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Representantes do Governo do Estado realizam visita técnica a obra do Teatro de Itabuna

Domingos Matos, 16/05/2019 | 16:23

Na manhã desta quinta-feira (16), representantes do Governo do Estado da Bahia estiveram em Itabuna para visitar as obras do Teatro Municipal Candinha Dória. Entre os integrantes, a Secretária Estadual de Cultura da Bahia, Arany Santana, e a chefe de gabinete, Cristiane Taquari, além de assessores e representantes da Bahiatursa. O vice-prefeito de Itabuna, Fernando Vita recepcionou o grupo e acompanhou a visita. As fontes de recursos para a obra do teatro são do governo, que por meio da Conder, firma e fiscaliza o convênio de repasse com a Prefeitura.



No Teatro Municipal, onde as obras também estão em estágio avançado de conclusão, os representantes do governo do estado foram recepcionados por uma série de apresentações culturais de artistas do município. Logo na chegada, os integrantes da Charanga da Alegria trouxeram música e animação para o momento. O investimento total no projeto é R$ 24 milhões.

No salão principal, o poeta Jailton Alves emocionou a todos com um belo recital de poesia. Em seguida o cantor Davidson Viana encantou os presentes acompanhado pela Orquestra Opus Music The Concept. Um corpo de bailarinos do município também participou. Ainda durante a visita, o artista Diovanni Tavares realizou apresentação de teatro de bonecos, representando toda a riqueza e diversidade da região.

A secretária estadual de Cultura da Bahia, Arany Santana destacou a estrutura do teatro, indicando ser um avanço importante para região e elogiou os envolvidos na ação. “Um teatro moderno, que está dentro das normas vigentes para uma casa de espetáculo desta magnitude e, neste momento, quero parabenizar o município, a população e todos os artistas regionais, que serão beneficiados com a obra”, ressaltou.

A obra do teatro de Itabuna está sendo realizada através de convênio do município com o Governo do Estado, após permanecer por cerca de 10 anos paralisada. A inauguração deve acontecer durante as comemorações dos 109 anos de emancipação política e administrativa de Itabuna. Para o prefeito Fernando Gomes, este importante empreendimento dará um novo conceito ao município no que diz respeito à valorização da cultura e do turismo de negócios.

O Teatro Municipal Candinha Dórea, com capacidade para cerca de 600 pessoas, contará com uma moderna estrutura de iluminação, sonorização, mecânica, cênica e acústica.

 

Abertas inscrições do V Concurso de Poesia e Redação para Escritores Escolares

Domingos Matos, 15/05/2019 | 09:21

Estão abertas as inscrições, até 19 de junho, do V Concurso de Poesia e Redação para Escritores Escolares. O concurso tem o objetivo de estimular a prática da escrita criativa entre crianças e jovens do Ensino Fundamental I e II e do Ensino Médio.

Para participar não é necessário limite de idade, sendo apenas necessário estar matriculado nas escolas. As inscrições podem ser feitas pelo site (www.fpc.ba.gov.br), presencialmente nas bibliotecas ou via postal. Os vencedores receberão, em conformidade com a sua classificação, prêmios tais como: tablete; kits contendo livros; pôster ilustrado em tamanho A2 do texto selecionado; leitor de e-book; entre outros.

O concurso é uma realização da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), e visa sensibilizar os estudantes para o ato da escrita, além de revelar novos talentos e promover a integração entre as escolas das redes pública e privada do Estado.

Para a diretora da DLL, Bárbara Falcón, “a iniciativa tem o objetivo de estimular a prática da escrita, por meio da sensibilização, mobilização e premiação de textos em prosa e verso”, afirma Bárbara.

O concurso – Foi criado em 2014 e na última edição, em 2017, recebeu, aproximadamente, 1.200 inscrições de 26 dos 27 territórios de identidade da Bahia, premiando 18 estudantes e escolas que se destacaram com número de inscritos.

A Diretoria do Livro e da Leitura (DLL) da FPC tem por finalidade incentivar a leitura, a formação de mediadores de leitura e fomentar e divulgar a produção de livros. Esta política é desenvolvida mediante apoio a instituições e através de editais específicos; a organização de concursos literários; e a realização de campanhas que visem incentivar a leitura, sobretudo de crianças e adolescentes. A DLL participa de festas literárias pelo Estado da Bahia com o objetivo de democratizar o acesso a leitura contemplando sua diversidade de expressões manifestadas em todos os territórios de identidade.

Serviço:

O que: Abertas inscrições do Concurso de Poesia e Redação para Escritores Escolares;

Quando: De 08 de maio a 19 de junho de 2019;

Onde: Site (www.fpc.ba.gov.br), presencialmente nas bibliotecas públicas ou via postal.

 

Emoção e criatividade marcam a primeira etapa do Festival de Dança Itacaré

Domingos Matos, 14/09/2018 | 18:25

Desde segunda-feira (10), públicos de todas as idades se emocionam com a grandeza artística do 7° Festival de Dança Itacaré, que se estende até domingo (16), no Centro Cultural Porto de Trás e outros espaços de Itacaré. A programação reúne expoentes de várias partes do Brasil, e firma o evento como um dos mais importantes no cenário da dança brasileira.

O Balé do Teatro Castro Alves foi um dos destaques da primeira etapa do festival, com o espetáculo “Tamanho Único”, no Teatro Municipal de Ilhéus e Itacaré, composto por oito montagens individuais focadas em narrativas humanas e culturais de múltipla expressão criativa. O solo “A Morte do Cisne”, apresentado pela bailarina cearense Wilemara Barros, da Cia Dita, enriqueceu a programação, com apresentações nas duas cidades.

Em Ilhéus, se destacou também o grupo local A-rrisca Cia da Dança, com o comovente espetáculo “Mariana, a História que se Perdeu”, dedicado às vítimas da tragédia que se abateu sobre a cidade mineira arrasada pelo rompimento de uma barragem, em 2015.

O Centro Cultural Porto de Trás concentra a programação principal do festival. Por lá, já passaram a CCP - Cia, de Salvador, com “Pura: Espetáculo em Três Atos”, o Balé do Teatro Castro Alves e a Cia Dita, que repetiram “Tamanho Único” e “A Morte do Cisne”, na quarta e quinta-feira (12 e 13). O espaço recebeu também o coreógrafo Djalma Moura, de São Paulo, com a brilhante criação “Depoimentos para fissurar a pele”, que relaciona os elementos da natureza à imagem dos orixás.

Programação

Na noite desta sexta-feira (14), brilham as montagens “Poracê”, da Cia. Dançurbana, de Campo Grande, e “Prelúdios para uma Dança Cabocla”, da Cia Balé Baião, de Itapipoca, às 19 e 20 horas.  No sábado (15), o palco será das apresentações “Eu Danço Sambarroxé”, com Joubert Arrais, de Juazeiro do Norte e “Isto não é um Espetáculo”, criação conjunta de Cláudia Müller e Clarissa Sacchelli, de São Paulo.

No último dia, domingo (16), o festival brinda Itacaré com os espetáculos “A Cadeirinha e Eu” (Cia Dita, Fortaleza) e “Canto Piu” (Giltanei Amorim, Salvador), às 19 e 20 horas.  E também com as instalações “Poesia que Dança” (de 12 a 16, das 18 às 21 horas) e “Transakrytica”, além do ensaio aberto “Eu Danço Sambarroxé”, que marca os 10 anos da montagem, com Joubert Arrais. Todos no Centro Cultural Porto de Trás.

Diretor do Conjunto Penal de Itabuna participa de debate com alunos do IFBA

Domingos Matos, 18/09/2017 | 22:31
Editado em 19/09/2017 | 00:41

O diretor do Conjunto Penal de Itabuna, capitão PM Adriano Jácome, participou, na manhã de sábado (16), de uma discussão sobre Estado, Violência e Criminalização, no auditório do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Ilhéus. A Mesa Redonda teve debates sobre encarceramento dos jovens negros e discutiu diversos aspectos dos temas propostos, desde conceitos de violência e crime até atuação do crime organizado na região.

O evento, promovido pelos professores da área de Humanas, teve ainda como convidados o doutor em Sociologia, Antônio Luz, e a doutora em Comunicação, Célia Regina. Também contou com a participação de estudantes dos diversos cursos oferecidos em grau de Ensino Médio, com intervenções artísticas como música, teatro e poesias, sempre discutindo a violência contra mulheres, jovens e população negra.

O diretor Adriano Jácome considerou que eventos como esse são enriquecedores para o debate franco de questões como criminalidade e criminalização, encarceramento e outras questões sociais que ajudam a criar a situação que se verifica hoje no sistema penitenciário, sugerindo caminhos para seu enfrentamento. “A instituição que dirijo tem capacidade para 670 internos, mas estamos com cerca de 1.280”.

Ele destacou a oportunidade de debater esse e diversos outros aspectos pertinentes ao tema. “Embora já soubéssemos que seria impossível esgotar a discussão, saímos de lá com a sensação de que esse é o caminho: trazer a juventude para o debate, porque serão eles que, em breve, estarão no comando da sociedade. Por isso devem estar munidos do máximo de informações sobre os graves problemas da contemporaneidade”.

Jorge Portugal e Roberto Mendes levam 'O Violão e a Palavra' para Escola Cultural de Itabun

Domingos Matos, 15/09/2017 | 10:27

O secretário estadual de Cultura, Jorge Portugal, apresenta, com o cantor e compositor Roberto Mendes, o projeto ‘O violão e a palavra’, neste sábado (16), às 19h, no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna. A apresentação faz parte do projeto Escolas Culturais, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio das secretarias de Educação, de Cultura e de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social.

A música e a palavra estarão juntas no encontro em que o violão se une à poesia para mostrar a força da arte e da comunicação. A ‘palavra cantada’ mistura recital com músicas provocando o processo criativo dos dois artistas baianos. O acesso ao público de Itabuna será gratuito. O projeto tem como objetivo reunir pessoas que apreciam uma conversa animada. Os temas têm como guia a relação da palavra com a música.

Além de cantor e compositor, Roberto Mendes também é pesquisador de chula e samba de roda do Recôncavo. Jorge Portugal, secretário de Cultura do Estado, professor de português e literatura, também é reconhecido por seu talento para a poesia.

A expectativa é de um encontro de cultura e arte para quem curte literatura e música. Um espetáculo de gênero híbrido, que pode variar entre o debate e a aula-show, a depender do efeito do encontro de Mendes e Portugal com o público. O projeto pode contribuir para reduzir os efeitos das dificuldades de leitura e interpretação de textos. O objetivo é sensibilizar o público em geral e a população jovem para a importância do bom texto na formação do cidadão.

O “Violão e a Palavra” está bem de acordo com os princípios do projeto ‘Escolas Culturais’, cuja finalidade é fomentar ações que promovam experiências em cultura dentro das unidades da rede pública de ensino. A proposta entende a escola como centro de formação social, cultural e profissional e se propõe a fortalecer valores de cidadania a fim de proteger crianças e jovens dos efeitos da violência, da desinformação e, principalmente, da falta de perspectivas de vida.

Escolas Culturais

O projeto Escolas Culturais tem a proposta de fortalecer e dinamizar as escolas, por meio da cultura, em benefício da comunidade. O lançamento aconteceu no dia 27 de julho, em Itabuna, e foi marcado por uma grande festa, realizada no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, a primeira unidade de ensino a receber a iniciativa, que chegará, inicialmente, a 85 escolas, localizadas em 85 municípios de todos os Territórios de Identidade. As Escolas Culturais vão oferecer atividades nas áreas de dança, arte literária, música e audiovisual. O projeto é uma iniciativa do Governo do Estado, através das secretarias estaduais da Educação, de Cultura (SecultBA), de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).

“RAMON SE MUDOU DA TERRA”

Domingos Matos, 15/01/2017 | 16:29

Por Adroaldo Almeida

No meio da década de 1980 eu cheguei a Itabuna para estudar e trabalhar. Era bancário e sindicalista, mas queria ser escritor. Por revés da sorte, acabei advogado e político, uma lástima. Naquele tempo, transitava na senda da arte entre Buerarema e Ilhéus uma trupe felliniana: Jackson, Betão, Alba, Eva, Gideon, Gal, Delmo, Zé Henrique e, naquela miríade estrelar, ele, claro, RAMON VANE, o mais cênico de todos. A figura de um pintor holandês do século XVII, a recitação de um menestrel medieval e a presença carismática de um franciscano. Um astro rasgando o céu da Mata Atlântica. Nosso Rimbaud trovando no alto da proa de um barco bêbado, singrando os mares e domando as ondas naquela temporada no inferno, atirando poesias contra a estação da ditadura ainda presente.

Eu o encontrava quase todas as noites no curso noturno de Direito da FESPI. Fomos colegas e contemporâneos, nos códigos e na decodificação da Justiça, mas “as leis não bastam, os lírios não nascem da lei”, como aprendemos com Drummond e escrevemos o nome tumulto na pedra.  Era tímido na faculdade, nunca o encontrei no DCE, mas enxergava-o de soslaio num canto da biblioteca do Departamento de Letras, onde ambos acorríamos à procura da consolação na palavra. Porém, como ele sabe agora, jamais encontramos um bálsamo, conforto ou doçura na provisoriedade dessa condenação da existência. Talvez nessa travessia, na eternidade de serafins e cítaras, ele possa declamar todo seu lirismo sem a azáfama e a urgência dos dias terrenos.

Neste domingo acordei com uma mensagem de Gideon Rosa: “Ramon se mudou da terra hoje de madrugada”. Assustado, levantei mudo e pasmo, e essas reminiscências me afloraram durante toda a manhã. Daqui de Itororó, lamentavelmente, não pude ir ao sepultamento, então, mando rápidas e atropeladas letras na ambição de contribuir para desentortar as veredas no seu caminho ao paraíso.

Ramon Vane era um artista, eu me lembro!

Adroaldo Almeida é escritor, advogado e político

Estudantes mobilizam escolas com projetos pela igualdade étnico-racial

Domingos Matos, 23/11/2016 | 17:28

As unidades escolares da rede estadual promovem durante esta semana diversas atividades alusivas ao Novembro Negro, mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra (20). No Centro Estadual de Educação Profissional em Artes e Design (CEEP), localizado no bairro de Nazaré, em Salvador, os estudantes da Educação Profissional participam, até a próxima sexta-feira (25), de uma ampla programação, que inclui seminários, palestras, apresentações musicais e de resultados de pesquisas sobre temas que dialogam com a educação para a diversidade e para as relações étnico-raciais.

O estudante Rian Mourthé, 19, que faz o curso técnico em Instrumentos Musicais, participou de uma apresentação de dança afro ao som da música “Vocês conhecem Zumbi”, interpretada pelo cantar Alexandre Pires. “Nosso objetivo foi contar a história de luta do negro através da expressão artística como uma forma de valorização da nossa cultura”, afirma.

O Colégio Estadual Henriqueta Martins Catharino, localizado no bairro da Federação, em Salvador, também está promovendo até esta quinta-feira (24), a Semana da Consciência Negra. Ao longo da semana, sempre às 14h, os estudantes participam de mesas-redondas, oficinas criativas, apresentações de performances, exibição de documentário e desfile da beleza negra. Já o Colégio Estadual Nova de Sussuarana promove, a partir desta quarta (23), até sexta-feira (25), a Feira de Ciência e Arte com exposição de trabalhos científicos e show de talentos, a exemplo de poesia, dança e música.

A comunidade escolar do Colégio Democrático Estadual Anísio Teixeira, em Potiraguá , realiza, nesta quarta-feira (23), das 8h50 às 16h, um seminário com o tema “O tamanho do seu preconceito?”. No evento serão discutidas as formas de preconceito, penas impostas pela justiça para os crimes de discriminação e sobre algumas leis relacionadas à temática.

Em Itabuna, os estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional Litoral Sul II (Cetep), também apresentaram a culminância do projeto sobre a Consciência Negra. Breno Ferreira, 16, do curso técnico em Administração conta que gostou muito da forma como o tema foi abordado. “Achei o evento muito interessante porque foram feitas apresentações de dança, música, desfile da beleza negra, roda de capoeira e declamação de poesias de autoria dos colegas produzidas com base nas informações pesquisadas”, explica.

Concurso destaca a Beleza Negra em Itabuna

Domingos Matos, 23/11/2016 | 00:02
Editado em 23/11/2016 | 09:03

O Concurso Beleza Negra, que fez parte das celebrações do Dia da Consciência Negra e das homenagens a Zumbi dos Palmares em Itabuna, reuniu onze candidatas na União dos Servidores Municipais de Itabuna-Usemi. Coordenado por Walmir do Carmo, com apoio de Luzia Lima, o evento contou com as presenças de Mestre Sabará, Caboco Alencar e Dona Bazu,  que foram homenageados como negros que dão suas contribuições para à nossa sociedade. As homenagens foram realizadas grupo Movimento Negro Unificado (Núcleo de Itabuna), presidido por  Roberto Santos Ferreira.

O júri elegeu como vencedores Jeiziane Souza dos Santos , de 15 anos, do bairro Santo Antonio  em 1º. lugar;    Vanessa Ribeiro Soares dos Santos, de 21 anos,  do bairro Novo Horizonte em 2º. lugar e Queila Barbosa dos Santos, de  26 anos, do bairro Sinval Palmeira, em 3º. lugar.

Além das escolha da Garota Beleza Negra, a programação teve ainda musica, dança e poesia, com Rômulo Almeida, Gledson, Sueli da Silva e a participação do Grupo Axé Odara com toque de atabaques e dança sob o comando do Pai Gildo.

Daniel Thame retorna aos contos em A Mulher do Lobisomem

Domingos Matos, 28/11/2011 | 23:14
Editado em 28/11/2011 | 23:26

capaA Mulher do Lobisomem é o título do segundo livro do jornalista Daniel Thame, que será lançado no próximo dia 8 de dezembro, na Livraria Nobel (Shopping Jequitibá/Itabuna). Autor de Vassoura, que já está em sua quarta reimpressão, Daniel Thame desta vez traz uma série de contos com foco no universo feminino, em textos que falam de romance, sexo, poesia, crítica social, violência, e uma boa dose de humor e ironia fina. São textos objetivos, marca de um estilo que o jornalista transpôs do cotidiano das redações para a literatura.

O conto A Mulher do Lobisomem, que deu origem a um quadro especialmente pintado pelo grapiuna Waldomiro de Deus, considerado um dos maiores primitivistas do Brasil, é um exemplo desse estilo. É a história de um homem que se apaixona por uma linda mulher e, de repente, se descobre lobisomem, sem se dar conta que o amor será seu prazer e sua perdição, tendo a lua cheia como testemunha nem tão inocente assim.

"Como o amor, a história do lobisomem e sua paixão é real e irreal ao mesmo tempo porque ultrapassa os limites do que é físico e o que é transcendental, do que é fugaz e do que é eterno", diz o jornalista, que prefere os contos curtos e não abre mão de finais sempre surpreendentes.

A Mulher do Lobisomem tem 20 contos, como "Amor em Havana", "A mulher que andava na linha", "500 anos numa noite", "Dois olhos azuis e um destino", "A Mãe", "Amor em chamas", "Torturado" e duas histórias de puro humor, sexo e nonsense, "Piercing erótico" e "Deus vai ao Motel". O livro traz ainda o conto "Maria Nua, Rogai por nós", um inesquecível libelo contra a exclusão social, publicado no jornal A Região (Itabuna) em 1994.

De acordo com Daniel Thame, a receptividade de Vassoura, que pretendia como seu primeiro e único livro, serviu de incentivo para mais essa incursão na literatura. "A Mulher do Lobisomem se tornou especial, menos pelo conteúdo, que ficará a cargo do julgamento dos leitores".

Ele afirma que isso se deu mais pela generosidade de Waldomiro de Deus, "que proporcionou a confecção de uma capa de antologia, verdadeira obra de arte desse artista reconhecido em todo o mundo, mas que ainda está a merecer o devido resgate na terra onde nasceu e de onde brota o imaginário de sua genialidade primitivista", afirma o jornalista.

Instalação da Alita tem presença da Academia de Letras da Bahia

Domingos Matos, 03/11/2011 | 09:26
Editado em 03/11/2011 | 09:29

bandeiraA Academia de Letras da Bahia (A.L.B.) confirmou a presença do seu presidente, escritor Aramis Ribeiro Costa, na solenidade de instalação da Academia de Letras de Itabuna (Alita), às 19h30 do sábado (5), na FTC (Praça José Bastos, 55). A informação foi passada à imprensa pelo presidente da Alita, Marcos Bandeira (foto). “A presença do presidente da A.L.B. é uma inestimável forma de apoio a essa iniciativa dos itabunenses, mais ainda quando se trata de um intelectual do porte de Aramis Ribeiro Costa, reconhecido nacionalmente como poeta e prosador de alta qualidade”, destacou Marcos Bandeira.

Constituída nos moldes da Academia Brasileira de Letras (que, por sua vez, inspirou-se na Academia Francesa), a Alita possui quarenta cadeiras, cada uma delas tendo como patrono uma figura de relevo nas letras regionais, baianas ou nacionais. Entre os patronos da Alita estão prosadores e poetas da região, como Firmino Rocha, Abel Pereira, Manuel Lins, Helena Borborema, Telmo Padilha, Valdelice Soares Pinheiro, Mário Augusto Ferreira, Elvira Foeppel e Euclides Neto. O patrono geral da instituição é o escritor grapiúna Adonias Filho. Os primeiros quarenta titulares são pessoas de variada formação intelectual, a exemplo de Odilon Pinto, Margarida Fahel, Cyro de Mattos, Hélio Pólvora, Ceres Marylise, Sônia Maron, Ruy Póvoas e Tica Simões.

Ainda de acordo com o presidente Marcos Bandeira, a solenidade será aberta pelo escritor Aramis Ribeiro Costa (após ser saudado pelo acadêmico Antônio Lopes), em nome da A.L.B., dando posse ao presidente da Alita. Este apresentará a relação dos quarenta integrantes e dará posse, simbolicamente, a todos eles. O acadêmico Cyro de Mattos falará em nome dos participantes da entidade, prestando também uma homenagem ao escritor Marcos Santarrita, falecido no começo de outubro.  Ao acadêmico Ruy Póvoas caberá a homenagem ao patrono da Alita, o escritor Adonias Filho, e a acadêmica Ceres Marylise assinará o livro de protocolo, confirmando, também simbolicamente, a posse dos demais acadêmicos. O juramento será lido pela vice-presidenta da Alita, Sônia Carvalho Maron.

 

“Um desejo morto na calçada”

Aramis Ribeiro Costa (Salvador, 31 de janeiro de 1950) escreve desde muito jovem. Em 1964, ainda ginasiano, já fazia as primeiras tentativas, ao fundar e dirigir o jornal mural O Matutino. Logo em seguida, aos quinze anos, começou a publicar semanalmente fábulas, crônicas e contos no jornal A Tarde, colaboração que se estendeu por mais de dez anos. “Sou um escritor”, costuma dizer, afirmando que não é tanto por ter livros publicados, mas porque não consegue parar de escrever. “Ainda que eu me determinasse a isto, ainda que eu decidisse isto, não sei se eu conseguiria. Escrever é para mim uma necessidade, tanto quanto qualquer das minhas necessidades”, explicou.

Com mais de 15 livros publicados, Aramis Ribeiro Costa frequenta, com igual desenvoltura, a poesia, a prosa, a literatura infantil e o ensaio (é autor do estudo introdutório de Os Galos da Aurora, o “clássico” de Hélio Pólvora). Seus títulos mais conhecidos são, para crianças, A Caranguejinha de Ouro, O Morro do Caracará e Helena, Helena; em poesia, Quarto Escuro e Espelho Partido; na prosa (romance, novela e conto), os destaques são Uma Varanda para o Jardim, O Fogo dos Infernos, A Assinatura Perdida, Baú dos Inventados, Os Bandidos e Contos Reunidos.

Em “Soneto do Sol da Madrugada” (de Espelho Partido), um quarteto que, por si só, “paga” o livro. É um canto de impressionante beleza e aparente desespero: “Há cruzes espalhadas — tão sombrias!/ Há um desejo morto na calçada/ As esperanças passam, fugidias/ Parece que adiante não há nada”. Mas há. O poeta mostra que adiante está o recomeço, que a esperança não morreu, estava envolta nas trevas da noite velha, mas pronta para o renascimento. E surge “finalmente a luz na noite escura”, com “o sol brilhando em plena madrugada”, a nos mostrar “a vida, num segundo, iluminada”. É a ressurreição, outra vez a vida em ponto de partida, espantados os fantasmas da noite.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 10/10/2011 | 19:54
Editado em 10/10/2011 | 19:26

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Para foguete

Recente descoberta científica reconhece o uso da urina como combustível, pela oxidação da amônia através do Anammox, tornando-a hidrazina, substância para alimentar foguetes. Detalhes no Portal de Luis Nassif Online em www.advivo.com.br  – “Cientistas convertem urina em combustível”.

Dois aspectos da descoberta despertam a curiosidade deste rodapeador: 1. Pelas leis de mercado, a oferta tornará aviltado o preço da matéria prima; 2. Caso a cerveja não atrapalhe a elaboração da hidrazina, mais um motivo para a turma do final(?) de semana.

Concorrência

Essa de a PepsiCo, responsável pela distribuição do Toddynho, admitir haver embalado unidades junto com água e detergentes possibilita raciocinar que pretenderia competir com a indústria da limpeza.

Quem sabe com a Bombril? 

Mais um

Esse primeiro mundo não se emenda. Lá vem o estadunidense Worldwatch Institute, organizador do prêmio “World Food  Prise”,  conferir ao ex-presidente Lula a premiação por suas políticas de combate à fome, por garantir “um mínimo de renda, permitindo acesso a bens básico e serviços”.

A cerimônia acontecerá em Iowa, entre 12 e 14 de outubro.

Desse jeito o nordestino e operário continuará viajando pelo mundo! Mal chegou de Paris!

Admiração de analfabeto

Particularmente nos sentimos analfabeto e um tanto deslocado no mundo internético. Resistência quixotesca, talvez, bem a “cavaleiros de Granada”. Mas, compreendemos a imensa perda que a morte de Steve Jobs traz a esse universo.

Imagino o que sente Marcel Leal, o primeiro por essas plagas a falar e discorrer, com absoluto domínio, sobre as maravilhas que iam surgindo do cadinho da Aple jobiana.

Festa Literária Internacional

cachoeiraOcorrerá na cidade heróica de Cachoeira, de 11 a 16 de outubro, a FLICA – Festa Literária Internacional de Cachoeira (sob Curadoria do historiador Aurélio Schommer), iniciativa que congrega vários apoiadores e patrocinadores, dentre eles o Governo Estadual, a Prefeitura Municipal e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. (Detalhes da programação em www.flica2011.com.br).

Inicialmente idealizado para o campus da UFRB será realizado no Conjunto do Carmo, na Praça da Aclamação.

O poeta e intelectual português Pedro Mexia, o cultuado paulista Reinaldo Moraes, o biógrafo e jornalista Fernando Morais, Ubiratan Castro e Pawlo Cidade, Gustavo Falcón, Luislinda Valois, Joel Rufino dos Santos, literaAna Maria Gonçalves, Bob Stein, Victor Mascarenhas, Hélio Pólvora, dentre outros, marcarão o universo de discussões, da poesia ao romance, o livro em papel e o meio digital, e o especialíssimo Nei Lopes, no samba e na ficção.  

Jorge de Souza Araujo, Carlos Barbosa e Mayrant Gallo, sob mediação de Vagner Fernandes, debaterão o tema “O Romance e a Grande Literatura”, no sábado 15.

Música e Literatura farão a tônica do evento. Uma “festa” bem Bahia!  

De “Marcolino da Fonseca” a “Prafrente Brasil”

Ramon nos chegou, quando agitávamos a área cultural de Itororó às expensas próprias, como o Coronel Marcolino da Fonseca, na peça “Cacau Verde”, de José Delmo. Naquele elenco Gal Macuco, Eva Lima, Carlos Betão, Jackson Costa (os que lembramos nesses quase trinta anos depois). Os macuquenses conquistaram a cidade, fizeram o espaço do Colônia Clube pequeno, para ali arrastada pelo “Coronel” que correra a praça central com seu terno branco e barriga empinada convocando-a num coronês difícil.

Esta semana soubemos: Ramon Vane conquistou o Candango de Ouro, de melhor Ator Coadjuvante, no 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, por seu trabalho em “O homem que Não Dormia”, de Edgar Navarro (que no mesmo Festival de Brasília já conquistara sete prêmios com “Eu Me Lembro”, incluindo o de Melhor Filme).

Temos que realmente ocorreu o encontro do ator com personagem, que aguardamos conhecer em detalhes quando da exibição de “O Homem Que Não Dormia” em nossas telas.

Com Ramon Vane, ocorre uma façanha rara: premiado com o primeiro longa-metragem que realizou.

Edgard Navarro

Sobre ele escrevemos em janeiro (DE RODAPÉS de 16 de janeiro/2011), quando de sua passagem por Ilhéus, durante o 1º Festival de Cinema Baiano, em janeiro de 2011, que estava concluindo mais um longa. O que agora premiou em Brasília Ramon Vane como melhor Ator Coadjuvante.

O laureado e polêmico cineasta baiano de “Superoutro” tem para nós um grande e singular mérito: valoriza nosso artista regional, vem aqui buscar muitos de seus atores: Rita Santana, Eva Lima, Valderez (Candango de melhor Atriz Coadjuvante, em “Eu Me Lembro”) e agora Ramon Vane.

Itabuna presente

Dentro do projeto Irmão Jorge, 100 anos Amado, elaborado e desenvolvido pela ACCODEC (associação ferradense) para comemorar o centenário do ilustre grapiúna, a atriz Eva Lima esteve em Valentim neste sábado 8, para apresentar-se ao lado da atriz Cibele Sá e um grupo de alunos do curso de teatro local, na inauguração do Museu do Processo no povoado de Valentim, município de Boa Nova, com o texto do itabunense Marquinhos Nô “As Mulheres de Jorge”.

A meta é ainda estabelecer troca de informações e experiências entre as duas localidades para fortalecer os laços culturais entre Ferradas e Valentim, iniciativa que conta com apoio da ACATE (Associação Cultural dos Amigos do Teatro de Itabuna).

“Costuras”

Sob esse título o Pimenta vazou o encontro ocorrido entre Geraldo Simões, Davidson Magalhães e Saulo Pontes. Aparentemente conflitantes PT, PCdoB e PR estariam compondo alguma melodia a três mãos, é a especulação imediata. Davidson Magalhães corre a desfazer a insinuação.

De interessante para nosso rodapear a água e o óleo (PR/PT) com um produto ainda por ser definido,  PCdoB, mas que pode ser traduzido como sinônimo de oportunidade e cargo.

Tempo de espera

Caso Geraldo Simões consiga unificar alianças antes impensáveis mais se fortalecerá individualmente dentro de seu projeto político (que será por nós analisado em futura oportunidade).

Cabe observar se para atendê-lo o sacrifício alheio encontrará compensações.

Particularmente já escrevemos que sempre nos pareceu estar o projeto do PCdoB centrado em Davidson/2016.

2012 pode ser “mijadinha canina”.

Pagando para ver

Sob o prisma de que o governador Jacques Wagner não é ACM “Malvadeza”, o que alimenta a liberdade de partidos da base disporem de autonomia para definir rumos municipais, ainda que não possa ser levada ao pé da letra no que diga respeito a uma “omissão” do Governador no processo, não deixa de refletir a realidade.

Mas pode não ser bem assim!

E o PT não se emenda

Que o diga a nova conquista petista em Salvador, Alcindo Anunciação. Ainda soam nos ouvidos dos companheiros seus ataques a Lula e ao PT.

Mas, quadro novo não é coisa que se dispense. Ainda que históricos sejam perdidos.

Premiação para Itororó

O prêmio de Modelo de Gestão e Modernização da Administração Pública atribuído ao município de Itororó pela ONU por atingir melhorias na Educação, Saúde e Desenvolvimento Social não pode ser considerado como mero agraciamento ao agraciado. A credibilidade do órgão internacional por si só dimensiona o que representa para a terra da carne de sol a premiação: primeira, no âmbito do município, e rara, pela natureza do reconhecimento.

Não tão desprestigiado assim

E o desprestigiado Newton em Ilhéus não o era tão assim. Bastou o PT perceber o espaço que podia ocupar, e oferecer ao alcaide praieiro o ombro amigo, para serem percebidos os prejuízos dos que simplesmente esnobavam o prefeito.

Para Jabes Ribeiro pode haver um custo, perdendo o apoio do PT, que pode ou lançará candidato próprio agregando a parcela político-eleitoral de Newton, já que passa a tê-lo em Ilhéus dentro daquele expressar: “ninguém é tão rico que não possa receber, tampouco pobre que não possa dar”.

Resta saber...

...Se a lamúria do PSB, através da senadora Lídice da Mata, com a perda de Newton, repercutirá nas alianças pretendidas em Itabuna pelo PT.

Coisa menor, a ser relevada. Talvez.

Se for verdade...

A editoria do Pimenta na Muqueca publicou “Rejeição Preocupa”, no domingo passado 2, iniciando assim a peroração: “Azevedo: a rejeição ainda é muito alta”. Para os que se debruçam sobre a importância das palavras do texto no contexto da informação esse AINDA significa, para a análise, pelo menos, a possibilidade de mais queda em tal inconveniência para sonhos político-eleitorais.

E afirma a matéria que “Azevedo crava sempre entre 41% e 52% de rejeição popular”. Sob esse particular – o da alta rejeição do alcaide – já escrevemos, diante da informação à época de que se encontrava no patamar de 76%, que a publicação do índice estava a constituir uma informação a favor de Azevedo, uma vez que cada unidade de queda poderia traduzir a ideia de que o prefeito se recuperava no imaginário da população eleitora, razão por que também dizíamos entender a rejeição de Azevedo como tipicamente circunstancial.

Diferentemente da de Geraldo Simões ou Fernando Gomes, que são absolutas em si mesmas. (A de Juçara está vinculada, em muito à circunstância de ser esposa de GS, não só, como querem atribuir, a certa ausência de carisma).

Se for verdade...

azevedoE ainda debruçado sobre a matéria, localizamos logo em seguida: “O alívio é que as candidaturas mais fortes no campo oposicionista (Geraldo Simões e Juçara Feitosa, ambos do PT) também são donas de alta rejeição, apesar de figurar alguns pontinhos percentuais à frente de Azevedo ou empatarem nas intenções de voto”.

O texto diz tudo, para nós: a rejeição de Geraldo, Juçara e Azevedo são semelhantes e estão praticamente empatados nas intenções de voto; em alguns levantamentos Geraldo ou Juçara dispõem de “alguns pontinhos à frente”.

Assim, ousamos afirmar, UM ANO ANTES, se as nuvens permanecerem em céu de brigadeiro até outubro de 2012: se for verdade o que o texto hoje aponta José Nilton Azevedo está reeleito!

Em defesa de Gasparetto

A mesma matéria, no entanto, comete uma injustiça, que queremos entender como engano redacional, ao afirmar que “ainda sobre o quesito rejeição, o sociólogo Agenor Gasparetto defende teoria (baseada em estudos próprios) de que dificilmente é reeleito o gestor que tenha mais de 25% de rejeição”.

Para nós, que também privamos da sadia convivência com o competente sociólogo, e o respeitamos em razão das criteriosas avaliações que promove, NUNCA ouvimos dele (ainda que indagado especificamente sobre o peso da rejeição) que 25% seja a constante menor para a fatalidade da não-reeleição.

Tem-nos afirmado peremptoriamente AG que desconhece nas pesquisas por ele realizadas na região que candidatos à reeleição com índices no patamar de 40% tenham alcançado sucesso.

Escolha primorosa

Poucos nesta Bahia – e raramente em Itabuna – escrevem como o autor que se intitula Ousarme Citoaian, declinando no Pimenta. Não sabíamos, no entanto, que também se desdobra em editor de vídeos. Não o ouvimos na oportunidade em que publicado, mas no instante em que seu criador celebrava um ano de postagem no YouTube e comemorava 5623 visualizações (já agora nas 5928 deste último acessar) do primoroso registro da denúncia danteana melodizada pelo Rei do Baião, na sempre vigorosa “Vozes da Seca” (Luiz Gonzaga-Zé Dantas), da edição enviada ao YouTube em 7.9.2010.

Cabe registrar que temos Luiz Gonzaga dentre os mais profícuos melodistas brasileiros e a introdução da gravação o demonstra. Sobre a edição chamaram-nos a atenção dois aspectos: um, intrínseco, que é a gravação em si, onde destacamos a introdução; outro, extrínseco, a edição.

A beleza do primor

A introdução que Gonzaga oferece, em doze compassos, contém a simplicidade na percussão, privilegiando de imediato o triângulo, a zabumba e o agogô duplo abafado, durante dois compassos, abrindo para o primeiro tema da introdução, desenvolvido por um violão e tendo a sanfona como base, durante outros cinco quaternários, entregando-o ao fole que se abre para o tema principal do acompanhamento.

A melodia dessa introdução é de beleza ímpar. Gonzaga se utiliza de uma técnica no curso do acompanhamento do canto: a de não manter o arpejo harmônico no teclado e sim pontuar notas, fazendo o acompanhamento chorar em soluços, sempre antecipado no lamento do fole que se abre para valorizar a baixaria (mais acentuado na primeira oportunidade), fazendo com que letra e melodia se completem plenamente, interajam em sentimento.

A leitura do primor

Ousarme realiza com a edição um típico “documentário” de 2min40seg, casando ao texto cenas de “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, tela de Portinari, charge, política e políticos e o cotidiano cruel da seca, rural e urbana.

A interessante e realística leitura nos deixa a idéia de que há uma “armadilha” (arapuca) no “Brasil” que “está sem comer”, assim como o há com “nosso destino” nas mãos dos políticos.

Um primoroso trabalho: do original à edição.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoA verve alencarina não perde oportunidade. Aflora na velocidade da luz quando se lhe dão vez. Como no em que o encontraram no supermercado, e indagado o foi sobre o que fazia por ali. A taxativa explicação de Cabôco:

– Depois de aposentado só venho aqui comprar leite longa vida.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 14/08/2011 | 20:05
Editado em 14/08/2011 | 22:48

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Semana

Dois fatos, objeto de comentários adiante, marcaram a semana: o anúncio de criação da Universidade Federal do Sul da Bahia e a exoneração de Cyro de Mattos. Motivos de exultação: o primeiro, pela realização do que era esperança; o segundo, pela efetivação de um sonho de parcela da classe artística.

Eleições

APLB anunciou uma urna volante para colher votos na sexta 5. A urna fantasma, se circulou, não apareceu em alguns colégios. Se andou, o foi por caminhos previamente escolhidos.

Dando razão

Na queda de braço entre Estado e Município envolvendo a saúde e particularmente a gestão do Hospital de Base um ponto se torna nevrálgico: o Estado entende que falta gestão ao HBLEM; o município, ausência de recursos a serem transferidos pelo secretário Solla.

O fato de a moça da FASI, Gilnay Cunha Santana, mal assumir e já localizar 12 fantasmas na folha do Hospital dá razão ao Estado.

Cooperação

Como prometido na edição passada, a “Republicação dos Aditivos de Contratos de veículos alugados”, celebrados entre a EMASA e a Cooperativa Regional dos Proprietários de Veículos Alugados (Diário Bahia de 4 de agosto), mostra valor que supera 1,580 milhão de reais.

De singular consideração que muitos dos 46 veículos (de utilitários a caçambas, de pipas a munk) que tiveram os contratos prorrogados por mais um ano são locados com motorista.

Memória

cantinflasPoucos hão de lembrar do impagável Cantinflas, ator mexicano, estilo chapliniano em roupagem própria, fala atropelada em explicações “complexas”, de complicadas conclusões, de falar muito sem dizer nada, que nos fazia a todos rir. O próprio Chaplin o tinha como “o homem mais engraçado do mundo”.

su excelenciaMario Moreno, o ator que o criou, completaria 100 anos neste 12 de agosto.

Localizar em alguma locadora filmes deste mexicano hilário, um dos mestres da comédia de erros latino-americana, é descobrir uma veia rara de um cinema que anda esquecido. Lembrado apenas em redes públicas.

Recomendaríamos seu “O embaixador” (Su Excelencia), de 1966, sátira à guerra fria, lição talvez inspirada em “O ditador” de Chaplin.

Lucidez

Aplausos ao “anjo da guarda” de Kokó, do Lordão. Sua confidência retratada no Políticos do Sul da Bahia de que não mais será candidato a vereador sinaliza maturidade. Candidatura nestes tempos bicudos – especialmente se alimentada em afirmações de que “será o mais votado” – costuma redundar em decepção. E o álibi encontrado pelo músico é perfeito: os 50 anos do Lordão.

No desfecho, lamentará apenas quem o andava motivando. Que não pensava em Kokó.

Genial

cartaz 1 pra 100Não pode ser considerada de outra forma a idéia “1 pra 100”, desenvolvida pela turma de Ferradas – que inclui os que enxergam naquela terra não só primórdios da ocupação grapiúna mas a redenção turística para Itabuna, assim que houver alguém efetivamente comprometido em tornar esse rincão o centro e a sede da obra amadiana.

Em vez do bordão “99 anos” de Jorge Amado, o excelente “1 pra 100”.

Quem quer faz

peçaA programação da turma (foto) não só lembrou o filho ilustre. Trouxe depoimentos do próprio Jorge, afirmando haver nascido em fazenda de cacau em Ferradas, sem esquecer Mutuns e Pirangi, palco das lutas das “terras-do-sem-fim”.

Poesia, música, leitura de textos e uma “Gabriela” (Larissa Profeta, atriz premiada no último Multiarte) atentamente observada por Tonico Bastos/Nassib (Marquinhos Nô) enquanto buscava retirar uma pipa de um telhado.

Sob o olhar atento de Maria “Babinha” Machadão.  

Lembrando

jaO DIÁRIO BAHIA tem veiculado em sua edição on line, vídeos da terra ferradense, onde se destaca o Projeto da ACODECC “Irmão JORGE, 100 anos AMADO”, lançado há um ano. Nestes dias em que Itabuna lembra de Jorge Amado, o filho ilustre nascido em terras do cacau de Ferradas a iniciativa do DIÁRIO BAHIA deve ser enaltecida.

E, mais que isso, imitada.

Ensaiando Saint-Säens

“Enquanto cidades do mundo inteiro gostariam de ter um filho ilustre como Jorge Amado, aqui entre nós grapiúnas preferimos ignorá-lo, sem que se faça um reconhecimento digno de sua memória”. As palavras, lamentáveis e desprovidas de respeito à cultura itabunense não saem de inimigo desta terra.

Lamentáveis se tornam por nascerem de Cyro de Mattos, ainda presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania-FICC, expressadas em matéria do Jornal AGORA de terça 8 (Deputado quer apoio para Ecomuseu Jorge Amado). Coronel Santana teria recebido o projeto das próprias mãos de Cyro..

Infeliz declaração, de quem deveria cumprir com pelo menos seu desiderato de fomentador e resgatador da cultura itabunense.

Dos palcos para Itabuna

A pergunta elementar, considerando que o deputado Gilberto Santana assumiu o mandato a partir de fevereiro de 2011, é no sentido de saber onde se encontrava dito projeto da FICC desde que Cyro assumiu o órgão. Num primeiro instante, cabe também indagar sobre o que fazia o presidente ao tempo das comemorações do centenário, importante instante para lançar o projeto.

Claro que suas idiossincrasias não deixaram. Afinal, a comunidade de Ferradas, através da ACODECC, lançava em 2010 o projeto “Irmão JORGE, 100 anos AMADO”, antecipando o processo de comemoração do centenário do escritor – onde também o prefeito José Nilton Azevedo, que com ele se comprometeu diante da comunidade. Nenhuma iniciativa tomou Cyro de Mattos.

E não queremos aqui atribuir tão somente à sua patológica vaidade e individualismo. Preferimos mais tributar à incompetência para gerir uma instituição de tal porte.

O 13º ato

Cyro de Mattos, com sua declaração, atesta a incompetência que assinalamos acima. Em que pese assessorado por pessoas experientes sua ação gerencial é castradora, porque para ele tudo era Cyro, por Cyro e para Cyro, e sua filosofia de trabalho deveria ser ditada apenas para “o escritor premiado no Brasil e no exterior”.

Há dias (ver neste O TROMBONE) uma criminosa licitação. Voltada para beneficiar determinada pessoa, diretamente (porque indiretamente quem pretenda fazer política às custas da FICC pode ser o beneficiado). Onde estava, indagariam os cidadãos desta terra: ausente e mesmo teria assinado(?) sem saber o contido no edital.

Descompasso com a administração, leia-se com a competência para gerir.

Não deu outra; o cisne finou-se

Depois de tudo isso – e não apenas isso – o prefeito José Nilton Azevedo exonerou Cyro de Mattos na quinta 11. NA sexta, Cyro se despedia dos funcionários na FICC.

Fechou-se o pano.

Cabe apenas ver o 13º andamento da suíte “O Carnaval dos Animais”, do francês Camille Saint-Säens, denominada “A Morte do Cisne”.

UFSULBA

Geraldo Simões iniciou em sua segunda gestão a viabilização de estudos para a implantação de uma Universidade Federal com sede em Itabuna. Que se iniciaria com uma extensão da UFBA e contava com o apoio do então Reitor Naomar Monteiro. Foi atropelado pelas circunstâncias eleitorais adversas em 2004.

Ainda que Félix Mendonça tenha tido projeto para implantação de uma Federal sediada em Itabuna temos em Geraldo o mais comprometido com a iniciativa. E Alice Portugal como uma entusiasta.

Nossos votos de agradecimento ficam para Geraldo, pela proposição no início da década passada. E a todos os demais integrantes da bancada baiana que apoiaram a criação e especialmente àqueles 21 que defendem a Reitoria em Itabuna.

Impasse a ser superado

Itabuna perdeu o IFET para Ilhéus por falta de acompanhamento de sua representação política. Raimundo Veloso “chantageou” na hora certa e levou a instituição para o meio da estrada Ilhéus-Itabuna, dificultando o acesso de estudantes mais interioranos, que encontrariam em Itabuna um ponto natural de convergência.

Surge a conversa de que Porto Seguro poderia sediar a Reitoria da futura Universidade Federal do Sul da Bahia. Seria resultado de conclusões do Ministério da Educação. Decisão precipitada e fruto da “competência de gabinete”, aquilo a que chamamos de analise da realidade brasileira olhando o mapa a partir da burocracia de um gabinete, quando muito usando GPS ou livros de História. O que muitas vezes, como no caso concreto, destoa da realidade.

Risco de vitória de Pirro

É inteiramente sem sentido deslocar para Porto Seguro a centralização das decisões universitárias que terão expressão física em Itabuna. Dizemos Itabuna porque este é um lugar privilegiado pela circunstância elementar de ser pólo de convergência de uma malha rodoviária.

Porto Seguro é destino isolado, como o é Ilhéus, com vocação turística. Tanto que queremos confrontar essa realidade presumindo que tal fato seja apenas especulação.

Caso contrário, uma derrota da classe política itabunense.

De olho no movimento cultural

Geraldo reuniu amigos em torno de um projeto para a cultura local. Sem mistérios: passa pelo Centro de Convenções. Alguém já de olho em cargos. Como Cyro de Mattos perdeu a FICC pode até ser aproveitado para dirigir o futuro espaço.

Especulação? Que seja!

Cartas na mesa I

Boa fonte nos afirma haver Geraldo Simões assegurado que Juçara é a candidata do PT para 2012. Com apoio do Governador Wagner.

Quando se afirma peremptoriamente em torno do apoio do governo do Estado tão antecipadamente alguma coisa pode não estar batendo.

Privilegiado

Fernando Gomes continua na arquibancada da sucessão. Geraldo Simões lutando para viabilizar a conclusão do Centro de Convenções. Tanto que ensaia apoio da classe artística. Sugestão de algum conselheiro.

O detalhe está em dividir a turma. Até o momento conta com os mesmos. Insatisfeitos com a cultura local em mãos incompetentes. Inclusive no Centro de Cultura Adonias Filho.

Esse, por escolha de Geraldo.

Para nossos pais

Nossa homenagem aos pais, com essa pungente página do cancioneiro latino-americano. Apenas ouvir. O original (Mi Viejo), com Piero José, e a versão de Nazareno de Brito (Meu Velho), para Altemar Dutra.

caboco

Cantinho do ABC da Noite

Encontraram-no no supermercado. Carretel de conversa desenrolado, com o tradicional “que faz por aqui”, encontra a explicação de Cabôco:

– Depois de aposentado só venho aqui comprar leite longa vida.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 07/08/2011 | 19:09
Editado em 08/08/2011 | 10:47

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Existindo...

No próximo dia 21 este DE RODAPÉS E DE ACHADOS completa um ano de existência neste aguerrido O TROMBONE. Naquela oportunidade situávamo-nos no rodapear e no achar por entender que descobríamos um filão não tão explorado, tanto que nosso “editorial”, curto e grosso/objetivo, expressava a inspiração/motivo, a razão e a filosofia do espaço: “No correr destes dias alguns fatos trazidos a lume dispensam comentário mais apurado. Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além”.

... e lembrando

rodaDestacamos na semana de estreia: Ederivaldo “Bené” Benedito impedido de exercer a atividade jornalística no Hospital de Base, quando gravava programa para a TVI, o que justificou o rodapé “Rabo preso”. Estranhamos “Polícia prendendo polícia”, e acompanhamos a inauguração em Itabuna do comitê político de Lídice e Pinheiro em “Quem tem os olhos fundos começa a chorar mais cedo”, aventando no rodapear a possibilidade do então imbatível César Borges tornar-se “cavalo paraguaio” na corrida para o Senado.

Para a posteridade aquela foto (rep. à esq.) franciscana do secretário Jorge Solla, “reunido em Itaici” quando discutia por estas bandas a situação do HBLEM.

Pontuamos a pérola de Eduardo Anunciação “Dilma Rousseff, subindo a serra” e aquela “briga de foice no escuro” que vitimava a porta da sala da presidência da Câmara Municipal de Itabuna, em “Porta pede proteção”.

Não há de puxar brasa para nossa sardinha, mas reler DE RODAPÉS E DE ACHADOS pode avivar a memória recente.

Vencer com quem cara-pálida?

A sucessão municipal em Ilhéus e Itabuna em muito interessa ao Governador Jaques Wagner, que pretende vencer nos dois municípios – nos diz confiável interlocutor petista. Como os tempos da esquerda são outros, e a considerar que o próprio governador pretende renunciar a uma candidatura a senador em 2014 para fazer valer os acordos celebrados com os aliados que conquistou (leia-se, carlismo adesista), não sabemos se o real significado da expressão “vencer” diz respeito a sê-lo com o PT.

Como ganhar com o “carlismo” parece ser o conceito de Wagner, não à toa Geraldo Simões se torna um “autêntico” do PT contemporâneo, ao trilhar os “caminhos de Compostela” que o levam ao santuário Fernando Gomes.

Cooperação

A propósito de rodapé publicado na edição passada (Cooperação) dando conta de um informe publicitário da EMASA na página 6 da edição do Diário Bahia de terça 26 “Aditivo de Contratos”, de 12 contratos de locação de veículos celebrados com a Cooperativa Regional dos Proprietários de Veículos Alugados, que não apresentavam nenhuma referência a valores, a empresa corrigiu a omissão.

Na próxima edição debulharemos os valores. Ainda que permaneçam em nós as dúvidas sobre a singular cooperação.

Lição

Para Artur Bernardes, quem exerce poder não vende nada, não compra nada, não aceita nada. Não se compra nada, porque querem cobrar menos do que vale. Não se vende nada, porque querem pagar mais. Não se aceita nada por razões óbvias.

Os políticos da atualidade, em quase a totalidade, tornaram-se “caixeiros” dos balcões de negócios. E muita gente boa gostando. Apartamentos milionários, “presenteados” naquela forma de comprar excusada por Bernardes.

Pesquisa interessante

Para nossos leitores/observadores recomendamos uma boa atividade: comparar as posses de políticos próximos para averiguar, a partir da sua evolução patrimonial, quem lê na cartilha de Artur Bernardes.

Para eles (políticos) destinaremos o prêmio “nem tudo está perdido”.

Antecipamos

Como havíamos dito, o PSD em Itororó estava em mãos de Edineu Oliveira. Através de Gilton Alves, nome mais leve e sem problemas na Justiça.

Tudo sinalizado neste espaço em “Itororó” e “Paulo Magalhães e o PSD”, de 29 de maio e 12 de junho.

Jobim: uma página virada

jobimO desafio de Nelson Jobim nos remete apenas a duas conclusões: insensatez ou Quixote de uma ala que enfrenta o governo sem argumentos que convençam a população. Jogando para a imprensa comprometida com as elites o ex Ministro da Defesa pavimentou os últimos trechos de sua estrada no desrespeito a quem o escolhera para assessor. Covarde se tornou – se não concordava com o que vivia – ao não pedir exoneração, permanecendo nele como um vil quinta-coluna, ou, em expressão mais amena, um “infiltrado”.

Se a sua biografia já se fizera manchada por haver manipulado a Carta da República quando de sua elaboração – ao inserir no texto o que não fora discutido para beneficiar o sistema financeiro – e não bastasse a saída não tão honrosa da Suprema Corte do país, investe no papel de jacobino a serviço da direita.

Enem

A matéria de Roger Sarmento para a TV Santa Cruz a propósito da adoção da avaliação do ENEM para 50% das vagas da UESC, deixou lições. De alguns, na defesa pura e simples de interesses, vinculados às escolas privadas, que têm o vestibular como instrumento de faturamento comercial. Que fazem transparecer a idéia de que o aluno de certos cursinhos tem vaga garantida na universidade.

De outros, a ausência de conhecimento da matéria, mais reproduzindo os interesses de uma elite à qual não interessa que os menos favorecidos tenham acesso à graduação. É a turma do contra – o ENEM, o PROUNI, as cotas etc.

Opiniões como a de que o número de vagas se reduziria para a região só para quem desconhece a realidade uesquiana, para onde acorrem alunos de todo o país (já tivemos, particularmente, alunos de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais etc.).

Muito triste foi ouvir de alunos das escolas públicas revelações como a de que o sistema não interessava, porque a “pública” de outros estados levaria a melhor sobre a baiana.

Lucidez

Dentre os entrevistados das escolas privadas, a lucidez do professor Edmundo Dourado fez refletir a realidade. Disse o professor que até o momento de pleno aproveitamento do exame do ENEM as escolas terão que se adaptar ao novo processo, o que significa, inclusive, reordenar o atual projeto pedagógico – que está voltado, como sabemos, para preparar máquinas para o funil do vestibular.

Lúcido!

Leituras para a moralidade baiana

A propósito dos rodapés “Haikai I” e “Haikai II”, “Estranha Moralização” e “Por essas e outras...” (DE RODAPÉS E DE ACHADOS de 24 de julho), quando denunciamos a esdrúxula atuação do Estado da Bahia quanto à participação de servidores em projetos culturais custeados pelo governo, remetidos ao limbo da expressão das idéias ao serem impedidos de participar de eventos tais, recebemos de Gustavo Felicíssimo (autor de projeto) a seguinte observação, que a se materializar, demonstra que a “moralização” pretendida não envolve parentes de políticos da base do governo:

“Adylson, a sensação de ganhar, depois de passar por duas diligências e não levar é frustrante. A impressão que tenho é que fomos sabotados pela FPC, pois os sócios da P55, editora concorrente que também teve seu projeto aprovado é de propriedade de filhos de Claudius Portugal, servidor público, irmão de Alice Portugal. Esses aí, com certeza, receberão o valor do edital”.

Trocando em miúdos: “aos parentes até segundo grau, bem como cônjuges e companheiros...” de servidores (Lei Estadual 9.431/2005, art. 14, IV e § 1º) tudo é negado; aos de políticos tudo é permitido.

Com a palavra, para as devidas explicações, a Fundação Pedro Calmon. Na letra fria da lei moral.

Golpe

Não pode ser posto em dúvida que Geraldo busca apoios em todas as vertentes. Seguindo a atual cartilha do PT (que o diga o Governador Wagner que admite romper com uma tradição – governador candidato a senador – para não faltar aos compromissos) GS não incorre em “infidelidade”. Mas tão somente envereda como aprendiz de diretor de um filme de terror antes inimaginável. Mas, como à produção cinematográfica, o que interessa é a bilheteria.

Assim, ao não anunciar ou mesmo insinuar a retomada das obras do Centro de Convenções, o governador coloca na geladeira um trunfo de Geraldo Simões para cooptar Fernando Gomes.

No fundo, no fundo, por incrível que pareça, a continuidade das obras do Centro de Convenções passa por Geraldo Simões.

Se sair candidato a prefeito.

“À espera de um milagre”

frankComo compensação, vislumbra o deputado, pelo menos conseguir dissidentes de Fernando para compensar os do PT que bandearam de sua orientação. A eleição de 2010 não sinalizou a possibilidade. Mas, como todo santo ajuda, quem sabe o milagre ocorreria?

Na dúvida trará o diretor francês Frank Darabont, do grande “The Green mile” (1999), para coordenar a campanha.

Cartas na mesa I

Geraldo afirma que Juçara é a candidata do PT para 2012. Óbvio que a peremptória afirmação contraria uma gama de vertentes, do Governador a escalões do PT local. Sabe ele que tem plena liberdade para decidir pela candidatura da esposa. Sabe-o também que não encontrará uma resposta de apoios como a que ele candidato encabeçaria.

No momento em que escrevemos tem consciência de que não encontrará respaldo de alguns tradicionais aliados em campanhas passadas. Como o tem de que alguns destes aliados desejam esfolar sua base que escasseia no âmbito de cargos, por ele antes inteiramente dominada em postos-chave.

Cartas na mesa II

Sabe, por fim, Geraldo Simões que a cartada que joga pode ser decisiva para seu futuro político, com repercussões bastante distintas daquela que pôs na mesa no processo de reeleição.

Ainda que tributemos sua derrota em 2004 à fraude eleitoral e à grande contribuição do “PT do tapetão” – um especial fogo amigo – naquela oportunidade GS se via acossado por muitos dos aliados de 2000, alguns dos quais se desvencilhara para não sucumbir à exigências que entendia descabidas e altamente pretensiosas.

Jogou e perdeu. Mas isso não impediu de alçar vôos a partir da CODEBA e da Secretaria de Agricultura. Hoje não tem CODEBA nem SEAGRI.

Só a sua ousadia. Ou, teimosia.

Privilegiado

Fernando Gomes, na arquibancada da sucessão, assiste o desenrolar dos fatos. Cômoda circunstância de procurado, paparicado, de peça que pode decidir os rumos em 2012.

Observado atentamente por correligionários e adversários, pode assumir candidatura, que afetaria diretamente a reeleição de Azevedo e abrir caminho para a eleição de Juçara. Este o objetivo secundário – não tão secundário assim – de Geraldo Simões ao ensaiar aproximação com o arquiinimigo.

Ao não anunciar a continuidade das obras do Centro de Convenções Wagner sela a sorte de Geraldo naquilo que prometera a Fernando. Esta a única moeda de que dispunha GS: atender aos interesses de FG.

Quando nada a aliança possibilitaria a Fernando assumir posição de indiferença no processo, deixando-se ficar em Vitória da Conquista e liberando aliados estratégicos para trabalhar em favor dos interesses de Geraldo.

Reação

Aliados, no entanto, estrilaram. Sabendo que poderiam não encontrar espaço com Geraldo. Foram ajudados por Wagner, até agora. Que pode mudar de idéia, caso GS assuma a candidatura. Quando não lavará as mãos.

Geraldo vai ter que buscar o “compadre” Lula.

Ubaldo

Justificadamente empolgado (o “melhores dias virão” daquele outdoor fala mais que qualquer rodapear), Ubaldo Dantas se faz no páreo tantas eleições depois, como nome para encabeçar a majoritária local. Mas, tudo depende de Geddel Vieira Lima. Que o tem, provavelmente, como a segunda opção.

Para Geddel, a primeira é Fernando Gomes(?), de quem diz ter ressentimentos.

Uma aliança com um outro nome pode ser a melhor opção. Ubaldo como vice(?) Com chances de vitória.

Itororó

Considerando o amor que tem pelo torrão natal vinculamos Nando Luz à terra da carne de sol, em que pese o texto a ele se referir. Trata-se de um dedicado e estudioso da música, aliado de nomes como Toni Garrido, Chico César e Jorge Mautner, que diz dele: “A música de Nando Luz irradia a beleza característica de sua terra natal que é a Bahia. O som vai fluindo pelo ar e é uma mistura de ritmos, feitiços, encantamentos e doçuras fabricados pela sua alquimia interior. São várias paisagens feitas de música, de emoção, de poesia e a sensação que se tem ao ouvi-las é querer mais, muito mais". Melhor amostra do seu trabalho não pode existir.

No momento se apresenta pelo Brasil com “Madonna mudaria minha vida”, e seu próximo trabalho já tem nome: “Mautnerianas”, com canções de Jorge Mautner, a partir de novembro.

Itororó

Em que pese contratar duplas sertanejas e quejandos que nada têm a ver com a realidade junina e abrir espaço para as mais estranhas apresentações em tempo de Festsol, Itororó não lembra de seu filho Nando Luz.

Uma tristeza.

Dois momentos de um ícone

Ney Matogrosso completou 70 anos no primeiro de agosto. Trazemos “O vira”, para nós a melhor marca de Ney no plano da tessitura vocal, e um duo com Ângela Maria, em Babalu.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoZélia Lessa, a dedicada mestra de tantas gerações, voz e destino do Coral Cantores de Orfeu, recebia as homenagens de expressões diversas na manhã abecedarina, quando o cliente lembrou:

– O Coral já completou 56 anos.

Cabôco não dispensou a oportunidade:

– Aí não é mais coral, Cabôco, mas cascavel. E explicou:

– Tá contando os anos pelos anéis do chocalho.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 05/06/2011 | 15:00
Editado em 05/06/2011 | 16:19

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Armação

O TROMBONE de sábado 4 – “Estripulias de Algum Menino Grapiúna” – descobriu uma inusitada pérola, ao levantar uma série de dúvidas em torno Edital 002/2011, Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania-FICC para “realização de Processo Seletivo Simplificado para contratação, por prazo determinado, por necessidade temporária de excepcional interesse público”, que promove quase à sorrelfa a admissão de 35 Professores de Capoeira, Ballet, de Violão, de Dança, de Bateria, de Teclado, de Flauta, de Artesanato, de Teatro, de Bordado etc

Os questionamentos de O TROMBONE põem em dúvida a credibilidade da seleção e alimentam a certeza de que algo cheira muito mal. Não só os prazos para inscrições, como o denuncia o texto (VER), de exíguas três manhãs úteis, iniciados numa sexta-feira e encerrados na terça seguinte.

Pérola

O mais estranho é o fato de que das 35 atividades sob seleção, todas com remuneração de 650 reais, onde a escolaridade exigida é o ensino fundamental – dentre elas ensino de flauta, de ballet, de teatro, de escultura – se destaque a de “dança de salão”, a única com remuneração de 1.500 reais para quem tenha “ensino superior completo ou cursando enfermagem ou fisioterapia”, quando outro tipo de dança (street dance) se encontra na planície do fundamental e da remuneração geral.

Se já fede à carniça a justificativa de “excepcional interesse público”, a urubuzada se fartará quando se confirmar que pode ter alguém muito especial como beneficiário da peculiar exigência do Edital para preenchimento do cargo de “professor de dança de salão”, aquele que exige “ensino superior completo ou cursando enfermagem ou fisioterapia”.

Perguntas aguardando respostas

Onde a urgência admitida em lei para justificar tão exíguo tempo de inscrição para preenchimento de cargos que são da atividade corriqueira da FICC? Por que “ensino superior completo ou cursando enfermagem ou fisioterapia” somente para um tipo de dança?

Que interesses levam Cyro de Mattos a manchar sua reputação subscrevendo dito Edital? Ou não foi ele quem o subscreveu, tanto que não se tem notícia da publicação com a transparência exigida?

Alguém pretende beneficiar-se da celeridade. O que cheira a uso político, voltado para beneficiar alguma candidatura nas próximas eleições.

Que não será a do Prefeito José Nilton Azevedo, que está com a legítima Prefeitura Móvel nas ruas.

“A voz do dono”

voz do donoA RCA dispunha da expressão como propaganda, sublinhando a imagem de um cão atento ao som que saía de um megafone. Nossa atenção ainda se debruça sobre o som no rádio e na televisão com uma atenção e fidelidade caninas.

O ouvinte ou telespectador confia no expressado pelo rádio e pela televisão. O que ninguém busca descobrir é a quem pertence o órgão e se a opinião é do interesse do ouvinte/telespectador ou do proprietário. Se é informação e notícia ou propaganda do dono.

A outra voz do dono

O Ministério das Comunicações divulgou na segunda-feira 30 o que denomina de cadastro dos donos de rádios e TVs no Brasil, antiga caixa-preta do Ministério, antes inacessível aos vis mortais. Entre as 291 TVs, 3.205 rádios e 6.186 retransmissoras comerciais existentes 56 parlamentares estão inseridos como detentores de concessões. Do PMDB são 12, outros 11 do DEM/PFL.

Dá para imaginar o nível de “isenção” editorial. Detalhes em www.advivo.com.br “Lista de parlamentares donos de rádio e TV) de quinta 2.

Não custa descobrirmos quem é “A Voz do Dono” do que vemos e ouvimos.

Anunciado e cancelado

Anunciado estava "Bullying, a violencia na escola", texto e direção  de Jorge Lins e montagem do Grupo Raízes, de Sergipe (com mais de 20 anos de existência), no palco do Centro de Cultura Adonias Filho, dia 6 de junho, segunda, 10 e 15 horas. Espetáculo visto por 6 mil pessoas em  apenas dois dias em Sergipe (Ver site  www.educar-se.com).
A apresentação foi cancelada. Motivo: tratando-se de teatro voltado para a escola não encontrou o apoio devido em Itabuna. A produção e os atores nem recebidos foram pelas escolas – como denuncia Eduardo Ribeiro, produtor do espetáculo.

As desculpas em geral: "estamos em reunião". Numa delas até foi "sugerido" que eles não esperassem para falar sobre o espetáculo porque  naquela escola o pessoal não se interessa por cultura..."

Surpreendeu negativamente falta de sensibilidade e compromisso por parte dos educadores desta cidade. Da DIREC a escolas particulares e públicas, salvaram-se esporadicamente algumas que  deram atenção e se empenharam com o evento.

Cancelado um espetáculo de extrema importância e tão oportuno.

Tardia descoberta

Agatha Christie continua reconhecida dentre os melhores textos do planeta. Um de seus clássicos mudou de nome no Brasil. Em nome da paranoia do politicamente correto “O Caso dos Dez Negrinhos” (1939) – Ten Little Nigers, no original – passa a ser denominado “E Não Sobrou Nenhum”.

Respeitadas as ponderações da editoria inglesa que em 1940 o republicara como “And Them There Were None” – que pode ser traduzido literalmente como o atual “E Não Sobrou Nenhum” – (“Níger” por lá não tem a mesma conotação que recebe a palavra negro na língua portuguesa).

O que estranha é que a “descoberta” nacional somente tenha ocorrido 71 anos depois. Que não esqueceu de fazer referência ao título anterior, até recentemente admitido. www.advivo.com.br de terça 31.

Romário nota dez

Para os que o criticaram por conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados uma resposta à altura do Deputado Romário: conseguiu aprovar a convocação do presidente da CBF Ricardo Teixeira para esclarecer o seu possível envolvimento nos casos de corrupção de que o acusam na FIFA. www.tribunadaimprensa.com.br de quarta-feira 1º. 

Palocci

paloci bessinhaA mais honesta das justificativas até agora encontradas para o aumento patrimonial de Antônio Palocci pode ser denominada de “tráfico de influência”. Que fere a legislação (Lei de Improbidade Administrativa). Em palavras simples: utilizar de prestígio e influência para viabilizar soluções junto aos governos. Ou mesmo, diríamos, criar uma expectativa para interesses privados junto a órgãos públicos.

Há, no entanto, uma dimensão Ética que se exige de figuras como o Ministro (então deputado federal e ex-Ministro da Fazenda enquanto empresário), não conviver com as justificativas até este momento oferecidas. O estranho e espetacular avanço patrimonial por si só retira indícios de boa-fé nas relações que envolvem os negócios da Projeto, que alimenta o raciocínio que foi efetivamente um feliz e grande projeto enquanto durou para esse fenômeno empresarial que é o Palocci, o médico dos negócios.

Palocci e o PSDB

As explicações que a sociedade exige – diante do aroma de interesses públicos e privados em conflito – nunca serão superadas por declarações como as de Aécio Neves, José Serra ou Geraldo Alkmin. Ditas defesas apenas mais aprofundam a intimidade entre tucanos e petistas de coturno quando o assunto tende à imoralidade, tornando-os todos iguais perante a dita cuja.

É por isso que o Ministro não pode explicar o providencial aumento, especialmente acontecido em ano eleitoral. Mas bem que a caneta da Presidente Dilma pode e deveria fazê-lo: exoneração é a palavra.

Oportunidade

Considerando que o ainda Ministro da Casa Civil não se dignou revelar que apostou em loterias e que “Deus me ajudou muito” caminha para efetivar a máxima atribuída ao Barão de Itararé: deixar a vida pública para entrar na privada.

Um grande que se vai

abdiasAbdias do Nascimento morreu no dia 27 de abril, aos 97 anos. Em que pese a luta histórica empreendida era esquecido pelas novas lideranças. Uma voz emudecida pelas circunstâncias. Pioneira da imprensa negra no Brasil, com o “Voz da Raça” (1930), não o víamos destacado no patamar que merecia, tantos os serviços prestados à causa dos infortunados.

Todos comemoram o dia Nacional da Consciência Negra no feriado de 20 de novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares. Tudo criado por Abdias do Nascimento, enquanto Deputado e Senador pelo PDT.

UESC

A proposta da UESC de tornar a prova do ENEM caminho de acesso à universidade abre considerável espaço para muitos que não conseguiriam ultrapassar o funil do vestibular.

Que os desdobramentos sejam ainda mais favoráveis: restaurante universitário que corresponda à realidade do alunado etc.

Autoestima

plataformaO lançamento da P-56 nesta sexta 3, que operará no Campo Marlim Sul, na Bacia de Campos-RJ, é reconhecido como um marco na indústria naval do País, por consolidar a construção de plataformas desse porte no território nacional.

Não só a construção, como o alto índice de nacionalização (73%) teve seu casco totalmente construído e iniciará a produção em agosto.

Em tempos não tão distantes (na era FHC) Cingapura era o sonho de consumo.

Mais do que a geração de empregos e desenvolvimento da tecnologia nacional a P-56 nega o “complexo de vira-lata” que acomete parcela de nossa elite, encantada com o que vem de fora. Detalhes em www.advivo.com.br de sexta 3.

Não esquecendo que o Brasil começa a produção em série de cascos de plataformas, fato inédito no mundo, com a instalação do dique-seco do pólo naval de Rio Grande-RS, inaugurado em outubro passado pelo Presidente Lula.

Lançamento

Na próxima terça 7, Dr. Teobaldo Magalhães estréia na literatura médica com a obra “Os 5 Segredos para a Saúde” (EDITUS). O evento que tornará público o lançamento do primeiro trabalho de Dr. Teobaldo acontecerá no Hotel Tarik, às 19 horas.

De profunda sensibilidade espiritual, o autor – que viveu um período de sua vida na Índia, com Sry Sathya Naraiana Raju Sai Baba – traça suas experiências e observações amparando-as na ciência médica para promover apoio ao semelhante.

Prefeitura Transparente

Considerando a responsabilidade decorrente da premiação recebida, a Prefeitura de Itabuna certamente disponibilizará, nominando-os, os funcionários e comissionados que já estão utilizando de recursos públicos e do correspondente tráfico de influência para alavancar campanhas políticas para vereador/2012.

Rosemberg Pinto

As vaias recebidas pelo deputado mais estão vinculadas ao descaso com que tratou o evento de que participava. Para muitos que criticaram sua intervenção, lhes pareceu menosprezo à realidade cacaueira. Esse o motivo dos aplausos.

O experiente sindicalista não dimensionou suficientemente as palavras, tampouco percebeu que o público não era assembleia sindical.

Eva Lima I

A voz isolada de Eva Lima no deserto em que se encontra a manifestação dos artistas e agentes da cultura grapiúna é digna de louvores. Aproveitou a oportunidade que exercia na abertura dos trabalhos do “Pensar Cacau”, no Centro de Cultura Adonias Filho, no dia 27 de maio, e conclamou os deputados presentes a olharem com mais cuidado a classe artística local, em particular no sentido de dotá-la de um espaço que os tire da dependência que hoje vivem. Detalhes em http://jornalitabunaculturaearte.blogspot.com de quinta 2 (“Eva Lima cobra dos deputados providências sobre o Teatro e o Centro de Convenções”).

Eva Lima II

Avivando a memória, já o dissera a atriz e produtora cultural no programa Alô Cidade, da TVI, que Itabuna vive o pior momento de sua mobilização cultural, diante do controle dos espaços por dirigentes lamentavelmente postos em cargos para os quais não dispõem do preparo e competência exigidos.

Itororó

O clima junino ocupa a cidade. Uma decoração simples e tradicional começa a contagiar.

A volta do retalho

Outro retalho auxilia o plano das fotografias de Ruy Machado, a área para o prédio da Câmara.

Academia I

Não imagine o caro leitor que trataremos das muitas academias itabunenses. Mas da Brasileira de Letras, que acaba de eleger(?) Merval Pereira para ocupar(?) a vaga deixada por Moacir Scliar, na cadeira 31. O eleito tem dois livros publicados, dispondo sobre profundos temas: “A Segunda Guerra, sucessão de Geisel” e “O lulismo no poder”.

Venceu a disputa com o insignificante escritor Antônio Torres, premiado nacional e internacionalmente e com uns poucos dezesseis livros publicados, traduzidos na Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária, sem falar de Portugal. Disponibilizamos, em anexo, os prêmios e as obras publicadas pelo insignificante Antônio Torres. (VER, detalhado em www.advivo.com.br “Como vota a Academia Brasileira de Letras”).

Academia II

Aliás, a Academia Brasileira de Letras continua fazendo das suas. Nela nunca ingressaram Lima Barreto, Monteiro Lobato, Carlos Drumond de Andrade, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Érico Veríssimo. Uma corrente de insignificantes, como esse pretendente Antônio Torres.

Como pode ser visto a preocupação da ABL não se volta para os aclamados escritores, mas para alimentar a mediocridade que aos poucos se instala. Paulo Coelho, Merval Pereira etc. Rejeitou Mário Quintana duas vezes e elegeu Paulo Coelho na primeira, como agora o faz com Merval.

Não custa aplicar a máxima de Tiririca: “Pior do que está não fica”. Afinal, alimenta e inova a ABL com a campanha “piorar o que já está ruim”.

Germano Mathias

Descobrimos Germano Mathias nos idos do primeiro quartel dos anos 60, tocando um de seus 78 rpm em serviço de auto-falante. O grande sambista paulista chegou aos 77 anos neste dia 3. Aqui uma dupla homenagem: ao aniversariante que nos brinda com três trabalhos e ao programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin.  

Cantinho do ABC da Noite

cabocoO poeta Firmino Rocha – do imortal “Deram um Fuzil ao Menino” – tinha por hábito ocupar o balcão à direita da entrada, “suando ternura, lirismo, poesia”, como escreveu Eduardo Anunciação. O vate, enquanto lá estava, ficava encostado nas caixas ou engradados que serviam de porta de acesso ao interior do comércio e se tornou referência por tal postura. O costume continua adotado por alguns dos atuais fregueses.

O cliente pergunta-lhe, para confirmar o fato:

– Era de Firmino Rocha o lugar, Cabôco?

– Sim, Cabôco. Saiu Firmino, ficou a rocha – gozando com o que se aboletava junto aos engradados.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 24/04/2011 | 13:43
Editado em 24/04/2011 | 17:01

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Ha-ha-ha-ha-ha-ha-ha...

Documentos liberados pela Marinha diriam respeito a uma iniciativa de revolução armada promovida pela Igreja Católica de São Paulo nos anos 80 para implantar um estado do Vaticano no Brasil. Cerca de 20 mil nordestinos e coreanos seriam recrutados e treinados num abrigo para a luta armada.

Ainda que hilário, isso constituiu matéria no Jornal da Record nesta sexta 22 – e não no 1º de abril – que incluiu depoimentos e opiniões de ex-militar, cientista político e sociólogo na mais absurda e surrealista “denúncia” nestes dias em que se discute a constituição de uma Comissão da Verdade.

Ficamos sem saber a quem serve a matéria. Ao jornalismo temos certeza que não.

Tudo escancarado I

Não se imagine que não haja purismo em sede político-partidária, que o idealismo não se faça presente em mentes que trilham a seara que deram de chamar Política ainda nos primórdios da filosofia clássica.

A considerar o publicado neste O TROMBONE (“Rosivaldo é quem ganha”, dia 17) não cobremos, no entanto, como idealista o atual PCdoB. Ao que parece, um dos últimos bastiões ideológicos se curva à realidade.

Os interesses vertidos em composições antes inimagináveis se escancaram. Recursos públicos administrados pela dissidência do velho PCB já podem alimentar o patrimonialismo que norteia o imaginário do político em geral, com honrosas exceções, começando pelo trivial: exercício de função estatal para pavimentar o sucesso eleitoral.

Tudo escancarado II

Causa espécie. Antes estigmatizados como “comedores de criancinhas”, “estupradores de freiras”, “esquartejadores de padres” descobriram o notório: o mundo é um sistema, absolutamente controlado por quem detém o poder, qualquer que seja a escala e o patamar da pirâmide.

Tudo escancarado III

Por esse caminho podemos concluir que, em Itabuna, pensam da mesma forma: de Fernando Gomes a Geraldo Simões, de Azevedo a Davidson Magalhães. Cada um por si que é tempo de murici – como dizia vó Tormeza.

Como uma luva cabe aqui a famosa “Ou se instaura de vez a moralidade ou nos locupletemos todos”, frase para uns atribuída a Milôr Fernandes, para outros a Stanislaw Ponte Preta, ou mesmo ao Barão de Itararé.

Eis aí, talvez, a nova definição de comunismo.

Caminhos ásperos

psdbNada a ver com o filme de John Farrow (Hondo-1953), mas com o imediato do PSDB. O tucanato não tardará chamar urubu de meu louro para atrair nomes para a sucessão. FHC, tido como contra o povão; Serra, enveredando pelo fundamentalismo e assombrado com a iminência de lançamento do livro de Amaury Jr.; Alckimin, enfrentando dissidências e Aécio, que despontava como esperança maior, flagrado dirigindo com carteira vencida e se recusando a fazer o teste do bafômetro na madrugada carioca. Não faltará quem o traduza como playboy. Currículo nada recomendável para um candidato a presidente da República. Como se não bastasse a crise de propostas.

E agora?

Nanico

nanicoCaminha célere o encolhimento do PSDB. Em São Paulo sete dos treze vereadores anunciaram saída do partido. Nesse ritmo sobra somente a cúpula.

Já a oposição como um todo (PSDB- DEM-PPS) – ainda que não sejamos tão otimista, até porque não desejamos uma cultura de situação/com partido único nos moldes do PRI mexicano – tende a ficar com 96 deputados logo que criado e instalado o PSD de Kassab, como o diz pé da página 4 (para o mundo não saber) de O GLOBO – “Oposição a Dilma será a menor nos últimos 20 anos” – levado a público por www.conversaafiada.com.br nesta quarta 20, assim ilustrada pelo sítio/site.

Quando não pode acontecer

a nevesO fato corriqueiro no País adquire dimensão de extraordinário. É o que ocorre quando figuras que se encontram em evidência cometem deslizes de cidadão comum. Em que pese muito estranha a circunstância da blitz parando o carro em que estava o senador – não há informações de que pusesse em risco a incolumidade pública – e não nos parece correta a iniciativa de policiais exigirem o teste do bafômetro se não houver indícios de uso de bebida (o que se manifesta por dirigir em ziguezague ou apresentar evidências de embriaguez, como hálito, fala arrastada, tropeço sobre si mesmo, não conseguir ficar em pé etc. O teste do bafômetro pode se tornar uma arma se exigido aleatoriamente. Mormente por mãos inescrupulosas).

O senador pode ter sido vítima de uma armação. Mas, essa vai custar caro ao senador Aécio Neves. Pelo menos por enquanto. E pode jogar no limbo uma das mais promissoras carreiras políticas da nova geração.

Lições não aprendidas

Na esteira de um incidente nada espetacular (não atropelou, não bateu em poste) já surgem denúncias envolvendo-o com uma emissora FM (Arco Íris), controlada por uma sua irmã, com capital social de 200 mil onde o senador teria participação de 44%. Descobrem que o faturamento da FM em 2010 superou 5 milhões de reais e que possui em seu acervo uma frota de carros de luxo e dois microônibus (a Land Rover da blitz é um dos 11 veículos da empresa)

Se confirmado o que a oposição mineira (PMDB-PT-PCdoB e PRB) pretende apurar pode ser afirmado que faltou ao neto Aécio apreender a lição do avô Tancredo: “Político não pode ser rico. Se for rico não pode parecer rico”. Detalhes em texto de Carlos Newton na Tribuna da Imprensa da Imprensa on line de quinta 21.

Educação I

Enquanto políticos disputam a indicação de correligionários para preenchimento de cargos a Educação alimenta a propaganda oficial. E os professores, sobrecarregados em suas tarefas – não mais afetas tão somente ao preparo das gerações futuras – exigidos que estão para funções abstraídas da escola, quando levados a se tornarem psicólogos, assistentes sociais, psicopedagogos. Não assumiram a Psiquiatria porque não lhes outorgaram receitar psicotrópicos.

Não tardará lhes seja exigido o exercício charlatão da Psicanálise, que se estenderá da sala de aula até o lar das muitas famílias desajustadas que encontram na escola o depósito para os filhos vítimas de seus desencontros.

Educação II

A sociedade doente caiu no colo do professor, refletida nos pupilos que lhes são transferidos pelo sistema. Alunos analfabetos – “avançados” em razão de teorias mal aplicadas – não conseguem realizar um simples “ditado”, ainda que cursando a sexta, sétima ou oitava séries, quando não já se encontram no primeiro funil de saída: o curso médio.

Implorar para que compreendam o que ouvem ou leem é crime lesa-pátria. Cobrar uma leitura está se tornando crime hediondo, se o exigir o professor. Não tardará serem levados os que a exigirem “ao Ministério Público” ou instâncias superiores da administração escolar.

Educação: desdobramentos

Muitos profissionais da educação, reconhecidos por sua competência, idealistas e visionários comprometidos com a atividade que escolheram se encontram em estado lastimável, verdadeiros mortos-vivos, pele macerada como se estivessem em fase terminal. Vivos estão porque falam e conseguem articular ideias.

Deprimidos e estressados sobrevivem entre salas de aula e os consultórios médicos, tanto não suportam a lide escolhida. Alguns, com a saúde ainda abalada, retornam à sala liberados pelas perícias, onde os senhores “peritos” mais trabalham para a defesa do erário do que pela recuperação desta horda de zumbis em que está se tornando o exercício do magistério na rede pública depois de 10, 15 anos de exercício.

Choca vê-los em tal estado. Corta o coração que seres humanos que sonharam servir ao próximo no exercício do sacerdócio do magistério estejam jogados às traças!

Educação: responsáveis

Desse caos não se eximem nem dirigentes municipais, nem estaduais. Falta-lhes – pelo reflexo de suas atuações – compromisso com a Educação, com o futuro das gerações e do País.

Esta a verdadeira tragédia nacional.

Como se sentem diante dessa cruel realidade nossos políticos, percebendo remunerações que lhes permitem disponibilizar as melhores escolas para os filhos, quando não inseri-los em convênios e intercâmbios internacionais?

Dia Nacional do Livro Infantil

Enquanto em Itabuna Academias de letras abundam como geração espontânea, o Dia Nacionbal do Livro Infantil, 18 de abril, transcorreu como dia comum, lembrado apenas na rede municipal.

Nem chamadas às escassas bibliotecas do município. Talvez importe mais descobrirmos que Lady Gaga admite tatuagem só em um lado do corpo.

E cobramos todos melhorias no índice de leitura, quando esquecemos de motivá-la nas crianças.

Ensino de Música

A rede municipal inicia processo de seleção para a admissão de professores para ministrar teoria musical. A matéria – que retorna à grade curricular – é de suma importância para a formação da criança e do jovem. Implantada na escola pública a partir de 1932, se tinha em Mário de Andrade o primeiro grande defensor, é em Villa-Lobos sua maior expressão ao desenvolver um projeto de magnitude nacional. Até início dos anos 60 foi ministrada (no antigo curso de ginásio) como Canto Orfeônico, ao lado de Latim, Francês etc.

Até que enfim!

Conto de fadas

Havia um reino em que o rei governava não só ouvindo seus conselheiros, mas também a sua rainha.

Certo dia uma súdita pensou encontrar do rei apoio para tornar-se conselheira. A rainha soube e logo impediu a boa súdita de ser atendida. Então para não magoar ninguém o rei, com apoio da rainha disse aos demais conselheiros que indicassem o marido da súdita para o conselho.

E todos foram felizes para sempre!

Olha 2012 aí, gente!

Fernando Gomes mal retornou e confirma “intervenção” no Governo Azevedo, se levarmos ao pé da letra a matéria publicada neste O TROMBONE terça 19 – “Acordo de FG com o governo ‘desmoraliza’ discurso do PMDB”.

Renato Costa ou João Xavier, ao que parece, não foram consultados. Se o foram, enalteceram e iniciativa do líder.

Sanha por sangue

Samba de pau – aqui a expressão tem a conotação de pancadaria – o fato de o Estado da Bahia fornecer alimentação e sanitários químicos para militantes que protestavam por melhoria de vida junto à Secretaria de Agricultura no CAB.

Sem enveredarmos no purismo com que determinadas expressões do serviço público observaram o fato, ficamos a imaginar a seguinte realidade, única a contrapor-se aos questionamentos diante da ação governamental: 1. Polícia Militar desocupando a área depois de autorização judicial, obviamente com a delicadeza que a situação exige: cassetete, gás de pimenta, tiros com bala de borracha, prisões etc.; 2. Enquanto aguardavam a decisão manifestantes eliminando suas necessidades fisiológicas no espaço, sofreriam com a fome e a sede, ainda que crianças pelo meio.

Enquanto isso, recursos públicos continuam utilizados para promoções pessoais. Tudo na legalidade!

Esperança

Belas as palavras do Governador Jaques Wagner, dirigidas aos integrantes do MST em frente à Governadoria: “Eu entendo que Democracia é um jogo de dois lados da mesma moeda: é pressão e negociação”.

Aproveitando as belas palavras de Sua Excelência, gostaríamos que as aplicasse em relação aos que paralisaram as atividades na UESC.

Limites

A posição defendida pelo Deputado Coronel Santana é a que se aproxima da função que exerce como membro da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembléia Legislativa da Bahia: revisão de limites não se faz conferindo e mantendo os existentes. É refazer espaços dos territórios existentes, ampliando-os ou reduzindo-os, em consonância com a realidade que o momento torna imperiosa.

Como manter o distrito de São José do Colônia vinculado ao município de Itambé, quando tão dependente do de Itororó? Diríamos o mesmo de Bandeira do Colônia, ainda em relação ao de Itororó.

Aqui a indagação é mais que pertinente: como justificar os atuais limites do município de Ilhéus às portas da cidade de Itabuna?

E não está promovendo conflitos o deputado ao pensar em estender os limites de Itabuna até o Salobrinho, ainda que mais complexo o seja. Nesse caso, como o do Bandeira do Colônia, entendemos que seria necessário um plebiscito.

A posição do Deputado Coronel Santana reflete maduro exercício da função que assumiu no Conselho.

Cabe às sociedades interessadas – em particular a itabunense – cerrarem fileiras com o posicionamento do deputado.

Região metropolitana

A exortação que fazemos neste O TROMBONE para a participação de deputados federais no projeto da Região Metropolitana nos faz feliz por vê-la repercutida no Deputado Josias Gomes. Impõe-se seja ampliada.

A barba de Wagner

Vão para a Fundação Ayrton Senna os 500 mil recebidos de empresa de lâmina de barbear, doados pelo Governador da Bahia. Tirou a barba e fez a festa. Já o conjunto das obras de Irmã Dulce ficam por conta da beatificação, esperando recursos do Céu. Ou da boa vontade da FAS.

Coronel Santana

santanaTempos houve que o Coronel Santana, do alto de muitos quilos, “servia Labão” que não lhe dava “serrana bela”, parodiando Camões. Isso marcou-o e, mais ainda, ações desproporcionais à função como prisões de adversários e a nunca esquecida repressão promovida ao vivo e em cores no 7 de Setembro de 2000 em plena Cinquentenário.

O preâmbulo volta-se para modificar pontos de vista, quando em jogo os interesses de Itabuna, defendidos neste instante com determinação pelo Deputado quando dizem respeito à fixação de novos limites entre Ilhéus e Itabuna. Cumprindo seu papel de votado no município de Itabuna, já sofre críticas de políticos ilheenses que até pretendem afastá-lo da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembléia Legislativa da Bahia, por suas declarações em defesa da redução física de Ilhéus em benefício de Itabuna.

A comunidade e a sociedade organizada local deviam reconhecer esta sua luta e apoiá-lo com a mesma firmeza com que ele se apresenta em defesa de Itabuna.

Academia(s): o pomo da discórdia

Tenham os caros leitores como certa a figura de Cyro de Mattos como pomo da discórdia, que faz – até agora – Itabuna trilhar por duas Academias de Letras. Se Ivan Montenegro contar o que sabe relatará a razão da recusa de Cyro em integrar a primeira. E também se descobrirá porque nasce a segunda, pautada na idéia mais feminista.

Também não se coaduna a segunda iniciativa – onde parcela feminina está em muito vinculada ao próprio Cyro e aos seus interesses – pautada na importância de uma Academia de Letras pela distribuição de gênero e que uma delas devesse estar próxima de um “clube do bolinha” ou “uma extensão da maçonaria”. Muito mau gosto e revela que talvez não estejamos preparados ainda para uma casa de Machado de Assis.

A não ser que norteada e enfatizada como uma academia de vaidades, o que não pode ser atribuído a uma de Letras.

Academia(s)

Já não falemos da omissão de um nome como o Jorge de Souza Araujo, não lembrado expressamente em qualquer das duas. (Onde está Cyro, sabemos que tem Jorge Araujo ainda como um emergente). Nada a ser dito. Só a lamentar.

E essa de Cyro dispensar a presidência é para enganar tolo, como a fábula do sapo que queria ser jogado “no fogo” e não na água. Na hora H o que Cyro pretende é ser aclamado. Se não o for, lança outra academia (a terceira).

Onde Cyro de Mattos está se torna pomo de discórdia.

Itororó e o livro de Adroaldo

Chegou-nos enfim “Até o Fim dos Dias e Mais Um Domingo”, belo título que repercute em conto (Ontem Faz Muito Tempo), poesia (Dessemelhantes) e romance (Um Jardim no Fim do Mundo, título também de um dos contos de “Ontem...”). Diante da agitação causada em itororoenses buscamos a “página 157”, àquela que ocupou o debate de toda uma sessão da Casa do Povo local. Nada mais nada menos que o Capítulo 13 do romance.

Não entendemos a razão de tanta celeuma: quem critica faz uma leitura descontextualizada do expressado pelo personagem narrador, sequência da página 156: visão e referência alienada e pequeno-burguesa que norteia a província onde se ambienta o romance, parte ainda da construção inicial da descoberta do mundo e da existência sob a égide da universalidade da província que permeia o romance.

Nunca tema para sessões legislativas. Ou talvez o seja, como coisas de província!

Itororó I

adroaldoO prefeito (foto), na posse, prometeu melhora dos indicadores sociais – IDH, IDEB e o coeficiente de Gini – onde concretamente já alcançou resultado positivo (o IDEB saiu de 2,1 para 2,6 da quinta a oitava séries e de 2,5 para 2,9 da primeira à quarta, aproximando dos 4,0 prometidos).

Práxis para o “Poema Ecológico” (p. 91) do pomo da discórdia: “Não quero saber / do Mico-Leão-Dourado / Preocupa-me a extinção / do nordestino esfomeado”.

Mas, na província uma coisa é certa: escrever e publicar não se afina com administrar.

Itororó II

Nesta Sexta da Paixão certamente faltou alguém em Itororó: Valdecíria e sua voz inesquecível vivendo a Verônica em cada uma das estações na Procissão do Senhor Morto, que exercia como se fora ela a que enxugou o próprio rosto de Cristo a caminho do Gólgota.

“O vos omne...” – estará entoando na Via Crucis celeste.

Tânia Alves

Transitando, como cantora e intérprete, por uma gama de gêneros (do bolero à moda de viola) a atriz Tânia Alves aqui nos brinda com um típico samba de roda do Recôncavo, “Amor de Matar”, de Jorge Portugal e Roberto Mendes, e uma releitura de “Sonhei Que Morri”, de Francisco Lacerda, Brinquinho e Brioso (que tem gravações com Vieira e Vieirinha e Tião Carreiro e Pardinho) com as imagens de Cabaret Mineiro (1980), de Carlos Alberto Prates Correia, inspirado em texto de Guimarães Rosa, onde Tânia interpretou a moda.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoManhã de sábado, o ABC fervilhava. Entre um atendimento e outro, a chegada de Itamar Pitanga saudada pelo Cabôco Alencar com uma inusitada apresentação a quem ainda não o conhecia, apesar de freqüentador contumaz:

– Este tira a segunda via das pessoas, de dentro pra fora. Só os ossos.

Percebendo que ao citar o ilustre radiologista um cliente fazia confusão entre ele, Dr. Itamar Pitanga (médico), e Dr. Raimundo Laranjeira (juiz de Direito), esgotou o assunto e não perdeu o mote, dando as costas para abrir o frízer:

– Este ainda não bebeu e já está confundindo até as frutas!

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

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