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Novos ares

Domingos Matos, 14/09/2018 | 18:29

(Publicado no Jornal Agora - Editorial)

Não faz muito tempo, em contraste com o boom econômico e social vivenciado pelo restante do país, na região cacaueira só se ouvia um samba de uma nota só: dívida alta, vassoura muita e crédito zero. Soava estranho, em um país em que a empregada doméstica de um cacauicultor botava o filho pra fazer Medicina, que o patrão vivesse choramingando e contando mazelas.

Hoje, tudo mudou. Não, não se quitou a dívida, erradicou a vassoura-de-bruxa nem apareceu o crédito para os hoje corados produtores. O “milagre” foi outro: virou-se a chavinha, e o que antes era só lamentação, transformou-se em um cântico regado a chocolate fino, com identidade de origem.

Em outras palavras: o produtor entendeu que o momento é diferente, que a amêndoa beneficiada gera mais renda e que existe um ativo imenso a favorecer a nossa lavoura: a cobertura por espécies nativas da Mata Atlântica. Conservação Produtiva. Sistema Agroflorestal (SAF). Cabruca.

O nome é o que menos importa. É um sistema só nosso, que está encantando o mundo, cada vez mais atento à correção nas relações sociais que envolvem o chocolate, um manjar de deuses, porém, produzido sob condições infernais em algumas partes do mundo.

Nada disso surgiu do nada. A Ceplac foi a grande indutora desse processo, que se realiza em parceria com diversas instituições, públicas e privadas, além de outras do terceiro setor, mas sob a batuta sexagenária da velha comissão.

Sexagenária, sim, mas com uma mente totalmente aberta para o novo. Pelo menos, de uns tempos para cá, após a chegada do irrequieto Juvenal Maynart, primeiro na Superintendência da Bahia, depois na Direção-Geral, em Brasília.

Juvenal precisou de uma única virtude para levar a Ceplac ao caminho que levou: ouviu e reconheceu o espírito do tempo. Da Primavera Árabe ao Movimento Passe Livre, extraía-se uma ideia, a ideia de que essa geração não aceitaria as coisas como estavam, como sempre foram. Para uma mente que calcula atos para antecipar os resultados (como um estrategista, um enxadrista), ver o que se daria no Brasil, da política à cacauicultura, foi um exercício até simples.

A Ceplac se transformou em Centro de Excelência das Políticas para a Lavoura Cacaueira; o chocolate baiano tem selo de identidade de origem; pela primeira vez a Fundação Mundial do Cacau (WCF) realiza um evento na América Latina (São Paulo, dias 24 e 25 de outubro); 7 mil famílias de assentados serão atendidas com o primeiro financiamento produtivo em SAF-Cacau; uma parceria do Incra com o Mapa criou o programa Rota do Cacau etc.

Os produtores continuam sem crédito, as dívidas impagáveis e a vassoura (talvez nunca seja vencida) continua entre nós. A diferença é que enquanto esses problemas não se resolvem, resolveram eles arregaçar as mangas e mudar o foco. Entenderam o espírito do seu tempo.

Setembro Verde: Santa Casa realiza duas cirurgias de doação de órgãos

Domingos Matos, 10/09/2018 | 19:00

No mês Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos e tecidos para transplante (Setembro Verde), a Santa Casa de Misericórdia de Itabuna realizou duas cirurgias de doação, sendo uma de múltiplos órgãos e a outra de córneas.

As cirurgias aconteceram no sábado (08), no Hospital Calixto Midlej Filho. O médico responsável pelo procedimento de múltiplos órgãos foi Daniel Viriato.

Com um trabalho intenso de sensibilização e capacitação junto à sociedade e aos profissionais de saúde, realizado pela Comissão Intra-hospitalar de transplante - CIHDOTT, a Santa Casa de Itabuna conseguiu viabilizar mais de 60 transplantes de córneas e realizar 108 transplantes de rins.

A enfermeira Coordenadora da CIHDOTT, Patrícia Betyar, informou que os processos são validados e acompanhados pela Central Estadual de transplante e apenas tudo começa pelo gesto de Amor do SIM da sociedade e continua com o empenho e dedicação de todos os profissionais envolvidos com o ideal de melhorar ou salvar vidas.  Um doador pode salvar mais de sete vidas!

 

Santa Casa de Itabuna inicia Campanha de Sensibilização para Doação de Órgãos

Domingos Matos, 31/08/2018 | 16:40
Editado em 01/09/2018 | 14:21

Para sensibilizar colaboradores e sociedade sobre a importância da doação de órgãos, durante todo o mês de setembro diversas ações serão realizadas pela Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, através da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT).

As ações do Setembro Verde terão início na segunda-feira, 3 de setembro, no Hospital Manoel Novaes. Na unidade será montado um espaço com alertas e reflexões com o intuito de chamar atenção sobre o número de pessoas que estão na fila de espera aguardando por um transplante e o quanto é importante avisar às famílias sobre o desejo de ser um doador. Além do túnel temático com o momento lúdico, ao longo do mês serão realizadas panfletagens, distribuição de laços verdes,seminário e simpósios. 

As ações, que prosseguem até o dia 29 de setembro, serão realizadas também nos Hospitais Calixto Midlej Filho, Hospital São Lucas, Mutirão Santa Casa nos Bairros, e nas instituições de ensino:Cooperativa Educacional de Itabuna - COOPEDI e na faculdade - FTC.

De acordo com a enfermeira do CIHDOTT, Patricia Betyar, as ações são essenciais na sensibilização do tema para a sociedade. “Ainda enfrentamos muitas negativas durante as abordagens para a captação de doadores, pois lidamos com a dor da perda. Quando o familiar avisa em vida sobre o seu desejo de ser doador, a família respeita esse desejo. Por isso precisamos intensificar as ações e plantar no outro o desejo de se tornar doador e ajudar a salvar vidas”, disse Patricia

Ainda durante o Setembro Verde estão sendo comercializadas camisas temáticas para a data, com 100% da renda revertida para o Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico (GAPO). Mais informações sobre a programação e venda de camisas pelo telefone (73) 98869-8617.

 As ações do setembro verde estão sendo apoiadas pela Fundação Centro de Estudos Professor Edgard Santos (FUNCEPES), PLANSUL, Grupo de Apoio ao Paciente Oncológico (GAPO) , Samuel Decorações e Grupo de Eventos SCMI.

Mãe acusada de matar, esquartejar e enterrar o filho recém-nascido em Itabuna é presa novamente

Domingos Matos, 31/08/2018 | 16:10
Editado em 01/09/2018 | 14:22

O promotor titular da Vara do Júri de Itabuna recorreu da decisão da audiência de custódia e a suspeita de matar e esquartejar o próprio filho recém-nascido voltou para a prisão, três dias após ganhar liberdade.

Rosemare de Oliveira, de 39 anos, foi solta na segunda-feira (27) e foi presa, novamente, na quinta (30), após a Justiça decretar a prisão preventiva dela. A mulher já foi encaminhada para o Conjunto Penal de Itabuna.

A acusada foi submetida a exame de sanidade mental na última quarta-feira (29). A previsão é de que o resultado saia num prazo de 10 dias. Se ficar comprovado que a suspeita sofre de transtornos mentais, ela será levada para um hospital de custódia, em Salvador. Caso contrário, vai continuar respondendo pelo crime de infanticídio, mas permanecerá presa numa cela comum.

O caso

Rosemare de Oliveira foi presa no último sábado (25), logo após o sumiço do bebê, de apenas um mês. A criança foi esquartejada e queimada, antes de ser enterrada num matagal nas imediações da Volta da Cobra, próximo ao Hospital de Base.

Na delegacia, a Rosemare confessou tudo, mas negou que matou o filho. Segundo ela, quando fez isso, a criança já estava morta. A suspeita relatou que o recém-nascido começou a passar mal e, a caminho do hospital, teria morrido.

Ainda de acordo com Rosemare, ela teria ficado com medo da reação da família e resolveu enterrar o corpo.

 

 

Estudantes de Itabuna se destacam nacionalmente pela criação de aplicativos de grande alcance social

Domingos Matos, 31/08/2018 | 15:45
Editado em 01/09/2018 | 14:22

A estudante Ana Carolina Souza Neris, 16 anos, do 2º ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual Félix Mendonça, em Itabuna, virou personagem para vídeo do Google Education, graças à criação de um aplicativo voltado para o acesso a informações em postos de saúde. Nesta semana, ela viajou acompanhada do secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, da diretora, Rose Guerra, e da vice-diretora, Helena Carvalho, do Félix Mendonça, e da professora Carla Almeida, que coordena o projeto Caravanas Digitais, da Secretaria da Educação do Estado e que também participa do vídeo do Google, para apresentar o App Hack Saúde, durante o Google for Education no Inovar para Brasil, realizado na terça e quarta-feira (28 e 29), em São Paulo.

No vídeo disponibilizado pelo google no YouTube (https://youtu.be/vZgfibCYJDI) e, também durante o encontro em São Paulo, Ana Carolina explica como idealizou o App e como foi criado com alguns colegas e professores, a partir do programa e-Nova Educação, desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado em parceria com o Google. No e-Nova, que está sendo implantado em mais de 500 escolas da rede estadual, os estudantes utilizam ferramentas do Google em sala de aula, através de chromebooks. Os computadores foram criados pelo Google e funcionam totalmente baseado na web. O seu uso pedagógico dinamiza o processo de ensino e aprendizagem, a partir de conteúdos interativos.

O App Hack Saúde visa otimizar o atendimento nos postos de saúde, contendo informações sobre o perfil do usuário, como tipagem sanguínea, patologias e cartão de vacina virtual. No aplicativo, o usuário também acessará informações que circulam no posto, para que possa fazer seus agendamentos de consulta online. A estudantes Ana Caroline falou sobre o e-Nova e a repercussão alcançada pelo App. “O e-Nova mudou a minha relação com a tecnologia e é uma ferramenta que auxilia no meu estudo. Hoje não uso apenas a tecnologia para as redes sociais, mas também para obter conhecimento. Estou realizando um sonho, tendo reconhecimento de algo que foi plantado por mim e por minha equipe e isto é muito gratificante”, afirmou.

O secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, falou que o e-Nova está mudando a relação da comunidade escolar com a tecnologia. “Estamos acabando com aquela ideia de que lugar de tecnologia é na sala de informática. Com o e-Nova, a tecnologia está sendo usada como ferramenta pedagógica em sala de aula e em todo ambiente escolar, despertando o interesse dos estudantes em aprender de forma lúdica, interativa e com inovação, a partir de projetos que eles mesmo desenvolvem. Além disso, estamos potencializando esta ação com a maior formação de professores do Brasil no uso de tecnologias educacionais, para mais de 23 mil educadores da rede estadual, em parceria com a Universidade Federal da Bahia”, afirmou.

Mais aplicativos - Outros protótipos de aplicativo já foram criados pelos estudantes do Félix Mendonça com o mesmo alcance social, pois buscamsolucionar problemas existentes na sociedade e que revelam o olhar empreendedor e criativo dos estudantes da rede estadual de ensino. As estudantes Anna Karoline Pinheiro, 14, e Anabelly Santos, 17, por exemplo, criaram o aplicativo “ASF – Acompanhe Seu Filho”, no qual os pais dos alunos poderão acompanhar a vida escolar dos filhos, como notas, frequência e avisos. A ideia é voltada para as Secretarias de Educação e o aplicativo poderá ser acessado pelo número de matrícula do estudante de cada unidade escolar cadastrada. Com este aplicativo, as estudantes conquistaram a etapa regional e a final da etapa Brasil do Technovation Challenge Brazil, competição de desenvolvimento de aplicativos para meninas de 10 a 18 anos dos Ensinos Fundamental, Médio e Técnico.

Outro projeto de destaque foi o “Bio Protect”, que significa “Proteja a Vida”, criado pela estudante Shauany Gomes, 16, e as demais integrantes de sua equipe. “Ele foi criado porque analisamos que o mundo em que vivemos hoje com o avanço tecnológico tem sido prejudicado. O aplicativo contém um quiz (jogo) onde o participante pode assinalar algumas alternativas e, com base nas suas respostas, será mostrado um texto sobre o tema abordado no qual o participante poderá fazer uma autorreflexão sobre suas atitudes com o meio ambiente. Além disso, também são indicadas algumas plantas medicinais que podemos cultivar em nossa casa para ajudar na nossa saúde”, explica a estudante.

A diretora do Félix Mendonça, Rose Guerra, falou sobre o impacto do usa das ferramentas do Google em sala de aula. “Apostar nos projetos envolvendo a tecnologia e os saberes de nossos adolescentes é estimular e oportunizar que eles ousem criar soluções que impactem a comunidade”.

Já está em liberdade mãe que esquartejou e enterrou bebê em Itabuna

Rosemare de Oliveira, presa no último final de semana, após confessar o crime, será submetida a um exame de sanidade mental

Domingos Matos, 28/08/2018 | 16:23
Editado em 31/08/2018 | 16:01

Rosemare de Oliveira, de 39 anos, acusada de enterrar o próprio filho de apenas um mês de idade, foi solta após uma audiência de custódia, realizada ontem (27), na Vara do Júri, em Itabuna.

A mulher foi presa no último sábado (25), logo após o sumiço do bebê. A criança foi esquartejada e queimada, antes de ser enterrada num matagal nas imediações da Volta da Cobra. Rosemare confessou tudo, mas garantiu que, quando fez isso, o filho já estava morto.

Segundo ela, o bebê começou a passar mal e, a caminho do hospital, ele teria morrido. A acusada contou que, com medo da reação da família, resolveu enterrar o corpo.

O caso repercutiu em todo o estado. A Justiça decidiu que Rosemare deverá ser submetida a exames de sanidade mental. Se a doença for comprovada, ela será levada para um hospital de custódia, em Salvador. Caso contrário, vai continuar respondendo pelo crime de infanticídio, mas ficará presa numa cela comum.

Baiana de Macaúbas - quem é a estudante que viralizou com discurso em formatura na PUC-SP

Domingos Matos, 20/02/2018 | 11:55
Editado em 20/02/2018 | 11:59

Publicado na Nova Escola

Diante de um auditório lotado no Citibank Hall, gigantesca casa de shows da capital paulista, uma aluna de uma das graduações mais tradicionais do país toma o microfone para um discurso duro. “Gostaria de falar sobre resistência. De uma em específico, a que uma parcela dos formandos enfrentaram durante sua trajetória acadêmica”.

Ela falava em nome dos alunos bolsistas do curso de direito da PUC-SP, em que as mensalidades são de 3.130 reais. “Somos moradores de periferia, pretos, descendentes de nordestinos e estudantes de escola pública”, enumerou. Descrevendo uma experiência de solidão e preconceito, a oradora apontava as dificuldades do convívio com alunos e professores de uma outra classe social:

“Resistimos às piadas sobre pobres, às críticas sobre as esmolas que o governo nos dá. À falta de inglês fluente, de roupa social e linguajar rebuscado. Resistimos aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram, na verdade, nossos pais.”

Migrante e filha da escola pública

A fala, aplaudida de pé, viralizou em áudio e vídeo nas redes sociais. NOVA ESCOLA conversou com exclusividade com a autora do discurso. Seu nome é Michele Maria Batista Alves, de 23 anos. Natural de Macaúbas, cidade de 50 mil habitantes no centro-sul baiano, ela é uma dos milhares de estudantes de classe popular que chegaram à faculdade a partir da criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), em 2004. É também um exemplo das dificuldades dessa trajetória.

Filha de mãe solteira, criada com a ajuda do avô, Michele veio para São Paulo aos 12 anos, para tratar de uma depressão. Sua família se estabeleceu numa casa alugada em Itapevi, cidade da Grande São Paulo onde mora até hoje, e de onde leva duas horas para ir e voltar ao centro da capital. A intenção inicial era regressar à Bahia, mas dois anos depois a descoberta de um tumor no pescoço adiou indefinidamente os planos. “Hoje estou curadíssima, mas por causa da doença fomos ficando. Minha mãe trabalhava de doméstica e eu comecei a ajudar no Ensino Médio como monitora numa escola infantil”, conta.

Sua história na Educação Básica foi toda em escola pública. “Estudei numa escola estadual perto de casa. Tive professores bons, mas a estrutura dificultava. Faltava água sempre, não tinha como ir ao banheiro, as classes eram lotadas e havia brigas. Eu sentia o quanto era difícil lecionar ali”, lembra ela, que diz nunca ter tido uma aula de Química – a professora só existia no papel, mas nunca apareceu. “Por tudo isso, acho muito difícil um aluno de escola pública entrar direto na faculdade.”

“Percebi que era pobre”

Ela própria teve de fazer cursinho. Duas vezes, a primeira delas num comunitário. “Foi uma experiência fundamental”, conta. “Tive vários professores de origem popular que me mostraram a diferença entre classes. Era a primeira vez que eu me reconhecia como pobre.”

A segunda foi no ingresso na PUC-SP. “Não tinha ninguém do meu círculo social. Não tinha recepção para bolsistas”, diz. No primeiro dia, uma menina contava animadamente sobre a viagem de férias à Europa. No terceiro, uma professora fez um comentário sobre métodos de estudos que deveriam ser evitados porque até a filha da empregada dela estudava assim. O impacto virou trecho do discurso:

“Naquele dia, soube que a faculdade não era para mim. Liguei para a minha mãe, que é doméstica, e disse que queria desistir. Ela me fez enxergar o quanto precisava resistir àquela situação e mostrar o quanto eu era capaz de obter aquele diploma”.

Espelho da realidade

Professores da PUC confirmam a situação narrada por Michele. “Ouvi de alguns bolsistas que a maior dificuldade não era preencher as lacunas de formação, mas conviver com a discriminação por parte de colegas”, diz Leonardo Sakamoto, professor do curso de jornalismo. “Se a PUC tivesse mais estudantes como eles, faria mais diferença do que faz hoje. Alguns dos meus melhores alunos foram bolsistas.”

“Os alunos beneficiários de bolsas são os mais dedicados, pois vêem no diploma da PUC a única chance de fugir de um destino cruel, previamente estabelecido”, confirma Adalton Diniz, professor do curso de Ciências Econômicas, que compara sua própria trajetória com o cenário atual. “Nasci no Jardim São Luiz, na periferia de São Paulo, fui operário metalúrgico e filho de uma dona de casa e um trabalhador que apenas completou o ensino primário. Estudei na PUC nos anos 1980 e não me recordo de ter enfrentado, de modo significativo, resistência, preconceito e hostilidade. Creio que a sociedade brasileira era mais generosa na época.”

Michele Alves seguiu em frente, mas não sem dificuldades. Passou os seis primeiros meses sem falar com ninguém. “Também por minha conta, porque antes eu era mais radical, mais intolerante. Acho que a gente tem de ser radical, mas não radical cego. Isso eu só aprendi depois, ao perceber como as pessoas me enxergavam e como eu poderia me aproximar delas. Aos poucos, fui criando métodos para dialogar com quem era diferente de mim. Ficar sem falar é muito ruim.”

Choro, apreensão – e aplausos

O episódio do discurso nasceu dessa espécie de diálogo radical. Com colegas, Michele fundou um grupo para discutir a situação dos bolsistas na PUC. A formatura se tornou uma pauta importante, porque o custo da colação de grau e do baile – na casa dos 6 mil reais – era proibitivo. Uma negociação com a comissão do evento garantiu quatro ingressos para cada bolsista e o direito do grupo a ter um orador.

Michele foi a escolhida. “Fiz o texto numa única noite. Chorei muito. É um relato carregado de histórias não só minhas, mas de todos os bolsistas, que eu revivia conforme ia escrevendo. Ensaiei 12 vezes e só na última consegui ler sem chorar”, conta.

Chegou o 15 de fevereiro, data da colação, e Michele aguardava sua vez de subir ao palco. O orador oficial fez um discurso leve, contando ‘causos’ do curso e arrancando risadas da plateia. Michele gelou. “Pensei: ‘e agora, como vai ser? Vou vir com um tapa na cara, agressivo, não sei como vão reagir’”. De cima do palco, tentou procurar a família – cunhado, uma amiga do Chile, três colegas de trabalho e a mãe, aniversariante da noite. Não viu ninguém. Leu tudo de um fôlego só.

Ao terminar, ainda meio atordoada, correu de volta para seu assento. “Achei estranho meus colegas se levantando. Depois entendi. Estavam me aplaudindo”, diz ela, contente também com a repercussão de sua fala nas redes sociais. “É uma vitória saber que minha reflexão está chegando a lugares que antes não debatiam esse assunto. Quem sabe cause algum impacto na vida dos bolsistas que virão depois de mim.”

Governo do Estado anuncia ações para a saúde de Ilhéus

Domingos Matos, 17/02/2018 | 22:43

O secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, anunciou, nesse sábado (17), em Ilhéus, diversas ações que vão transformar a prestação dos serviços públicos de saúde no município. Durante todo o dia o secretário discutiu as soluções para o setor, cumprindo uma determinação do governador Rui Costa, visando sanar os entraves e colocar a saúde de Ilhéus num patamar de serviço público eficiente.

Entre as ações, o secretário anunciou a reforma do Hospital Regional Luiz Viana Filho (HRLVF), que terá seu perfil alterado para uma unidade materno-infantil de alta complexidade. Também garantiu a abertura de uma Unidade de Pronto Atendimento 24h no bairro da Conquista, que fica a cerca de 500 metros do HRLVF. Essa unidade fará atendimento clínico e cirúrgico de urgência e emergência de adultos.

Vilas-Boas definiu ainda a contratação de serviços de pediatria no Hospital de Ilhéus, que passará a ofertar, via SUS, serviços de ambulatório, urgência e emergência e internação. Também ficou acetado o aporte de R$ 2 milhões para a conclusão de seis Unidades Básicas de Saúde (UBS), que estão com obras paralisadas.

Outras ações anunciadas foram a construção de uma UPA 24h no bairro da Barra e a cessão de 200 servidores estaduais para fortalecer a rede municipal de saúde, atuando nas unidades básicas e pontos de urgência e emergência.

“Além dessas ações, também reafirmamos a contratualização da Clínica COCI, para atendimentos de urgência e emergência ortopédica, a contratualização do Hospital São José, e ainda a do Pronto-Atendimento da Zona Sul”, explicou o secretário.

“O governador Rui Costa sempre colocou a saúde como prioridade da sua gestão e, nesse sentido, tem contribuído com a ampliação e fortalecimento da rede de saúde de Ilhéus. Com essas ações, o município tem uma janela única de oportunidade para reverter a deficiência crônica do seu sistema de saúde”.

Além da recente inauguração do Hospital Regional Costa do Cacau, o governo do Estado aplicará mais de R$ 15 milhões em diversas ações no município, completou o secretário. As ações foram discutidas e apresentadas em uma reunião ampliada, da qual participaram o prefeito Mário Alexandre, deputados, vereadores e o Conselho Municipal de Saúde.

Ensino Fundamental americano em Itabuna

Informe

Domingos Matos, 13/11/2017 | 08:10

O Colégio Ieprol consolidou-se no serviço de ensino de Itabuna, oferecendo uma educação de excelência, voltada para atender as exigências educacionais do século XXI.

E, fiel a essa visão, apresentou à comunidade itabunense e regional, na noite do dia 09/11, mais uma novidade revolucionária: o Middle School, ensino fundamental americano.

Com essa inovadora proposta, o Colégio Ieprol completa o seu já excepcional portfólio - método Poliedro, Mecatrônica e Robótica e o Programa Dual Language.

O Middle School é resultado de uma parceria com uma das mais importantes universidades norte-americanas, University of Missouri, e funcionará a partir de 2018 para alunos do 7º e 8º anos.

O aluno concluinte sairá com duas diplomações, a brasileira e a americana. Isso permitirá um futuro de mobilidade pessoal, acadêmica e profissional, que superará qualquer fronteira.

E não é só isso. Após a conclusão do Middle School, o aluno poderá seguir para o High School (ensino médio), a partir do 9º ano.

Forte no conteúdo, ousado nas propostas e criativo nas ideias. Assim é o Colégio Ieprol. Caminhando lado a lado ao tempo de seu filho.

As matrículas estão abertas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (73) 98880-8010. Visite a página.

MINHA MÃE FOI FESTEJAR NA ETERNIDADE

Domingos Matos, 01/10/2017 | 15:15

Adroaldo Almeida*

Dona Almerinda, minha mãe, abriu as cortinas do baile do tempo e foi celebrar na eternidade. Pôs o seu vestido mais bonito, estampado de ternura e gentileza, descansou os pés da máquina Singer, calçou sapatilhas adornadas com o perene orvalho translúcido da aurora e flutuou no tapete mágico da espiritualidade para virar estrela na constelação da misericórdia.

Dona Almerinda, minha mãe, partiu na primavera carregando um buquê de crepúsculos e madrugadas nas agulhas e dedais das suas mãos, bordando matas celestes e rios siderais na fina seda do tecido de nossas vidas.

Dona Almerinda, minha mãe, calou o silêncio e soprou sobre a brisa da vida o ar e a voz da sua mansidão angelical. Então, resoluta e de roupa nova, suave e pura, atravessou a excelsa torrente até a outra margem e retornou para sua mesa no banquete do Pai Eterno.

Dona Almerinda, minha dulcíssima mãe, dona de casa e costureira, fatigada de combater na Terra, subiu ao Céu para preparar os manjares de Deus e alinhavar as túnicas do Criador. Para sempre, como sempre.

Adroaldo Almeida é filho de ALMERINDA NASCIMENTO SILVA (1929-2017).

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