Tag: itabuna

A lava-jato, o caso Ilhéus e a saída de Vítor do Amor

Domingos Matos, 23/03/2017 | 00:06
Editado em 23/03/2017 | 00:15

Há uma relação direta entre o que ocorre no Brasil, com a chamada Operação Lava-jato, as prisões dessa terça-feira (21) em Ilhéus e o pedido de boné do secretário da Saúde de Itabuna, Vítor do Amor. Sinal dos tempos.

A relação entre a Lava-jato e o caso de Ilhéus é evidente: inspiração. O Ministério Público Estadual imitou o que fazem o MPF e a PGR na famosa operação nascida na 13ª Vara Federal de Curitiba.

O que fica mais no campo da especulação é o caso do ex-secretário da Saúde de Itabuna.

Será que quando convidado, o tio, Jaime do Amor - conhecido negociante ligado ao prefeito Fernando Gomes - não chegou a dizer quem era o futuro chefe? Seu modo de agir. A já folclórica forma de tratamento de seus subordinados... E sobre os pedidos “fora dos preceitos da legalidade”, nada?

Claro que há relação.

Um dia após a prisão de agentes públicos e políticos, sob suspeita de corrupção, numa cidade vizinha, de mesmo porte, acaba sendo um alerta.

Mas interessante mesmo é um representante do primeiro escalão de uma prefeitura como a de Itabuna dizer que recebia pedidos estranhos. Logo numa secretaria com o orçamento que a Saúde tem. Não dá para desconsiderar.

Uma delação informal, não há dúvidas. Resta saber quem se interessa por ela.

Nazal defende mais união dos municípios para consolidar desenvolvimento regional

Domingos Matos, 23/03/2017 | 00:01

Ao participar do lançamento do Programa Líder, iniciativa do Sebrae e da Frente Nacional dos Prefeitos, em parceria com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e Associação Brasileira dos Municípios (ABM), o vice-prefeito de Ilhéus e secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável, José Nazal, defendeu a importância de mais união entre os municípios que integram o Território Litoral Sul na busca pela consolidação do desenvolvimento regional.

Ilhéus foi a primeira cidade do interior baiano a conhecer o programa e, de acordo com o superintendente do Sebrae Bahia, Adhvam Furtado, essa conquista se dá graças ao potencial, a organização e a importância econômica que a região tem. Nazal participou do lançamento ao lado de lideranças públicas, privadas e representantes do terceiro setor da região sul da Bahia. Estiveram presentes também os secretários Paulo Sérgio dos Santos (Indústria e Comércio) e Alcides Kruschewsky (Comunicação).

Estratégia coletiva - O objetivo do Programa Líder, segundo a gerente regional do Sebrae, Claudiana Figueiredo, é pensar estrategicamente o desenvolvimento sustentável da região, através do estabelecimento de uma aliança que faça convergir interesses de todos nas prioridades identificadas na área em sinergia com as políticas de Estado e do Governo Federal.

Durante o lançamento, que aconteceu ontem (21), no auditório do Hotel Aldeia da Praia, litoral sul de Ilhéus, o vice-prefeito José Nazal destacou ainda que o Território Litoral Sul é composto por 26 municípios, mas metade da população se concentra em Ilhéus e Itabuna, municípios que também detém “muito mais da metade da receita”.

No entanto, destacou Nazal, os dois maiores municípios regionais pouco participam dos debates e não integram sequer o Consórcio da Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc). “A região passa pela necessidade de os políticos, governantes e das pessoas em geral, se despirem da vaidade pessoal e pensar conjuntamente o processo de desenvolvimento regional focado em iniciativas de desenvolvimento coletivo e de sustentabilidade”, afirmou.

Secretário pede pra sair e aponta possíveis irregularidades no governo

Vítor do Amor diz que pedidos "fora dos preceitos da legalidade" motivaram saída

Domingos Matos, 22/03/2017 | 21:55

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE ITABUNA E À IMPRENSA

Senhoras e Senhores,

Informo que, a partir desta quarta-feira (22), não mais faço parte da equipe de trabalho da Prefeitura Municipal de Itabuna, tendo pedido a minha exoneração do cargo de Secretário de Saúde, durante reunião com a equipe de trabalho, com participação do prefeito desta cidade. Este comunicado visa alguns objetivos, os quais enumero:

1 – Esclarecer que ao atender o convite para assumir a SMS, deixei claro ser um gestor do sistema, portanto, um técnico, sem nenhum envolvimento político e, naquele momento, aceitava a tarefa planejar a recuperação da rede de saúde, que, de acordo com as informações passadas pela autoridade maior do município, precisava de adequações urgentes às necessidades exigidas pela população. Várias foram as reuniões, os contatos, todos deixando claro o objetivo técnico do meu trabalho. As promessas de que não havia envolvimento político partidário foram reforçadas a cada um desses encontros e, como demente à Deus, procurei acreditar;

2 – Ao longo dos primeiros dias de atividade, busquei levantar problemas decorrentes de problemas na gestão passada, que não se adequavam às diretrizes estabelecidas pela atual gestão. Uma das missões, foi trabalhar para as devidas correções, sem a preocupação de publicidade do que estava ou não errado. Naquele momento, muito mais importante que criticar o passado, era pensar no presente e no futuro, pois a cidade carecia de um sistema que pudesse transformar hospitais e postos de saúde, em ambientes propícios ao atendimento das necessidades da população, especialmente a mais carente. Os 32 Postos de Saúde, 12 Unidades de Média e Alta Complexidade e um Hospital Municipal, 3 Centros de Atenção Psicossocial, Odontocentro e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência(Samu), foram alvo da atenção de toda a equipe de trabalho, com levantamento das ações necessárias para oferecer dignidade a população, a exemplo de abertura de processos licitatórios para reformas que, por vezes agradaram, outras, não, mas, que tiveram um objetivo único: recuperar a autoestima da população da cidade em relação a um dos setores mais importantes da vida de Itabuna.

Ao longo dos pouco mais de quase três meses de contato com a cidade de Itabuna e com o seu gestor, comecei a encarar algumas dificuldades, algumas inerentes ao próprio cargo, outras por falta de total visão do prefeito em relação ao que deveria ser uma gestão voltada para os compromissos técnicos. E nesses conflitos que começamos a travar, notei algo que foge totalmente dos meus princípios: a falta de humanização nas relações e de respeito ao próximo.

Apesar de ainda jovem, aprendi que não é com gritos, gestos bruscos, atitudes com único objetivo de menosprezar as pessoas ou propostas indecentes que devemos basear as nossas vidas, especialmente quando o bem público está colocado sob a nossa responsabilidade. Temos, enfim, um compromisso com a população, ávida por dias melhores, insatisfeita com o atendimento em todas as unidades de saúde e, a principal missão de alguém com respaldo moral, é, no mínimo, diminuir esse sofrimento. E isso só pode ocorrer com trabalho, feito à base da honestidade.

A forma sugerida, muitas vezes, fugia ao que mandam os preceitos da legalidade e disso sempre fugi e estarei distante, sempre. Este meu comportamento pode ser atestado em órgãos onde trabalhei – Hospital Geral do Estado(HGE-Salvador), Hospital Roberto Santos(HRS-Salvador), Hospital Albino Leitão(São Sebastião do Passé) e Secretaria de Saúde de São Sebastião do Passé, da qual fui titular durante três anos.

A administração pública, na minha visão, sempre exigiu transparência e honestidade e disso nunca abri mão. Por isso, em todos os órgãos por onde passei, tive o grande mérito de ver as contas avaliadas e aprovadas pelo Tribunal de Contas da União, o que não significou nenhum tipo de favor. Afinal, a obrigação do gestor público, é cuidar do bem da população com total honestidade.

Sou brasileiro e, como tal, estou, a exemplo da população, cansado das “mumunhas” políticas, das jogadas sujas, dos dribles desconcertantes que a população tem encarado, todas dadas por gente que sempre busca o melhor para as suas vidas e sequer se importa com os caminhos sujos que seguem e com as práticas delituosas.

Por fim, agradeço a todos pelo carinho de gente que conheci há pouco tempo, mas entendeu as razões das mudanças que, naquele primeiro momento eram necessárias. Deixo um projeto de trabalho honesto e espero que ele seja levado adiante, ao menos nesse item – honestidade no trato com o dinheiro público.

Ao prefeito municipal, a expectativa de que possa cumprir com fidelidade as suas promessas e oferecer um serviço público de saúde à altura da população itabunense.

Aos veículos de comunicação, o agradecimento pelas notícias, entrevistas, destaques e, confesso ter entendido as cobranças. Os gestores públicos são obrigados a encarar com atenção às críticas que saem desses veículos de massa, pois são interlocutores dos anseios da população.

Obrigado a todos,

Vitor do Amor Santos Lavinsky

Conjunto Penal de Itabuna oferece exames preventivos para internas

Domingos Matos, 22/03/2017 | 00:22
Editado em 22/03/2017 | 00:24

Todas as 66 internas do Conjunto Penal de Itabuna (CPI) estão passando por exames preventivos para câncer de colo de útero e diversas outras doenças ginecológicas. A coleta das amostras de material para exames de citopatologia começou na sexta-feira (17) e seguirá essa semana.

A iniciativa é uma extensão das atividades relacionadas à celebração do Dia da Mulher – 8 de março – e é realizada em parceria com uma clínica particular de Itabuna, da médica Mércia Margotto, que se prontificou a fazer a leitura das lâminas.

A empresa Socializa, que faz a administração do presídio em regime de cogestão com o Estado, arcou com o custo simbólico proposto pela profissional. Esse arranjo foi necessário porque poucas delas possuem a documentação necessária para a realização pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Primeira vez

A receptividade entre a população feminina interna do CPI foi total. Muitas delas nunca haviam feito o exame, como destacou uma delas, de 53 anos. “Só tenho a agradecer. Tenho 53 anos e nunca tinha feito esse exame”, comentou essa interna.

Geraldo critica posição de Rui na eleição de 2016

Domingos Matos, 20/03/2017 | 20:33
Editado em 22/03/2017 | 00:23

Do Pimenta

Numa das entrevistas mais longas concedidas após as eleições de 2016, o ex-prefeito Geraldo Simões (PT) fez críticas ao governador Rui Costa por ter se distanciado do processo sucessório municipal no sul da Bahia. “Acho que o governador errou feio ao não vir [à região]”, disse. Simões também revelou que o seu “candidato do coração” ao Palácio de Ondina em 2018 é Jaques Wagner, atualmente ocupando a secretaria de Desenvolvimento Econômico.

– Tenho mais relações com Wagner do que com Rui. Mas [ele vai] para a reeleição com alta possibilidade de sucesso. Rui está sentado na cadeira e tem direito à reeleição. Se olhar para a região, vamos ver coisas extraordinárias sendo feitas – observou o ex-prefeito de Itabuna e ex-deputado federal, citando obras como a Barragem do Colônia, em Itapé, a UFSB, o Hospital da Costa do Cacau e a possibilidade de início das obras de duplicação da Rodovia Ilhéus-Itabuna.

As críticas a Rui e o predileção por Wagner se deram durante o Resenha da Cidade (Rádio Difusora), apresentado por Roberto de Souza.

Geraldo também anunciou o apoio à candidatura de Waldenor Pereira na disputa pelo comando estadual do PT. O ex-prefeito disse manter boas relações com Everaldo Anunciação, presidente e candidato à reeleição, mas acredita que o antigo secretário do seu governo fez muitas concessões que prejudicaram o PT em 2016. “[O partido] caiu de 100 para 30 prefeituras [na Bahia]. Houve concessão exagerada [do PT] aos partidos da base.

Fernando apático

O ex-prefeito também fez críticas ao prefeito Fernando Gomes. Inicialmente dizendo que não se aprofundariam nas avaliações por entender que uma gestão precisa de, pelo menos, 90 dias para ser analisada, Geraldo completou: “Meu pai dizia que espinho que fura já nasce com a pontinha”.

Para ele, o governo do adversário nasce apático, talvez afetado por uma possível decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acabe cassando a diplomação e, como consequência, o mandato de Fernando. O prefeito ainda tem um processo para ser julgado no Tribunal, em Brasília.

Palestra sobre protagonismo feminino encerra a Semana da Mulher no CPI

Domingos Matos, 14/03/2017 | 08:01

Depois de uma semana com diversas atividades voltadas à valorização das mulheres no Conjunto Penal de Itabuna (CPI), na manhã de segunda-feira (13) foi realizada uma palestra, para as internas, sobre protagonismo feminino. O evento encerrou as atividades da Semana da Mulher no CPI, e contou com a participação do diretor do CPI, Capitão PM Adriano Jácome, do diretor-adjunto, Sargento PM Bernardo Cerqueira Dutra, além do gerente operacional da Socializa – Novo Sistema Prisional, Yuri Damasceno, e do corpo técnico e de ressocialização, responsável pela programação.

A advogada e professora Lara Kauark, especialista em Direitos Humanos e Democracia, e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Itabuna, falou sobre a necessária tomada de consciência de todas as mulheres em relação aos seus direitos e deveres, em busca de um protagonismo que a cada dia se afirma na sociedade, ao mesmo tempo em que se faz cada vez mais necessário. “Vocês estão tendo oportunidade de aprender uma profissão, seguir com os estudos. Lá fora, esse conhecimento tornará cada uma de vocês mais empoderada e independente. Acredite em você, faça acontecer”, incentivou a palestrante.

O diretor Adriano Jácome afirmou que as mulheres estão, a cada dia, conquistando mais e mais espaços, em todas as áreas, mesmo naquelas onde a tradição sempre foi de domínio masculino. “Vejo mulheres no comando de aeronaves, assumindo postos de comando em diversos setores. A luta pela igualdade de direitos é constante, e há muito para conquistar. Por exemplo, a equiparação salarial para as mesmas funções desenvolvidas por homens e mulheres. Mas os avanços estão acontecendo”.

Parcerias

A programação da Semana da Mulher no CPI ocorreu entre a terça-feira (7) e a segunda-feira (13), e envolveu desde as visitas, que foram acolhidas na área externa da unidade numa ação da equipe de assistência social, até as internas, que além das atividades sociais, tiveram programados exames preventivos. Já as funcionárias receberam um kit com bombom de chocolate fino e uma mensagem, além de um coffee break no dia 8.

O projeto de valorização da mulher no ambiente do CPI foi idealizado pelo corpo técnico da unidade, envolvendo também a direção que representa o Estado e parceiros, como a Ceplac, que doou os chocolates finos, por meio da Disaf (Divisão de Administração e Finanças) e do Cepec (Centro de Pesquisas do Cacau), e de órgãos do judiciário.

Parque para desenvolvimento do cacau é lançado na Uesc

Domingos Matos, 13/03/2017 | 09:50

Para inovar e fortalecer a cadeira produtiva do cacau e chocolate no sul da Bahia, foi lançado nesta sexta-feira (10) o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul). Durante o evento no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), localizado na rodovia Ilhéus-Itabuna, foi inaugurado o Centro de Inovação do Cacau, primeira iniciativa do Parque que surge para fortalecer a região cacaueira.

O parque é resultado da união de esforços da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Universidade Federal do Sul da Bahia, Ceplac, IFBA, IFBaiano, secretarias estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Desenvolvimento Econômico (SDE). Com foco na criação e inovação da cadeia produtiva do cacau e chocolate no sul da Bahia, a previsão é que a estrutura receba investimentos da ordem de R$ 6,5 milhões até 2019. Foram três anos de estudos para o desenvolvimento do projeto da unidade, que irá auxiliar ainda na qualificação dos ensinos técnico e superior da região. 

As primeiras operações do PCTSul terão como foco a cadeia produtiva do cacau, através de um Centro Integrado de Inteligência e Inovação que se dedicará à realização de análises físico-químicas, com foco na melhora da produtividade, qualidade e rastreabilidade das amêndoas, viabilizando o fortalecimento da inserção do cacau baiano nos circuitos produtores de chocolates finos e de origem. 

A reitora da Uesc, Adélia Carvalho, disse que “o Centro de Inovação do Cacau é um pontapé inicial para as atividades do parque. O Centro já está sendo um importante apoio para a cadeia produtiva do cacau, visando a sua qualificação e a inovação da cadeia como um todo.”

Para o reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia, Naomar Almeida, o objetivo maior é redinamizar a economia da região, aplicando tecnologia para aumentar a produtividade. 

Também presente ao evento, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, destacou a importância do trabalho conjunto para a criação do empreendimento. “Acho importante registrar que o Parque é uma integração entre instituições públicas federais, estaduais, universidades e da iniciativa privada. O que muito me alegra é o fato de haver um conjunto de empresas privadas que se associam e sabem que esse é o melhor caminho. Somos o único país do mundo em condições de ir do fruto ao produto, então temos que agregar valor na produção do chocolate”.

(Fotos: Daniel Thame/GOVBA)

Conjunto Penal de Itabuna celebra o Dia da Mulher

Domingos Matos, 08/03/2017 | 01:24

A partir de um projeto viabilizado pela empresa Socializa - Novo Sistema Prisional, que administra o Conjunto Penal de Itabuna (CPI) em sistema de cogestão com o Estado, mulheres que trabalham, direta ou indiretamente na unidade, além das que visitam e das próprias internas, estão sendo homenageadas em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A programação começou na terça-feira (7) e se estenderá até o próximo dia 13.

A iniciativa prevê, ainda, a realização, pelas internas, de exames preventivos relacionados à saúde da mulher, além de palestras e atividades lúdicas, previstas para a culminância, no dia 13. Às visitas, até a sexta-feira (10), é servido um café-da-manhã com mingaus e pães, especialmente preparados para a ocasião.
Já para todas as funcionárias e para as demais mulheres que estiverem presentes no CPI nesse dia 8 serão oferecidos um kit com bombom de chocolate fino e uma mensagem, além de um coffee break na parte da tarde.

O projeto de valorização da mulher no ambiente do CPI foi idealizado pelo corpo técnico da unidade, envolvendo também a direção que representa o Estado e parceiros, como a Ceplac, que doou os chocolates finos, por meio da Disaf (Divisão de Administração e Finanças) e do Cepec (Centro de Pesquisas do Cacau), e dos órgãos do judiciário, notadamente a Defensoria Pública.

O gerente operacional da Socializa, Yuri Damasceno, destacou a importância do projeto. "Essa é mais uma ação em busca não só da ressocialização dessas mulheres hoje encarceradas, mas da valorização de todas as mulheres, que de alguma forma se relacionam com o CPI e, por meio delas, estendida a todas as demais mulheres".

__________________

Legenda das fotos: Topo - Mulheres funcionárias, representadas nos setores: agentes de portaria, administrativo, corpo técnico (serviços médico, enfermagem, social e agentes de ressocialização), seriviços gerais e cozinha; À direita: Assistentes sociais servindo café da manhã a visitas

Camelôs, uma luta de classes

Domingos Matos, 07/03/2017 | 00:32
Editado em 07/03/2017 | 00:37

Por Domingos Matos

Ser camelô não é fácil. Em lugar algum, em qualquer época. Mas, nos dias de hoje, parece que a vida desses trabalhadores vai piorar. Não digo apenas em Itabuna, com a atual administração, eleita que foi - ironia - com o voto de muitos desses excluídos.

Falo também em relação ao país. O Brasil está estranho. Caiu a máscara da igualdade racial, da tolerância com o outro. Foi ao chão a farsa da convivência harmônica, do pacto social, num movimento diametralmente oposto à elevação do tom, da preponderância do discurso do ódio, da separação por classes. Já não se aceitam os imigrantes com aquele sorriso.

E o que são os camelôs, senão os imigrantes no território alheio, do comércio "que paga impostos"? (quem disse que nossos empresários pagam impostos? Sequer recolhem os impostos que pagamos...) O que são, senão os negros que a sociedade agora diz com todas as letras: "não gostamos de você.". O que são esses excluídos, senão qualquer excluído? O desempregado, o gordo - sim, já não queremos sequer olhar para os gordos -, a prostituta que luta por uma vida de menos abusos - note que não falo em "vida mais digna" -, o dependente químico que sonha com uma chance contra a droga, o ex-encarcerado que tenta uma segunda chance...

Ali está quem a sociedade não quer mais ver. E a prefeitura é exatamente a arma que essa "sociedade" usa para esses atos menos nobres. Alguém tem que ter a coragem para fazer o seviço sujo. Quem, se não a já gloriosa "puliça municipal"? - em si, iguais aos que oprimem, mas anestesiados pelo dever de cumprir o que a nova-velha onda higienizante determina. "Limpem nossas calçadas desses imundos!"

Ser camelô é isso, é estar em uma eterna luta de classes. Aliás, é uma face mais visível da nossa eterna luta de classes. Quando o aparelho do estado é usado para oprimir o próprio cidadão, temos uma clássica luta de classes se dando diante dos nossos olhos.

Recebi da prefeitura, como jornalista, na sexta-feira (3) a comunicação antecipada do que se daria nessa segunda. A justificativa: cumprimento do direito constitucional de ir e vir. Ou seja, o cidadão que quer, em tese, comprar nas lojas "que pagam impostos", estava sendo prejudicado nesse direito constitucional, dada a grande quantidade de ambulantes nas calçadas. E, para garantir esse direito, retira-se o direito dos pais de família à renda, à alimentação, moradia e, até, ao ir e vir!

A parte mais interessante: prefeito e secretário de Sustentabilidade Econômica reconheciam que a medida causaria um desarranjo social (não com essas palavras) e se comprometiam a criar, em "curto e médio prazo", medidas para geração de empregos, a fim de compensar esse 'desemprego' que causariam. Como diria aquela cantora do flagrante: que bonito, hein?

Por falar em "bonito", cabe aqui uma pequena análise para o bonito nome dado à velha secretaria do "desenvolvimento econômico" ou do "comércio e indústria": Secretaria da Sustentabilidade Econômica. Sustentabilidade. Afora ser termo da moda, aprendemos - justamente por estar na moda -, que para que se tenha a sustentabilidade real, é necessário que se observem os aspectos enconômicos, ambientais e sociais. O mantra: só é sustentável o que é "economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo".

Em tempo: o secretário da "sustentabilidade" que não se sustenta, é empresário do ramo hoteleiro. A esse ramo interessa muito uma cidade clean. Alguém não sabe o que está dizendo, mas sabe muito bem o que está fazendo.

Outro  alerta: não sou contra uma solução para essa questão social. Mas defendo que seja tratada assim, como uma questão social, que merece uma solução nesses parâmetros.

Editor

José Adervan – foi o homem, fica sua história

Domingos Matos, 06/03/2017 | 01:02

Por Walmir Rosário*

Em 3 de março próximo José Adervan completaria 75 anos de existência, 66 deles vividos em Itabuna – sem levar em conta o período que passou em Salvador e Alagoinhas. A intenção dos amigos e família era elaborar uma edição especial do Jornal Agora para homenageá-lo, mas como ainda não conseguiram tornar a vida perene, nos deixou antes disso.

Lutou contra a enfermidade até não poder mais. E não poderia ser diferente para quem passou toda a vida superando obstáculos, sempre com a naturalidade que lhe era peculiar. Se as coisas estavam difíceis, aí era que ele apostava num salto mais alto. Contava que aprendeu isso com sua mãe, obstinada, como toda sergipana, em tornar vencer as dificuldades.

E Adervan, o mais baiano – grapiúna – dos sergipanos, costumava lembrar do dia em que chegou a Itabuna, numa data qualquer de 1951, em cima de um “pau-de-arara”, fugindo da terrível seca. Aos nove anos, o menino se deslumbrou quando o caminhão parou no terreno baldio onde hoje é o Fórum Ruy Barbosa, e resolveu fazer um reconhecimento daquela que seria a cidade do seu coração.

Mais do que sergipano de Boquim, passou a ser itabunense e cidadão da região cacaueira, título dado e passado pela população do Sul da Bahia, como reconhecimento dos seus feitos. Era um obstinado pelo desenvolvimento regional e travou uma luta constante na defesa da nossa economia, pelo cumprimento das promessas dos políticos, e pela garantia básica de direitos assegurados em nossa Constituição, como educação, saúde e cidadania.

É bom que se diga que esse estofo não nasceu do Jornal Agora, bastião da defesa regional, criado por Adervan e Ramiro Aquino, uma instituição que teima em desafiar a história, sobrevivendo por longos 35 anos. Não pensem que foi o Jornal Agora quem fez Adervan. Foi exatamente o contrário e desde os tempos de Alagoinhas que ele já se dedicava à imprensa, editando uma revista.

Dos tempos menino, quando começou a respirar o cheiro das tintas nas gráficas, ainda com tipos frios, passou pelo chumbo quente dos linotipos até as impressoras planas e a composição digital. Durante esse período, dividiu seu tempo com a política, a começar pela estudantil, elegendo-se presidente da então toda poderosa União dos Estudantes Secundaristas de Itabuna (Uesi).

Por ocasião da eleição para o Governo do Estado da Bahia, encampou a luta em defesa da construção do novo Colégio Estadual de Itabuna exigindo o compromisso dos dois candidatos – Waldir Pires e Lomanto Júnior. Eleito, Lomanto manteve o compromisso e construiu um novo prédio no bairro São Caetano.

Defensor intransigente da educação como indispensável para a formação do homem, Adervan, já economista diplomado pela Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna, prestou sua colaboração à educação superior, como professor da instituição. Mais acreditava que poderia contribuir ainda mais e se tornou um baluarte pela sua estadualização.

Assim como lutou pela transformação da Fespi em Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) se empenhou na criação da Universidade Federal do Sul da Bahia (USSB). Mas nada disso se compara como o carinho com que recebia jovens estudantes que frequentemente visitava o Agora. Sua paixão era tanta que ao criar o suplemento Agora Teen, elaborado com a participação dos alunos das escolas, acreditava que fosse um veículo especial para a formação de novos leitores.

Uma das suas criações e que se transformou em seu “xodó”, o Agora, mais do que um jornal se transformou numa escola. Pela redação que tive o prazer de participar algumas vezes, convivíamos com o que tinha de melhor no jornalismo. Numa só redação, nomes como Antônio Lopes, Joel Filho, Kleber Torres Vera Rabelo, Ricardo Ribeiro, Jorge Araújo, Ricardino Batista, Juarez Vicente, gonzalez Pereira, Eduardo Lawinsky, Kaline Ribeiro, Paulo Fumaça, Walter Júnior, Arnold Coelho, Waldyr Gomes, dentre muitos outros, circulavam com desenvoltura.

Junto com Ramiro Aquino já inovava ao criar a Plopan, que revolucionou o setor de eventos e grandes promoções no Sul da Bahia, atuando nas áreas de entretenimento, com grandes atrações. No esporte brilhou ainda mais, ao lançar os títulos patrimoniais do Itabuna Esporte Clube (Meu time de fé), promovendo grandes jogos com as grande equipes do Brasil.

Bom garfo e bom copo, dispensava um convite de que festividade fosse, ou abandonava-a, quando chegava a hora de assistir pela TV aos jogos do seu time querido: o Flamengo. Apesar do DNA festeiro, duas festas lhe eram sagradas: o Natal, em que fazia questão da família e amigos juntos em casa, e o Carnaval, que desfilava ao modo antigo com sua cartola.

Citar as qualidades de Adervan é chover no molhado. Afinal, o homem é medido pelos seus feitos e necessário seria um extenso e enfadonho relatório nominando sua participação. A sua participação na sociedade está escrita nas entidades em que serviu, como a Maçonaria, AABB, CDL, Associação Comercial, e as que participava com apoio e entusiasmo.

No Sul da Bahia, em qualquer das cidades, sempre haverá alguém com uma história de Adervan na ponta da língua para contar. Assim como lutou pelas causas da sociedade, lutou bravamente contra uma enfermidade, se recusando a abandonar sua trincheira. Como bom anfitrião, recebia os amigos e gostava-os de vê-los à sua volta até o último instante.

E assim se despediu: no dia de jogo do Flamengo contra o Botafogo (perdôo-o pela vitória) e de Carnaval. Com as bençãos de Deus!

* Um grande amigo.

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