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A Operação Lava-Jato desmascarada

Domingos Matos, 10/06/2019 | 16:34
Editado em 10/06/2019 | 16:52

Por Eugênio Aragão

Quem acompanhava as conversas internas do MPF na rede @Membros sabia, desde sempre, da descarada politização do ambiente corporativo, marcado por profunda “petefobia”, expressão que usei numa entrevista em 2011, logo após tomar posse como corregedor-geral do órgão. O tom militante e de desqualificação de quem pensava diferente era ali uma constante. Nem ministros do STF saíam incólumes, sendo alvos de chacota e caçoada. Como corregedor-geral, cheguei a mandar aviso à rede, advertindo que os deveres de urbanidade e de decoro também se aplicavam às comunicações internas.

A mim não surpreendeu o teor das mensagens trocadas por personagens da famigerada Operação Lava-Jato e o juiz de piso Sérgio Moro, por mais que choca outsiders. Essas mensagens mostram claramente a promiscuidade que prevalece na fusão das atividades de investigar, acusar e julgar nos processos dessa operação. Temos ali promotores que se portam feito meganhas é um juiz que é acusador, todos articulados num projeto político de “limpar o Congresso” e de impedir que o PT fosse vitorioso nas eleições presidenciais de 2018.

Agora que o caldo derramou e ficou provado o que muita gente desconfiava – a persecução seletiva de atores políticos – os promotores desesperados se apressam em se fazer de vítimas de “uma ação criminosa” de invasão de seus celulares usados “para comunicação privada” e “no interesse do trabalho”. Mostram revolta contra o que denominam “violação da esfera privada”.

A mim não surpreendeu o teor das mensagens trocadas por personagens da famigerada Operação Lava-Jato e o juiz de piso Sérgio Moro, por mais que choca outsiders. Essas mensagens mostram claramente a promiscuidade que prevalece na fusão das atividades de investigar, acusar e julgar nos processos dessa operação. Temos ali promotores que se portam feito meganhas é um juiz que é acusador, todos articulados num projeto político de “limpar o Congresso” e de impedir que o PT fosse vitorioso nas eleições presidenciais de 2018.

Não há, pois, legitimidade no argumento da vitimização dos procuradores e do juiz de piso pelo ataque a seus celulares. Mas, além disso, o chororô da nota do ministério público em decorrência de publicação, pelo sítio do Intercept, peca contra o princípio do “ne venire contra factum proprium” e, assim, é mais uma prova de falta de boa fé da turma da Operação Lava-Jato. É que, quando criminosamente tornaram público diálogo telefônico entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, às vésperas da posse deste no cargo de ministro-chefe da Casa Civil, procuradores e magistrado – principalmente este último – se exculparam no interesse público do conteúdo para mandar a lei às favas.

E as provas sobre conspirações de Moro e Dallagnol contra o poder legislativo que queriam “limpar” ou contra as eleições presidenciais que queriam conduzir de forma a que não se elegesse Haddad, não são elas, por acaso, de interesse público? Ainda mais quando encontradas em celulares funcionais?

Não há desculpa. Pode até ser que, na prática recorrente dos tribunais, de blindarem Sérgio Moro, digam que as conversas vazadas não servem para condenar juiz e promotores na esfera penal, mas, seguramente, elas bastam para colocar em xeque a persecução penal contra Lula e a legitimidade do pleito presidencial de 2018.

No que diz respeito à promiscuidade da relação entre o ministério público e o juiz, revelada pelo vazamento de suas comunicações, passou da hora de repensar a proximidade entre acusação e magistratura no Brasil.

Quando atuava como subprocurador-geral da república junto ao STJ e, até mesmo antes, quando atuava como procurador regional no TRF da 1ª Região, incomodava-me profundamente o nosso papel, do MPF, nas sessões, sentados ao lado do presidente, com ele podendo até cochichar, a depender da empatia recíproca. Enquanto o advogado fazia sua sofrida sustentação oral da tribuna, não raros eram comentários auriculares entre juiz e procurador. Depois, o procurador era convidado a saborear o lanchinho reservado dos magistrados, em que os casos eram frequentemente comentados. Já os advogados ficavam do lado de fora, impedidos de participar dessa festa do céu. Produzia-se, assim, a mais descarada assimetria entre a defesa e a acusação.

O argumento dos colegas era de que o ministério público ali não era parte e, sim, fiscal da lei. Façam-me rir! Do ponto de vista estritamente dogmático, essa cisão entre os papéis do ministério público é ilusória, já que o órgão se rege pelos princípios institucionais da unidade e da indivisibilidade (art. 127 da Constituição). O ministério público é sempre parte e custos legis concomitantemente. Do ponto de vista prático, são pouquíssimos os procuradores que se imbuem do papel de fiscal imparcial. O punitivismo há muito tempo transformou a grande maioria em ferrabrás mecanizada. Não raro fui criticado por meus pares de dar parecer favorável à concessão de ordem de habeas corpus contra atuação de colega em primeiro grau! “Como assim? Ministério público acolhendo ordem de habeas corpus? Não pode!!!”.

Nesse contexto, é preciso barrar essa proximidade entre promotores e juízes, tirando os primeiros do pódio do magistrado, para colocá-los no nível das partes. Nos tribunais, está na hora de tirá-los do lado do presidente. Devem ocupar a tribuna para suas sustentações e voltar a seus gabinetes depois dessa tarefa, para dar andamento aos processos sob sua responsabilidade. Não faz sentido nenhum, em plena era do processo acusatório, dar destaque ao acusador, em detrimento da paridade com os advogados.

Deltan Dallagnol mostrou o quanto é deletério, para o devido processo legal e para o julgamento justo, a confraria com Sérgio Moro. Ficavam promotor e juiz trocando figurinha sem participação da defesa. O juiz se dava o direito de palpitar na estratégia investigativa sobre crimes que depois viria a julgar e o promotor deixava o juiz “à vontade” para indeferir seus pleitos, se não combinasse com a estratégia comum. Um escândalo, tout court.

Esperam-se consequências dessas revelações, pois, muito mais do que a profunda injustiça da prisão de Lula por uma condenação “arreglada” entre magistrado e acusação, estamos diante de evidências de manipulação eleitoral. Ou o país tira lições dessa atuação criminosa de atores judiciais, ou pode sepultar sua democracia representativa, porque já não haverá mais respeito pelas instituições que devem protegê-la.

Eugênio Aragão - Procurador da República aposentado e ex-ministro da Justiça do Governo Dilma

Decreto da Nova Ceplac prioriza projetos e parcerias na cadeia produtiva do cacau

Domingos Matos, 03/01/2019 | 13:20

Após mais de seis meses de estudos, foi aprovada ontem (2), em forma de decreto presidencial, a configuração da nova estrutura organizacional da Ceplac. A “Nova Ceplac” foi mantida como órgão singular, porém com um viés mais voltado para a pesquisa e extensão por meio de projetos e parcerias. É o que se destaca no decreto nº 9.667, de 2 de janeiro de 2019 (veja aqui), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Ainda foi mantido o conteúdo da Medida Provisória 870, assinada e publicada dia 01.01.19.

Foram criados ainda cinco novos cargos, vinculados à Diretoria, em Brasília, que vão cuidar exclusivamente dos projetos e parcerias dentro da cadeia produtiva, voltados para a pesquisa e extensão, vocacionados à sustentabilidade, por meio de sistemas agroflorestais em todo o Brasil.

A consultoria contratada pela Ceplac identificou as potencialidades do órgão, bem como suas fragilidades, em um longo estudo, que já começa a apresentar os resultados. Em relação às superintendências, apontou diversas soluções, porém não recomendou o aumento de cargos.

De acordo com o diretor geral da Ceplac, Juvenal Maynart (foto), “os produtores estão na expectativa de um novo momento para o mercado de cacau e chocolate, especialmente a partir da legislação criada em torno da Ceplac, que deve possibilitar a chegada de projetos consistentes para resolver o problema da baixa produtividade em algumas regiões, enquanto tratam da questão das dívidas em outras frentes”.

 

Prefeitos elegem presidência do Consórcio de Saúde no Sul da Bahia

O Consórcio vai coordenar as atividades da Policlínica Regional de Saúde de Itabuna

Domingos Matos, 24/08/2018 | 15:00
Editado em 24/08/2018 | 16:49

O prefeito de Almadina, Milton Cerqueira e o prefeito de Itajuípe, Marcone Amaral foram eleitos presidente e vice-presidente, respectivamente, do Consórcio Público Interfederativo de Saúde que envolve a participação de 30 municípios do interior do Estado. O ato aconteceu na tarde desta quinta-feira, 23, na sede da Associação dos Municípios da Região Cacaueira – Amurc e foi conduzida pelo coordenador dos consórcios de saúde da Bahia, Nelson Portela.

A ação conta com o apoio e a articulação da entidade municipalista, que desde o ano passado, vem reunindo e orientando prefeitos e secretários de saúde dos municípios para a criação do Consórcio e a futura instalação da Policlínica, prevista para o primeiro semestre de 2019, em Itabuna. Para o presidente da Amurc e prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, “o ato representa um grande passo para dirimir demandas existentes nos municípios, nas áreas de Média e Alta Complexidade”.

O Consórcio vai coordenar as atividades da Policlínica Regional de Saúde de Itabuna e vai atender os municípios consorciados: Almadina, Arataca, Barro Preto, Buerarema, Camacan, Canavieiras, Coaraci, Firmino Alves, Floresta Azul, Gongogi, Ibicaraí, Ibirapitanga, Ilhéus, Itabuna, Itacaré, Itajú do Colônia, Itajuípe, Itapé, Itapitanga, Itororó, Jussari, Maraú, Mascote, Pau Brasil, Potiraguá, Santa Cruz da Vitória, Santa Luzia, São José da Vitória, Una, e Aurelino Leal.

A população dessas localidades terão acesso a uma variedade de especialidades médicas, a exemplo de angiologia, cardiologia, endocrinologia, gastrenterologia, neurologia, ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia/obstetrícia, mastologia e urologia. Diversos exames também serão oferecidos, com destaque para os seguintes: ressonância magnética, tomografia, mamografia, ultrassonografia com doppler, ecocardiografia, ergometria, mapa, holter, eletroencefalograma, entre outros.

O presidente eleito, Milton Cerqueira falou em democracia, e que todos os municípios terão igualdade de participação no consórcio para definir as demandas da Policlínica e “acolher a população da nossa região, que sofre muito com a saúde”. Já o prefeito Marcone declarou que, junto com o presidente, estará visitando outras regiões do Estado para conhecer o modelo de funcionamento e a estrutura de Consórcio e das Policlínicas Regionais.

 

Decreto da Nova Ceplac prioriza projetos e parcerias na cadeia produtiva do cacau

Domingos Matos, 02/01/2018 | 11:00
Editado em 03/01/2019 | 13:32

Após mais de seis meses de estudos, foi aprovada ontem (2), em forma de decreto presidencial, a configuração da nova estrutura organizacional da Ceplac. A “Nova Ceplac” foi mantida como órgão singular, porém com um viés mais voltado para a pesquisa e extensão por meio de projetos e parcerias. É o que se destaca no decreto nº 9.667, de 2 de janeiro de 2019 (veja aqui), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Ainda foi mantido o conteúdo da Medida Provisória 870, assinada e publicada dia 01.01.19.

Foram criados ainda cinco novos cargos, vinculados à Diretoria, em Brasília, que vão cuidar exclusivamente dos projetos e parcerias dentro da cadeia produtiva, voltados para a pesquisa e extensão, vocacionados à sustentabilidade, por meio de sistemas agroflorestais em todo o Brasil.

A consultoria contratada pela Ceplac identificou as potencialidades do órgão, bem como suas fragilidades, em um longo estudo, que já começa a apresentar os resultados. Em relação às superintendências, apontou diversas soluções, porém não recomendou o aumento de cargos.

De acordo com o diretor geral da Ceplac, Juvenal Maynart (foto), “os produtores estão na expectativa de um novo momento para o mercado de cacau e chocolate, especialmente a partir da legislação criada em torno da Ceplac, que deve possibilitar a chegada de projetos consistentes para resolver o problema da baixa produtividade em algumas regiões, enquanto tratam da questão das dívidas em outras frentes”.

 

Advogados revelam real dono do tríplex

Alegações finais da defesa do ex-presidente mostram julgamento político do ex-presidente Lula

Domingos Matos, 20/06/2017 | 10:12

Cristiano Zanin Martins* 
Valeska Teixeira Martins*

As alegações finais da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no famoso caso do "tríplex do Guarujá", que apresentamos nesta terça (20), demonstram sua inocência, que se assenta sobre prova real e palpável. A absolvição é o único resultado possível da apreciação racional, objetiva e imparcial da prova encartada aos autos. Nesta terça podemos apontar o real dono do imóvel.

O apartamento 164 A, do edifício Solaris, está em nome da OAS Empreendimentos S/A, mas, desde 2010, quem detém 100% dos direitos econômico-financeiros sobre o imóvel é um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal. Nada vincula Lula ao imóvel, onde esteve uma única vez, em 2014, como potencial interessado em sua aquisição. Jamais teve as chaves, o uso, gozo ou disposição da propriedade.

Prova da anomalia jurídica que envolve esse caso, em que a presunção de inocência é solenemente violada, foi a defesa que investigou os fatos, destrinchando, após diligências em vários locais do país, essa operação imobiliária executada pela construtora. O resultado afasta a hipótese da acusação.

É inverossímil a conexão entre o ex-presidente e as supostas vantagens ilegais advindas de contratos firmados entre a OAS S/A e a Petrobras. O Ministério Público Federal não fez a prova de culpa que lhe cabia.

Ao depor ao juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba e omitir a cessão integral dos direitos econômicos do tríplex, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, produziu uma farsa para negociar benefícios penais com a acusação. O que o réu admitiu foi uma realidade pré-fabricada. A mentira tinha o objetivo de incriminar Lula e fazer vicejar a fábula do "caixa geral de propinas", ficção contábil sem lastro nos fatos.

Criou-se um "contexto" de "macrocorrupção" com um "comandante" como forma de amplificar o foco de corrupção apurado em 2014, mas o MPF não "seguiu o caminho do dinheiro" pela impossibilidade de provar sua tese.

A ficção é produto de desconhecimento do organograma federal e do complexo sistema de controle interno e externo da Petrobras, incluindo a fiscalização da CGU de Jorge Hage. Como se fosse possível a Lula e a aliados corromper uma estrutura composta por milhares de pessoas, ignorando, ainda, que a Petrobras atende exigências de leis internacionais, como a da Sarbanes-Oxley (SOX), dos EUA, além das fiscalizações internas a que está submetida, como depôs o executivo Fábio Barbosa.

A tese da "propinocracia" nem cabe nos autos. A usurpação da competência pelos procuradores de Curitiba é uma afronta ao Supremo Tribunal Federal.

Esse é um julgamento político com verniz jurídico, um autêntico "trial by mídia", sob a égide de violações e ilegalidades. O inquérito, instaurado em 22/7/2016, tramitou de forma sigilosa até dois dias antes do indiciamento, a despeito dos pedidos de acesso da defesa. O cerceamento sempre esteve presente. A acusação que o MPF imputou a Lula abusou de hipóteses, para atingir sua inconteste liderança política.

O "enredo Lula" foi transformado em "produto comercial", que hoje vende de filmes a palestras em eventos até de cirurgia plástica, como a que fez o procurador Deltan Dallagnol, defensor da teoria "explacionista" e expositor do polêmico Power Point sobre a peça acusatória inaugural em 14/9/2016.

Quanto ao acervo presidencial não há qualquer conduta imputada a Lula na denúncia, buscando-se atribuir a ele responsabilidade penal objetiva incompatível com o Estado de Direito. Como os bens, embora privados, integram o patrimônio cultural brasileiro, segundo expressa disposição legal, o próprio ordenamento jurídico estimula o auxílio de entidades públicas e privadas na sua manutenção.

Se o inquérito inicial tivesse sido conduzido de forma correta e sem verdades pré-estabelecidas, o dono do tríplex teria sido identificado na origem, evitando gastos públicos com um processo descabido, além de proteger as reputações envolvidas. Optou-se por repetir à exaustão a mentira. A explicação para tamanha violação está no "lawfare", que busca propiciar meios para a inelegibilidade de Lula. O objetivo é destruir os 40 anos de vida pública desse trabalhador, que governou o Brasil e foi reconhecido mundialmente por liderar o maior combate à pobreza já visto.

Artigo originalmente publicado na Folha de S. Paulo na edição desta terça-feira (20)

*Cristiano Zanin Martins é advogado de Lula, especialista em direito processual civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é sócio do escritório Teixeira, Martins & Advogados

*Valeska Teixeira Martins é advogada de Lula, é membro efetivo da comissão de direito aeronáutico da OAB de São Paulo e sócia do escritório Teixeira, Martins & Advogados

Por que querem me condenar

Domingos Matos, 18/10/2016 | 10:11
Editado em 18/10/2016 | 10:12

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma "organização criminosa", e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que "não há fatos, mas convicções".

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do "chefe", evidenciando a falácia do enredo.

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA foi presidente do Brasil (2003-2010). É presidente de honra do PT (Publicado inicialmente na Folha de S. Paulo)

Nova política: PF diz que corrupção financiou campanha de Campos e Marina

Domingos Matos, 21/06/2016 | 16:07
Editado em 21/06/2016 | 16:08

O esquema criminoso investigado na Operação Turbulência, deflagrada nesta terça-feira (21), pode ter financiado a campanha de reeleição do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em 2010, segundo a Polícia Federal. Também teria envolvimento com a compra do avião Cessna Citation que caiu em Santos (SP), em agosto de 2014, causando a morte do presidenciável.

"O esquema foi utilizado para pagar propina na campanha do governador”, afirmou a delegada federal Andrea Pinho, durante entrevista coletiva no Recife.

A operação teve início com investigações sobre a compra do avião, logo após o acidente que matou Campos e outras seis pessoas, mas chegou a um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado até R$ 600 milhões, segundo a PF. Esse montante seria alimentado por recursos de propinas e usado por firmas de fachada e sócios “laranjas” para fazer a lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal investiga, agora, a relação entre essas empresas citadas na Turbulência – que não tiveram os nomes divulgados – e grupos já envolvidos na Operação Lava Jato e em investigações que estão no Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação prendeu nesta terça-feira quatro empresários suspeitos de integrar a organização criminosa e se beneficiar dela – João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira. Todos foram levados para a sede da PF, no Recife.

Para justificar a prisão, a PF faz a relação entre as empresas deles e o avião usado pela comitiva de Eduardo Campos. Mello Filho afirma ser o dono do avião que caiu e causou a morte do ex-governador de Pernambuco durante a campanha presidencial de 2014. A PF verificou o envolvimento de empresas de fachada na compra da aeronave.

Via G1.com

Muito barulho por... nada(!?) - Temer não pode nomear ministros!

Domingos Matos, 30/04/2016 | 23:06

Por Jorge Rubem Folena de Oliveira (via Jornal GGN)

Na hipótese de o Senado Federal aceitar o pedido de abertura do processamento de impeachment da Presidenta Dilma Roussef,  é necessário esclarecer à opinião pública que:
 

  1. Dilma Roussef não deixará de ser a Presidenta da República Federativa do Brasil, pois o que terá início é somente o julgamento  do pedido de seu afastamento do cargo, pelo Senado Federal, sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal (artigo 52, I e seu parágrafo único da Constituição). Esse afastamento deverá ocorrer em respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência (artigo 5.º, LIV e LV e LVII, da Constituição).
  2. Aceito o prosseguimento do processo de impeachment, inicia-se o julgamento, durante o qual a Presidenta da República apenas ficará suspensa das suas funções(artigo 86, parágrafo 1.º , II, da Constituição). Ou seja, a Constituição não diz que o seu governo estará destituído. O governo eleito permanece, com os ministros nomeados pela Presidenta, que devem permanecer até o julgamento final do processo de impeachment. Da mesma forma, a Presidenta da República deverá continuar ocupando os Palácios do Planalto e da Alvorada, de onde somente deverá sair se o Senado Federal vier a condená-la. Sendo certo que a Presidenta retomará as suas funções, caso o Senado não a julgue em até 180 dias (art. 86, parágrafo 2.º, da Constituição Federal).
  3. As funções e atribuições do Presidente da República estão previstas no artigo 84 da Constituição Federal e dentre elas constam: nomear e exonerar ministros de Estado; iniciar processo legislativo; sancionar leis, expedir decretos, nomear ministros do Tribunal de Contas etc.

Prestados estes esclarecimentos, é importante salientar que o vice-presidente da República somente substituirá o presidente no caso de seu impedimento ou o sucederá em caso de vacância do cargo presidencial. Além disso, o vice-presidente auxiliará o presidente quando convocado por este para missões especiais. É o que dispõe o artigo 79 da Constituição Federal. Suspensão de atribuições não implica impedimento ou sucessão por vacância. São três hipóteses distintas.
 
Ora, o impedimento presidencial somente ocorrerá caso haja condenação  por  2/3 dos Senadores da República, depois de concluído todo o devido processo legal; só então se dará a hipótese  da perda do cargo, com a inabilitação, por 8 anos, para o exercício de função pública. (Artigo 52, parágrafo único)
 
A substituição do(a) presidente(a) da República somente ocorrerá no caso de condenação definitiva no processo de impeachment (depois de esgotadas todas as etapas do impedimento) e em caso de vacância por morte ou renúncia.
 
Ressalte-se que impedimento não é a mesma coisa que suspensão das funções, pois esta não tem o condão de retirar o status de presidente da República.
 
Portanto, o vice-presidente somente sucederia a presidenta Dilma, e só então poderia constituir um novo governo, nos casos de condenação definitiva por impeachment (impedimento), ou havendo vacância por morte ou renúncia.
 
Fora disto, não existe possibilidade constitucional de o vice-presidente constituir um novo governo, com a nomeação de novos ministros, na medida em que o Brasil ainda tem uma Presidenta eleita pela maioria do povo brasileiro, que apenas estará afastada das suas funções para se defender das acusações no Senado Federal.
 
Então, o que vem sendo veiculado pela imprensa tradicional é mais uma tentativa de implantar o golpe institucional no Brasil, com o estabelecimento de um ilegítimo governo paralelo. Assim, por meio de factóides, tem sido anunciado que o vice-presidente nomeará ministério e já teria um plano de governo, anunciado em 28 de abril de 2016, que não procura esconder seus objetivos de redução dos direitos trabalhistas e previdenciários, além de cortar programas sociais, como o Bolsa família.
 
Sendo assim, claro está que o vice-presidente não tem atribuição para instituir novo governo nem nomear ou desnomear ministros de Estado e, desta forma, deverá se limitar a aguardar, em silêncio e com todo o decoro possível, o resultado final do julgamento do impedimento, no Palácio do Jaburu, sua residência oficial.
 
Jorge Rubem Folena de Oliveira é advogado constitucionalista e cientista político

PT e PMDB firmam pacto de convivência a ser seguido após eleições de 2012

Domingos Matos, 28/12/2011 | 22:34
Editado em 28/12/2011 | 22:36

O PT e o PMDB firmaram nesta terça-feira (27) em almoço informal dos líderes das duas bancadas na Câmara — Paulo Teixeira (RS) e Henrique Eduardo Alves (RN) — um pacto de convivência a ser seguido pelas duas legendas após as eleições municipais de 2012.

Pelo acordo, as disputas para as prefeituras no ano que vem não deverão estremecer o relacionamento entre os dois partidos no Congresso, o que atrapalharia a governabilidade no plano federal, nem provocaria um distanciamento na parceria para 2014.

Henrique Eduardo Alves disse que “os dois partidos têm um candidato comum, que é a presidente Dilma e estão juntos desde já no mesmo projeto. Não há por que nos contaminar por conta das disputas do ano que vem”.

O PMDB tem confirmado candidatos em 22 capitais e o PT, em 20. Se analisadas os maiores colégios eleitorais do país, a primazia troca de mãos, com 10 candidatos petistas e oito peemedebistas. O PMDB é o maior partido do país, com 1.203 prefeitos e pretende se manter na dianteira para mostrar a presidente Dilma que deve permanecer no condomínio presidencial em 2014.

Já o PT elegeu 558 prefeitos e após fiascos anteriores quando estabelecia metas de vitória que sempre ficavam abaixo dos resultados obtidos nas urnas, desistiu de fazer prognósticos. Informalmente, pretende chegar a 700 administrações municipais.

Na conversa, ficou definido que a parceria entre os dois partidos será tentada em todas as disputas em que isso for possível. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PT já anunciou que vai apoiar a reeleição de Eduardo Paes (PMDB).

Onde isso não for possível, os dois partidos tentarão manter os níveis de civilidade para que as disputas não respinguem no plano federal. “Apesar de algumas desavenças, a convivência ao longo deste ano foi bastante proveitosa”, disse Henrique Alves. (Com informações do Correio Braziliense).

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 11/12/2011 | 13:10
Editado em 11/12/2011 | 13:54

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Até que enfim!

carta capitalFalamos dele ainda no curso da campanha presidencial de 2010. O livro de Amaury Jr, “A Privataria Tucana”, desnuda o escândalo que foi o processo de privatizações no período de FHC. José Serra, dentre outros (inclusive filha e genro), é ponto alto do livro. Com Daniel Dantas pagando propinas aos tucanos.

Detalhes da pesquisa e documentos que embasam a publicação estão na CartaCapital que circulou na sexta 9.

Sobejos motivos

Coincidências ou não, enquanto a edição de CartaCapital chegava às bancas com a matéria, FHC cancelava a noite de autógrafos que faria para o lançamento de “A Soma e o Resto” na mesma sexta, em São Paulo.

Não sabemos se temeu que algum repórter “inconveniente” de uma dessas revistas não menos “inconvenientes” perguntasse sobre o assunto, motivado pelo fato de Eduardo Jorge, então seu assessor direto no Palácio do Planalto, ser “personagem” do livro.

E – quem sabe? – resolvesse avançar sobre aqueles 400 milhões gastos na Feira de Hamburgo sob controle do filho de FHC.

Outros tempos

sophiaPara os que somos do tempo em que o corpo da mulher era valorizado pelas formas e não pelos requebros. Violão, silhueta em 8, ampulheta ou “cintura de pilão”, como cantou Luiz Gonzaga em “Cintura Fina” (Zé Dantas-Luiz Gonzaga).

Para qualquer conceito, a Sofia Loren, de priscas eras.

Ferradas como destino

Geraldo Simões está coberto de razões quando defende a instalação do campus itabunense da Universidade Federal do Sul da Bahia-UFESBA às margens da BR-415, mais precisamente no entorno de Ferradas.

Todas as virtudes espaciais orientam a instalação para aqueles limites. A começar pela expansão do perímetro urbano de Itabuna passando pela contribuição ao desafogamento do trânsito na cidade.

Conversa sem prumo I

O município de Itabuna, por outro lado, precisa definir entre se aproveitar concretamente da oportunidade histórica de sediar a universidade ou favorecer municípios vizinhos, como o de Buerarema, mais beneficiado que Itabuna caso se desloque o campus para o eixo da BR-101 sentido Macuco.

A sociedade precisa encampar a luta para que o campus fique efetivamente em Itabuna e beneficie esta terra com o máximo que possa oferecer.

Conversa sem prumo II

A discussão sobre o local a ser doado pelo município de Itabuna ocorre praticamente às escondidas, na sede do poder. A sociedade não tem acompanhado os seus termos, tampouco os aspectos técnicos que a norteiam.

Todos sabemos que se encontra em andamento a duplicação da BR-101. Nenhum de nós será ingênuo para imaginar que o trajeto da rodovia respeite o traçado original, nos limites itabunenses.

Lógico que contornará o perímetro urbano de Itabuna. Para tanto respeitará não só a zona urbana propriamente dita como a zona de expansão urbana, aquela aprovada por lei municipal visando oferta de áreas para construções que avançarão para além dos atuais limites da cidade.

Também é crível que não chegaria ao absurdo de contornar o perímetro itabunense fazendo-o pela margem esquerda da rodovia, no sentido Norte-Sul.

Assim, não tenhamos dúvida de que a duplicação da BR-101 se desviará, nos limites de Itabuna, em local um pouco além de Ferradas, onde surgirão novo cruzamento e viaduto sobre a BR-415, no trajeto que se estenderá até o reencontro com o traçado original, para além do posto da Polícia Rodoviária Federal.

A solução

Há um grupo de proprietários rurais no entorno de Ferradas disposto a doar em torno de 100 hectares para a instalação do campus da UFESBA. Dentre eles o médico Antônio Mangabeira e os empresários Helenilson Chaves e Nilsinho Franco.

Estranha que a Prefeitura não tenha ainda ido ao encontro dessa solução, a custo zero para o município, utilizando-se, inclusive, do espaço programado para a instalação do Centro Industrial de Itabuna-CITA, desenvolvido na administração de José Oduque Teixeira (1973-1977).

Necessidade

O assunto não pode ser discutido sem a presença concreta da sociedade itabunense. A conquista da UFESBA tem que ser aproveitada para beneficiar Itabuna o mais concretamente possível.

Se há esse grupo de “doadores” em potencial, de visão privilegiada e futurística, não pode a administração municipal caminhar pela contramão da realidade.

Especialmente quando nada custará ao erário municipal.

Saulo Pontes

Estes poucos detalhes e mais aqueles necessários à compreensão do traçado da rodovia, aliado ao projeto viário que exige o complexo intermodal para desafogar os perímetros urbanos de Itabuna e Ilhéus, podem ser trazidos a lume pelo engenheiro Saulo Pontes, ex-diretor do DNITT na Bahia e atual diretor do DERBA.

Por sinal, a única pessoa que temos como suficientemente informada sobre o assunto.  

Abobrinhas I

Engenharia política não ocorre às claras. O PFL tornado DEM continua sofrendo reveses, acelerando a perda de sua densidade eleitoral e queda no imaginário político-eleitoral do país. A extinção da legenda, nos atuais termos (ou seja, com os atuais componentes) já é admitida por lideranças. O PSD acelerou o processo.

Apesar de negado, o ingresso de ACM Neto no PMDB pode ocorrer. Se não em 2012, mas em 2013. Levará todas as prefeituras conquistadas sob seu comando.

Abobrinhas II

Uma aliança DEM-PMDB não pode ser descartada em 2012 na Bahia. A oposição local, em cada município, é problema da situação/governo da Bahia. O argumento de que o fato de o PMDB integrar a base do governo Dilma asseguraria o apoio do PMDB ao PT baiano nas eleições municipais seria admitir a renúncia de lideranças, como Gedel, se articularem para projetos maiores, já ensaiados, como a governança do Estado logo em 2014.

Abobrinhas III

O PMDB baiano é parcela do PMDB nacional, sim. No entanto, interessa ao governo federal o PMDB como um todo na base de sustentação política, ou seja, em nível do Congresso Nacional. Lutas intestino-provincianas, se não afetam ou fraturam a base de sustentação na Câmara Federal e no Senado, ficarão no que são: briga de quintal particular.

Marcar posição, em 2012, com um projeto que não assegura futuro, não interessa à arquitetura em andamento. Melhor marcar posição. Ainda que apoiando outra candidatura.

Assim planejam as lideranças acima das municipais.

Quem não concordar encontra a desfiliação como solução. Que não afetará o partido caso vença eleição.

Feio mesmo é perder. Essa a lição mais antiga em política.

Pensar na política em sede municipal fica no âmbito da utopia. Como falar de abobrinhas.

A propósito da proposta de Ramiro I

A função da comunicação e do jornalismo, ainda que não fosse levada sob o trilhar da ética, é não somente reproduzir o que lhe chegue às mãos. Mas, filtrar a informação de forma que possa contribuir para o contexto social. Isso não está fora dos alfarrábios do jornalismo.

A visão de que o “mercado” determina a informação leva aos absurdos que vivenciamos.

Tanta miséria e tanta desgraça alimentam mais miséria e mais desgraça. E não precisamos de leituras de autoajuda para compreender isso.

A propósito da proposta de Ramiro II

Montaigne (1533-1592), humanista e filósofo francês, questionou a fama. Para o escritor, tido como pai do ensaísmo, a maior glória para ele era viver tranqüilo. Isso se opunha à fama, ou a glória aos olhos alheios. Que dizer dos que buscam 15 minutinhos dela, para lembrar Andy Warhol? E por cima, explorando a miséria alheia?

“Que sei eu”, dizia-o sob invocação socrática, para especular o homem como um todo no convívio social.

No entanto, no teatro do mundo moderno, a verdade que nos chega através do jornalismo sensacionalista e imediatista, alimento da fama efêmera, torna-se mendicância da informação e negação do homem como ser.

Ainda que estejamos no limiar de uma nova Era.

Crueldade I

Um cidadão sentou-se para almoçar em uma churrascaria de Itabuna, na segunda 5, e como a televisão estava ligada pediu que fosse sintonizada na TV Santa Cruz, para ouvir o noticiário local.

As várias matérias do primeiro bloco, à exceção de uma só notícia, mostraram cenas de matadouro e açougue, não dispensando nem mesmo rajas de sangue fresco dentro de uma ambulância.

De vomitar e tirar o apetite!

Crueldade II

E nos veio à mente nosso rodapé Exemplo a ser seguido (de 4 de dezembro), “As más notícias, algumas necessárias, não podem se sobrepor às boas”, na mensagem de Ramiro Aquino no seu “Ramiro na Squina”, no Diário Bahia daquele fim de semana.

Uma salutar ideia para reduzir tanta crueldade.

Eduardo Anunciação

eduardoEduardo recebe reconhecimento em Ilhéus, que o outorga com o título de “cidadão ilheense”. Em Itabuna, só cobrança. Na praieira, não precisou de décadas para merecer reconhecimento.

A indigência ainda permeia as coisas ou, se muito otimista, muitas coisas em Itabuna.

Por aqui falta espaço para tanto ego.

Centro de excelência

Não encontrou o destaque merecido a retomada das cirurgias de transplantes renais no Calixto Midlej.

A não ser na lembrança de Dr. João Otávio em sua coluna (Cotidiano) no Diário Bahia deste fim de semana.

Planejamento tardio

azevedo curitibaAzevedo quer Jaime Lerner elaborando projetos urbanísticos para Itabuna. Para uma administração que ainda não definiu quem efetivamente comanda a gestão municipal, tantos os interesses particulares em jogo, a pretensão começaria por indagar quem controlará essa revolução. E para quando.

A companhia que teatralizou a visita a Curitiba bem ilustra a dimensão da iniciativa. Já registrada em foto para a posteridade.

E pela história de suas ações na gestão pública remete a uma ópera bufa.

Bola de cristal

Como a gestão está prestes a findar-se (mais um ano) e não há possibilidade de estudos viabilizarem a execução de projetos ainda no atual mandato do alcaide, das duas uma: ou Azevedo está planejando “para o futuro” (o que não fez ainda para o presente) ou está certo da reeleição.

Desvio de função

Dra. Sara Mandra Russioleli, Procuradora de Justiça do Estado da Bahia, advertiu políticos regionais, incluindo a nominação de dois prefeitos (José Nilton Azevedo, de Itabuna e Newton Lima, de Ilhéus), no sentido de melhor administrarem a coisa pública. Para ela, dentre as que tiram “leite de criancinhas” e que “precisam ter mais seriedade com a gestão pública municipal”.

Dentre as funções do Ministério Público está a fiscalização da gestão no que concerne à defesa dos interesses da coletividade. A instauração de procedimentos apuratórios, amparados em justa causa, viabilizam medidas judiciais.

Parece-nos que, por dever de função, mais cabia à ilustre titular do parquet estadual peticionar contra os gestores e não apenas nominá-los.

Devendo I

O jornal “A Região” deste fim de semana estampa em manchete de capa a informação de que o “Mapa da Corrupção do MPF inclui 25 de Itabuna e Ilhéus”. O texto (p. 9) declina os nomes dos ex-prefeitos Fernando Gomes e  Jabes Ribeiro e o atual gestor de Ilhéus Newton Lima.

Em Itabuna, ainda segundo o jornal, há “ações contra ex-diretores do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, ex-secretários municipais, ex-diretores de fundações e empresários”.

A matéria faz referência a vários processos, enumerando-os, dando a entender ter tido acesso a eles.

Devendo II 

Como citou nominalmente Fernando Gomes, Jabes Ribeiro e Newton Lima o jornal deixou um gostinho no leitor de saber quais os itabunenses “ex-diretores” do HBLEM, “ex-secretários municipais” e “ex-diretores de fundações”. Sem esquecer dos “empresários”.

Ficou devendo. Os nomes ou as explicações por não publicá-los.

Um e outro

Dois instantes, em muito diversos, encontram-se e afinam-se na singularidade do domínio do instrumento e na espontaneidade das execuções: a forma inusitada de tocar de Ronie Moipolai, de Botswana, com “Baloi”, e o guitarrista Jeff Beck, da Inglaterra, com “She’s a woman” (Lenon-MacCartney).

Cantinho do ABC da Noite

cabocoRecife tinha em Gilberto Freire o “Mestre de Apipucos”, Itabuna, em Alencar Pereira, o “Mestre do ABC”. Fonte de compreensão do semelhante a partir de suas tiradas, quase sempre centradas na análise do comportamento humano que o circunda, buscando eliminar idiossincrasias e preconceitos.

Como ocorreu no ABC da Noite naquela manhã sabática, quando o cidadão humilde, petista reencontrado cidadão pelas políticas sociais do governo federal, invadiu a seara abecedarina fortalecida naquele instante de oposicionistas, anunciando-se arauto do futuro com o expressar:

– Eu voto no PT – declarou desafiador, enquanto fazia o sinal/ritual do pedido (aproximar o indicador do polegar), ainda no batente:

– Ora, deixe de política! – interrompe um dos que ocupam o espaço e queria ver a reeleição de Lula ir às favas.

Incontinente interveio Alencar, peremptório, em defesa da liberdade de expressão abecedarina e conciliando em torno da filosofia que norteia o local:

– Você está no ABC, pode usar qualquer letra do alfabeto.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 07/11/2011 | 12:53
Editado em 07/11/2011 | 12:57

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Para ler e meditar

crime imprensaDisponível o livro de Palmério Dórea e Mylton Severiano, “Crime de Imprensa”, a partir da postura da imprensa nacional (leia-se PiG) no curso da eleição presidencial de 2010, onde não faltará análise em torno da famosa bolinha de papel que caiu meteoro de chumbo sobre a cabeça de José Serra no Rio de Janeiro (com direito a perícia de Molina).

A obra, que está sendo distribuída e pode ser adquirida pelo sítio da Plena Editorial, traz prefácio de Lima Barreto, e mostra como a linha editorial não mudou muito de Getúlio para cá.

Linchamento I

Não nos dispomos a proselitismos em torno do tema ou de defesa do personagem central, mas a entrevista do ex Ministro Orlando Silva ao Canal Livre da Bandeirantes no domingo 30 insere-se dentre os mais nocivos exemplos de jornalismo, traduzida a linha editorial da empresa na pessoa de Fernando Mitre. Faca entre os dentes em interpretações grosseiras, interrupções quando respostas estavam em andamento, cobranças insensatas deturpando o que devia constituir objetivo da entrevista: esclarecer a opinião pública.

A imagem dos entrevistadores beirava a insanidade; salivavam, aproximando-se de personagens dignos de figurar em filmes de terror e assombração.

Linchamento II

Ainda que o ex ministro afirmasse e reafirmasse ter sido ele quem pediu a instauração de tomada de contas para que o seu “denunciador” devolvesse o dinheiro surrupiado do Ministério e que cancelara convênios que apresentavam irregularidades, quando por aí enveredava era interrompido com outra acusação.

Chegou-se ao desplante de praticamente exigir que o ex ministro afirmasse que o Governo Federal é um mar de lama.

“Mar de lama”, a expressão exaustivamente repetida, nos fez lembrar Carlos Lacerda e a UDN contra Vargas.

Nessa seara só faltou o Boris Casoy e os antigos companheiros do CCC – comando de caça aos comunistas.

Ainda que desafiados a apresentar uma só evidência não o fizeram. Insistiam na existência do “mar de lama”.

Linchamento III

Desrespeito e falta de educação, o mínimo que se pode aplicar à conduta dos entrevistadores.

Entrevistas deste jaez fazem de refém o entrevistado, sofismado em perguntas para que responda o que querem os entrevistadores. Mais para sessão de tortura.

Angustia e entristece saber-se da existência deste “jornalismo”. Para ser analisado por “Gastão, o vomitador”, do Pasquim.

Ou, parodiando uma lição de Groucho Max: quando ligarem a televisão na sala em programas tais, melhor ir para o quarto ler um livro.

A que ponto chegamos

A viseira da paixão leva a bessinhaeste absurdo: ler-se em certos órgãos da imprensa certa “alegria” com a doença de Lula, a ponto de o próprio Fernando Henrique Cardoso manifestar-se contrariamente ao gáudio destes pobres de espírito. Mas não deixa de ser um reconhecimento ao próprio Lula. Se o temem, alguns mesmo ansiando para que se vá de vez, é porque representa algo concreto, que incomoda.

Quando retornar virá com mais força. Afinal, o herói “venceu o câncer (morte)”. Estará assim como o lendário de Hispânia Rodrigo Diaz de Vivar “Cid, o campeador”, do século XI, traduzido para o cinema sob direção de Anthony Mann em 1961.

A morte fica por conta da mesquinhez de alguns tucanos ditos jovens, lá do PSDB de Santo André. Muito a ver com aquele jornalismo que se aproxima do esgoto e do lixo como beleza textual.

pig missaFoco desviado

Há uma intensificação da defesa do Porto Sul, sinalizando-o como o grande instrumento para redenção regional. Textos veiculados em jornais, televisão e outdoors traduzem essa dimensão. A considerar-se a tônica ofertada ao porto parece ser ele o único elemento em evidência dentro dos investimentos planejados e programados para esta região.

Na realidade, caso houvesse de ser considerado apenas o porto, dito projeto mais atenderia o sistema empresarial e financeiro que dele espera uma solução para muitos de seus interesses, dentre eles: redução de custo de exportação, caminho mais curto entre o Brasil e os países importadores de matérias-primas etc..

Sob esse prisma, seria o porto tão somente o ponto de escoamento de uma produção veiculada através da Oeste-Leste.

O intermodal

Progresso haveria com o novo porto, ainda que fosse o único investimento. Mas, terá a ele atrelado a ferrovia Oeste-Leste, esta a razão da existência do porto.

No entanto o conjunto da obra envolve um aeroporto internacional e a reformulação completa da malha rodoviária regional.

Por que, então, não se fala de tudo? Afinal, o complexo intermodal é porto, aeroporto, ferrovia e redimensionamento da malha rodoviária.

Saúde

Esse será o mote e o mantra do candidato Azevedo: os problemas da saúde em Itabuna são culpa do Estado, que lhe tomou a municipalização plena e lhe nega o retorno.

Deixa o Estado num beco sem saída: ou alimenta o discurso mantendo a negativa ou concede a plena e favorece o discurso de que o prefeito tinha razão e estava apenas sendo perseguido.

Temas sensíveis

A saúde sempre é ponto nevrálgico em qualquer campanha política, seja em nível, federal, estadual ou municipal.

Em que pese a municipalização efetivada por Geraldo Simões, dando firmes sinais de efetiva melhoria do sistema em favor da população, sustentou-se Fernando Gomes em 2004 em duas vertentes: emprego e saúde. E o povo lhe deu razão (sem reconhecer a oportunidade que estava vivenciando), tanto que o elegeu.

Saúde e emprego são temas recorrentes, sempre factíveis de tocar e sensibilizar o eleitor. De repercussão imediata.

Ao que parece, perde força o tema emprego e muito avança o da segurança. Por coincidência, constitucionalmente a competência recai sobre o Estado quanto à visibilidade.

O município se exime de responsabilidades

Azevedo ao firmar que o caos na saúde e na segurança é causado pelo Estado joga na mesa as cartas e o desafio que o PT (como adversário local) e o Estado não terão como explicar a contento. A segurança, que não é problema de competência municipal, e sim estadual; e a saúde, que está (no discurso) em mãos do Estado.

Ainda que a atenção básica o seja do município, de atuação próxima e imediata, constrói-se o palco para o grande “drama” (aqui a expressão lembra o melodramático teatro circense que existiu até os anos 60 e início dos 70 do século passado e seus clássicos: “A louca do jardim”, “O ébrio” etc.).

A discussão do que é atenção básica (de responsabilidade do município) e média e alta complexidade (assumida pelo Estado) não integrará o imaginário do eleitor.

Será toda ela convenientemente confundida no grande “drama”: a saúde sob controle e responsabilidade do Estado.

Golpe de mestre (ainda que lamentável)

Azevedo está com o discurso certo. Deixa o PT e o Governo do Estado na defensiva, teorizando, enquanto o povo sente na pele e não lhe interessa a teoria.

Cruel ou mórbido, por utilizar a tragédia do semelhante como instrumento político-eleitoral, fato é que Azevedo tem um trunfo na mão e o PT e o Governo Estadual a batata quente.

Ainda que um golpe sujo, não deixa de ser – dentro daquela ótica de que feio em política é perder – um golpe de mestre.

No mais, o povo que pague pelas conseqüências. Como sempre!

Dizendo e por dizer

A entrevista de Leninha Alcântara a Paulo Lima no Bom Dia da TV Itabuna de sábado 5 mostrou uma candidata antenada com muitos problemas presentes na realidade local, pugnando por uma mudança no atual modo de gestão municipal. Uma dimensão desta preocupação pode ser sentida na expressão “Nosso povo não nasceu para morrer agonizando na esquina”.

No entanto, pareceu-nos todo o dito ainda no universo das idéias para um discurso de campanha, carecendo a candidata de um projeto consolidado e devidamente delimitado.

Isto porque em nenhum instante demonstrou conhecer a realidade financeira de Itabuna e, o mais importante, a sua capacidade de investimento.

Quem diria?

grampinhoAntônio Ateu, no Luis Nassif Online, de terça 1º, do www.advivo.com.br sinaliza a saída de ACM Neto do DEM para o PMDB, fato que ocorreria no início de 2012.

O Pimenta também veiculou o fato, no mesmo dia, a partir da Radar, da Veja, explicando a espera: “só dará bye-bye ao DEM depois de deixar a liderança do partido, no início de 2012. Não quer perder a visibilidade que o cargo [de líder] lhe confere”.

Inusitado

Eduardo Anunciação, no Diário Bahia de terça 1º, estabelece o que entendemos como uma afirmação: “Pode acontecer no primeiro semestre de 2012 uma articulação entre Geraldo Simões, Juçara Feitosa, Renato Costa, Lúcio Vieira, PMDB & PT. Esta articulação anda”. (Não citou Geddel).

Considerando que Eduardo está suficientemente informado, a ponto de praticamente afirmar a possibilidade de uma composição, cabe-nos especular em torno do que aconteceria em breve: Geraldo Simões e Juçara Feitosa de mãos dadas com ACM Neto, anunciado para integrar o PMDB a partir de 2012.

Pagando para ver

Particularmente pagamos para ver o PMDB de Geddel Vieira Lima – com as vaias em Ilhéus ainda nos tímpanos, por ele atribuídas a GS – fortalecer, em Itabuna, Geraldo Simões e o PT.

Vemos como muito mais possível uma composição do PMDB itabunense com a reeleição de Azevedo. Na disputa de 2014, ACM Neto no PMDB não estaria fortalecido em Itabuna se Geraldo Simões sair hegemônico em 2012, elegendo Juçara Feitosa.

Eduardo pode até estar certo! Mas que duvidamos, duvidamos.

Para não esquecer

Os sinais são visíveis, concretos. Há uma proposta correndo surda no universo da política itabunense: Geraldo Simões é o inimigo comum. À direita e à esquerda.

Não é o PT, em si, como partido. É Geraldo, visto por muitos como detentor de um projeto estritamente individual e egoístico.

Começou I

Em “palco do debate” (DE RODAPÉS de 31 de outubro), abordamos o fato de que “Na praieira medirão forças Geraldo Simões e Josias Gomes” aludindo à circunstância de que estando o PT de Itabuna sob absoluto controle de GS “tentará incluir seus parceiros nos espaços conquistados pelo PT em Ilhéus”.

A guerra começou. Partindo da possibilidade de Josias Gomes candidatar-se à prefeitura ilheense em 2012 o mote do fogo amigo já deu a partida com “Onde mora Josias?” como forma de jogar a vaidosa e aristocrática ilhéus contra o político.

Começou II

Na mesma linha o neo-petista Newton Lima é posto como “peixe fora d’água” em comentário no Pimenta, quando acompanhado por Josias Gomes em visita a Secretaria de Estado.

Claro que o ideal, para a campanha, é que o filho da terra seja um petista ligado a Geraldo Simões.

Itororó

Em Itororó o ex-companheiro Milton Marinho entrou de sola na campanha de Adroaldo Almeida. Contra. Considerando que Adroaldo não conta com a simpatia e os votos dos eleitores de Edineu e de Marco Brito a campanha de Marinho, se alcançar resultado, divide a situação.

Certamente tem os aplausos de Edineu e Marco.

Leituras de viola

A viola caipira encontra em Jayme Alem um cultor qualificado. O conhecido maestro e arranjador de Maria Bethânia (há mais de 20 anos) traz aqui duas manifestações na dez cordas: “Na Moda do Maxixe”, onde, ao final, arpeja a abertura de “Brejeiro”, de Ernesto Nazareth, e  “Pracatugundum”.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoProvocações fazem parte do cotidiano abecedarino. Como aquela de pintar o ambiente, sugerida pelo freguês, instigando o proprietário de que não o fazia por economia:

– Que nada, Cabôco. Aqui só precisa do pincel.

E acrescentou:

– Os que pintam o sete já vivem aqui!

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

A Operação Lava-Jato desmascarada

Gleen Creenwaald,The Intercept,VazaJato,Lava Jato,Moro,Deltan Dallangnol,Lula

Domingos Matos, 18/09/2011 | 00:00
Editado em 10/06/2019 | 16:29

Por Eugênio Aragão

Quem acompanhava as conversas internas do MPF na rede @Membros sabia, desde sempre, da descarada politização do ambiente corporativo, marcado por profunda “petefobia”, expressão que usei numa entrevista em 2011, logo após tomar posse como corregedor-geral do órgão. O tom militante e de desqualificação de quem pensava diferente era ali uma constante. Nem ministros do STF saíam incólumes, sendo alvos de chacota e caçoada. Como corregedor-geral, cheguei a mandar aviso à rede, advertindo que os deveres de urbanidade e de decoro também se aplicavam às comunicações internas.

A mim não surpreendeu o teor das mensagens trocadas por personagens da famigerada Operação Lava-Jato e o juiz de piso Sérgio Moro, por mais que choca outsiders. Essas mensagens mostram claramente a promiscuidade que prevalece na fusão das atividades de investigar, acusar e julgar nos processos dessa operação. Temos ali promotores que se portam feito meganhas é um juiz que é acusador, todos articulados num projeto político de “limpar o Congresso” e de impedir que o PT fosse vitorioso nas eleições presidenciais de 2018.

Agora que o caldo derramou e ficou provado o que muita gente desconfiava – a persecução seletiva de atores políticos – os promotores desesperados se apressam em se fazer de vítimas de “uma ação criminosa” de invasão de seus celulares usados “para comunicação privada” e “no interesse do trabalho”. Mostram revolta contra o que denominam “violação da esfera privada”.

A mim não surpreendeu o teor das mensagens trocadas por personagens da famigerada Operação Lava-Jato e o juiz de piso Sérgio Moro, por mais que choca outsiders. Essas mensagens mostram claramente a promiscuidade que prevalece na fusão das atividades de investigar, acusar e julgar nos processos dessa operação. Temos ali promotores que se portam feito meganhas é um juiz que é acusador, todos articulados num projeto político de “limpar o Congresso” e de impedir que o PT fosse vitorioso nas eleições presidenciais de 2018.

Agora que o caldo derramou e ficou provado o que muita gente desconfiava – a persecução seletiva de atores políticos – os promotores desesperados se apressam em se fazer de vítimas de “uma ação criminosa” de invasão de seus celulares usados “para comunicação privada” e “no interesse do trabalho”. Mostram revolta contra o que denominam “violação da esfera privada”.

No celular funcional não é diferente. Seu uso deveria ser restrito a atos de serviço, não se estendendo à prática de ilícitos ou de comunicação pessoal. Alguns desses atos de serviço até podem se revestir de natureza confidencial, apesar de não ser muito inteligente praticá-los através de dispositivo sujeito à invasão e muito menos conservá-los no buffer por mais de dois anos! Quem assim procede está conscientemente arriscando o vazamento de sua comunicação reservada e, com isso, talvez seja ele ou ela que devesse ser responsabilizado por dolo eventual na publicização de comunicação funcional confidencial.

Não há, pois, legitimidade no argumento da vitimização dos procuradores e do juiz de piso pelo ataque a seus celulares. Mas, além disso, o chororô da nota do ministério público em decorrência de publicação, pelo sítio do Intercept, peca contra o princípio do “ne venire contra factum proprium” e, assim, é mais uma prova de falta de boa fé da turma da Operação Lava-Jato. É que, quando criminosamente tornaram público diálogo telefônico entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, às vésperas da posse deste no cargo de ministro-chefe da Casa Civil, procuradores e magistrado – principalmente este último – se exculparam no interesse público do conteúdo para mandar a lei às favas.

E as provas sobre conspirações de Moro e Dallagnol contra o poder legislativo que queriam “limpar” ou contra as eleições presidenciais que queriam conduzir de forma a que não se elegesse Haddad, não são elas, por acaso, de interesse público? Ainda mais quando encontradas em celulares funcionais?

 

Não há desculpa. Pode até ser que, na prática recorrente dos tribunais, de blindarem Sérgio Moro, digam que as conversas vazadas não servem para condenar juiz e promotores na esfera penal, mas, seguramente, elas bastam para colocar em xeque a persecução penal contra Lula e a legitimidade do pleito presidencial de 2018.

No que diz respeito à promiscuidade da relação entre o ministério público e o juiz, revelada pelo vazamento de suas comunicações, passou da hora de repensar a proximidade entre acusação e magistratura no Brasil.

Quando atuava como subprocurador-geral da república junto ao STJ e, até mesmo antes, quando atuava como procurador regional no TRF da 1ª Região, incomodava-me profundamente o nosso papel, do MPF, nas sessões, sentados ao lado do presidente, com ele podendo até cochichar, a depender da empatia recíproca. Enquanto o advogado fazia sua sofrida sustentação oral da tribuna, não raros eram comentários auriculares entre juiz e procurador. Depois, o procurador era convidado a saborear o lanchinho reservado dos magistrados, em que os casos eram frequentemente comentados. Já os advogados ficavam do lado de fora, impedidos de participar dessa festa do céu. Produzia-se, assim, a mais descarada assimetria entre a defesa e a acusação.

O argumento dos colegas era de que o ministério público ali não era parte e, sim, fiscal da lei. Façam-me rir! Do ponto de vista estritamente dogmático, essa cisão entre os papéis do ministério público é ilusória, já que o órgão se rege pelos princípios institucionais da unidade e da indivisibilidade (art. 127 da Constituição). O ministério público é sempre parte e custos legis concomitantemente. Do ponto de vista prático, são pouquíssimos os procuradores que se imbuem do papel de fiscal imparcial. O punitivismo há muito tempo transformou a grande maioria em ferrabrás mecanizada. Não raro fui criticado por meus pares de dar parecer favorável à concessão de ordem de habeas corpus contra atuação de colega em primeiro grau! “Como assim? Ministério público acolhendo ordem de habeas corpus? Não pode!!!”.

Nesse contexto, é preciso barrar essa proximidade entre promotores e juízes, tirando os primeiros do pódio do magistrado, para colocá-los no nível das partes. Nos tribunais, está na hora de tirá-los do lado do presidente. Devem ocupar a tribuna para suas sustentações e voltar a seus gabinetes depois dessa tarefa, para dar andamento aos processos sob sua responsabilidade. Não faz sentido nenhum, em plena era do processo acusatório, dar destaque ao acusador, em detrimento da paridade com os advogados.

Deltan Dallagnol mostrou o quanto é deletério, para o devido processo legal e para o julgamento justo, a confraria com Sérgio Moro. Ficavam promotor e juiz trocando figurinha sem participação da defesa. O juiz se dava o direito de palpitar na estratégia investigativa sobre crimes que depois viria a julgar e o promotor deixava o juiz “à vontade” para indeferir seus pleitos, se não combinasse com a estratégia comum. Um escândalo, tout court.

Esperam-se consequências dessas revelações, pois, muito mais do que a profunda injustiça da prisão de Lula por uma condenação “arreglada” entre magistrado e acusação, estamos diante de evidências de manipulação eleitoral. Ou o país tira lições dessa atuação criminosa de atores judiciais, ou pode sepultar sua democracia representativa, porque já não haverá mais respeito pelas instituições que devem protegê-la.

Eugênio Aragão - Procurador da República aposentado e ex-ministro da Justiça do Governo Dilma

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 24/07/2011 | 18:30
Editado em 24/07/2011 | 20:40

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Dendê no Haicai I

O projeto Dendê no Haicai, da Via Litterarum, coordenado por Gustavo Felicíssimo, tecnicamente aprovado no valor de R$ 70.000,00, depois de dois anos de tramitação, acaba abortado pela Fundação Pedro Calmon na sua etapa de finalização do processo. Motivo: na constituição societária da empresa, o sócio fundador da empresa, Agenor Gasparetto, constava como possuidor de cotas da mesma, ainda que sem função de direção.

Quem manda Gasparetto abrir editora, difundir literatura? Esqueceu o gaúcho que está Bahia!

Dendê no Haicai II

Mas, apesar disto, a Via Litterarum continuará seguindo seu curso, trazendo novos selos, para melhor atender ao mercado. São eles: Sertões, para novos autores e o nosso vasto interior; Jus Litterarum, para obras na área jurídica; AutoEditor, em que prevalecerá o desejo do autor em ter sua obra reconhecida; Caminhos, para os campos da espiritualidade e conexos.

E, seguramente, o Dendê no Haicai, em momento oportuno, deverá chegar ao público. Ainda que sem os auspícios do Governo da Bahia.

Estranha moralização

A legislação baiana veda a participação de servidores em projetos culturais, o que estende “aos parentes até segundo grau, bem como cônjuges e companheiros...” (Lei Estadual 9.431/2005, art. 14, IV e § 1º).

Ou seja, Jorge de Souza Araujo – e parentes, cônjuge ou companheira – premiado Brasil afora, nome referido e referenciado, está impossibilitado de participar de qualquer promoção com recursos públicos na Bahia por ser mestre, doutor e pós doutor ensinando em universidade estadual (UEFS).

Como a lei é de 2005, o governo petista dá a entender que servidor tem que “servir” e não entrar por essa coisa de escrever e pesquisar para concorrer a prêmios promovidos pelo Estado.

Ó glória!

Por essas e outras...

Mangabeira permanece com razão: “Pense num absurdo e na Bahia já há precedente”. A alegada moralidade como objetivo remete ao absurdo de entendermos que é incompatível a convivência da pratica da pesquisa intelectual com a de servidor da rede pública estadual.

Com o detalhe de ser objeto de uma insinuação nada sutil: os avaliadores de projetos não traduzem a ilibada autonomia, independência intelectual e honestidade, tampouco servidor público carece de motivação para pesquisar.

Para simplificar, considerando que a punição ultrapassa a pessoa do “delinqüente”: até nossos parentes, cônjuges e companheiros estão fadados ao anonimato pelo crime de o serem de um “abastado” servidor estadual.

Só mesmo rede e água de coco!

Nova arma no front

 “Um comprimido para disfunção erétil com sabor de menta e que se dissolve na boca acaba de ser lançado no mercado brasileiro”, em www.advivo.com.br (A nova pílula contra a impotência), de sexta 22.

Que alegria!

Bolo sem cereja

Para quem imagina que Ubaldo Dantas teria se afastado da política não custa observar outdoor subscrito pelo ilustre ex-prefeito para o aniversário de Itabuna: “Dias melhores virão”.

Que, certamente, não o são com Juçara, Azevedo, Geraldo Simões?

O recado está dado.

Caso a cúpula do PMDB não se entenda com GS – o que não vemos tão facilmente como alguns imaginam – Ubaldo pode contribuir para melar a dobradinha sonhada pelo PT local.

Dois pesos

Zé Elias, ex-jogador do Coríntians, foi recolhido ao xadrez, com direito à exposição de sua imagem, porque não honrou a pensão alimentícia que diz não poder pagar, diante da insuficiência de renda, depois que a Justiça lhe negou a redução. (Não esquecer que o Zé Elias não mais joga futebol e não se sabe de nenhum contrato milionário que o sustente).

Já a turma do Ministério dos Transportes – acusada de desvio de milhões dos cofres públicos – alvo da limpeza promovida por Dilma, anda flanando em céu de brigadeiro.

Estilos confluentes

Há uma insistência da grande mídia em sinalizar para um rompimento entre Dilma e Lula, partindo da premissa (que enxergam) de que os estilos são diferentes e que a Presidente combate a corrupção enquanto o ex dizia não saber de nada ou mesmo que não existia.

Engana-se, no entanto, quem assim imagina. Até porque o voo da criatura seria curto sem apoio do criador. Não fora o fato, concreto, de que a circunstâncias que alimentam o primeiro governo Dilma são inteiramente distintas do de Lula. Se o ex-metalúrgico não fizesse as concessões que fez – amparadas na Carta aos Brasileiros – não teria sido eleito, tampouco governado. Sabiamente aceitou dar dedos para não perder anéis e conquistou a maioria da Nação.

O que não querem perceber é a sintonia de uma ação que simplesmente deixa a oposição acuada para o projeto 2014: reeleição de Dilma ou retorno de Lula.

Os estilos, estrategicamente, confluem para o objetivo comum: continuidade de um projeto de poder que, criticado ou não, entendem ser propulsor do futuro para o Brasil.

Escândalo alcança o PCdoB

A denúncia da ÉPOCA (“Agência Nacional da Propina”), ainda que amparada em revista de tradição contra o governo e em perícia de Ricardo Molina para um vídeo que a prova, pode abrir outra frente de faxina para Dilma Rousseff.

O detalhe, até que esclarecimentos ocorram, insere um partido que parecia estar à margem de tais quejandos; o PCdoB.

Detalhes em www.advivo.com.br de sábado 23 (“Inquérito da PF sobre a Agência Nacional de Petróleo”).

Aula

Aderbal Duarte no Aprovado da TVE de sábado 23, falando sobre João Gilberto – objeto de sua pesquisa há trinta anos. E Jackson Costa mostrando o que temos e não conhecemos: um excelente instrumentista, não fora o compositor e arranjador que é.

Indignação

A mobilização nas ruas européias, da Grécia a Espanha, da Irlanda a França traduzem a reação das massas excluídas, humilhadas e jogadas às traças por um sistema cruel e desumano, onde a concentração da riqueza é a tônica, ainda que ao custo da miséria, para privilegiar elites e ricos, sejam pessoas ou países.

No entanto, ainda têm forças esses excluídos... para protestar. Pelo menos, alguma ração diária os alimenta.

Indignação só não basta

fomeEnquanto bilhões de dólares são gastos em guerras cada vez mais incentivadas alguns milhões que poderiam salvar milhares de crianças não acorrem. E ainda chamam a isso de Civilização.

Esse genocídio tem responsável: as nações ricas que exploraram e exploram o continente africano.

Eis o estado em que se encontram 780 mil crianças na Somália (foto), que somadas às da Etiópia e Quênia alcançam 2,3 milhões.

Surpresa?

bessinhaQuem votou em Dilma nem mesmo imaginou a postura ética que gera insatisfações em vários escalões da política nos coroados partidos da base. A varredura que faz a Presidente no PR “dos Transportes” pode alcançar qualquer partido que não se comporte com a dignidade que o exercício do cargo exija.

Não temos em nossa lembrança uma vassourada na dimensão que ocorre no Ministério dos Transportes. Dilma Rousseff põe a nu a dimensão e a sanha de certos partidos quando ocupam o poder. Já eram 13 na terça – número cabalístico – os nomes alcançados pela caneta presidencial. Não é algo de pouca monta, mormente se atentarmos para as funções exercidas.

Que o povo compreenda e contribua para que a Presidente avance na limpeza que o país espera e tanto exige.

E as empreiteiras?

E se Dilma, na cátedra da Presidência, resolver avançar sobre as empreiteiras financiadoras da corrupção/ Conseguirá? Ou não o fará?

Pode estar sinalizando que pode fazê-lo, esperando, de forma pedagógica, que percebam as insinuações.

Afirmações

eduardoO PT define a impossibilidade – a não ser com anuência da Executiva Estadual – de alianças com o PMDB, o PSDB e o DEM, colocando-os todos no mesmo saco. Observados os fatos sob esse prisma coberto de razão estaria Eduardo Anunciação ao afirmar a inexistência de tratativas entre Geraldo Simões e Fernando Gomes com vistas a 2012.

O destacado colunista político também duvida da participação de Raimundo Vieira como intermediador entre GS e FG, a ponto de taxativamente expressar, em POLÍTICA, GENTE, PODER, no Diário Bahia de quarta 20: “só existe na imaginação de Raimundo Vieira”.

Não queremos crer que Eduardo não esteja suficiente informado.

Contra-afirmações...

Estabelece o colunista uma vertente distorcida do que está acontecendo, ao imaginar que a atuação de Raimundo Vieira se encontraria no plano de sua densidade político-eleitoral. É o que se pode deduzir do seguinte texto, publicado naquela oportunidade: “Isso é encenação, fantasia, ilusão...” “Fernando Gomes, principalmente e especialmente Fernando Gomes, com representação democrática, sem mandato, PMDB, depois Geraldo Simões, com representação democrática, deputado federal, com mandato, PT, têm compreensão suficiente, lucidez, sabe que eleitoralmente-politicamente Raimundo Vieira em nada contribui, não multiplica, não soma, não une”.

Na edição de fim de semana do Diário Bahia Eduardo volta ao tema, debruçado e preocupado, para afirmar que “Isso é desinformação... esse encontro não aconteceu”.

...Por acontecer

Ainda, caro Eduardo, ainda. E pode mesmo nunca ocorrer. No entanto já aconteceram os contatos entre Geraldo Simões e Fernando Gomes, através de Raimundo Vieira. Isso é tão verdadeiro como acreditar em Deus para o crente.

Por outro lado, ninguém comenta que Raimundo Vieira seja apoio eleitoral para quaisquer dos políticos. Mas, como intermediário Raimundo é peça concreta e atualmente o único caminho que une os dois inimigos, já não tão “inimigos” assim.

Se alguém admite ou não que se materialize a união de jacaré com cobra d’água – isso em passado não tão distante – comece a mudar de pensamento. Só não se materializará se a cúpula do PMDB não deixar. E isso é possível. Basta que Gedel perceba – e certamente já o percebeu – que a união GS-FG fortalece Geraldo e não ele, que esperava encontrar mais apoio de seu coordenador regional na campanha de 2010.

Ou seja, a estranha unidade política beneficia mesmo somente aos dois protagonistas. Fernando encontrando o sonhado apoio do Estado para a implantação de equipamentos públicos em seu loteamento; Geraldo, buscando consolidar a candidatura de Juçara. Caminho para que ele permaneça nos limites federais, como deputado.

Eis a análise fria do momento.

Sofre o observador

Para Eduardo, com sua experiência, não custa compreender que briga mesmo fica para o andar de baixo, que se engalfinha na defesa de seus líderes/ídolos enquanto estes se esfalfam em jantares e brindes na cobertura.

Caso o Governador Wagner, em visita que fará a Itabuna, sinalize com a possibilidade de conclusão do teatro e centro de convenções e Gedel não concorde com as tratativas de Geraldo-Fernando não seria absurdo imaginar que FG deixe o PMDB. A filiação partidária é possível até um ano antes de eleições.

Quando em jogo interesses e não o idealismo tudo é possível.

E “o futuro a Deus pertence”.

Até despacho em encruzilhada

Geraldo luta para dar uma volta por cima diante na atual situação, buscando fazer com que o governo do Estado “aceite” seu projeto eleitoral.

Para ver consolidado o nome de Juçara Geraldo “acende vela até para o Diabo”, como já o disse em círculos fechados. E, obviamente, se o Diabo não é tão feio como se pensa, Fernando não é o Gramulhão.

Afinal, perder ele não quer. Em todos os sentidos.

Brasileiros mundo a fora

Uma correção se impõe: John Williams não executou Heitor Villa-Lobos e seu Estudo Para Violão n  1, na edição passada, e sim “Prelúdio nº 1.

Disponibilizamos nesta edição o famoso “Estudo”, com Narciso Yepes, que com ele inicia um recital no Teatro Real de Madrid, em 1979.

Zé Rodrix

O solo aqui revelado traduz, mais que o tradicional sucesso, a introspecção do canto, de quem cantou. E como nos faz falta! E se acontece com Elis Regina sonhando na cadeira de balanço!

Os que só pensam ter uma casa na praia dificilmente entenderão o verso e a canção.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoClássicas são as observações de Cabôco Alencar e a denominação circunstancial que a elas oferta, como a que fez definindo o cliente rarefeito no ambiente, que acabava de entrar:

– Esse está igual a paletó de maçonaria. Só circula na rua em dia enterro de maçom.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 10/07/2011 | 19:32
Editado em 10/07/2011 | 22:29

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Região Metropolitana I

Inicia-se o aprofundamento da discussão em torno da criação da Região Metropolitana de Ilhéus e Itabuna. Fórum realizado nesta sexta 8, no auditório da FTC, abriu a temporada de debates, com o condão de conscientizar lideranças em todos os níveis para a importância que representa nossa RM, pensada para envolver 27 municípios.

Ao final do evento foi lida a “CARTA DE ITABUNA”, dirigida ao Governador Jaques Wagner, para que viabilize os estudos técnicos para a proposta de lei complementar a ser encaminhada à Assembleia Legislativa.

Cumpre registrar que há em mãos de Sua Excelência uma indicação do Deputado Coronel Santana sugerindo a criação da Região Metropolitana de Ilhéus e Itabuna, ali denominada “do Cacau”.

Região Metropolitana II

O fórum foi em muito enriquecido com as análises técnicas dos geógrafos Maria Adélia Aparecida de Souza (USP) e Aldo Aloísio Dantas (UFRN). A preleção da Professora Maria Adélia realçou a dimensão que o peso político assume – fundamental ao processo de criação e instalação de uma RM – não só quanto à iniciativa como a própria concepção e manutenção de um projeto de tal envergadura.

Desta forma, seu sucesso ou fracasso decorrerá da formulação das políticas públicas concebidas para serem desenvolvidas no curso da existência da RM.

Registra a Professora Maria Adélia que a criação de Regiões Metropolitanas no Brasil gerou típicas monstruosidades, em muito amparadas em concepções ultrapassadas, razão por que espera que a de Ilhéus e Itabuna seja um modelo para o País.

E alerta: não deve repetir os erros do passado.

Ausências

Alguns deputados, prefeitos e vereadores não compareceram, tampouco justificaram a ausência. Também a sociedade civil organizada não se fez presente, o que demonstra existir ainda um certo desconhecimento em torno do tema, o que será superado com iniciativa com a ocorrida.

Roberto Brito – ainda que para compor a mesa, até que desfeita – foi o único deputado federal. Coronel Santana e Augusto Castro, os únicos estaduais. Capitão Azevedo e Cláudio Dourado, os únicos prefeitos, salientando-se que Ilhéus se fez representar na pessoa de José Nazal, chefe de gabinete do Prefeito Newton Lima (que propôs a continuidade do debate, com a realização de evento semelhante em Ilhéus). Wenceslau, o único vereador de Itabuna. Se alcançarmos pré-candidatos a prefeito de Itabuna, apenas o próprio Wenceslau e Leninha.

Não temos justificativas para as ausências de Geraldo Simões, Josias Gomes, Rosemberg Pinto, Félix Jr. etc. e a citação dos ausentes e dos presentes tem o condão de registrar os fatos.

Para não esquecer.

Muito a caminhar

Inegavelmente o grande obstáculo em projeto de tal magnitude reside na ausência de compreensão não só do que representa uma Região Metropolitana, como de nos despojarmos de vícios da política regional, muito mais voltada para um certo “egoísmo” que para o cooperativismo que a realidade desta “sociedade municipalista” carece.

A declaração atribuída a Gerson Marques, publicada no Pimenta de sexta 8 dá a tônica do quanto pode estar atrasada a consciência regional, ao se enveredar pelo “eu, tudo por mim”. O ilustre ilheense deixa de lado a importância da Região Metropolitana sob o argumento de que a iniciativa da indicação coube ao Coronel Santana.

E certamente o autor da bobagem não está só. Lá e aqui.

Arre!

Só faltou o necrológio

Tamanha a visibilidade de FHC na mídia televisiva em decorrência da morte de Itamar Franco que não estranharíamos a publicação de um necrológio de Itamar com fotografia de FHC.

Maquiavelismo I

Pode haver uma dose de maquiavelismo nas “estranhas” apologias petistas ao ex-presidente Fernando Henrique no curso do seu aniversário de 80 anos. Não seria exagero nelas vermos um movimento para amarrar o PSDB ao discurso que lhe assegurou três derrotas seguidas em campanhas presidenciais.

Tudo por que, no imediato, não ficaria bem para o tucanato “bater” ideologicamente no partido onde próceres elogiam o “cérebro” da administração tucana.

Ficando acuados em seu discurso, que não repercute no eleitorado a ponto de assegurar uma vitória, mais prevalece a práxis petista no imaginário da população.

Maquiavelismo II

Ou seja, o PT – e o governo na esteira – ganha ao manter o PSDB imobilizado na redoma ao culto de um passado impopular ao tempo em que acua de certa forma a oposição que se faria. E quando o próprio FHC afirmou recentemente que o partido precisa repensar o seu discurso e retomar a direção em relação aos destinatários é “convocado” a ficar onde sempre esteve.

Restaria ao PSDB continuar a dizer que os governos do PT são continuação do de FHC. E perdendo eleições.

Leitura

Ainda que mantendo o Ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, a ação da Presidente Dilma Rousseff foi precisa ao defenestrar a cúpula do segundo escalão envolvida em denúncias. O Ministro que se cuidasse. Foi-lhe dado o benefício da dúvida. Que não se sustentou diante da denúncia do milagroso progresso patrimonial do filho.

Outrossim, outro recado estava dado: o PR não é tão grande e muitos de seus deputados e senadores não são Pagot, Luiz Tito, Mauro Barbosa, “Juquinha” da Valec e companhia.

Se gritar na região...

O singular desenvolvimento patrimonial de um filho de político escancara uma nova forma de “laranja”: o família. Quando o povo observar o avanço de certos “herdeiros” que nunca trabalharam na vida e não tiveram herança, descobrirá que apenas se tratava desta nova classe social: o filho de político que está no poder.

De empreiteiras a restaurantes passando por consultorias. Apenas varia – o que difere uns dos outros – a dimensão da variação patrimonial, que em alguns casos chega a 86.000%, como no caso do filho de Alfredo Nascimento.

No momento não recomendaríamos, para evitar decepções com alguns políticos locais, que lhes fosse olhada a evolução patrimonial da prole.

Tratativas inimagináveis

raimundoA última aliança imaginada por um itabunense seria a formada por Geraldo Simões e Fernando Gomes. E não é que a dita cuja foi anunciada, em estado adiantado de configuração! Se o “embaixador” Raimundo Vieira (foto) intermedia é certeza de que a pretensão caminha a passos largos.

Já escrevêramos que os contatos de GS com a cúpula do PMDB em Brasília, tendo por interlocutor o deputado Lúcio Vieira Lima, visando uma aliança com o PMDB local, dependeriam da última palavra de FG.

Se isso está ocorrendo está muito mais fácil de acontecer o inimaginável: a dobradinha GS-FG no mesmo palanque.

Os interesses

Viabilizada a aliança tudo fica claro. E mais que isso, a convergência dos interesses. Assim, a composição do futuro governo reunirá de Eduardo Barcelos a Maria Alice, de Marcão a Jorge Vasconcelos e Fernando finalmente verá equipamentos públicos em profusão instalados no Loteamento Nossa Senhora das Graças, abrindo espaço para um novo canteiro de obras.

E para não esquecer da chapa: cabeça com o PT, a vice com Fernando. Que poderia aproveitar a onda feminina.

Veremos os seguidores que se estapeavam em defesa de FG e GS abraçados entre lágrimas de confraternização.

O único detalhe: ainda não perguntaram ao eleitor.

Mais um péssimo exemplo

No imbróglio da exoneração do Ministro dos Transportes uma cena digna de ópera bufa não fosse regra geral no Brasil: o cargo é do partido (PR) que luta para indicar um novo nome, preferencialmente entre seus políticos. Ainda que uma pasta que devesse exigir um técnico por excelência, a busca por um “quadro” faz o cotidiano.

Desfaçatez absoluta a mostrar quão difícil é gerir a administração pública quando parcela significativa pensa que o público é a privada... ops! O privado.

Tocando na ferida

A cada novo exame da OAB e seu orgástico índice de reprovação – considerável alimento financeiro para cursinhos preparatórios e para a própria OAB e seu negócio denominado “inscrição” (mantendo uma rede cativa, com um típico “cadastro de reserva”), uma interessante observação nos foi trazida por Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa on line, de 7 de julho, sob o título “Lições de Platão e Aristóteles”.

“Mil laços ligavam Aristóteles a Platão, a começar por este ter sido mestre daquele, apesar de divergências filosóficas e científicas. Ambos fundaram escolas de saber, a Academia, um, e o Liceu, outro. Pois nos dois centros de estudo prevalecia a máxima de que se os  alunos não conseguiam captar as lições dos professores, o erro e a culpa seriam de quem ensinava mal, não de quem deveria aprender.  Alguma coisa estava errada na arte de ensinar.
Coisa parecida parece estar acontecendo nos exames elaborados pela Ordem dos Advogados do Brasil, obrigatórios para o exercício da profissão. A cada ano que passa aumenta o índice das reprovações, chegando agora a 95%. Não seria o caso de indagar se a responsabilidade não é das questões mal formuladas ou maliciosamente apresentadas?”

Presepada I

O circo que a OAB arma em defesa de seu inconstitucional processo de avaliação de curso – nisso está se tornando o exame da Ordem, usurpando na propaganda uma competência do MEC, a teor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – chega ao desplante de se achar no direito de denegrir a imagem de Cursos de Direito reconhecidos e autorizados por lei.

A denúncia da Coordenadora do Curso de Direito da Unime, em Itabuna, professora Fernanda Viana, demonstra a irresponsabilidade da OAB, a serem confirmados todos os fatos (inclusive a assunção pela OAB da divulgação).

Presepada II

Afirma a coordenadora que o curso de Direito da Unime ainda está em seu oitavo semestre e o único aluno da instituição a participar do exame é ainda um “treineiro” do 7º semestre – aquele que participa de uma avaliação para adquirir experiência.

No entanto, a instituição foi jogada às traças ao ser incluída na relação das 10 baianas que não teriam conseguido aprovar um só aluno, como divulgou o Pimenta na terça 5 (Dez cursos de Direito são reprovados pela OAB na Bahia).

Dedução

Ou seja, para aumentar o “caixa” a OAB aceita inscrição indevida e atribui ao Curso uma responsabilidade que não existe. Como este caso, milhares pelo Brasil a fora.

E a OAB se jactando de “fiscal de curso”. Que pode custar uma ação de indenização por danos à imagem da instituição de ensino.

Anúncio incômodo

Em Itororó a administração municipal anuncia a substituição da rede de distribuição de água: PVC em vez de amianto.

Em elementar conclusão temos que em Itororó se bebeu água durante décadas contendo agente cancerígeno.

Melhor que não alardeasse.

Ativismo

Dissemos neste espaço (“Ativismo IV”, domingo 3) que nos parecia estar o Ministério Público assumindo uma dimensão ativista no exercício da defesa de deficientes visuais que buscam reconhecido um direito que não se encontra amparado em lei estadual (a quem compete legislar sobre transporte intermunicipal), correndo o risco de explorações várias, inclusive político-partidárias e de se transformar em “espingarda de Satanás”.

Deficientes, em Buerarema, fecharam a BR-101 e só admitiram suspender a mobilização caso a Polícia retivesse ônibus da empresa de transportes que eles entendem estar “desrespeitando” a lei.

Enquanto a empresa vai se tornando vítima da errônea interpretação da lei, a mobilização vai ocorrendo sustentada na “recomendação” do MP. A distorção se aprofundará em outras atitudes mais graves.

Aí a “espingarda de Satanás” disparará a esmo.

Chocolate baiano

Iniciativas demonstram acerto dos muitos que produzem chocolate, caminhando para tornar a Bahia uma fonte produtora agregando valor ao cacau, antes mera “plantation”.

A 3º Festa do Chocolate, em Ilhéus demonstra estarem no caminho certo.

E la nave va

Denuncia este O TROMBONE (O Perigo dos Tapumes) a derrubada de mais um prédio itabunense que deveria estar preservado. A memória registra aquele espaço como primeiro endereço do Banco do Brasil em Itabuna, nos anos 20 do século passado.

Enquanto Fellini celebrou a arte do cinema com o antológico trabalho, por aqui não conseguimos nem o surrealismo como opção artística, e nosso barco comanda a destruição da memória.

Aqui o surrealismo é.

Pérola

Lembra Alfama, se fora fado e não valsa; se Amélia Rodrigues e não Cássia Eller. Pérola do cancioneiro nacional, cantada por tantos, de Orlando Silva a Roberto Carlos, página imprescindível em qualquer serenata.

E o clipe ambientado com precisão e a voz acompanhada por violão e bandolim. Exagero apenas na apresentação, dispensável, quando melodia e versos falam por si.

Com o leitor divina “A Deusa da Minha Rua”, de Newton Teixeira e Jorge Faraj.

Billy Blanco

Uma homenagem aqui se torna imperativo: Billy Blanco, morto esta semana. E não o fazemos pelo viés de reconhecê-lo como quem contribuiu para a bossa-nova. Mas pelo clássico “Pistom em Gafieira”, de sua autoria.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoBem vindos todos são ao ABC. Há, no entanto, indignação do proprietário diante de certos lugares comuns, citados por pretensos “intelectuais de almanaque”.

Um desta estirpe bebericava e expunha erudição, sob o olhar atento do vendeiro, que reagiu à vinheta:

– O homem é produto do meio...

– ...das pernas, Cabôco – interrompeu Alencar finando o discurso do sociólogo, sapiente na “leitura” das batidas ingeridas.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 17/04/2011 | 16:57
Editado em 17/04/2011 | 19:05

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

UESC I

O movimento que paralisa a instituição é mais uma tentativa de sensibilizar – “palavra fácil de pronunciar”, da composição “Amigo, Palavra Fácil” (1964) de Verinha Falcão e Jorge de Castro, gravada por Nelson Gonçalves – o Governo Estadual para encarar com a devida responsabilidade o ensino superior na Bahia. Há, em nível de projeto nacional, o propósito de dotar o país de uma educação melhor nos próximos vinte anos.

Sob esse aspecto não pode ser descurada a importância da formação do professor da instituição, que repercutirá em vários segmentos, inclusive naquele voltado para qualificar a escolaridade no ensino fundamental.

Por outro lado, a formação universitária carece de apoio em vários aspectos, não somente na oportunidade de ingresso na graduação. Esta, sem um amplo compromisso da instituição com a formação plena, apenas certificará profissionais não suficientemente preparados para enfrentar as exigências da sociedade.

UESC II

Um exemplo das distorções por que passa a UESC pode ser vista na atuação de discentes do Curso de Biomedicina, enquanto exercendo atividade prática em escolas da rede pública estadual. Não fora o desembolso pelos próprios alunos e não disporiam de reagentes e materiais outros para realizar o exercício.

Enquanto a imagem física da UESC se apresenta caminhando bem, o aprendizado existe na dependência de recursos particulares. Dos próprios alunos.

Lições para não esquecer

Certos temas – se vêm à tona – não devem ser comentados. Especialmente quando envolvem casos públicos e notórios. As reações causam mais prejuízos com a busca de esconder o que existe(iu). É como jogar farinha no ventilador. Um desses, que desconhecíamos, chegou ao nosso imaginário justamente porque a ele reagiram. Isso é igual a rastilho de pólvora depois de atiçado. Enquanto não explodir...

No caso, já explodiu.

Arrancador de portão

Diante do inusitado de os portões de acesso ao campus da UESC terem sido retirados para manutenção em meio a um semestre em atividade e no imediato da deflagração de uma greve somente permite duas conclusões: ou a prefeitura do campus não acompanha a situação dos bens a que está obrigada a administrar – a ponto de fazê-lo no curso de um período de aulas – ou foi determinação superior.

Se determinação superior o Magnífico Reitor Joaquim Bastos pode receber a delicada alcunha de “arrancador de portão”.

Terreno pantanoso

Não repercutiu bem no jogo a escancarada publicidade da Bahiagás em jornais de Itabuna (releia “Publicidade e utilidade” neste DE RODAPÉS E DE ACHADOS, de 13 de abril). As unhas cururus afiaram-se antes do tempo, precipitaram ataques que invadem inclusive a seara ética – muitos assim entenderam.

Outro detalhe que não deixa de agredir escalões superiores: ao defender-se das críticas de uso eleitoreiro o PCdoB distribuiu Nota fazendo inserir a pérola: “Davidson está no cargo na cota do PCdoB”.

Isso o autorizaria a utilizar os cofres da Bahiagás para fins eleitoreiros?

De incerteza em incerteza...

Por falta de experiência... em tomar decisões que não possam demorar, Azevedo vai terminar não sendo candidato. Quando se decidir terá perdido o prazo.

O inusitado será partir para a reeleição amparado por Paulo Souto.

Da lua de mel à de fel

Há poucos dias Geraldo Simões flanava como centro de atenções, anunciando entendimentos com o PMDB. Apesar de um breve “esfrega” de Geddel, enquanto Fernando Gomes ausente, tudo estava bem para o petista.

Lua de mel!

Essa semana, o inferno astral. Perdendo espaço para o PCdoB no universo das nomeações em Itabuna, enfrenta um clima de tempestade em noite escura diante do encolhimento dos cargos disponíveis. Não fora isso, administrando profundas dissensões internas, que podem repercutir no projeto 2012.

Lua de fel!

Acredite!

Suspensão do 14º e 15º salários, redução da verba de gabinete de 60 para 48 mil (20%), redução – de 25 para nove – do número de assessores, a cota de gabinete de 23 mil para 4,6 (mais de 80%). Uma economia em torno de 500 mil reais por ano, como o diz matéria em www.advivo.com.br 30 de março (“As verbas parlamentares de Reguffe”).

Autor do exemplo: o deputado federal José Antônio Reguffe, do PDT do Distrito Federal.

Pagando para ver e aplaudir

Ainda que represente a unidade da Federação onde tem sede o próprio Legislativo Federal, não custa deixar a indagação aos nossos representantes na Câmara dos Deputados, começando por Geraldo Simões e Josias Gomes, o que poderiam fazer para economizar.

Se entenderem que não deveriam fazer como o brasiliense, fica a sugestão: doar a diferença conseguida – que sejam 200 ou 300 mil – para instituições sociais.

Em campanha

Geddel Vieira Lima em Itabuna para participar de aniversário de João Xavier. João Xavier que nada! Fiscalizar as obras da Amélia Amado.

Nova competência (função) institucional fixada para quem exerce a Presidência da Diretoria para as Pessoas Jurídicas da Caixa Econômica Federal.

Êta Brasil!

FHC criticado Ifhc1

Delimitamos (“Por que tudo deu errado”, O TROMBONE, de 13 de abril) as razões por que a oposição perdeu o rumo e particularmente de o PSDB se encontrar num beco sem saída – a não ser a extrema-direita. (Nesse particular – extrema-direita tucana – vemo-la comandada por José Serra – em que pese relações de Alckmin com a Opus Dei – diante da fundamentalista campanha do tucano nas eleições de 2010).

Mas, voltando ao Fernando Henrique, no texto antecipadamente divulgado pela internet, do artigo “O Papel da Oposição” a ser publicado na Interesse Nacional, recomenda o “príncipe dos sociólogos” a fixação de uma estratégia voltada para a classe C (classe média) em detrimento da base da sociedade – o povão – o que alimentou o raciocínio dos que veem o PSDB como o “partido dos ricos”.

FHC criticado II

fhc criticadoTeria dito o ex-presidente, em crítica direta ao PSDB, que se os tucanos continuarem tentando dialogar com o “povão”, acabarão falando “sozinhos” – “A reação de FHC às críticas” http://www.advivo.com.br/ de 13 de abril.

E recomenda a ocupação de todos os espaços sociais (internéticos, inclusive) para fazer frente aos ocupados pelo “lulapetismo” – sindicatos etc.

Não encontrou unanimidade no ninho tucano, à exceção expressa por José Serra, tanto que a atual liderança maior do PSDB, o Senador Aécio Neves, dele discordou.

FHC visionário I

Por outro lado, se observarmos a mobilidade social atribuída ao período Lula, e venha a ser massificada a migração das classes D e E para a classe C, o raciocínio de FHC se torna altamente inteligente. Ou seja, vislumbrando a redução de pobres e miseráveis – ainda que não as reconheça a partir das políticas sociais implementadas por Lula e continuadas por Dilma – pouco restaria da população para apelos político-eleitorais em nível de ideologias à esquerda.

Como mea culpa a posição de FHC é visionária: não tendo pobres e miseráveis tenho que localizá-los. Em que classe social? Na classe C.

Genial, pá!

FHC visionário II

Caberia, apenas, adaptar o discurso aos limites da compreensão pela nova classe a ser alcançada pelo ideário do PSDB pensado por FHC.

E nesse sentido o PSDB já entraria com um forte argumento, favorável em qualquer campanha política: a redução da carga tributária; tema sempre sensível à classe média.

Bestial, pá!

FHC visionário III

Na genialidade falta apenas explicar um detalhe: se a mudança de classe permitiria, de imediato, a compreensão do discurso proposto por FHC.

A propósito

fhc 2014Quando redigimos “Por que tudo deu errado” (O TROMBONE, de quarta 13) não imaginaríamos que o Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim publicaria essa pérola do Bessinha. Tanto que reproduzimos aqui a parte final do artigo para justificar a publicação da charge:

Ao PSDB “...só lhe restará rezar pelo quanto-pior-melhor em relação ao PT, sensacionalizar escândalos (não deu certo com o caixa 2, que difundiu como mensalão),  por profundas repercussões decorrentes de mudanças econômicas ou guinar de vez para a extrema-direita. Aliás, nos moldes do Tea Party norteamericano, como já ensaiado na eleição de 2010 ao assumir o discurso fundamentalista centrando a disputa presidencial em quem era contra ou a favor do abortamento, ou se acreditava ou não em Deus, podendo ampliar o roteiro com a defesa da redução da maioridade penal e da pena de morte”.

Desabafo...

O TROMBONE publicou nesta quinta 14, “Professor, profissão de risco – um desabafo”, do docente Marcos Bispo Santos. Um texto que diz respeito não só àquele citado estabelecimento de Ferradas, mas à escola pública. A rede estadual padece das mesmas mazelas e não se diga que trabalha com alunos com perturbações mentais pura e simples.

Há uma patologia social que está a se refletir na escola. Os desajustes e conflitos latentes, do ambiente familiar ao convívio exterior levam a uma evidente patologia, auxiliada em muito pelo noticiário nos meios de radiodifusão que parece atingir um orgasmo ao publicar mortes, assaltos, estupros acompanhados de verdadeira convocação à aplicação da pena de talião. O número de programas deste jaez dá o mote do imaginário da população.

As autoridades educacionais parecem desconhecer a crua realidade e o professor vem aceitando funções e competências que não lhe são afetas – de assistente social, de psicólogo, de psicopedagogo etc. – quando deveriam estabelecer o enfrentamento da questão, iniciando um processo de conscientização de luta para que as escolas – algumas recebendo em cada turno até 800 alunos – tenham em seu quadro profissionais aptos a lidar com atividades e exercício em torno do comportamento e das inter-relações escola-aluno, escola-família, escola-comunidade.

Na contramão há um velado respeito a garantias e direitos individuais mal compreendidos e interpretados, levando muitos dirigentes escolares e professores a temerem ameaças tipo “vou ao Ministério Público” ou “à Direc”.

...e denúncia

Quem quiser conhecer de perto a fábrica de loucos em que se torna a escola pública faça uma visita aleatória a alguns estabelecimentos de ensino – recomendamos os de maior quantidade de alunos – e assista ao que ocorre nos pátios, a delicadeza no tratamento entre alunos onde “vá tomar no aqui e ali” é tão natural como beata rezar o Pai Nosso.

Aproveite para acompanhar a reação de certos pais e mães quando chamados ao estabelecimento e perceberá que a ação dos filhos é a lição recebida em casa. Pródiga em palavrões e quejandos.

E sobre os professores e dirigentes também a responsabilidade impossível que não lhes compete: educação doméstica.

Limites

Até que enfim – como delineado e sugerido por nós semana passada neste DE RODAPÉS, “Limites” – o deslocamento de membros da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembléia Legislativa da Bahia para uma vistoria in loco ao ponto da discórdia. Que por si só define a solução.

Caso os senhores Deputados tenham se utilizado de transporte coletivo itabunense para buscar o Atacadão e o Makro encontraram o argumento definidor para a alteração dos atuais limites.

Restará apenas, para erudição do parecer conclusivo, instruí-lo com subsídios sócio-econômicos, históricos, sócio-culturais, entrevistas com consumidores e funcionários daqueles estabelecimentos, fotos etc.

Fernando Gomes está chegando

O retorno de Fernando deve agitar o universo da eleição 2012. Geraldo Simões e Davidson Magalhães ocuparam espaço nestes dias, cada um dentro dos limites a que se propôs.

Considerando o PMDB, como lembramos dia desses, as confabulações preliminares entre o gedelismo e o geraldismo necessitam do referendo do líder local, já que nem Renato Costa, nem João Xavier detêm a palavra sobre o partido em Itabuna, atuando como coadjuvantes.

A última palavra é de Fernando. Ainda que seja para deixar o partido.

Ou contribuir para o inimaginável: FG e GS de mãos dadas em defesa do futuro desta terra!

Quosque tanden

Passeava tranqüila pelo Jequitibá ilustre magistrada acompanhada de dois seguranças. Ninguém a reconheceria se não fosse a indumentária dos protetores: terno e gravata escuros. Não se negue o direito à proteção. Afinal, em que pese inúmeros juízes desta Comarca andarem leves e soltos ainda que pondo traficantes e criminosos outros atrás das grades, temor pode haver à luz da consciência de cada um.

O que chamou a atenção de muitos, no entanto, foi a circunstância de os seguranças estarem de terno e gravata. O que de imediato remetia à indagação: quem é a pessoa protegida? Ou seja, a desconhecida magistrada para a totalidade dos que por lá estavam passou a ser conhecida pela ostensiva proteção.

O tempora o mores

Não tardou também por lá chegou outro magistrado, conhecido por todos e inteiramente “desacompanhado”, distribuindo e recebendo sorrisos e abraços.

Alguém observou: – Bons tempos aqueles em que o juiz não precisava de segurança!

E complementaríamos: e se entendia com a comunidade, que o reverenciava, tampouco se dava por impedido de atuar em centenas de processos por guardar mágoa no frízer.

Itororó sai na frente

A terra da famosa carne de sol vive inusitada circunstância à luz da realidade brasileira: tornou-se um “pólo formador de leitores”, tudo motivado pelo livro recentemente lançado pelo prefeito Adroaldo Almeida. É o assunto da cidade em esquinas, bares, igrejas, farmácias, consultórios e, naturalmente, salões de beleza etc.

A polêmica que “discute” o conteúdo da obra – transformando em críticos uma parcela de itororoenses, que descobriu o gosto pela leitura – alimenta, segundo comentários, outro dado: a mais lida no Brasil de hoje.

Não tivesse a obra nenhuma importância literária já teria o condão, altamente positivo, de elevar o número de leitores no âmbito do município. Afinal, ainda que o índice de leitura anual do Brasil tenha saído de 1,8 para 4,7 livros por habitante entre 2000 e 2010 (www.vermelho.org.br/noticia, “Índice de leitura no Brasil cresce mais de 150% em dez anos”, de 27 de fevereiro de 2011), Itororó está em muito superando os indicativos nacionais.

Itororó I

Descobriu-se em Itororó um excelente passatempo e – como diriam os de antigamente – um perfeito “desopilador para o fígado”: ouvir as transmissões da sessão semanal da Câmara Municipal.

Afirmam ser o melhor programa humorístico da radiofonia nacional, tendo gente pensando em gravar para fins de comercialização.

Itororó II

Temas palpitantes têm sido abordados em debates pelos ilustres pares. À guisa de ilustração, um vereador levou à dialetização edilício-itororoense a “página 157” do livro de Adroaldo.

Afirmam os que acompanharam a tertúlia de suas excelências que foi muito proveitoso para o futuro do município.

Tamanha a repercussão que os que convivem e se comunicam com o Além informam: Stanislaw Ponte Preta, a propósito da atuação dos senhores vereadores, pretende lançar uma edição psicografada de seu famoso “Febeapá” apenas se utilizando das pérolas registradas em ata.

Itororó III

A obra tornou-se o frisson no pequeno município que luta para superar as 20 mil almas, que dividiu-se em torno da livro publicado por Adroaldo Almeida, menos por sua dimensão literária e mais pela paixão política. Afinal, é o primeiro prefeito escritor e não deixa de incomodar aos que não dispõem de igual veia poético-contista.

Mas, como natural em instantes tais, algumas línguas ferinas já destacaram no alcaide uma virtude: a de haver introduzido (ops!) na cidade a “literatura de bordel” para contrapor-se àquela teimosa literatura de cordel.

Que maldade!

Mudanças à vista

A tradicional “malhação do judas” tende a não se realizar em Itororó neste sábado de Aleluia, substituída pela “malhação do livro de Adroaldo”, que – dizem – é muito mais interessante.

Pena Branca e Xavantinho

Ainda com o caipira mineiro de Pena Branca e Xavantinho essas duas marcas: “Poeira”, de Luiz Bonan e Serafim C. Gomes e “Cio da Terra”, de Milton Nascimento e Chico Buarque em inigualável e único expressar estético-musical.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoImaculada manhã de sábado, sol escaldante ferventando o asfalto, impregnando de suor quem transita o Beco do Fuxico. O ABC da Noite em operação acolhe a freguesia fiel. Conversas variadas vão-se atropelando. Cabôco Alencar, atento e diligente, desdobra-se. Num estalo um tema concentrou maior atenção: a cidade de Itabuna e o amor dos que ali estavam pela terra que os acolhera ou os fizera nascer, o que motiva vaidoso comentário:

– Eu moro aqui há mais de vinte anos! – declara-se romântico aluno.

A verve alencarina não perde a deixa:

– Não tarda completar a pena máxima, Cabôco.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

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