde ele ainda mantém a casa de sua família. Lá, com seus companheiros de luta, muito mais um grupo de amigos do que um comitê organizado, preparavam entre um copo e outro as mobilizações em defesa de um salário maior para os operários. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida receberam apoio, entretanto, dos movimentos de base católicos.

"O PT não teria existido sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, ele deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos padres progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e minha chegada ao poder. Minha relação pessoal com a Igreja Católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito".

lulaláSeu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, interrompe por um momento. "Este aqui era seminarista, ia ser padre, e abandonou tudo para entrar no PT, para trabalhar comigo". Lula despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que se destaca sobre sua mesa de trabalho, enquanto eu fico imaginando que, para alguns petistas da época, a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa ("esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo") é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busque a equanimidade. O Vaticano "tem uma atitude muito conservadora sobre esse ponto. No Brasil, o aborto é proibido, exceto em caso de violação da mãe. Eu, como cidadão, sou contra o aborto, e não acredito que nenhuma mulher seja favorável porque ele gera um grande sofrimento para quem o pratica. Mas como chefe de Estado, penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que tentam abortar por conta própria colocando agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem a obrigação de atender essas pessoas."

Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração desse gênero pode ser decepcionante, tanto quanto à declaração que ele mesmo deu, muitas vezes, afirmando que não se considera de esquerda. "Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, caracterizam-me, sem dúvida, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou à China. No começo era algo parecido com uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto com o movimento social, a Igreja Católica e alguns intelectuais que haviam acreditado na luta armada e participado dela, decidiram criar um partido político. Não tínhamos na época um programa definido e nunca gostei que me rotulassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo o santo dia, mas tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não posso gostar de um presidente porque ele é de esquerda e não gostar de outro porque é de direita. Eu me dei bem com Aznar e com Zapatero, e tenho que me relacionar com Piñera no Chile da mesma forma que fiz com Bachelet. No exercício do poder, sou um cidadão, como diria...? Multinacional, multi-ideológico, não?"

Com seus olhos brilhantes e inquietos, quer minha aprovação para esse pragmatismo, e de repente se transforma num líder de torcida, a torcida brasileira; levanta-se, senta-se, volta a levantar-se, sorri primeiro, logo estremece, vira, ergue as sobrancelhas, busca a proximidade, o carinho, sou apenas mais um brasileiro, apenas mais um cidadão deste país que é capaz de contagiar a alegria, deste país com trezentos dias de sol por ano, deste país imenso, autossuficiente, pacífico, "do qual estamos tentando eliminar 50 ou 60 anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, um Estado de bem-estar social. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raio de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso ter o que distribuir para poder distribuir. Se o país não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários precisam saber que tem de pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isso Henry Ford já dizia em 1912".

Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixa escapar algumas críticas ásperas, provavelmente injustas, a seu antecessor, o social-democrata Fernando Henrique Cardoso, que foi seu companheiro na luta contra a ditadura, e a quem hoje não se mostra nada generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar que nivelou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. "Hoje o Banco do Brasil tem mais crédito do que o país inteiro tinha quando cheguei ao poder. Quando eu deixar a Presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China a Índia podem competir com uma realidade assim".

Pergunto então se isso é uma vitória do capitalismo, e ele se apressa a declarar que é um triunfo de seu governo "porque teve a coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, reduzindo os impostos em setores chave para a economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantiver nos próximos cinco anos a seriedade nas políticas fiscal e monetária, nos investimentos e no controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 poderá ser a quinta economia mundial."

Não sei se descubro rastros da herança portuguesa nessa fantasia um tanto hiperbólica do presidente, que faz com que ele se distancie por alguns momentos de sua sisuda prudência de Sancho Pança para se parecer mais à loucura idealista de seu senhor Dom Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam apontando como provável vencedor, ainda que por uma pequena margem, José Serra, candidato do PSDB, o partido de Fernando Henrique.

"Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhuma loucura; o povo quer continuar caminhando, e não voltar atrás. Mas deixe-me dizer que eu não acredito na possibilidade de perdermos as eleições". Muitos pensam que, se o PT ganhar, não será pelos méritos de Dilma, a candidata do partido, uma antiga guerrilheira e uma política eficaz, entretanto sem o carisma que as eleições presidenciais demandam, mas sim pelo formidável apoio que lhe presta o próprio Lula, cuja personalidade o impregna todo de lulismo. "Sim, eu sei que muita gente, para se justificar, diz, eu não gosto do PT, gosto do Lula; gente da direita, claro. Acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente nós, enquanto figuras públicas, somos menos ideologizados do que os partidos e temos a capacidade individual de congregar pessoas que de maneira nenhuma se sentem próximas de nossas formações. Mas não acredito que haja um 'lulismo' como tal, prefiro saber que vamos fortalecer a democracia e que os partidos políticos conseguirão se organizar e fortalecer."

Em todo caso, parece descartada a continuidade na política econômica, que Lula salvaguardou desde o princípio nomeando um antigo militante do partido de FHC como presidente do Banco Central. A consequência dessa política foi a prosperidade que permite situar o país entre as potências emergentes agrupadas em torno do que se passou a chamar de Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Junto a esses países, Lula fez valer sua voz afirmando sua independência como um protagonista singular e inclassificável da política internacional. Será que seu país está a caminho de se transformar numa superpotência? Poderia fazê-lo sem possuir - o único dos Bric nessa posição - uma arma atômica?

lulalá"A Constituição proíbe as atividades nucleares exceto para fins pacíficos. É proibido, quer ver?", e aponta diligentemente com sua mão mutilada para o artigo 21, inciso 23. "O presidente não decide nas questões nucleares, é o Congresso, e não temos interesse em ser uma potência militar se não é do tamanho de nossa soberania. Precisamos de Forças Armadas adequadas para garantir a segurança do povo, para manter uma política de defesa respeitável. Não queremos invadir nenhum país, mas tampouco queremos que nos invadam...".

Eu o interrompo, entre irônico e risonho: invadir o Brasil me parece difícil, presidente, uma tarefa quase titânica. E ele, impassível, responde: "não se pode menosprezar a loucura de alguns seres humanos, é preciso se proteger". Se proteger de quem? Não acredito que seja de Chávez ("um homem muito inteligente, ainda que as vezes cometa equívocos e ele sabe disso") nem de Evo ("um retrato de seu povo, ninguém o representa melhor que ele; no tema do petróleo, eu compreendi que o Brasil tinha que pagar mais à Bolívia, não briguei com Evo, porque ele tinha direito") nem da Colômbia, Argentina ou Uruguai ("o Brasil trabalhou muito com eles para consolidar a democracia em sua plenitude. Temos que gerar uma política de confiança. A doutrina utilizada antes pelas grandes potências era considerar o Brasil como inimigo da América Latina, a grande ameaça; nós estamos destruindo essa visão negativa e demonstrando que podemos ser seu grande aliado").

O lulismo, se é que existe, tem suas raízes no sindicalismo, na luta como pressão e o acordo como resposta. "O chamado mundo desenvolvido tem que compreender que a geopolítica mudou. A democratização da África e o crescimento de países como a China, Índia e alguns da América do Sul sugerem uma nova dimensão. Eu não quero a guerra, sou um homem de diálogo, e na questão nuclear o Brasil tem uma política muito definida. Quero esgotar até o último minuto as possibilidades de um pacto com o presidente do Irã para que ele possa continuar enriquecendo urânio, e que tenhamos a tranquilidade de que ele só vai utilizá-lo para fins pacíficos. Meu limite são as decisões da ONU, a qual, é claro, pretendo mudar porque da forma como está ela representa muito pouco. Por que o Brasil não é membro do Conselho de Segurança? Por que a Índia não é? Por que não há nenhum Estado africano? Se a ONU continuar fraca assim, sem representatividade, com países com direito de veto, nunca servirá corretamente ao governo global que é necessário."

Felipe González disse que os ex-presidentes são como os vasos chineses. Todo mundo em casa sabe que se trata de peças valiosas que vale a pena conservar, ainda que não necessariamente apreciem sua beleza e as pessoas não saibam onde colocá-los: estejam onde estiverem, sempre atrapalham a passagem. A partir do próximo mês de dezembro, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos políticos mais carismáticos, admirados e surpreendentes do último meio século, aumentará essa coleção de grandes porcelanas. Os visitantes dos museus de cera venerarão sua imagem, assim como a de Lincoln, a de Mandela, a de tantos grandes homens que foram capazes de surgir do nada. Cheio de vida, transbordante de ideias, não o imagino aposentado em seu apartamento em São Bernardo, compartilhando com seus vizinhos as nostalgias de um tempo passado.

"O melhor serviço que um ex-presidente da República pode prestar é ficar calado, deixar quem quer que ganhe as eleições governar e permanecer em silêncio". O silêncio é de ouro, mas não imagino Lula assim quando há tanto a denunciar, tanto a reivindicar, tanto a propor. Então, talvez se limite a ficar ausente, ou distante. "Vou sair do governo tendo colhido um monte de políticas bem sucedidas e quero compartilhar esse aprendizado, essa autêntica lição de vida, com os países mais pobres da América Latina e da África. Não sei se o farei através de uma fundação, porque em hipótese alguma quero fazer nada que não esteja em consonância com o governo. Só quero transmitir aos demais a experiência que adquiri, porque os pobres não têm acesso aos governantes, os pobres não vão aos coquetéis, claro, e isso porque não há nenhum político que ganhe uma eleição falando mal deles, podem insultar os banqueiros, os grandes empresários, mas os pobres... de forma alguma, em campanha eleitoral um pobre é a coisa mais extraordinária do mundo. E uma vez que o candidato ganha a eleição, termina seu mandato sem se reunir com um pobre nenhuma vez, só sabe que eles existem porque lê os jornais, não há interação, não há vínculo. No próximo Natal, quando meu mandato chegar ao fim, quero convidar de novo os catadores de São Paulo. Há oito anos que me reúno com eles no palácio nessa época (também fiz isso com os sem-teto, com os invasores) e comprovamos que essas pessoas não querem parar de catar papel, mas aspiram a uma existência mais digna, ou seja, querem que organizemos cooperativas, centenas delas em todo o Brasil, financiadas pelo Estado, que deem trabalho a centenas de milhares de pessoas, capazes de levar todos os dias para casa alguma coisa para comer graças ao resultado de seu trabalho."

Quando tudo isso acontecer, o palácio presidencial já terá sido reconstruído. Por enquanto, Lula se aloja em escritórios emprestados do Centro Cultural do Banco do Brasil enquanto os operários se esforçam para recuperar as envelhecidas estruturas do Planalto, cuja reforma não foi concluída para a celebração do cinquentenário de Brasília. Mas no próximo 23 de dezembro o presidente vai se despedir dos catadores paulistas nos aposentos elegantes e sóbrios destinados ao dirigente da nação. Talvez o faça pensando, como Sancho em sua partida, que "saindo nu como saio, não é necessário outro sinal para dar a entender que governei como um anjo". Tenho certeza, pelo menos, que o cronista desse futuro vindouro poderá novamente relatá-lo com as mesmas palavras de Cervantes: "Todos o abraçaram, e ele, chorando, abraçou a todos, e os deixou admirados, tanto por suas razões como por sua determinação tão resoluta e tão discreta". É isso.
Tradução: Eloise De Vylder


Acesse com seus dados:

ou
Ainda não tem acesso?
Registre-se em nosso Blog.