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Nova lista suja do trabalho escravo tem 14 empregadores baianos

Domingos Matos, 09/10/2019 | 15:06
Editado em 09/10/2019 | 13:52

Quatorze empregadores da Bahia, entre pessoas físicas e jurídicas, integram a nova lista suja do trabalho escravo, divulgada no último dia 3 pelo Governo Federal.

Nela, estão os empregadores autuados por submeter trabalhadores a condições análogas à de escravo. Todos os empregadores da lista foram flagrados submetendo empregados a situações degradantes e tiveram o processo administrativo de autuação pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia concluído antes da divulgação.

A lista contém 190 nomes de pessoas físicas e empresas que passaram por todas as etapas do processo de notificação autuação e aplicação de multa. Além das sanções administrativas, elas respondem a processos na Justiça do Trabalho movidos pelo Ministério Público do Trabalho e a ações criminais, de responsabilidade do Ministério Público Federal. O número elevado de empregadores baianos na lista (7,4% do total do país) se deve às constantes operações de combate ao trabalho escravo promovidas no estado através da reunião de diversas instituições na Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo da Bahia (Coetrae-BA)

Um dos empregadores baianos que apareceram pela primeira vez na relação foi a Vaquejada de Serrinha, a mais tradicional do estado e uma das mais conhecidas no Brasil. Uma inspeção feita em 2016 pelo Ministério Público do Trabalho e por auditores-fiscais do trabalho encontrou 17 trabalhadores em situação de análoga à escravidão, dormindo em redes dentro de um curral, ao lado de fezes de animal. O ambiente era degradante e não tinha geladeira, mesa nem cadeira.

A Bahia está entre os cinco estados com maior número de trabalhadores resgatados, de acordo com o Observatório Digital do Trabalho Escravo, e é considerada referência internacional no combate ao trabalho escravo. As ações fiscais na Bahia seguem um cronograma e um planejamento anual, mas ainda enfrentam dificuldades. Além da reforma trabalhista, o que também sufoca a atuação dos órgãos de fiscalização do trabalho é o corte de recursos orçamentários, a extinção do Ministério do Trabalho, a ampliação do porte e da posse de arma na zona rural, além do discurso que tenta deslegitimar as ações fiscais dos auditores do trabalho.

Quem são os 14 empregadores baianos na lista suja do trabalho escravo

Alan Cassio Ramos Santos
Residencial Ecológico Juerana, Avenida João da Sunga, s/n, Porto Seguro/BA
1 trabalhador resgatado

Amarílio Souza Santos
Fazenda Cachoeira do Espinho e Fazenda Samanta, rod. BA-506, zona rural SN, Vila da Jangada, Cardeal da Silva/BA
4 trabalhadores resgatados

Associação Comunitária Cultural e Recreativa do Distrito Stela Dubois
Obra de construção de casas populares/Assentamento Vila PA, região do Beira Rio, Zona Rural, Santa Rita de Cássia/BA
6 trabalhadores resgatados

Haroldo Gusmão Cunha
Fazenda Rancho Fundo, Região do Capinal, zona rural, Vitória da Conquista/BA
5 trabalhadores resgatados

João das Graças Dias
Fazenda Lagoa do Severiano, zona rural, Presidente Jânio Quadros/BA
1 trabalhador resgatado

Márcia Nascimento Dias
Fazenda Eldorado, Distrito de Vila Brasil, Una/BA
3 trabalhadores resgatados

Marcos José Souza Lima
Rodeio 100 limites, São José do Jacuípe/BA
9 trabalhadores resgatados

Maria Elena Martins
Fazenda Marília, Povoado Matinha, Distrito de Inhobim, zona rural, Vitória da Conquista/BA
1 trabalhador resgatado

Parque de Vaquejada Maria do Carmo Ltda./EPP
Av. Valdete Carneiro s/n, Bairro Vaquejada, Serrinha/BA
17 trabalhadores resgatados

Passos 3 Construções e Serviços LTDA/EPP
Obras no Porto de Ilhéus e Alojamento de trabalhadores situado na Rua Rotary, Cidade Nova, Ilhéus/BA
5 trabalhadores resgatados

Projecamp Engenharia Ltda./ME
Obra na Praça Desembargador Montenegro, nº 07, Centro, Camaçari/BA
5 trabalhadores resgatados

Sandiney Ferreira de Souza
Fazenda Prazeres, Distrito de Monte Alegre, zona rural, Riachão das Neves/BA
6 trabalhadores resgatados

São Miguel Construções Ltda.
Obra do Centro Esportivo Unificado, Bairro Nossa Senhora da Vitória, Ilhéus/BA
9 trabalhadores resgatados

Soebe Construção e Pavimentação S. A.
Alojamento Estrada de Rainha e Alojamento Rua da Lama, Salvador/BA
10 trabalhadores resgatados

Acesse aqui a lista completa

Preso falso advogado acusado de estupro; vítimas eram atraídas por anúncio de emprego na OLX

Domingos Matos, 12/08/2019 | 10:11
Editado em 12/08/2019 | 10:18

Equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Periperi capturaram, na tarde da última sexta-feira (9), Edson dos Santos Rocha, 66 anos. O falso advogado foi localizado em um prédio empresarial de luxo, próximo do Salvador Shopping, onde mantinha um escritório.

O caso começou a ser investigado em fevereiro deste ano, após uma das vítimas relatar que foi agarrada durante a entrevista de emprego. Ações de inteligência comprovaram que o criminoso atacava as vítimas e também praticava chantagem contra as contratadas.

No momento da prisão, Edson voltava de um almoço com duas funcionárias, ambas com 16 anos. Uma terceira jovem, de 18 anos, também foi encontrada no local onde funcionava o escritório Advogados e Consultores. Na sala e na residência (Villas do Atlântico) do criminoso, com suporte de mandados de busca e apreensão, os policiais civis apreenderam celulares, computadores, pen drives e documentos.


Modus operandi

"Edson anunciava as vagas de emprego no site OLX, marcava com as vítimas no prédio empresarial e durante as entrevistas cometia os abusos sexuais", contou a titular da Deam de Periperi, delegada Simone Moutinho. Ela explicou ainda que as mulheres eram ameaçadas.

As três funcionárias do falso advogado recebiam apenas 500 reais por mês como salário e o dinheiro do transporte. A delegada Simone Moutinho informou ainda que o criminoso será indiciado por estupro, redução a condição análoga de escravo, corrupção de menores e ameaça.

"Todo o material recolhido será encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) e Edson seguirá para o sistema prisional", concluiu a delegada.

 

Trabalhadores em condição análoga à escravidão são resgatados na Bahia 

Domingos Matos, 07/08/2019 | 07:02
Editado em 06/08/2019 | 21:55

Três trabalhadores foram resgatados durante uma ação de combate ao trabalho escravo no município de Ribeirão do Largo, no sudoeste da Bahia, na última segunda-feira (5). A ação foi promovida por equipes do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo na Bahia (Netp), vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), e de outros órgãos que compõem a Comissão para a Erradicação do Trabalho Escravo na Bahia (Coetrae). 

Segundo o coordenador do Netp, Admar Fontes Júnior, todos os resgatados são do gênero masculino, com idades entre 40 e 55 anos, e estavam trabalhando em uma fazenda, sem condições de alojamento e higiene. “Os trabalhadores são do município de Itambé e vieram para a fazenda através de um ‘gato’, que é o aliciador”, contou Fontes. 

O coordenador também relatou que um dos alojamentos tinha estrutura comprometida, com vigas expostas e escoradas por madeiras. “Os trabalhadores dormiam no mesmo local que era utilizado para guardar ração dos animais. As camas também eram improvisadas e, apesar do frio que se abate sobre a região, eles não tinham colchões e cobertores”.

Durante a ação, a equipe da Coetrae, composta por integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU), da SJDHDS, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Grupo Especial de Combate ao Trabalho Análogo ao Escravo na Bahia, também constatou que os alojamentos não possuíam água potável para beber ou cozinhar, ou para guardar e conservar alimentos. 

“Não havia sanitários em condições de uso, tampouco local com resguardo necessário para banho ou para que os trabalhadores pudessem realizar suas necessidades. Nenhum dos trabalhadores tinha registro em CTPS. Um deles já estava trabalhando há 14 anos sem direito a férias e 13º salário”, contou Fontes, reiterando que “a exploração de trabalhadores em condições análogas à de escravo é crime, e gera repercussões administrativas, cíveis e criminais". 

O empregador deverá regularizar a situação dos trabalhadores de forma retroativa, bem como oferecer condições dignas de trabalho. Um dos trabalhadores contou que aceitou o trabalho por conta da situação de pobreza da família. “Eu tenho sete filhos, que estão estudando. Eu nunca estudei, sempre trabalhei na lavoura ou fazendo cerca, como aqui”.

 

Acompanhamento 

De acordo com a equipe do Netp, o resgate do trabalhador não se limita à retirada física do local de trabalho, mas é acompanhado de um conjunto de medidas para cessar o dano causado à vítima, reparar os prejuízos no âmbito da relação trabalhista e promover o acolhimento por órgãos de assistência social. 

Os trabalhadores resgatados são encaminhados para a secretaria de assistência social do município, que, em parceria com o Governo do Estado, por meio das superintendências de Direitos Humanos e Assistência Social da SJDHDS, promovem o atendimento das demandas e o acompanhamento e inserção social dos trabalhadores e suas famílias. 

 

Povo baiano homenageia heróis da independência no 2 de Julho 

Domingos Matos, 02/07/2019 | 20:19

Desde 1824, a conquista da liberdade, no 2 de Julho, é comemorada pelo povo baiano com o desfile que sai da Lapinha até o Campo Grande, em Salvador. Os carros do caboclo e da cabocla são cortejados por milhares de pessoas, que celebram a expulsão dos últimos portugueses do Brasil. 

Este ano, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e governador em exercício, João Leão, representou o governador Rui Costa no hasteamento da bandeiras, na homenagem ao general Labatut e na saída do cortejo. "O 2 de Julho é um dia muito importante para a Bahia e o Brasil. É uma data que marca o coração dos baianos. É uma felicidade grande ver esse povo reunido, comemorando", afirmou Leão. 

Com as sacadas das casas enfeitadas e ruas cheias, a festa reúne todos os elementos da luta pela libertação da Bahia e do Brasil da dominação portuguesa. Entre os personagens históricos homenageados, Maria Quitéria é lembrada por pessoas como a dona de casa Romilda Anunciação. "Eu saio vestida de Maria Quitéria há 39 anos. Venho desde pequena, quando minha tia me trazia. Minha história de luta tem tudo a ver com Maria Quitéria. Ela é uma guerreira e eu também sou. Ano que vem, estarei aqui novamente", disse. 

Os povos indígenas também estão representados no figurino do casal Antônio Brandão, guia de turismo, e Ivanete da Silva, promotora de eventos. A história do Brasil é revisitada. "No 2 de Julho, o povo é representado por ele mesmo. Então, nada melhor que a gente representar as pessoas que lutaram, como os índios e escravos", destacou Antônio. 

Venezuelanos resgatados de trabalho escravo na BA receberão seguro desemprego

Domingos Matos, 23/04/2019 | 09:25

Os 10 venezuelanos que foram resgatados, na última quinta-feira (18), de situação análoga ao de trabalho escravo, em Itabuna, no sul na Bahia, receberão três parcelas do seguro desemprego especial.

Os trabalhadores, nove homens e uma mulher, estão no país desde janeiro, de forma regular, mas não tinham autorização para trabalhar. Apesar disso, eles prestavam serviço a uma oficina de um parque de diversões, sem qualquer tipo de proteção e garantia trabalhista.

Depois do resgate, os venezuelanos entraram com pedido de refúgio e deram entrada no pedido do CPF na Receita Federal. Eles emitiram a Carteira de Trabalho, o que garante alguns benefícios, como seguro desemprego.

“Enquanto eles não conseguirem um trabalho, eles vão ter direito a três parcelas do seguro desemprego especial do trabalhador resgatado. E vão ser encaminhados também para a assistência social de Itabuna, para serem encaminhados para ofertas de emprego, para o mercado de trabalho”, afirmou Daniel Fiúza, auditor fiscal do trabalho.

O venezuelano Joe Ramos (foto) foi um dos trabalhadores resgatados. Antes de vir ao Brasil, ele atuou como vendedor de peças de carro por 20 anos, mas como o salário que recebia na Venezuela não dava para passar o mês, ele veio para o Brasil. Apesar do ocorrido, ele diz que é muito grato ao povo brasileiro.

“Vim para o Brasil para oferecer à minha família uma situação muito melhor. Estamos muito agradecidos pela atenção do povo do Brasil. Vocês são muito especiais”, disse Joe, emocionado.

Outro trabalhador resgatado foi Jan Carlos, de 42 anos. Ele atuava como mecânico e morava no norte da Venezuela. Depois que perdeu o emprego, ele conta que a situação no seu país de origem ficou difícil. “Os remédios custavam uma fortuna. Eu tive que vender minha casa”, afirmou.

Caso

Na quinta-feira, durante o resgate dos trabalhadores, dois homens, um brasileiro e um polonês, foram presos em flagrante e vão responder pelo crime de trabalho análogo de escravidão.

De acordo com a Secretaria do Trabalho de Ilhéus, o caso foi descoberto depois de uma denúncia feita por um dos venezuelanos, depois de conseguir fugir do local onde prestava os serviços de forma irregular.

A Polícia Federal e integrantes da Secretaria foram até o parque, que fica na BR-415, quando flagraram a situação. Eles eram mantidos sem cama ou colchão, eram obrigados a repassar parte do salário para o pagamento de passagens, alimentação e serviços de TV e internet. (Com informações do G1)

A nova Ceplac esperada, após 30 anos de crise!

Domingos Matos, 03/01/2017 | 00:04

Por Juvenal Maynart

Quando a Ceplac foi criada, a revolução verde se baseava em agrotóxicos, as bibliotecas usavam somente papel, a genômica ainda não existia, computadores só eram vistos no seriado O túnel do tempo, e as redes eram apenas instrumentos de pescadores ou de balanço para um bom descanso. A Bahia tinha uma única universidade e apenas dois doutores em ciências agrárias.

O mundo mudou; a Ceplac, idem. Se o mundo e a nossa instituição mudaram, o que estaria errado para que se justifique uma nova Ceplac? A resposta está no tempo do verbo. Sim, o mundo não mudou – o mundo muda a cada instante, todos os dias. A Ceplac, não. Ela mudou, mas parou de mudar. E isso é um atraso imensurável, na era da Tecnologia da Informação e Comunicação,  mesmo que a última mudança tenha ocorrido há dez dias ou há dez anos.

A Ceplac que estamos buscando, em parcerias com o mundo da ciência, inovações e academia hodiernas, terá na Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e na e-agricultura as ferramentas da instantaneidade. Estão aí a GigaSul e a Rede Nacional de Educação e Pesquisa – RNP, do MCTI, para proverem o fazer científico em altíssima velocidade.

Sim, queremos uma ciência viabilizada por meio de redes digitais, a transparência e soluções instantâneas dos editais pautando suas demandas, e extensão por aplicativos. Queremos respostas imediatas, visto que o produtor não tem porquê esperar uma visita “in loco”. O custo tempo nas presenças físicas serão exceções.

A Ceplac tem inserção produtiva nos dois principais biomas de mata e floresta do país – a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica. Tanto numa região como noutra, o espaço produtivo será o definidor das necessidades. A roça de cacau cederá lugar a um espaço produtivo, complexo, que tanto produzirá amêndoa quanto chocolate, madeira certificada em casos específicos, ou turismo rural. Com tecnologia e informação em tempo real, surgirá um novo produtor, consciente das potencialidades de seu espaço. Um produtor que perseguirá a sustentabilidade de seu negócio e terá na Ceplac o agente fomentador e o suporte tecnológico de que necessita para gerar riquezas.

O Brasil possui uma vasta legislação que busca zero trabalho escravo e uma legislação trabalhista (CLT) que garante ao trabalhador o respeito aos seus direitos. Tem uma indústria consolidada. Uma rede de educação ampliada e inclusiva – hoje, um índio concluindo o curso de Medicina não choca, estimula.

Não podemos pensar em criar e incentivar apenas produtores de commodity cacau. Podemos, devemos e seremos dominadores de toda cadeia produtiva. Em rede, com informação, inovação e tecnologia. Teremos chocolateiros e muito mais. O PCTSul (Parque Científico e Tecnológico do Sul-baiano) será estímulo ao empreendedorismo local. Afinal, segundo Schumpeter, “o capitalismo – para vingar – só precisa de crédito e empreendedorismo”.

Para encerrar, fragmento de Tabacaria, do mestre Fernando Pessoa:

Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.

Juvenal Maynart é diretor-geral da Ceplac

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 11/09/2011 | 15:34
Editado em 11/09/2011 | 16:42

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Resquícios

Há dias o assunto gira em torno dos 10 anos do 11 de setembro (de 2001). Tende, tamanha a ênfase dada ao evento uma década depois, tornar-se o “dia do sacrifício mundial”. Diante da efetiva crise por que passa o antes todo poderoso Tio Sam, não tardará o grande irmão pedir/exigir uma contribuição financeira do planeta para as comemorações.

No entanto, não há que se duvidar: os americanos, que tanto fizeram aos outros mundo afora, viverão o resto de seus dias com o fantasma de um atentado que ocorreu nas suas entranhas, inimaginável naquelas proporções.

E essa paranóia se fará presente nas futuras gerações.

Outras lembranças

Nem mesmo cuidemos de lembrar as recentes violações estadunidenses aos direitos da Humanidade, “justificados” pelo fatídico 11 de setembro, como a morte de civis no Afeganistão e no Iraque, em decorrência da “guerra contra o terror. Tampouco Abu Gihad ou Guatânamo.

Mas, bem que poderíamos também lembrar dos 300 mil de Hiroshima e Nagasaki e de outros milhares do Vietnã, sob a suave delicadeza de bombas atômicas e do napalm.

Por quê

EEUUA indagação elementar: o que faz tão odiado o que antes se dizia pátria da Liberdade? Reler Mauro Santayana (AQUI ),  em texto do Jornal do Brasil – A Hora do Medo – de 12 de setembro de 2001, reaviva uma memória que não pode ser ofuscada pela propaganda estadunidense, de tornar-se exclusiva vítima.

Certo que não faltará a solidariedade tupiniquim, com brasileiros despejando dólares em visita ao memorial criado no local onde existiram as torres. Uma ajuda à combalida economia americana.

O marketing de Tio Sam agradece!

Recorrente

Em contrapartida, a bondade estadunidense acaba de agradecer ao mundo as condolências pelo 11 de setembro com um “gesto magnânimo”: vetará a Palestina como integrante plena da ONU. (Detalhes em www.advivo.com.br – “EUA vetarão Palestina na ONU” – de 9 de setembro).

A arrogância continua, gerando ódio. Todos sabem que a paz mundial, inclusive a denominada luta contra o terrorismo, passa pela independência do Estado Palestino, hoje ocupado por colônias judaicas, vivendo típico genocídio.

Não há pedido de paz de Roberto Carlos que dê jeito sem apoio dos Estados Unidos.

A indústria bélica agradece!

Enquanto isso

FOMETrilhões de dólares gastos em guerras e matanças. Para atender interesses da indústria bélica, principalmente. E não se tem dinheiro para matar a fome no chifre da África. A Somália como exemplo desta tragédia, com quase um milhão aguardando a morte por inanição nos próximos meses.

Falta possibilidade para fazer chegar ajuda humanitária. Que estaria bloqueada pela ação de grupos tribais em conflito interno. Para isso não existe ONU para determinar intervenção nem bombardeio. Talvez se na Somália houvesse petróleo há muito teriam invadido. Como na Líbia.

Futuro

O Partido dos Trabalhadores encerrou seu Quarto Congresso. Evidentemente a consolidação de propostas políticas amadurecidas em sua experiência. Não se negue o óbvio: no universo do trabalhismo mundial o PT se tornou um dos principais partidos de esquerda. No plano nacional o mais arrojado projeto partidário nestas últimas três décadas. Do PP de Tancredo Neves ao PSD de Kassab é o PT o de maior envergadura e, inegavelmente, o grande fenômeno político e cultural indissociável da história recente do Brasil.

Seu trabalho, materializado nas administrações inserem-no no imaginário da população, e eleitoralmente esfacela adversários clássicos que hoje lhe fazem oposição, como o PSDB, PPS e PFL/DEM.

Nasceu enfrentando a ordem, ainda em plena ditadura militar, mas não se negue que muito bem se adaptou ao pragmatismo político-eleitoral para conquistar e manter o poder.

Futuro certo

Somente se diluirá quando se agigantar sem suficiente base para suportá-la. Ou seja, sem a própria classe trabalhadora e sem o idealismo e compromisso que o fez nascer.

O que começa a acontecer. Basta ver as “conversões” da direita à esquerda, seja-o diretamente para o PT, seja-o na forma de alianças partidárias.

Caso não se torne um partido único nos moldes do PRI mexicano, igual aos outros se perderá no oceano da ocupação do poder para fins patrimonialistas.

E não precisará de outros trinta anos.

Grito dos novos excluídos

excleidosOs excluídos encontraram uma forma de levantar sua voz, fazendo-o dentro do tradicional 7 de Setembro, depois da realização do desfile oficial. Teve origem em ideário de esquerda, como meio de cobrar dos poderes ações em defesa de políticas públicas necessárias e sempre esquecidas. Em síntese, uma ação política em meio à manifestação cívica, fazendo a história e não simplesmente lembrando dela.

No desfile desta semana em Itabuna um singular sinal dos novos tempos para os excluídos, ou, quem sabe, dos novos excluídos, ou mesmo o fato de que as forças mudaram de lado.

A cobrança em torno da saúde, diretamente ao Governador Jaques Wagner, no entanto, nos pareceu coisa de alguém a serviço do DEM/governo municipal. Afinal, o problema da saúde não é só de natureza estadual, e mais da má gestão municipal.

Manipulações de costume

Muitos encontram em textos da grande imprensa (aquela que forma o PiG, de Paulo Henrique Amorim) o oráculo da verdade absoluta. E danam de repetir o escrito sem observar o texto original. É comum a desconstextualização de informações para atender à linha editorial ou ao sensacionalismo de alguns órgãos de imprensa.

Aconteceu com a matéria de O Estado de São Paulo (“Wikileaks divulga carta sobre corrupção no governo Lula”), a partir de texto divulgado pelo Wikileaks, vinculando a corrupção nas três esferas de governo exclusivamente ao governo Lula. (detalhes em “Nassif: Estadão adultera Wikileaks para atingir Lula”, em www.conversaafiada.com.br de 9 de setembro, a partir de “Wikileaks: carta do embaixador enfatiza colaboração com o Brasil”, em www.advivo.com.br do mesmo 9 de setembro).

Reproduções idem

Do texto da embaixada americana – observou André Borges Lopes – com 8057 toques, o Estadão traduziu os 77 toques da frase “Persistent and widespread corruption affects all three branches of government – que ao pé da letra diria “Corrupção persistente e generalizada afeta todos os três poderes do governo” – para incluir “governo Lula”, concentrando estes anos todos de República nos oito do ex-operário.

Da linha editorial de Veja, Istoé, O Globo, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo esperamos tudo. Mas que ilustrados comentaristas reproduzam sem ler o original, isto sim, nos surpreende.

Especialmente quando dominam o inglês!

Papel difícil

Azevedo líder de oposição, falando duro. Não leva jeito. Não é da sua natureza. Nem para defender a reeleição.

Precisa ensaiar muito.

Azevedo bravo

Não é o jeito de Azevedo. Mormente brabeza externa. Seria orientação do PFL/DEM. Ordem superior.

Então está explicado!

Menina dos olhos

Inegável que Itabuna é hoje, para o PFL/DEM, a menina dos olhos que lhe resta dentre as grandes cidades onde fez prefeito. Para parlamentares torna-se fundamental mantê-la, sob pena de reduzir ainda mais a base eleitoral para 2014.

Jogo do PT

A observada reação de Azevedo, nesse instante, faz o jogo do PT itabunense, de torná-lo “inimigo” do Governador.

Retarda a duplicação da BR-415, do Paulo Souto a Nova Ferradas que, sabe o Prefeito, seria incluída no PAC por Jaques Wagner.

Bom de mandado

Por outro lado, a se ratificar a determinação superior (partidária) confirmado que só age sob “ordens”. Assim como o foi com Cyro de Mattos. Sempre teve tudo para exonerá-lo. Mas esperou a bórgia.

Moldura

Leitores nos provocam a ponderar em torno de algumas presenças na disputa sucessório-municipal, considerando o ingresso de tais nomes para a melhora do debate político. Temos que tais participações efetivamente abrem espaço no âmbito da imagem televisiva que publiciza as propostas.

Terão, no entanto, o mesmo efeito de moldura de um quadro. Acessório.

Se faltar assunto...

A gerente da DIREC-7, professora Miralva Moitinho, estava no palanque oficial no desfile de 7 de Setembro. Foi o que bastou para levantarem insinuações várias.

Esquecem-se que a dirigente é representante do governo estadual na Educação e lá estava como autoridade.

Ah! Não esquecer que desfile da Pátria não é palanque do prefeito de plantão.

Ainda presente

Da ópera Nabuco, de Verdi, trazemos ao leitor o belo “Va pensiero” – o Coro dos Escravos Hebreus. Composta em 1842, com libreto de Temistocle Solera, quando em curso a ocupação austríaca no norte da Itália. Despertou o sentimento nacionalista italiano e tornou-se música-símbolo da pátria peninsular.

Quando os Estados Unidos, reafirmando sua vocação contrária à Paz afirmam que vetarão o ingresso da nação Palestina na ONU, dedicamos a esses escravos de hoje aquela ópera, cujo tema trata dos escravos de ontem (Hebreus/Israel), opressores/algozes de hoje.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoNaquela manhã sabática pareceu que todos os vendedores tomavam o Beco do Fuxico. Um deles entrou no ABC da Noite, braço levantado, destacando a mercadoria:

– Camarão pistola... camarão grande, freguês... camarão pistola!

Cabôco Alencar não dispensou a oportunidade:

– É bom, Cabôco – justificou – mas não tenho munição pra esse calibre.

_________________

Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 19/06/2011 | 16:58
Editado em 19/06/2011 | 18:00

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Tocante e simbólico

protestoA foto de Ari Rodrigues traduz o melancólico da cultura itabunense. Um teatro sendo destruído enquanto o artista solitário pede que não o façam.

Na luta entre o poder estúpido e a arte a atitude do artista é o poema da esperança.

“Objeto do desejo”

Matéria deste O TROMBONE transita por meandros singulares: o “desejo” de Geraldo Simões “ter como vice, na chapa de Juçara, o tucano Ronald Kalid”. A reedição, difícil, da eleição de 2000 com GS-Ubaldo.

Um ponto cruciante as distingue: o projeto individual de poder que ora alimenta GS.

Não o de Itabuna como centro de atenção como o deseja Ronald Kalid, voz de esparsos utopistas.

Uns investem, outros destroem

Enquanto São Paulo gasta 28 milhões na reforma do Teatro Municipal e o Rio de Janeiro 68, Itabuna destrói um de seus tradicionais templos, o Zélia Lessa.

Claro que São Paulo e Rio reconhecem a importância dos espaços. Em Itabuna, por sua vez, as preocupações com a Cultura mais estão no plano da alcova. Esquecidas no estertor do orgasmo. Como segredo dos tempos em que o clímax era a vitória do macho sobre a fêmea.

Respingos incômodos I

Respinga em Geraldo Simões a presença de Nanda Galvão como dirigente máxima do SAC-Itabuna, cargo que seria da cota de GS. Atacado por correligionários que veem a “indicação” como instrumento de ampliação de poder – na busca de alianças para o projeto 2012 – GS se defende através de anônimo petista com trânsito no governo estadual para dizer que apenas foi formalizada uma situação que pendia desde janeiro com a saída de Ariadne, como revela O TROMBONE de quinta 16 (“Sem Digitais”).

Respingos incômodos II

Estranha é que Ariadne deixou o cargo em janeiro e o Governo levou seis meses para “legitimar” uma função que já era respondida por quem de direito na estrutura do órgão.

E nesse meio tempo, se a indicação era ou é de Geraldo por que não fez ou faz?

Detalhe: a versão de que Nanda assumiria o SAC não é recente.

Limpando as gavetas

Militante de coturno, referência de geraldista, Nildinha deixa a DIREC-Itabuna para abrir espaço ao PCdoB. Visando desmontar diretamente o PCdoB, Geraldo Simões sacrifica amigos e correligionários até a última gota de sangue.

A participação no bolo da conquista, no entanto, só a ele pertence.

Abrindo armários

A caça ao PCdoB encetada por Geraldo Simões se aprofunda, natural e legítima. O método para o “assédio” não traduz, no entanto, a tradição petista. Jogando pesado, com propostas às vezes indecorosas. Dinheiro não seria problema, talvez transportado em “caixas de sapato” para lembrar o que dele disse certo político local, hoje íntimo do deputado.

GS traduz nesse instante da existência uma paródia do rei Midas. Aquele desejou e conseguiu transformar o que tocasse em dinheiro; Geraldo, o que tocar com o dinheiro.

O fim de Midas o sabemos; o de Geraldo, ainda não. A fonte do “toque” de Midas, o deus Baco, agradecido pelo que fizera a Sileno, seu pai; a de Geraldo só Deus o sabe!

E certamente não será a punição de Apolo.

Abrindo gavetas

A ser mantida a linha de promessas, todos os que pretendam uma vaga na Câmara Municipal e descobrirem em Geraldo o “caminho” de Compostela, terão campanha custeada. A mímica de seus intermediários argumenta e se faz esfregando polegares e indicadores nervosos. Parece que o político “descobriu” que dinheiro é tudo, não mais o discurso e a coerência.

Caso cumpra o prometido cabe descobrir a fonte milagrosa. Caso não o cumpra, a punição de Apolo a Midas.

Lastimável

O precaríssimo atendimento cartorial em Itabuna, emblematizado no vexame por que passam os que buscam reconhecer firmas e autenticar no Tabelionato de Notas faz das comarcas próximas o alvo da procura por um mais rápido atendimento. Algumas se desdobram em qualidade. Outras lutam para aproximar-se da caótica itabunense. Caso de Itajuípe. Cartazes espalhados pelo fórum até regulamentam a prestação dos serviços forenses.

Testemunhamos a indignação e mesmo o choro dos mais necessitados, quando procuram o que lhes é assegurado em lei. Uma senhora, por exemplo, na quinta 16, carecia do original de uma certidão de nascimento para viabilizar programa social e depois de esperar fora-lhe recomendado retornar na terça-feira, dia fixo programado (pelo cartório) para tal desiderato. Vendo o risco de perder ou retardar o benefício brotaram-lhe as lágrimas do desespero. O pranto sofrido – doloroso quadro de quem vive a via crucis da insensibilidade custeada pelo dinheiro do povo – foi agraciado com a possibilidade de ser atendida, desde que aguardasse.

Por volta das 10h40min, ainda enxugava as lágrimas e... aguardava.

Escárnio I

Para sentirmos a dimensão da prestação de serviços naquele fórum em várias paredes estão afixados os dizeres: “Aqui nada é urgente, porque urgente é tudo aquilo que você deixou pra (SIC) última hora, e não é o cartório que deve compensar o seu atraso”.

A pérola remete ao anedótico de imaginar-se que alguém avisasse que morreria proximamente para não deixar “pra última hora” o registro do óbito, como reservar senha para reconhecer a firma de um contrato que ainda não celebrado.

Não podemos imaginar é que ditos dizeres não sejam do conhecimento dos magistrados que respondem pela comarca.

Escárnio II

Da a entender que em Itajuípe o “cartório” não é serviço público, é FAVOR. Não descuramos de, no futuro, a manter-se a aberração, ser afixado o seguinte cartaz: Óbito, nascimento, registro, autenticação e reconhecimento de firma: AGENDE COM ANTECEDÊNCIA.

Celeridade

A propósito, a pessoa que denuncia os fatos, para registrar e reconhecer uma firma, ainda que portadora da senha n. 11, deixou as dependências do fórum às 10h38min.

E deu sorte. Como determinado em Portaria o expediente para o público só vai das 8 às 12 horas.

Resgate

O registro de Manoel Bomfim Fogueira a Oscar Ribeiro Gonçalves – “O Jequitibá da Taboca – 1849 a 1960” – sai em 2ª, pela Editus, com revisão, atualização, introdução e notas de Janete Ruiz de Macedo e João Cordeiro de Andrade.

O relançamento da Editus, em parceria com a FICC, correu na sexta 17, na Biblioteca Municipal Plínio de Almeida, em Itabuna.

Lá e cá

Rosemberg Pinto entrega a DIREC-14 (Itapetinga) ao PDT de Itarantim. Geraldo Simões – ainda que não tenha “digitais” na nomeação/designação de Nanda Galvão – agracia carlistas, soutistas, borgistas em Itabuna.

Lá como cá, o poder pelo poder. E a militância às favas!

A turma do Barão de Drumond em alta

Geraldo Simões, em Itabuna, quer um quadro do bicho para vereador; Lenildo, em Ibicaraí, pretende-o para vice.

Interessante que, em passado não tão distante, GS recusava contribuição para a campanha se tivesse como fonte o jogo do bicho.

O tempora o mores.

Itororó

A cidade é referência em festejos juninos há 23 anos, amparada na inigualável carne de sol, o motivo central do evento.

Esse primor tem uma referência histórica: Quincão. Que desenvolveu o formato de fazê-la e servi-la, há 36 anos.

“Geraldo Simões mira o PP”

A matéria no “Políticos do Sul da Bahia” de segunda 13 fala da aproximação/negociação entre PT e PP, em tratativa para sacrifícios mútuos envolvendo as eleições de 2012. No fundo, uma solução que atende mais aos interesses de GS em Itabuna, leia-se, candidatura de Juçara Feitosa, esposa do deputado.

Mas, a propósito da matéria, considerando o lide, o que ali faz Ruy Machado, com foto e tudo? 

Falta acordar

gs ppsNo anedotário futebolístico envolvendo Garrincha há o registro de uma indagação do craque ao técnico Feola, durante preleção antes de um jogo, na Copa de 1958, na Suécia: “já combinou com os gringos, ‘seu’ Feola?”

Nessa história de Geraldo Simões tentar sacrificar o PT de Ilhéus para beneficiar o itabunense, leia-se GS/Juçara, está faltando saber se a turma de Josias Gomes concorda.

Talvez GS controle o Diretório ilheense, como em Itabuna.

Se for por aí tudo certo!

Dize-me com quem andas

Essa de Marina Silva deixar o PV e filiar-se ao PPS mais parece ilação para “Samba do Crioulo Doido”. Stanislaw baixando em centro espírita para ditar novo sucesso.

Sérgio Brito

O deputado Sérgio Brito pode ocupar os holofotes muito brevemente. Como relator dos casos que envolvem denúncia contra Jair Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro utilizará a repercussão do processo e será atração na mídia nacional.

Sérgio na cola de Bolsonaro, que segundinho de televisão não é para qualquer um!

Entrelinhas I

Eduardo Anunciação, no estilo que o caracteriza, escreveu no Diário Bahia: “Wenceslau Júnior é um dos pretendentes a Prefeitura de Itabuna, prefeiturável, como está vereando, é vereador, PCdoB. Ele (Wenceslau Júnior), vitaminado de muita habilidade, de muita capacidade, de muita astúcia, vai descobrindo que neste chão não existe esquerda, direita, centro, mas prisioneiros, escravos de interesses financeiros, de um projeto de poder. Sob este ângulo, direção, só saudades da coerência de Nelito Carvalho, Hélio Pitanga e outros”. 

Dura lição do mestre, água fria na fervura dos idealistas. Não pela juventude de Wenceslau (que já compreendeu, como o diz Eduardo), mas dos meninos que anseiam ou sonham ingressar na política para servir.

Entrelinhas II

Na lúcida lição do decano do colunismo político de Itabuna a dolorosa e cruel realidade: quando diz que “neste chão não existe esquerda, direita, centro, mas prisioneiros, escravos de interesses financeiros, de um projeto de poder” Eduardo afirma que muitos de seus ex-amigos e amigos tornaram-se iguais.

De Fernando Gomes a Geraldo Simões.

Niemayer

De estarrecer: a casa construída por Gileno Amado, onde residiu, à margem direita da Itabuna-Ilhéus, recentemente derrubada, era um projeto de Oscar Niemayer.

Como sói acontecer com as coisas do capitalismo, derrubar é sempre melhor que preservar.

Escândalo

Não sabemos a quantas anda o escândalo denunciado neste O TROMBONE envolvendo a FICC e o escabroso e amador expediente utilizado para privilegiar pessoa previamente escolhida para receber mensalmente 1.500 reais enquanto os demais vis mortais terão 650 reais. (VER)

Temos informação de que o presidente Cyro de Mattos já afirmou que não subscreveu o Edital e que estaria buscando junto a Procuradoria-Geral do Município apurar o crime praticado.

Confissão

A edição do “Cultura em Ação nas Terras do Sem Fim”, ano I – nº 01, datado de abril de 2011 e circulando em junho, é uma confissão não só da vaidade e da apropriação da instituição para o projeto individual de Cyro de Mattos, como denunciam muitos (dezenas de citações de seu nome e quase duas dezenas de fotos): é típica confissão do muito pouco realizado pela FICC.

Dois anos e meio de administração para o que ali está registrado. Expediente, marca e fotos ocupam cerca de 5 de suas 12 paginas. E dentre as “realizações” o lugar comum da instituição, como cursos etc. Muitas das atividades mostradas como de iniciativa da FICC na realidade o são de particulares que dela recebem migalhas sob a condição de inserir o nome daquela que deveria ser o centro de incentivo da cultura itabunense. Tanto que trabalhos densos como o realizado pela ACODECC, de Ferradas, não são relacionados.

Muito pouco de realização para muito de fotografia do “premiado no Brasil e no Exterior”.

Battisti

Temos assumido posição em relação ao caso Battisti que contraria o lugar comum do noticiário. Sem proselitismos o fazemos, amparado apenas em não aceitar como verdade axiomática a versão e os interesses defendidos por uma parcela da imprensa nacional. Particularmente, a de atribuir ao ex-presidente Lula a (ir)responsabilidade por sua permanência no País, desfocando a juridicidade que alimentou a decisão política do governo brasileiro, legitimamente amparada no Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália.

Disponibilizamos algumas fontes: no Luis Nassifi OnLine no www.advivo.com.br de quarta 15, sob o título “O Caso Cesare Battisti na Revista Piauí” o texto de Mario Sérgio Conti “À Espera”, que aliaríamos a outros, dentre eles “A Farsa Italiana”, de Sebastião Néry, no www.tribunadaimprensa.com.br de segunda 13.

Também oferecemos um resumo de “Os Cenários Invisíveis do Caso Battisti – Por que a Extradição de Battisti Seria um Crime de Lesa Humanidade”, de Carlos Alberto Lungazzo, membro da Anistia Internacional dos Estados Unidos, em https://sites.google.com/site/lungarbattisti/resumo-do-livr e/ou  cenarioinviscasobattisti.pdf

Uma contribuição para a formação de um juízo de valor sobre o caso, com mais racionalidade e menos informação apaixonada ou político-partidarizada.

Viola em dois tempos

A viola de 10 cordas, alcunhada “caipira” – há na expressão certa carga de preconceito – muitas vezes não é encarada em dimensão erudita. Em que pese mestres como Tião Carreiro, Almir Satter e Renato Teixeira expressarem o que há do melhor que chega ao público, em contribuição para a construção de um salutar código apriorístico.

Oferecemos hoje dois instantes ímpares pelas circunstâncias: o primeiro, o erudito trabalho de Sidnei Oliveira em “Esplendor”; o outro, do conjunto “Os Incríveis”, em plena efervescência da Jovem Guarda, em 1967, com “Vendi os Bois”. (Os Incríveis fizeram com essa peça, sem proselitismos, o que Caetano fez com “Alegria, Alegria”: ruptura para contribuir com uma nova dimensão estética para música brasileira. Caetano repercutiu, Os Incríveis, não).

Dois instantes, distintos e significativos, para a “viola caipira”, não tão caipira assim.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoImaculada manhã de sábado amplia o motivo da obrigação. De todas as vertentes acorre a freguesia fiel insinuando dia muito especial. Conversas variadas, assuntos atropelando-se. Cabôco Alencar, atento e diligente, desdobra-se.

Um tema concentrou maior atenção: a cidade de Itabuna e o amor dos que ali estavam pela terra que os acolhera ou os fizera nascer, o que motiva vaidoso comentário:

– Eu moro aqui há mais de vinte anos!

A verve alencarina não perde a deixa:

– Não tarda completar a pena máxima, Cabôco.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 01/05/2011 | 13:13
Editado em 01/05/2011 | 17:20

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

IPEA desmistifica I

Para Márcio Pochmann, presidente do IPEA, especialista em mercado de trabalho pela Unicamp, há no Brasil um excedente de trabalhadores qualificados que não é aproveitado. O fato decorre de estarem muitos dos qualificados em regiões onde a demanda é menor, quando comparada com outros locais. E exemplifica: o déficit de 2,8 mil em Alagoas poderia ser suprido pelo saldo de 3 mil que serão gerados no Acre no curso de 2011.

Por estar alguém “na região errada” alimenta a distorção fazendo que este ano termine com um contingente pouco superior a 1 milhão de pessoas desempregadas com qualificação.

Isso desmistifica a ideia de que o índice de desempregados estaria vinculado tão somente à falta de qualificação exigida pela demanda empresarial.

IPEA desmistifica II

Para o especialista, o Ministério do Trabalho, deve ser aprimorado de forma a dinamizar a mobilidade regional de trabalhadores. Quer dizer, metalúrgicos sem emprego no polo de Camaçari (BA), onde o IPEA estima excedente de mão de obra qualificada, poderiam ocupar vagas abertas nas metalúrgicas de Jaraguá do Sul (SC). Mais detalhes em www.advivo.com.br  (A desigualdade regional na mão-de-obra), de sexta 29.

Ainda que polêmico não deixa de ser provocativo, uma vez que nos remete a entender que a discussão do País continua a passar por desconcentrar a produção da riqueza dos centros tradicionais, como o eixo Rio-São-Minas.

Aproveitando o mote

Números da economia dão conta do avanço do Nordeste, em números absolutos, em relação ao resto do País. Que decorre de uma política de Governo, implementada por Lula de privilegiar o Norte e o Nordeste com investimentos. Dentro dessa política o porto, aeroporto e ferrovia Oeste-Leste integram o projeto de desconcentrar os investimentos, contribuindo para fixar os naturais em suas comunidades e gerar riqueza em sua terra de origem.

Dessa forma, se dependêssemos da política anterior, muito provável que o complexo intermodal, como refinarias, estaleiros, portos, siderúrgicas etc., hoje programados e em fase de implantação no Norte e no Nordeste, permanecessem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais etc., fazendo com que a mão-de-obra nordestina, como em passado recente, continuasse a migrar para o Sudeste, fato que começa a se inverter. (Hoje o fluxo migratório interno começa a se inverter: mais nordestinos voltando de São Paulo que para lá se destinando).

Pelo gosto da turma que trabalha contra o complexo intermodal precisamos voltar ao tempo em que São Paulo era “locomotiva do Brasil” recebendo os vagões de paus-de-arara para o seu desenvolvimento (dele, São Paulo).

Holocausto

A Câmara do Rio de Janeiro aprovou (aguarda a sanção do Prefeito Eduardo Paes) projeto da vereadora Teresa Bergher (PSDB) que “torna imprescindível a ênfase do ensino sobre o Holocausto” nas escolas da prefeitura.

Sem aprofundamentos em torno do mérito – se discriminatório ou não, em tempos em que preconceito está prestes a ser criminalizado – gostaríamos de ver estendido o conceito de Holocausto (assim, com letra maiúscula mesmo) aos povos africanos. Não só os escravizados e deportados de suas terras de origem, também aqueles vítimas da sanha colonialista européia que os levou a guerras fratricidas com apoio bélico da sociedade dita civilizada.

E para não esquecer de tamanha atrocidade, que o poema Navio Negreiro, de Castro Alves, e o filme Amistad, de Steven Spielberg, sejam temas obrigatório nas escolas do País.

E aprofundar – é possível – que povos mercadores de escravos, em cada país, se beneficiaram da escravidão.

Bois de piranha

Nomes que preenchem cargos da cota de políticos são ventilados como passíveis de afastamento – agora sob o eufemismo de “promoção” – para abrir caminhos eleitorais. Em síntese: sobre eles recaem as mazelas desta ou daquela candidatura. Carregam o carma dos erros alheios.

No fundo são muito mais a expressão dos erros individuais de quem os colocou nos cargos, ainda que possam ter contribuído para agravar alguma situação.

Muitos casos mais refletem as disputas internas que a competência funcional no exercício da atividade.

Especialmente quando exercem função em verdadeiras “prefeituras” do Estado, tamanho o número de empregos que controlam sob a égide dos contratos temporários.

Abraço de afogados

É o que pode resultar da fusão de PSDB e DEM/PFL, que andam ventilando por aí. Caso mantenham o mesmo discurso.

Irrefutável I

Não poderia ser diferente. Quando circunstâncias exigem decisões que afetarão interesses a tendência natural é ocorrer a defesa pura e simples dos interesses e não da realidade. Daí a emoção ganhar o espaço da razão. E cada um com sua razão. Não se pode exigir que o flamenguista torça pelo Vasco da Gama, e vice-versa, na decisão da Taça Rio. No entanto, reconhecer o título que qualquer deles alcance é inevitável (ainda que a contragosto), justamente porque não se pode negar a realidade factual.

Ou seja, gostemos ou não, a realidade é absoluta em si mesma. Não há como afirmar que madeira é pedra quando a verdade factual afirma através do tato ser ela pedra; que o negro é vermelho se ele é negro.

Irrefutável II

makro e atacadaoImaginar que empresas como Makro e Atacadão se instalaram onde se instalaram atraídas pelo que lhes oferecia o território de Ilhéus, foge à realidade dos fatos. Elas se instalaram em Itabuna, o mercado que polariza a região.

A circunstância territorial de torná-las ilheenses decorre de uma fixação de limites que contraria atualmente a lógica (não só os de Ilhéus e Itabuna, como Bandeira do Colônia e São José do Colônia, em relação a Itororó etc.).

Indague-se qual o investimento efetivado por Ilhéus nos limites de seu território com Itabuna. Ou mesmo que atrações ou equipamentos urbanos ali disponibiliza. Não os oferece nem nos limites do perímetro urbano da cidade Ilhéus.

Por que não estabeleceu condições para empresas se instalarem no Salobrinho, por exemplo?

Irrefutável III

Com relação à necessária fixação de novos limites entre vários municípios baianos a discussão que repercute em Ilhéus e Itabuna exige tomada de posição, que compete não só à representação política.

Nesse sentido o único político vinculado a Itabuna que assume posição é o Deputado Coronel Santana. Gostem ou não dele, seja ou não questionável por atitudes passadas, é o que assumiu uma posição que traduz a lógica e o equilíbrio que a circunstância exige diante da realidade dos fatos.

Uma coisa é irrefutável: se houver critério técnico para avaliar a fixação dos limites entre Ilhéus e Itabuna a praieira terá o seu território reduzido nos limites imediatos da cidade de Itabuna.

Fora desse liame só cabe o jus esperniandi – o direito de espernear do ilheense – aplicando-se o latinismo jurídico em rodas de vinho, visto que a expressão inexiste na língua de Ovídio.

Onde os outros?

O tema está sob análise, não só da Comissão competente, da Assembleia Legislativa da Bahia. Aos poucos entrando nos lares das populações interessadas. Que o diga o morador de Itabuna saltando na estrada porque o transporte coletivo grapiúna não pode invadir o território ilheense. (Em que pese o transporte intermunicipal não atender a Nova Califórnia, que também está em território de Ilhéus, como observa Agenor Gasparetto em “Questões dos limites municipais”, em http;/agenorgaspareto.zip.net de 29 de abril).

Como age a sociedade itabunense através de suas representações – da Maçonaria à CDL, do Lions ao Rotary, da ACI aos diversos Sindicatos (taxistas, motoristas, comerciários etc.), partidos políticos – diante da realidade?

Assumam uma posição!

gsO tema tem ficado sob o limite do interesse político-partidário particular ou individual: Ângela Souza diz isso, Coronel Santana diz aquilo. Tanto que não se ouve de Geraldo Simões ou Josias Gomes – dois exemplos expressivos – como veem a realidade. E não queremos crer que pretendam guardar discursos para oportunidades outras.

josiasNesse particular, a representação política não pode se eximir de assumir posição.

Que pensam Josias Gomes e Geraldo Simões? Destacamos o nome destes dois Deputados por estarem mais vinculados à realidade que neste imediato nos aflige. E os convocamos ao centro do debate.

Assumam uma posição!

CEI

Estudantes em greve por causa de aumento das passagens... Quando tomarem consciência do que precisam dentro de suas escolas arregimentarão pais e sociedade e ocuparão as ruas para denunciar a escola pública. Estarão unidos alunos do município e do estado.

Pedirão menos propaganda e mais apoio à escola, começando com a ampliação de atividades a ela vinculadas (psicólogos, assistentes sociais, psicopedagogos e mesmo departamento jurídico).

Vane fora do PT

Chega ao limite o confronto interno-petista: Vane do Renascer pode deixar o partido e tende a filiar-se no PRB. Afastadas as afinidades religiosas mais perde Vane (sem desmesurar o direito de defesa das ideias e dos ideais), mais ganha o PRB.

A escorcha na bomba

Temos particular resistência ao controle do mercado sobre a economia, festa da doutrina liberal, do laissez-faire. Tanto que comungamos com um Estado mais intervencionista. Este que, por sinal, sempre salva o livre mercado, injetando trilhões de dólares mundo a fora para redimir a incompetência privada.

Vivemos uma particular frustração, nos idos de 1989: de possuir um carro movido a álcool e não poder circular (por mais de mês) por falta do combustível nas bombas. Naquele instante, os usineiros simplesmente destruíram uma importante conquista brasileira: a fabricação de motores movidos a álcool iniciada nos anos 70.

Pouco mais de duas décadas e sentimos cheiro semelhante, desta vez invadindo o bolso. O preço do álcool, alimentado pela ganância justificada na teoria da oferta-procura, ocupa espaço aviltante na economia individual dos que possuem carro.

Não é o preço da gasolina que inflaciona, mas a conveniência do usineiro entre exportar açúcar e produzir, portanto, menos álcool. (Não tenhamos aqui a cobrança de nacionalidade/civismo. Afinal, a pátria dessa gente é o dinheiro).

A intervenção que não ocorre

Muito se fala na necessidade de estoques reguladores, que deveriam estar a cargo do Governo. No entanto, isso que já ocorreu durante certo período, foi transferido para a própria iniciativa privada – leia-se usineiros, através da UNICA, a associação que congrega os produtores de açúcar e álcool – que se comprometera a regular a oferta através de contratos futuros de venda – por conceituar o álcool como um produto agrícola – o que não efetiva.

Em outras palavras: entregaram o galinheiro para a raposa. Em 12 meses 75% em reais e 95% em dólares a variação do aumento, chegando, respectivamente, a 117% e 201% em 24 meses.

Impõe-se o imediato retorno do controle sobre os estoques do álcool pela Agência Nacional de Petróleo-ANP, hoje fazendo-o a partir da distribuição e não mais do produtor à distribuidora. Mais detalhes em www.advivo.com.br – “A crise dos combustíveis”, de 27 de abril.

Até que enfim!

Enquanto redigíamos nos chegou a informação, da mesma fonte, na quinta 28, de que a Presidente Dilma Rousseff assinou Medida Provisória alterando a classificação do álcool da categoria de insumo “produto agrícola” para “combustível”. Tal expediente vai possibilitar que a fiscalização, comercialização, estocagem, exportação e importação fiquem a cargo da ANP.

Vem a calhar! Esperamos que a bancada do agronegócio não ponha água na fervura.

Silêncio sepulcral

Meia-noite em cemitério em noite sem lua. Se tivermos de expor em tintas assim seria observada a reação do Governo da Bahia diante da greve nas universidades.

O terror que o quadro inspira fica por conta da omissão de parcela considerável da imprensa. Parece até tempos de repressão e censura – vade retro!

Ou aguardam release do Governo, o jornalismo que ouve um só lado da realidade.

Alarde providencial!

Quando se esperava uma atitude equilibrada do Governo Estadual – que reside muito mais em atender as reivindicações (antes aceitas e descumpridas) ou então assumir publicamente o caos em que se encontram as universidades estaduais – lá vem representante do dito cujo ameaçar com o corte dos salários.

Certamente saudade de ACM e da ditadura. Quando o diálogo do porrete com o lombo era uma constante.

De grão em grão I

Em 2008 ninguém poderia imaginar que o Sargento Gilson, um dos coordenadores da campanha de Azevedo-DEM, futuro Secretário de Administração do Município, viesse a se filiar ao partido dos cururus, o que ocorreu em 2011. Interesses vários, donde o mais imediato beneficiário não seria o próprio Gilson, mas o PCdoB, que abriria um canal fisiológico para a conquista de votos para a candidatura de Rosivaldo Pinheiro em 2012.

Nesse instante – especulam – haveria a impossibilidade político-administrativa de ser consumada a negociação e o Sargento Gilson não teria como assumir a direção da 5ª Ciretran-Itabuna.

O PCdoB, no entanto, detendo a indicação, manterá o acesso de Rosivaldo ao canal pretendido.

De grão em grão II

No outro lado da moeda, considerando que o trabalho do ex-Secretário tenha gerado dividendos políticos, ainda que mínimos o sejam, o PCdoB pode perder Sargento Gilson para o cargo – se perder – mas não perde o quadro para a campanha de 2012.

De grão em grão o PCdoB vai engordando a galinha das alianças e das conquistas visando a eleição municipal.

O Governador e os índices de violência

Em seu programa de rádio, na terça 26, Sua Excelência destacou a redução do número de homicídios na Bahia em 16%, quando comparados o primeiro trimestre de 2011 com o de 2010.

Itabuna certamente ficou de fora.

Ainda o Governador

Destacou que a luta contra o crime não se resume tão somente à esfera policial, mas ao incremento do “emprego, cultura, educação, habitação”

Ah! Educação, sempre lembrada, como um mantra!

O por falar nela, Sua Excelência poderia visitar algumas escolas tradicionais desta Bahia para conhecer a realidade da oferta físico-tecnológica e o estado em que se encontram os professores da rede. Sugerimos começar por Itabuna.

E não esquecer de promover uma assembleia com os professores das universidades estaduais.

Dará credibilidade ao radiofônico oficial, que está ótimo só como programa de rádio.

Leituras

Enquete deste O TROMBONE procura sentir o clima para 2012 partindo de uma premissa chamada Azevedo; se parte para a reeleição e quais os seus adversários, considerados em potencial Juçara, Davidson e o próprio Azevedo (administração).

Cremos que esse quadro será alterado, mais provável dentro do PT – a não ser que Juçara encontre unanimidade tal que possibilite a Geraldo Simões impor o seu nome e assegurar unidade na militância em defesa de sua campanha e integral apoio do Governo Estadual. (É lá onde reside o perigo!).

Ainda que cometendo precipitações e dependendo de articulações em nível de cúpulas, Davidson Magalhães é o candidato do PCdoB, com possibilidades de fazer convergir em torno dele um bom grupo e mesmo de vencer as eleições se dispuser de uma articulação que lhe assegure um bom tempo na televisão.

Azevedo – em que pese o descontrole sobre a administração, indefinida e insegura – dependerá, em muito, de Fernando Gomes, que poderá “assumir” a administração municipal ainda que não seja candidato.

No mote – como cantiga de grilo – derrotar o PT de Geraldo Simões.

Revelação

Eduardo Anunciação em sua “Política, Gente. Poder” (Diário Bahia), no curso da semana fez, para nós, uma revelação/confissão, se entendemos o processo eleitoral na entrelinha do colunismo: “Juçara Feitosa ainda não faz nenhuma declaração rigorosa, taxativa que não é candidata à sucessão do prefeito-capitão Nilton Azevedo...”.

Diz tudo, o bem informado Eduardo. Quem não diz o diz. Justamente porque JF o contrário não afirma: que é candidata.

Se o dissesse não exigiria do experimentado analista Eduardo Anunciação a ilação exposta.

Juçara Feitosa

juçaraMesmo porque a autonomia da iniciativa de lançar a própria candidatura não cabe a Juçara, que em 2010 chegou a ter o nome ventilado para a deputança estadual e deixou de concorrer para não prejudicar alianças de Geraldo. Foi honrada com a segunda suplência de Lídice da Matta, na senatoria. Para quem conhece minimamente os meandros da política, a eleição para uma vaga na Assembleia Legislativa daria visibilidade ímpar a Juçara perante o eleitorado local. O mesmo – não ser candidata – pode ocorrer em 2012. Mais pelas relações de GS no âmbito estadual.

No momento, a leitura da análise de Eduardo pode significar que o terreno pode estar sendo preparado para ser retirado aquele AINDA do texto.

Afinal, coisa de fábulas!

Discurso para Azevedo

É o que se pode admitir com o release da FICC – leia-se Cyro de Mattos – onde expressa a apropriação de projetos alheios como se da FICC o fossem. Isso, como Cultura, deve servir ao prefeito Azevedo. Faz parte do “me engana que eu gosto”.

E de release em release Cyro vai faturando seu cascalho no comando da mais desastrosa administração da história da FICC.

UESC

Considerando que os portões retirados o foram para conserto (me engana que eu gosto) a não reposição – ou seja, o não conserto até agora – confirma o sucateamento das universidades estaduais (faltariam recursos até para consertar um mísero portão) ou a incompetência administrativa de quem gere a UESC.

Uma confissão a justificar a existência do movimento grevista.

Nana Caymmi

Das grandes divas da interpretação brasileira Nana completou neste 29 de abril 70 anos. Com a homenagem que lhe fez Dorival, seu pai, assim que nasceu, com a chopiniana Acalanto – suave como um noturno – brindamos o aniversário. Aqui interpretada pela própria Nana em dueto com o criador.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoManhã começando no ABC. Ainda na faina o Cabôco e sua alquimia de elaborar artesanal e diariamente a batida que o freguês consumirá naquele dia. Um cliente empurra a semicerrada banda de porta e pergunta se já está atendendo.

Cabôco Alencar aponta para o relógio e diz:

– Ainda não! Só a partir das onze.

Diante do ar de estranheza do cliente, completa:

– Eu boto uma placa de bronze, fazendo do ABC uma repartição pública federal, e você não quer respeitar o horário do expediente!

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 06/03/2011 | 10:21
Editado em 06/03/2011 | 10:59

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Referência calendária

Instalando a Comissão Especial da Reforma Política da Câmara dos Deputados (isso mesmo! Há duas comissões para o mister; a outra, no Senado), o ex-senador e agora Deputado Almeida Lima (PMDB-SE) instruía os pares para a primeira reunião a ser realizada na terça-feira da semana “depois do Carnaval”.

São favas do calendário brasileiro: o Carnaval como referência. Disso não escapa nem o Parlamento.

Saco de maldades

Estamos na fase “o que tiver de ruim faça-o logo” (pelo menos assim queremos crer). É o que se pode concluir com mais um aumento da SELIC para alimentar a teoria monetarista para controle da inflação. Em que pese outros instrumentos de igual quilate em andamento, como o ajuste fiscal. Mas, como especulador e sistema financeiro não podem ficar sem um naquinho, tome-lhe mais 0,5% na taxa de juros.

Certeza é a de que a inflação de alimentos tem origem mais na alta dos preços lá fora, do que pela demanda local, em razão da escassez por razões climáticas na China, Rússia e Austrália, o que leva nossos produtos (carne, soja, milho etc.) ao mercado externo em prejuízo do interno. Outros preços decorrem da sazonalidade de todo início de ano: tarifas públicas, escola, aluguel etc. atreladas a índices oficiais.  

Mas “nossos” teóricos (delas, as escolas que pensam o mundo a partir da lógica “deles”) só dispõem de um mantra. E não desafinam!

Cachaça é a redenção!

Caindo no laço, a emenda foi pior que o soneto. Se tomarmos em consideração a declaração, em rede nacional, do líder Cândido Vacarezza criticando os que teriam alegado que o aumento do bolsa-família só daria para compra de mais aguardente, saiu-se com a pérola de que isso irrigaria o mercado de trabalho e quejandos, com a ampliação dos valores na produção e comercialização da branquinha.

Na outra ponta espera-se a opinião dos Alcoólicos Anônimos e do Ministério da Saúde, que tem no consumo de álcool (e do cigarro) uma das maiores causas de gastos governamentais na área, com desdobramentos que vão desde as mortes por cirrose e doenças cardíacas até acidentes de trânsito.

Pegou mal!

Eleições I

Com militantes defendendo Humberto Barreto para conciliar o partido, Vane afirmando que baterá chapa na convenção e todos eles entendendo que Juçara não congrega os sentimentos de unidade muita água rolará no PT até o desencadeamento do processo eleitoral/2012.

O que não pode ser negado – e aí a militância esquece de analisar – é que a democracia partidária no Brasil mais se faz na força de lideranças maiores que da vontade da maioria.

Executivas nacionais defenestram as estaduais, estas – como o contínuo no conto de Lima Barreto – se vingam nas municipais, então tornadas o vira-lata do grande realista.

Eleições II

No caso local, além disso, a democracia petista – que escuta até o “Bloco do Eu Sozinho” – terá de se curvar à vontade de Geraldo Simões, que controla a convenção municipal.

E dispõe de um argumento muito significativo: o número de cargos que assegura para os seus amigos (que deve superar os três mil), inclusive de outros partidos que a ele aderiram.

O resto é caminhada, bandeira e discurso. No fim, todos pelo consenso.

Desdobramentos

O que não pode ser descartado é que muitos farão corpo mole na campanha, caso GS imponha um nome. E aí tem jacaré, morcego, sapo e cururu na espreita, cada um entoando o chamado pela presa.

Banco do Brasil

A agência do BB localizada na Prefeitura melhorou consideravelmente o atendimento. E como é um espaço pequeno, age como coração de mãe, ainda que disponibilizando somente dois caixas (já foram três). O sistema de triagem fornece senhas na entrada da agência o que facilita o atendimento.

No entanto, não consegue impedir o desgaste da demora nos dias em que concentra funcionários de empresas encarregados de muitos pagamentos. Assim, aquela senha fornecida individualmente torna-se “coletiva”. Um verdadeiro “furo” na fila quando um só ocupa o lugar de dezenas de outros, enquanto o portador da senha individual fica esperando, esperando...

A melhor solução é disponibilizar mais um caixa. Mas aí, se não houver pressão que reflita nos escalões superiores da administração do BB, o escalão superior da agência fica tolhido.

A não ser que crie uma senha especial para os ofice-boys ou um atendimento privilegiado para eles.

Visibilidade

augusto castroNão deixa de ser um golpe de mestre a oportuna iniciativa do deputado Augusto Castro no que diz respeito à instalação de uma comissão na Assembléia Legislativa para discutir o complexo intermodal. Assegura visibilidade em assunto que interessa a região e pode capitalizar votos no futuro.

Geraldo Simões, por exemplo, ainda que tenha perdido o bonde da iniciativa, ainda poderá fazê-lo em nível de Câmara Federal o que demonstrará prestígio se coletar o número de assinaturas necessárias para constituir uma comissão. Afinal, o complexo intermodal, com seus desdobramentos – inclusive de contribuição para a futura ligação ferroviária entre o Oceano Atlântico e o Pacífico – constitui-se projeto de interesse nacional.

Jabes Ribeiro

Perguntado sobre qual cargo escolheria junto ao Governo Estadual Jabes Ribeiro afirmou que nenhum lhe apetece mais que a Secretaria do Partido. Como tal, cobra; se secretário de Estado, seria cobrado.

Como Jabes não nasceu ontem a leitura é simples: nada que possa atrapalhar seu projeto eleitoral.

Cena urbana I

A cidade, no que diz respeito a ordenamento urbano, padece de mínimo reconhecimento. Ou seja, tivesse que ser referência estaria fora de qualquer perspectiva. Cavalos e burros transitam livremente, gado pasta. Esse o sinal de que algo está profundamente errado na condução da gestão.

Só falta aparecer funcionário municipal como proprietário da tropa e do rebanho.

Cena urbana II

Estacionar em Itabuna virou uma batalha. Não só porque o número de veículos aumentou. Mas pelos sinais de desrespeito que vão desde a ocupação indevida do espaço público por particulares até o individualismo e egoísmo de comerciantes e proprietários de veículos e motocicletas.

Um restaurante, por exemplo, na Amélia Amado cultiva o sadio hábito de privatizar toda a frente do estabelecimento utilizando-se de cadeiras de plástico. Aguarda, certamente – ou provoca – a edição de lei municipal que estenda aos restaurantes o privilégio do estacionamento rotativo das farmácias.

Com um detalhe: tempo indeterminado para o proprietário.

Cena urbana III

De motocicletas fez-se o caos. Alimentado na ocupação indevida de espaços destinados a automóveis, não fora o delicado trafegar – só faltam voar por cima dos automóveis – a ultrapassagem pela direita remete a novas alterações na legislação do trânsito.

Um motociclista, flagrado por um leitor, não se bastou em estacionar indevidamente: ladeou seu bólido entre dois automóveis, impedindo que um deles saísse.

Cena urbana IV

Enquanto as obras do Canal do Lava-Pés avançam sucumbem as árvores. Ainda que não dominemos o contexto da análise técnica dói ver tantas árvores ceifadas.

Aqui em Itabuna temos que há uma indústria madeireira em atividade se levarmos em conta a poda das árvores.

Agora com a devastação da Amélia Amado haverá mais lenha.

Deu na Tribuna da Inprensa on line

Carlos Newton, no último dia 2, publica resultado de pesquisa do IBGE, com singulares considerações do imaginário brasileiro sobre o Judiciário: “Caiu nos últimos três meses de 2010 a confiança dos brasileiros na Justiça do país, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança da Justiça (ICJBrasil) ficou em 4,2 pontos no último trimestre do ano passado. No trimestre anterior, o índice havia apresentado 4,4 pontos. E o pior é que, desta vez, 64% dos entrevistados disseram que a Justiça é pouco ou nada honesta.” 

Nada a declarar! Vox populi vox dei.

Jorge Araujo

As reações de leitores d’ O TROMBONE demonstram o respeito ao grande ensaísta, poeta, ficcionista, dramaturgo e jornalista, nascido na terra rachada de Baixa Grande, agora que o temos articulando neste espaço.

Aos que se debruçam sobre a sua obra uma notícia auspiciosa: a Via Litterarum está re/editando toda a obra de Jorge de Souza Araujo.

Cadinho eleitoral

Considerações recentes veiculando a possibilidade de Gustavo Lisboa ingressar na política partidária podem encontrar precedentes mais concretos observando o que publicamos neste DE RODAPÉS E DE ACHADOS em 28 de novembro de 2010, sob o título “Bola de Cristal”. Eis o oráculo:

fernando e sandra”Se tomarmos 2012 como um conjunto de neurônios em sadia atividade podemos nos defrontar com sinapses surpreendentes em andamento, antes inimagináveis, quanto a nomes para enfrentar os políticos tradicionais. 

Neste diapasão o do Professor Gustavo Lisboa, nome leve com trânsito em vários segmentos da sociedade. Ainda que negue, pode ser convencido. E tem possibilidades, se a eleição adquirir foros de maniqueísmo, quando o bem ou mal encarna neste ou naquele nome tradicional, conforme quem o proclame, dividindo aqui e ali.

E aí entram as composições, que podem significar muito. Imaginemos o Professor Gustavo Lisboa como cabeça de chapa e a Sra. Sandra Neilma como vice. Quem é Sandra Neilma? Resposta: esposa de Fernando Gomes e ex-Secretária do Bem-Estar Social do Município de Itabuna.

Esta sinapse pode fazer tremer o cérebro da sucessão!”

Não é anedota

Recebemos dia desses uma relação de nomes de novas agremiações religiosas, surgidas só em 2010. De uma meia centena, as primeiras pérolas: Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo, Igreja Cristo é Show, Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado, Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’ Água, Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo.

Como nos cinemas de antanho, quando exibiam seriados: Continua na próxima semana.    

Lançamento

A BAHIAGÁS com camarote no Carnaval soteropolitano constitui o lançamento oficial da candidatura Davidson Magalhães para prefeito de Itabuna em 2012.

Alguém do ramo nos disse da possibilidade eleitoral do cururu. Se Geraldo mantiver o nome de Juçara tem possibilidades reais.

Itororó I

Um dos mais competentes assessores do prefeito Adroaldo Almeida, ainda não-dissidente, é o Secretário de Cultura e Turismo, o dramaturgo e diretor teatral Sérgio Ramos. Sem recursos faz milagres e apresenta resultados. Não há divulgação. A não ser que possibilite uma boa foto e um release para a imprensa.

Aí o prefeito aparecerá como autor, intérprete, diretor, cenógrafo, produtor e crítico.

Itororó II

A lamentável imagem que marca o prefeito Adroaldo Almeida – que surgiu como esperança e frustra os que nele confiaram – desconstrói até mesmo as ações positivas desenvolvidas por sua gestão, dentre elas a implantação do piso nacional para os professores municipais e a instalação da agência do INSS.

Só falta apagar de Itororó algumas conquistas históricas, como ser sede da famosa carne de sol e deter um recorde para municípios de igual porte: haver eleito no curso de 52 anos de emancipado 6 deputados estaduais – Eujácio Simões (62, 66, 70, 74, 78 e 82), Henrique Brito Filho (66 e 70), Naomar Alcântara (78), Eujácio Simões Filho (86 e 90), Sérgio Brito (2002), Rosemberg Pinto (2010) – e 3 federais – Henrique Brito (74 e 78), Eujácio Filho (94, 98 e 2002) e Sérgio Brito (86, 90, 94, 2006 e 2010).

CEPLAC I

ceplacComemorados no dia 1º os 54 anos de existência do órgão, que nasceu para administrar dívidas e se tornou um centro de referência na pesquisa e na extensão a partir dos anos 60. Sua história não só vincula a agricultura como a política regional e transita pela construção do poder e da decadência desde que perdeu recursos quando Delfim Neto, no governo Figueiredo, detectou a “fortuna” orçamentária decorrente daqueles famosos 10% sobre as exportações.

Nos áureos tempos de orçamentos milionários desenvolveu, em tempos distantes, uma clientela de excelência financiando a pós-graduação de seus funcionários no Brasil e no exterior. Criou a EMARC e contribuiu decisivamente para instalação física da então FESPI, hoje UESC.

Chegou a ter patrulha mecânica, para construção e manutenção de estradas como instrumento de facilitar o escoamento da produção cacaueira.

CEPLAC II

O dinheiro era tanto que tentou até mesmo implantar a cultura do cacau no Sul do País (ao ignorante escriba a dúvida: se aqui o frio atrapalha não o faria no Sul?) e no Recôncavo. Construiu escritórios suntuosos, sede em Brasília e financiou as mordomias do CCPC/CNPC (incluindo a pomposa sede).

A história completa, no entanto, ainda está por ser escrita. Mas, diante das virtudes instalaram-se preconceitos que ainda alimentam a resistência ao reconhecimento dos erros ceplaqueanos.

O maior deles: não ter contribuído para desenvolver uma economia cacaueira. Ficamos só na plantation. Como escravos os pequenos e médios produtores, vinculados às exigências técnicas – algumas que se tornaram espatafúrdias com o tempo – para os financiamentos junto ao Banco do Brasil. Sem esquecer o uso do BHC e de agente laranja para combater pragas, o mais criminoso ato: derrubar a mata nativa (Mata Atlântica) para plantar o theobroma sombreado por heritrina.

Os céus ainda choram!

Secretaria da pesca

Em Ilhéus o alcaide Newton Lima anuncia a criação da Secretaria da Pesca. Sugestão para preenchimento do cargo: o ex-prefeito Antônio Olímpio.

Gentileza personalizada, AO encontraria no cargo açúcar e mamão.

Posse

Digno da série exemplos nada edificantes o que se viu durante a posse do Ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal na última quinta 3. Para nós que tínhamos nos jogadores de futebol o mais negativo exemplo de desrespeito ao instante solene em que se executa o Hino Nacional – apenas por eles escutado, quase nunca cantado – hoje nos desculpamos.

Anunciada a execução do Hino pela Banda de Fuzileiros Navais do Distrito Federal (que a câmera da TV Justiça se recusou a mostrar, o que pode significar que apenas era uma gravação) o que se viu foi simplesmente lamentável. Dos presentes ninguém cantava o Hino, com raríssimas exceções. Dos Ministros do Supremo apenas Ricardo Lewandowski entoou a primeira parte. Dos muitos convidados, Sarney (Presidente do Senado), Marco Maia (Presidente da Câmara) e Nelson Jobim (Ministro da Defesa) respeitaram o símbolo nacional. E teve quem conversasse durante a execução!

De positivo – em tão negativo cenário – o fato de que ninguém mascava chiclete.

No mais, um exemplo nada edificante.

Cerimonial

Descobrimos, somente agora, que o beija-mão dos cumprimentos após a posse no STF envolve toda a família do empossado. No caso do Ministro Fux lá estavam mulher, filhos, genro ou nora, gato e papagaio. Até mesmo um pequeno, que deve ser neto. Todos na fila recebendo cumprimentos. Diferentemente do Executivo. Gostaríamos de compreender o porquê.

Aproveitamos para sugerir ao nosso cerimonialista mor, Ramiro Aquino, a inserção da maravilha como tema nos cursos que ministra. E para o Senado, a quem cabe sabatinar futuros ministros, a recomendação de que também sabatine a família.

Não esquecer do papagaio!

Jornal Itabuna, Cultura & Arte

Descansa no Carnaval, que ninguém é de ferro!

Micareta

Mal defendemos nestas mal traçadas a LAVAGEM DO BECO DO FUXICO como marca oficial do Carnaval itabunense, como forma de economizar e de evitar desvios, entregando ao povo o comando da gestão da festa, a Prefeitura anuncia Micareta para julho.

Óbvio que com tudo aquilo que condenamos: gastos milionários etc.

Do baú dos velhos carnavais

A marcha-rancho constitui-se o ritmo romântico do momesco, distinta da marchinha, o lado escrachado e crítico do Carnaval. Marcaram época e ainda se encontram no imaginário as clássicas “As pastorinhas” (1934) de Noel Rosa e João de Barro/Braguinha e “Bandeira Branca” (1970) de Max Nunes e Laércio Alves. Trazemos, no entanto, uma pérola dos anos 60: “Máscara Negra” (1967) de Zé Kéti e Pereira Mattos.

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Cantinho do ABC da Noite

cabocoTodo e qualquer boteco exerce um certo quê de confessionário. Muitos de logo justificam atitudes puramente individuais, sem que ninguém pergunte. Como aquele discípulo do ABC, num destes sábados de semana inglesa, dando o trabalho como impeditivo de não haver aparecido para bicar nos últimos dias:

– É, Cabôco, tenho trabalhado muito! – lamuriou.

A intervenção alencarina acorre com o singular conselho:

– Se o trabalho está atrapalhando a bebida, Cabôco, deixe de trabalhar.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Reflexões sobre o Centenário de Itabuna e um olhar sobre as desigualdades raciais

Domingos Matos, 25/07/2010 | 14:13
Editado em 25/07/2010 | 14:21

Chico Estevam

chicoAo contrário do que se pensa a respeito da formação econômica da nossa região e da sua mão-de-obra, foram escravos e escravas os primeiros trabalhadores (negros imigrantes) que participaram ativamente da construção da riqueza regional, tornando as cidades de Ilhéus e Itabuna as maiores exportadoras de cacau do mundo, e a maior contribuição em impostos da Bahia.

Após a abolição, jogados à própria sorte, sem direitos trabalhistas e sociais, esses trabalhadores passaram também a ser os primeiros excluídos e marginalizados de nossa região.

O escravismo e as relações sociais capitalistas deixaram um legado histórico perverso e excludente para o povo negro na região sul. Não podemos repetir modelos de crescimento que aumente o abismo social para negros, índios e brancos pobres.

A realidade do povo negro é cruel: mais de 10 milhões de mulheres negras já foram esterilizadas; somos a maioria dos desempregados. Como se não bastasse, a violência ceifa a vida dos jovens negros em todo o país e o sistema judiciário, associado ao econômico, vem confinando negros ao cárcere, aos campos de concentração brasileiros.

Em Itabuna, no conjunto da população, a parcela negra é a que mais sofre: a pobreza, fome e miséria (entre os indigentes, a maioria absoluta é negra); a falta de saneamento básico; o desemprego atinge grande parcela da população negra (a atual administração prometeu gerar empregos e não está cumprindo).

Os negros também sofrem com o fornecimento irregular no abastecimento de água, atendimento médico precário; trabalhos desumanos e insalubres dos garis, que são formados em sua maioria de negros e negras; a escola pública municipal deixa a desejar na qualidade de ensino, sendo necessário também melhorar a infra-estrutura das escolas.

O MNU - Movimento Negro Unificado encampa uma luta do povo negro contra o arrendamento e aforamento de terrenos em quase todos os bairros de Itabuna.

Isso prova que o poder público estadual e municipal tem dívida social e histórica com a população negra e indígena e é nesse contexto que se insere o debate da urgência de políticas públicas de ação afirmativa.

        "Quem tem consciência para ter coragem, quem tem a força de saber que existe a engrenagem, inventa a contra-mola que resiste". Secos e Molhados.

Chico Estevam é coordenador do MNU - Movimento Negro Unificado

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