BAHIAGAS - 25 ANOS

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TSE mantém cassação do mandato de Rosinha Garotinho

Domingos Matos, 11/09/2019 | 12:38

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, na sessão de ontem (10), a cassação dos mandatos de Rosinha Garotinho e de Francisco de Oliveira, ex-prefeita e ex-vice-prefeito de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, em 2012, pela prática de abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação na campanha eleitoral. A decisão também manteve a inelegibilidade dos dois políticos por oito anos.

Os ministros do TSE negaram três recursos propostos por Rosinha e Francisco contra as sanções aplicadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Eles votaram ainda pelo provimento de recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).  

Acompanharam, na íntegra, o voto do relator Herman Benjamin, os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e a presidente do tribunal, ministra Rosa Weber.

Em seu voto, Herman Benjamin, ao rejeitar os recursos interpostos por Rosinha e Francisco, endossou a decisão do TRE do Rio, que constatou abusos no desvirtuamento da propaganda institucional do município, veiculada no site da prefeitura de Campos. De acordo com o MPE, a publicidade institucional teria propagado obras feitas pela administração municipal como se fossem realizações pessoais de Rosinha, com o único objetivo de promover a reeleição ao cargo.

O relator também votou pelo provimento do recurso do Ministério Público Eleitoral. Na ação, o MPE acusou os dirigentes municipais de contratarem 1.166 funcionários temporários para a prefeitura em julho de 2012, ou seja, em período vedado pela legislação eleitoral. O TRE-RJ havia rejeitado a investigação judicial eleitoral do MPE sobre essa questão, por considerar que as contratações teriam ocorrido em data não proibida pela legislação.

 

Voto

Ao apresentar o voto, o ministro Carlos Horbach negou provimento aos recursos propostos por Rosinha Garotinho e seu vice, Francisco de Oliveira. Ele também votou pela rejeição do recurso sobre as contratações dos funcionários temporários.O ministro considerou graves todos os atos praticados por Rosinha e Francisco e apreciados pelo TRE do Rio com relação ao abuso de poder político e ao uso indevido dos meios de comunicação na campanha eleitoral.

 

Prisão do casal

No dia 3 deste mês, o casal Rosinha Matheus e Anthony Garotinho foi preso no âmbito da Operação Secretum Domus, deflagrada no Rio e em Campos dos Goytacazes, pelo Ministério Público. A denúncia foi aceita pelo juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense.

De acordo com a denúncia, o casal recebeu propinas no valor de R$ 25 milhões, como resultado de superfaturamento de R$ 62 milhões nos contratos, que somaram quase R$ 1 bilhão para a construção de casas populares nos programas Morar Feliz I e Morar Feliz II, durante os mandatos de Rosinha, de 2009 a 2016, na prefeitura de Campos. As investigações indicaram que o segundo projeto não chegou a ser concluído. No dia seguinte (4), o casal foi colocado em liberdade por determinação do desembargador Siro Darlan, do plantão judiciário, do Tribunal de Justiça do Rio. (Com informações da Agência Brasil)

Ex-governadores do Rio são presos por receber R$ 25 milhões em propina

Domingos Matos, 04/09/2019 | 09:11

Os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Matheus tiveram prisão preventiva decretada ontem (3) na operação Secretum Domus. De acordo com as investigações, os dois receberam R$ 25 milhões em propinas da empresa Odebrecht, resultado do superfaturamento de R$ 62 milhões nos contratos, que somaram quase R$ 1 bilhão para a construção de casas populares nos programas Morar Feliz I e Morar Feliz II, durante os mandatos de Rosinha, de 2009 a 2016, na Prefeitura de Campos, no norte fluminense.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro foi recebida com as medidas cautelares decretadas pelo juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goytacazes. 

A promotora de Justiça e coordenadora do GAECO, Simone Sibilio, durante coletiva de imprensa no Ministério Público do Rio de Janeiro(MPRJ), sobre a prisão dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os promotores de Justiça que atuaram nas investigações que levaram às prisões decidiram pela prisão preventiva para evitar que os dois pudessem interferir no andamento do caso. Segundo a promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), Simone Sibilio. o casal tem grande influência no município de Campos.

“É notório o poder dissuasório que, sobretudo os dois, agora réus, possuem no município de Campos. O regular andamento dos processos exige a prisão de todos os denunciados para que a colheita das provas em juízo possa se dar livre da ingerência dos acusados nesta instrução criminal, portanto, o Ministério Público requereu [a prisão] e o judiciário decretou, a nosso ver, corretamente. O Ministério Público espera que assim permaneça”, disse durante coletiva na sede do MPRJ, no centro do Rio.

Na Operação Secretum Domus, deflagrada ontem pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), na capital fluminense e em Campos dos Goytacazes, foram cumpridos cinco mandados de prisão e cinco de busca e apreensão. Além do casal, foram presos Sérgio dos Santos Barcelos, Ângelo Alvarenga Cardoso Gomes e Gabriela Trindade Quintanilha. Com os denunciados, os agentes recolheram material eletrônico como computadores e celulares, uma quantia em dinheiro, cujo valor não foi revelado e jóias. Com Rosinha e Garotinho apenas materiais eletrônicos.

“No que ficou apurado a solicitação das vantagens se dava em benefício de ambos [Rosinha e Anthony] e os outros três denunciados [Sérgio, Ângelo e Gabriela] figuravam como intermediários desse recebimento das quantias indevidas”, disse a promotora de Justiça, Ludmila Bissonho Rodrigues.

Ludmila informou que os crimes imputados são de organização criminosa e corrupção passiva e ativa. Para a configuração desse crime não é necessário que se comprove quanto ficou para cada destinatário no final, o mero fato de ter solicitado a vantagem já configura o crime. “Nós não temos como precisar exatamente quanto ficou para cada um a divisão interna entre eles. Isso será alvo de buscas durante a instrução criminal”, disse, acrescentando que ainda não foi possível recuperar nem parte do valor das propinas.

“Uma das medidas cautelares solicitadas, o sequestro de bens, foi justamente para, que ao final, comprovados os fatos, se tende alguma recuperação dos prejuízos sofridos pelo município de Campos”.

 

Operações estruturadas

Segundo a promotora Ludmila, o dinheiro das propinas saía do setor de operações estruturadas da Odebrecht, que funcionava também para pagamentos indevidos identificados na Operação Lava Jato. A entrega até o local acordado era realizada por meio do prestador de serviço Álvaro Galliez Novis e da Transportadora Transmar. “Eram responsáveis por fazer a entrega da quantia ilícita em favor dos beneficiários, em, espécie”, contou Ludmila.

As investigações indicaram que Sérgio Barcelos atuou como intermediário do recebimento das quantias indevidas em 2008, que foi o primeiro período em que as solicitações começaram. Já Ângelo Alvarenga Cardoso Gomes intermediou as propinas em 2012 e Gabriela Trindade Quintanilha em 2014.

Conforme Ludmila, Garotinho era identificado nas planilhas de propinas da Odebrecht como Bolinha, Bolinho e Pescador. Ela não informou se os outros também tinham codinomes.

“A denúncia se sustentou e teve como foco uma investigação no município de Campos dos Goytacazes em que se descortinou o gigantesco esquema criminoso no município referente a contratações fraudulentas ou superfaturamento, certames licitatórios recheados de irregularidades, sobretudo, superfaturados relativos à construção de casas populares”, apontou Simone Sibilio, acrescentando, que as licitações ocorreram em 2009 e 2013.

 

Prejuízos

Os dois contratos previam a construção de quase 10 mil casas populares, mas de acordo com Ludmila Bissonho Rodrigues, não foram totalmente cumpridos. “No Morar I, cinco mil casas foram entregues, mas no Morar Feliz II houve uma interrupção no contrato e na execução contratual cerca de apenas 700 casas foram construídas, das 4700 previstas para serem construídas”, contou.

“Conforme a perícia, ficou demonstrado que muito embora o custo tenha sido considerado bastante alto, inclusive, objeto de superfaturamento, a qualidade não se comprovou boa diante das condições que essas casas se encontram atualmente no município de Campos”, completou.

 

Permanência

Ao responder a questão da permanência de Garotinho na prisão, uma vez que em prisões anteriores (esta é a quarta), ele conseguiu sair em pouco tempo, a promotora Simone Sibilio afirmou que o Ministério Público demonstrou na denúncia a necessidade da prisão e da sua manutenção. Mas o tempo em que ele ficará no sistema prisional depende do poder judiciário. “Isso quem decida a mantença ou não é o poder judiciário, portanto, é algo que a gente não pode prever, mas até o momento o poder judiciário está de parabéns e ombreou decretando a prisão e o recebimento da denúncia”, disse.

 

Exoneração

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, determinou a exoneração de Sérgio dos Santos Barcelos, que ocupava o cargo de subsecretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. “O ato será publicado no Diário Oficial de amanhã (4)”, informou, o governo do estado, em resposta à Agência Brasil.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, determinou a exoneração de Sérgio dos Santos Barcelos, que ocupava o cargo de subsecretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. “O ato será publicado no Diário Oficial de amanhã (4)”, informou, o governo do estado, em resposta à Agência Brasil.

 

Defesa

Em nota, a defesa dos ex-governadores Rosinha Matheus e Anthony Garotinho afirma que a prisão determinada pela 2ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, “é absolutamente ilegal, infundada e se refere a supostos fatos pretéritos”. 

A defesa do casal enfatiza que a prefeitura de Campos pagou apenas pelas casas efetivamente prontas e entregues pela construtora Odebrecht. A defesa enfatiza ainda que a Odebrecht considerou ter sofrido prejuízo no contrato firmado com a prefeitura de Campos e ingressou com ação contra o município para receber mais de R$ 33 milhões. A ação ainda não foi julgada e em janeiro deste ano a justiça determinou uma perícia que sequer foi realizada. 

O advogado Vanildo José da Costa Junior, que defende o casal de ex-governadores do Rio, “estranha, portanto, que o Ministério Público fale em superfaturamento quando a própria empresa alega judicialmente ter sofrido prejuízo e lamenta a politização do judiciário de Campos e do Ministério Público estadual, que teve vários de seus integrantes denunciados pelo ex governador Anthony Garotinho à Procuradoria-Geral da República”.

A defesa informou que vai recorrer da decisão. (Com informações da Agência Brasil)

Temer e filha viram réus por lavagem de dinheiro em São Paulo

Domingos Matos, 04/04/2019 | 17:34

A Justiça Federal de São Paulo aceitou nesta quinta-feira (4) a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus o ex-presidente da República, Michel Temer, e sua filha, Maristela Temer, sob acusação do crime de lavagem de dinheiro. Também tornaram-se réus pelo mesmo delito João Baptista Lima Filho, conhecido como coronel Lima, e sua esposa, Maria Rita Fratezi, controladores da empresa Argeplan.  

“A narrativa [da denúncia do MPF] é clara o suficiente para permitir o exercício do direito de defesa e os fatos narrados configuram, em tese, infração penal. A denúncia é ainda lastreada em indícios mínimos de autoria e de materialidade da infração penal imputada aos acusados”, disse na decisão o juiz federal substituto da 6ª Vara Criminal Federal Especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e em Lavagem de Valores, Diego Paes Moreira. 

Segundo a denúncia do MPF, Maria Rita Fratezi e Maristela Temer, entre os anos de 2013 a 2015, sob a orientação e comando do ex-presidente Temer e do coronel Lima, teriam ocultado e dissimulado a origem de R$ 1,6 milhão, empregando o valor na reforma da residência de Maristela , na capital paulista. 

De acordo com a acusação, o montante não pertencia a filha de Temer e foi obtido em decorrência de crimes contra a administração pública praticados pela empresa Argeplan. O MPF destaca que o escritório da Argeplan, na vila Madalena, zona oeste da capital, foi o local de entrega de duas remessas de propina pagas em 2014 pela JBS e pela empreiteira Odebrecht, no valor somado de R$ 2,4 milhões.  (Com informações da Agência Brasil)

Advogados revelam real dono do tríplex

Alegações finais da defesa do ex-presidente mostram julgamento político do ex-presidente Lula

Domingos Matos, 20/06/2017 | 10:12

Cristiano Zanin Martins* 
Valeska Teixeira Martins*

As alegações finais da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no famoso caso do "tríplex do Guarujá", que apresentamos nesta terça (20), demonstram sua inocência, que se assenta sobre prova real e palpável. A absolvição é o único resultado possível da apreciação racional, objetiva e imparcial da prova encartada aos autos. Nesta terça podemos apontar o real dono do imóvel.

O apartamento 164 A, do edifício Solaris, está em nome da OAS Empreendimentos S/A, mas, desde 2010, quem detém 100% dos direitos econômico-financeiros sobre o imóvel é um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal. Nada vincula Lula ao imóvel, onde esteve uma única vez, em 2014, como potencial interessado em sua aquisição. Jamais teve as chaves, o uso, gozo ou disposição da propriedade.

Prova da anomalia jurídica que envolve esse caso, em que a presunção de inocência é solenemente violada, foi a defesa que investigou os fatos, destrinchando, após diligências em vários locais do país, essa operação imobiliária executada pela construtora. O resultado afasta a hipótese da acusação.

É inverossímil a conexão entre o ex-presidente e as supostas vantagens ilegais advindas de contratos firmados entre a OAS S/A e a Petrobras. O Ministério Público Federal não fez a prova de culpa que lhe cabia.

Ao depor ao juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba e omitir a cessão integral dos direitos econômicos do tríplex, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, produziu uma farsa para negociar benefícios penais com a acusação. O que o réu admitiu foi uma realidade pré-fabricada. A mentira tinha o objetivo de incriminar Lula e fazer vicejar a fábula do "caixa geral de propinas", ficção contábil sem lastro nos fatos.

Criou-se um "contexto" de "macrocorrupção" com um "comandante" como forma de amplificar o foco de corrupção apurado em 2014, mas o MPF não "seguiu o caminho do dinheiro" pela impossibilidade de provar sua tese.

A ficção é produto de desconhecimento do organograma federal e do complexo sistema de controle interno e externo da Petrobras, incluindo a fiscalização da CGU de Jorge Hage. Como se fosse possível a Lula e a aliados corromper uma estrutura composta por milhares de pessoas, ignorando, ainda, que a Petrobras atende exigências de leis internacionais, como a da Sarbanes-Oxley (SOX), dos EUA, além das fiscalizações internas a que está submetida, como depôs o executivo Fábio Barbosa.

A tese da "propinocracia" nem cabe nos autos. A usurpação da competência pelos procuradores de Curitiba é uma afronta ao Supremo Tribunal Federal.

Esse é um julgamento político com verniz jurídico, um autêntico "trial by mídia", sob a égide de violações e ilegalidades. O inquérito, instaurado em 22/7/2016, tramitou de forma sigilosa até dois dias antes do indiciamento, a despeito dos pedidos de acesso da defesa. O cerceamento sempre esteve presente. A acusação que o MPF imputou a Lula abusou de hipóteses, para atingir sua inconteste liderança política.

O "enredo Lula" foi transformado em "produto comercial", que hoje vende de filmes a palestras em eventos até de cirurgia plástica, como a que fez o procurador Deltan Dallagnol, defensor da teoria "explacionista" e expositor do polêmico Power Point sobre a peça acusatória inaugural em 14/9/2016.

Quanto ao acervo presidencial não há qualquer conduta imputada a Lula na denúncia, buscando-se atribuir a ele responsabilidade penal objetiva incompatível com o Estado de Direito. Como os bens, embora privados, integram o patrimônio cultural brasileiro, segundo expressa disposição legal, o próprio ordenamento jurídico estimula o auxílio de entidades públicas e privadas na sua manutenção.

Se o inquérito inicial tivesse sido conduzido de forma correta e sem verdades pré-estabelecidas, o dono do tríplex teria sido identificado na origem, evitando gastos públicos com um processo descabido, além de proteger as reputações envolvidas. Optou-se por repetir à exaustão a mentira. A explicação para tamanha violação está no "lawfare", que busca propiciar meios para a inelegibilidade de Lula. O objetivo é destruir os 40 anos de vida pública desse trabalhador, que governou o Brasil e foi reconhecido mundialmente por liderar o maior combate à pobreza já visto.

Artigo originalmente publicado na Folha de S. Paulo na edição desta terça-feira (20)

*Cristiano Zanin Martins é advogado de Lula, especialista em direito processual civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é sócio do escritório Teixeira, Martins & Advogados

*Valeska Teixeira Martins é advogada de Lula, é membro efetivo da comissão de direito aeronáutico da OAB de São Paulo e sócia do escritório Teixeira, Martins & Advogados

Nova política: PF diz que corrupção financiou campanha de Campos e Marina

Domingos Matos, 21/06/2016 | 16:07
Editado em 21/06/2016 | 16:08

O esquema criminoso investigado na Operação Turbulência, deflagrada nesta terça-feira (21), pode ter financiado a campanha de reeleição do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em 2010, segundo a Polícia Federal. Também teria envolvimento com a compra do avião Cessna Citation que caiu em Santos (SP), em agosto de 2014, causando a morte do presidenciável.

"O esquema foi utilizado para pagar propina na campanha do governador”, afirmou a delegada federal Andrea Pinho, durante entrevista coletiva no Recife.

A operação teve início com investigações sobre a compra do avião, logo após o acidente que matou Campos e outras seis pessoas, mas chegou a um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado até R$ 600 milhões, segundo a PF. Esse montante seria alimentado por recursos de propinas e usado por firmas de fachada e sócios “laranjas” para fazer a lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal investiga, agora, a relação entre essas empresas citadas na Turbulência – que não tiveram os nomes divulgados – e grupos já envolvidos na Operação Lava Jato e em investigações que estão no Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação prendeu nesta terça-feira quatro empresários suspeitos de integrar a organização criminosa e se beneficiar dela – João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira. Todos foram levados para a sede da PF, no Recife.

Para justificar a prisão, a PF faz a relação entre as empresas deles e o avião usado pela comitiva de Eduardo Campos. Mello Filho afirma ser o dono do avião que caiu e causou a morte do ex-governador de Pernambuco durante a campanha presidencial de 2014. A PF verificou o envolvimento de empresas de fachada na compra da aeronave.

Via G1.com

Cai mais um ministro de Temer por corrupção

Domingos Matos, 16/06/2016 | 17:41

Após ser citado no acordo de delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como beneficiário de propina, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu demissão do cargo na tarde desta quinta-feira (16), informou a assessoria do Palácio do Planalto. O peemedebista é alvo de um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga políticos suspeitos de envolvimento na Lava Jato.

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-presidente da Transpetro relatou ter repassado a Henrique Alves R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014.

Em pouco mais de um mês de governo Michel Temer, esta é a terceira demissão de ministros em razão de envolvimento no esquema de corrupção que agia na Petrobras investigado pela Lava Jato. Antes de Alves, havia sido demitidos os ministros Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).

De acordo com Sérgio Machado, a propina foi paga ao ministro do Turismo da seguinte forma: R$ 500 mil em 2014; R$ 250 mil, em 2012 e R$ 300 mil em 2008. Os valores foram repassados, segundo ele, pela Queiroz Galvão. Outros R$ 500 mil foram pagos em 2010 a Alves, pela Galvão Engenharia, de acordo com a delação.

Os recursos eram entregues por meio de doações oficiais, mas eram provenientes, conforme o delator, de propina dos contratos da subsidiária da Petrobras. Sérgio Machado detalhou que Henrique Alves costumava procurá-lo com frequência em busca de recursos para campanha.

Por meio de nota, Henrique Alves afirmou nesta quarta que todas as doações para as campanhas dele foram oficiais, e as prestações de contas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Via G1.com

Temer e a fazenda que não é sua: de mordomo a ilusionista

Domingos Matos, 10/05/2016 | 09:57

Deve-se ao MST a descoberta de mais uma história edificante envolvendo Michel Temer.

Militantes invadiram a fazenda Esmeralda, em Duartina, interior de São Paulo, que tem “ligação” com o ex-vice decorativo. Ligação é um eufemismo. Temer nega que seja dele.

Mas encontraram uma correspondência em nome de MT, que foi mostrada para a reportagem da Folha. Os moradores da cidade se referem ao local como “a fazenda do Temer”.

O prefeito, Enio Simão, do PSDB, lembra que participou de um evento com o velho Michel ali mesmo, na propriedade, na campanha eleitoral de 2010. O peemedebista chegou de helicóptero.

Segundo o MST, João Batista Lima Filho, o Coronel Lima, é o proprietário formal da Esmeralda. Ele é “coronel da reserva da Polícia Militar da Paraíba, mas curiosamente é proprietário de milhares de hectares de terras”, afirma o movimento em nota.

Sócio da Argeplan, empresa “especializada em obras públicas no Estado de São Paulo”, como aparece no site oficial, Lima “é a pessoa de total confiança de Michel Temer”, relata a revista Época.

Uma relação que remonta aos tempos em que o amigão começou a carreira no governo de Franco Montoro. Lima teria cobrado propina de 1 milhão de reais, em nome de Temer, para as eleições de 2014.

A fazenda não aparece na última declaração de bens de Temer. Com 7,5 milhões de reais em imóveis, veículos e investimentos, ele era, há dois anos, 4,2 vezes mais rico que Dilma Rousseff. O patrimônio havia crescido 24,2% em quatro anos, colocando-o acima de todos os demais candidatos.

É bonito como um homem que está desde os anos 60 no serviço público, ex-advogado trabalhista, tenha amealhado essa fortuna.

Temer é uma espécie de mestre do ilusionismo em matéria de fazer sumir sua riqueza. Em 2008, declarou em cartório ter comprado terras em Goiás por uma quantia 3 290% maior do que a que foi registrada por ele mesmo na Justiça Eleitoral.

Seis anos antes, quando se elegeu pela quinta vez à Câmara, disse ao TRE que comprou do sobrinho Luiz Antônio Schincariol metade de uma fazenda em Alto Paraíso por 10 mil reais.

Como já possuía a outra metade, tornou-se dono único das terras. Numa escritura de novembro de 1998, no entanto, a compra consta como tendo sido de 339,1 mil reais. Em 2010, ele omitiu um imóvel de 2,2 milhões.

A propriedade que não é de Michel Temer em Duartina tem 1500 hectares. Para efeito de comparação, o sítio obrigatoriamente do Lula em Atibaia tem 17,3 hectares.

Quem sabe se dona Marcela enfiar uns pedalinhos lá no meio a Justiça, ou algo parecido, se anima a ir atrás do caso.

Via DCM

Fernando Baiano: Entreguei R$ 4 milhões a Cunha

Domingos Matos, 26/04/2016 | 17:32
Editado em 26/04/2016 | 17:36

Do Brasil 247

Um dos principais lobistas do País, Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, confirmou ter feito pagamentos de propina em espécie ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).  “Eu, pessoalmente, entreguei R$ 4 milhões”, disse ele, aos integrantes do Conselho de Ética.

Apesar de todas as evidências contra si, que incluem várias contas no exterior, Cunha vem conseguindo preservar o seu mandato. Como presidente da Câmara, ele foi o principal responsável pelo golpe parlamentar, que redundou na vergonhosa votação do último dia 17 de abril.

Nesta manhã, na Bahia, a presidente Dilma Rousseff, explorou esse paradoxo: “quem me julga é corrupto” (leia aqui).

Embora o procurador-geral da República Rodrigo Janot tenha pedido ao Supremo Tribunal Federal o afastamento de Cunha, o ministro Teori Zavascki ainda não colocou o caso em votação.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 11/12/2011 | 13:10
Editado em 11/12/2011 | 13:54

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Até que enfim!

carta capitalFalamos dele ainda no curso da campanha presidencial de 2010. O livro de Amaury Jr, “A Privataria Tucana”, desnuda o escândalo que foi o processo de privatizações no período de FHC. José Serra, dentre outros (inclusive filha e genro), é ponto alto do livro. Com Daniel Dantas pagando propinas aos tucanos.

Detalhes da pesquisa e documentos que embasam a publicação estão na CartaCapital que circulou na sexta 9.

Sobejos motivos

Coincidências ou não, enquanto a edição de CartaCapital chegava às bancas com a matéria, FHC cancelava a noite de autógrafos que faria para o lançamento de “A Soma e o Resto” na mesma sexta, em São Paulo.

Não sabemos se temeu que algum repórter “inconveniente” de uma dessas revistas não menos “inconvenientes” perguntasse sobre o assunto, motivado pelo fato de Eduardo Jorge, então seu assessor direto no Palácio do Planalto, ser “personagem” do livro.

E – quem sabe? – resolvesse avançar sobre aqueles 400 milhões gastos na Feira de Hamburgo sob controle do filho de FHC.

Outros tempos

sophiaPara os que somos do tempo em que o corpo da mulher era valorizado pelas formas e não pelos requebros. Violão, silhueta em 8, ampulheta ou “cintura de pilão”, como cantou Luiz Gonzaga em “Cintura Fina” (Zé Dantas-Luiz Gonzaga).

Para qualquer conceito, a Sofia Loren, de priscas eras.

Ferradas como destino

Geraldo Simões está coberto de razões quando defende a instalação do campus itabunense da Universidade Federal do Sul da Bahia-UFESBA às margens da BR-415, mais precisamente no entorno de Ferradas.

Todas as virtudes espaciais orientam a instalação para aqueles limites. A começar pela expansão do perímetro urbano de Itabuna passando pela contribuição ao desafogamento do trânsito na cidade.

Conversa sem prumo I

O município de Itabuna, por outro lado, precisa definir entre se aproveitar concretamente da oportunidade histórica de sediar a universidade ou favorecer municípios vizinhos, como o de Buerarema, mais beneficiado que Itabuna caso se desloque o campus para o eixo da BR-101 sentido Macuco.

A sociedade precisa encampar a luta para que o campus fique efetivamente em Itabuna e beneficie esta terra com o máximo que possa oferecer.

Conversa sem prumo II

A discussão sobre o local a ser doado pelo município de Itabuna ocorre praticamente às escondidas, na sede do poder. A sociedade não tem acompanhado os seus termos, tampouco os aspectos técnicos que a norteiam.

Todos sabemos que se encontra em andamento a duplicação da BR-101. Nenhum de nós será ingênuo para imaginar que o trajeto da rodovia respeite o traçado original, nos limites itabunenses.

Lógico que contornará o perímetro urbano de Itabuna. Para tanto respeitará não só a zona urbana propriamente dita como a zona de expansão urbana, aquela aprovada por lei municipal visando oferta de áreas para construções que avançarão para além dos atuais limites da cidade.

Também é crível que não chegaria ao absurdo de contornar o perímetro itabunense fazendo-o pela margem esquerda da rodovia, no sentido Norte-Sul.

Assim, não tenhamos dúvida de que a duplicação da BR-101 se desviará, nos limites de Itabuna, em local um pouco além de Ferradas, onde surgirão novo cruzamento e viaduto sobre a BR-415, no trajeto que se estenderá até o reencontro com o traçado original, para além do posto da Polícia Rodoviária Federal.

A solução

Há um grupo de proprietários rurais no entorno de Ferradas disposto a doar em torno de 100 hectares para a instalação do campus da UFESBA. Dentre eles o médico Antônio Mangabeira e os empresários Helenilson Chaves e Nilsinho Franco.

Estranha que a Prefeitura não tenha ainda ido ao encontro dessa solução, a custo zero para o município, utilizando-se, inclusive, do espaço programado para a instalação do Centro Industrial de Itabuna-CITA, desenvolvido na administração de José Oduque Teixeira (1973-1977).

Necessidade

O assunto não pode ser discutido sem a presença concreta da sociedade itabunense. A conquista da UFESBA tem que ser aproveitada para beneficiar Itabuna o mais concretamente possível.

Se há esse grupo de “doadores” em potencial, de visão privilegiada e futurística, não pode a administração municipal caminhar pela contramão da realidade.

Especialmente quando nada custará ao erário municipal.

Saulo Pontes

Estes poucos detalhes e mais aqueles necessários à compreensão do traçado da rodovia, aliado ao projeto viário que exige o complexo intermodal para desafogar os perímetros urbanos de Itabuna e Ilhéus, podem ser trazidos a lume pelo engenheiro Saulo Pontes, ex-diretor do DNITT na Bahia e atual diretor do DERBA.

Por sinal, a única pessoa que temos como suficientemente informada sobre o assunto.  

Abobrinhas I

Engenharia política não ocorre às claras. O PFL tornado DEM continua sofrendo reveses, acelerando a perda de sua densidade eleitoral e queda no imaginário político-eleitoral do país. A extinção da legenda, nos atuais termos (ou seja, com os atuais componentes) já é admitida por lideranças. O PSD acelerou o processo.

Apesar de negado, o ingresso de ACM Neto no PMDB pode ocorrer. Se não em 2012, mas em 2013. Levará todas as prefeituras conquistadas sob seu comando.

Abobrinhas II

Uma aliança DEM-PMDB não pode ser descartada em 2012 na Bahia. A oposição local, em cada município, é problema da situação/governo da Bahia. O argumento de que o fato de o PMDB integrar a base do governo Dilma asseguraria o apoio do PMDB ao PT baiano nas eleições municipais seria admitir a renúncia de lideranças, como Gedel, se articularem para projetos maiores, já ensaiados, como a governança do Estado logo em 2014.

Abobrinhas III

O PMDB baiano é parcela do PMDB nacional, sim. No entanto, interessa ao governo federal o PMDB como um todo na base de sustentação política, ou seja, em nível do Congresso Nacional. Lutas intestino-provincianas, se não afetam ou fraturam a base de sustentação na Câmara Federal e no Senado, ficarão no que são: briga de quintal particular.

Marcar posição, em 2012, com um projeto que não assegura futuro, não interessa à arquitetura em andamento. Melhor marcar posição. Ainda que apoiando outra candidatura.

Assim planejam as lideranças acima das municipais.

Quem não concordar encontra a desfiliação como solução. Que não afetará o partido caso vença eleição.

Feio mesmo é perder. Essa a lição mais antiga em política.

Pensar na política em sede municipal fica no âmbito da utopia. Como falar de abobrinhas.

A propósito da proposta de Ramiro I

A função da comunicação e do jornalismo, ainda que não fosse levada sob o trilhar da ética, é não somente reproduzir o que lhe chegue às mãos. Mas, filtrar a informação de forma que possa contribuir para o contexto social. Isso não está fora dos alfarrábios do jornalismo.

A visão de que o “mercado” determina a informação leva aos absurdos que vivenciamos.

Tanta miséria e tanta desgraça alimentam mais miséria e mais desgraça. E não precisamos de leituras de autoajuda para compreender isso.

A propósito da proposta de Ramiro II

Montaigne (1533-1592), humanista e filósofo francês, questionou a fama. Para o escritor, tido como pai do ensaísmo, a maior glória para ele era viver tranqüilo. Isso se opunha à fama, ou a glória aos olhos alheios. Que dizer dos que buscam 15 minutinhos dela, para lembrar Andy Warhol? E por cima, explorando a miséria alheia?

“Que sei eu”, dizia-o sob invocação socrática, para especular o homem como um todo no convívio social.

No entanto, no teatro do mundo moderno, a verdade que nos chega através do jornalismo sensacionalista e imediatista, alimento da fama efêmera, torna-se mendicância da informação e negação do homem como ser.

Ainda que estejamos no limiar de uma nova Era.

Crueldade I

Um cidadão sentou-se para almoçar em uma churrascaria de Itabuna, na segunda 5, e como a televisão estava ligada pediu que fosse sintonizada na TV Santa Cruz, para ouvir o noticiário local.

As várias matérias do primeiro bloco, à exceção de uma só notícia, mostraram cenas de matadouro e açougue, não dispensando nem mesmo rajas de sangue fresco dentro de uma ambulância.

De vomitar e tirar o apetite!

Crueldade II

E nos veio à mente nosso rodapé Exemplo a ser seguido (de 4 de dezembro), “As más notícias, algumas necessárias, não podem se sobrepor às boas”, na mensagem de Ramiro Aquino no seu “Ramiro na Squina”, no Diário Bahia daquele fim de semana.

Uma salutar ideia para reduzir tanta crueldade.

Eduardo Anunciação

eduardoEduardo recebe reconhecimento em Ilhéus, que o outorga com o título de “cidadão ilheense”. Em Itabuna, só cobrança. Na praieira, não precisou de décadas para merecer reconhecimento.

A indigência ainda permeia as coisas ou, se muito otimista, muitas coisas em Itabuna.

Por aqui falta espaço para tanto ego.

Centro de excelência

Não encontrou o destaque merecido a retomada das cirurgias de transplantes renais no Calixto Midlej.

A não ser na lembrança de Dr. João Otávio em sua coluna (Cotidiano) no Diário Bahia deste fim de semana.

Planejamento tardio

azevedo curitibaAzevedo quer Jaime Lerner elaborando projetos urbanísticos para Itabuna. Para uma administração que ainda não definiu quem efetivamente comanda a gestão municipal, tantos os interesses particulares em jogo, a pretensão começaria por indagar quem controlará essa revolução. E para quando.

A companhia que teatralizou a visita a Curitiba bem ilustra a dimensão da iniciativa. Já registrada em foto para a posteridade.

E pela história de suas ações na gestão pública remete a uma ópera bufa.

Bola de cristal

Como a gestão está prestes a findar-se (mais um ano) e não há possibilidade de estudos viabilizarem a execução de projetos ainda no atual mandato do alcaide, das duas uma: ou Azevedo está planejando “para o futuro” (o que não fez ainda para o presente) ou está certo da reeleição.

Desvio de função

Dra. Sara Mandra Russioleli, Procuradora de Justiça do Estado da Bahia, advertiu políticos regionais, incluindo a nominação de dois prefeitos (José Nilton Azevedo, de Itabuna e Newton Lima, de Ilhéus), no sentido de melhor administrarem a coisa pública. Para ela, dentre as que tiram “leite de criancinhas” e que “precisam ter mais seriedade com a gestão pública municipal”.

Dentre as funções do Ministério Público está a fiscalização da gestão no que concerne à defesa dos interesses da coletividade. A instauração de procedimentos apuratórios, amparados em justa causa, viabilizam medidas judiciais.

Parece-nos que, por dever de função, mais cabia à ilustre titular do parquet estadual peticionar contra os gestores e não apenas nominá-los.

Devendo I

O jornal “A Região” deste fim de semana estampa em manchete de capa a informação de que o “Mapa da Corrupção do MPF inclui 25 de Itabuna e Ilhéus”. O texto (p. 9) declina os nomes dos ex-prefeitos Fernando Gomes e  Jabes Ribeiro e o atual gestor de Ilhéus Newton Lima.

Em Itabuna, ainda segundo o jornal, há “ações contra ex-diretores do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, ex-secretários municipais, ex-diretores de fundações e empresários”.

A matéria faz referência a vários processos, enumerando-os, dando a entender ter tido acesso a eles.

Devendo II 

Como citou nominalmente Fernando Gomes, Jabes Ribeiro e Newton Lima o jornal deixou um gostinho no leitor de saber quais os itabunenses “ex-diretores” do HBLEM, “ex-secretários municipais” e “ex-diretores de fundações”. Sem esquecer dos “empresários”.

Ficou devendo. Os nomes ou as explicações por não publicá-los.

Um e outro

Dois instantes, em muito diversos, encontram-se e afinam-se na singularidade do domínio do instrumento e na espontaneidade das execuções: a forma inusitada de tocar de Ronie Moipolai, de Botswana, com “Baloi”, e o guitarrista Jeff Beck, da Inglaterra, com “She’s a woman” (Lenon-MacCartney).

Cantinho do ABC da Noite

cabocoRecife tinha em Gilberto Freire o “Mestre de Apipucos”, Itabuna, em Alencar Pereira, o “Mestre do ABC”. Fonte de compreensão do semelhante a partir de suas tiradas, quase sempre centradas na análise do comportamento humano que o circunda, buscando eliminar idiossincrasias e preconceitos.

Como ocorreu no ABC da Noite naquela manhã sabática, quando o cidadão humilde, petista reencontrado cidadão pelas políticas sociais do governo federal, invadiu a seara abecedarina fortalecida naquele instante de oposicionistas, anunciando-se arauto do futuro com o expressar:

– Eu voto no PT – declarou desafiador, enquanto fazia o sinal/ritual do pedido (aproximar o indicador do polegar), ainda no batente:

– Ora, deixe de política! – interrompe um dos que ocupam o espaço e queria ver a reeleição de Lula ir às favas.

Incontinente interveio Alencar, peremptório, em defesa da liberdade de expressão abecedarina e conciliando em torno da filosofia que norteia o local:

– Você está no ABC, pode usar qualquer letra do alfabeto.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 13/11/2011 | 17:07
Editado em 14/11/2011 | 07:39

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

São Paulo – Brasil

USPSem maiores aprofundamentos sobre o que acontece em São Paulo, fica-nos o cheiro de que algo anda errado. As cracolândias são o caos da atualidade, seja-o pelo que representam em si de degradação social, seja-o por alimentar o que há de mais deletério: o tráfico e os traficantes, que deram de andar protegidos por aparato do Estado, como no Rio (a segurança do traficante Nem se constituía de policias fazendo um “extra”).

Mas, sem proselitizar o uso de qualquer droga (lícita ou ilícita), o caso da USP deixa um quê de estranho, quando o Estado, sob o pálio da proteção à comunidade acadêmica, se volta para prender “perigosos maconheiros” que andam usando o objeto do particular hedonismo no campus da tradicional universidade paulista.

Ainda que anárquico, ficamos com o chargista diante do que aparenta ser uma nova organização criminosa. Por sinal tão antiga como uma velha profissão, mudado apenas o caminho para a estesia. E, como aquela, presente em todas as camadas sociais desta contemporaneidade.

Palavra técnica

Não está fora de propósito a observação de Walter Fanganiello Maierovitch no Terra Magazine – “A hora e a vez da Rocinha e o campus da USP: Rio prende traficante e, São Paulo, universitários usuários de maconha” – postado por Luis Nassif Online, desta sexta 11:

 “A propósito, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta a criminalidade organizada com uma adequada política de segurança (substituiu a militarizada e populista posta em prática irresponsavelmente pelo governador Sergio Cabral), a do governador Geraldo Alckmin optou, com apoio na linha neofascista da Lei&Ordem, pela perseguição a universitários que fumam maconha no campus da Universidade de São Paulo (USP). Isto com finalidade lúdico-recreativa (não medicinal)”.

“Em tempo de imunidade penal pelo mundo civilizado, como se nota por vários institutos premiais (plea bargaining, delação premiada, pattegiamento, bagatela, remição, desassociação etc), investe-se em São Paulo no de menor potencial ofensivo, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização criminosa que já desmoralizou as polícias paulistas, espalha-se e difunde o medo na periferia da capital”.

Para refletir I

À Polícia Federal, na madrugada de quinta-feira, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, Rio de Janeiro, afirmou que “Metade do dinheiro que eu ganhava era para o ‘arrego’” (propina), que em alguns momentos lhe tomava 100% de tudo. (De Antônio Werneck – werneck@oglobo.com.br – n’ O Globo.com.

Ainda que não confirmado, o faturamento do ilustre Nem chegava a 100 milhões de reais ano.

A matéria diz que o traficante deu nome aos bois – policiais civis e militares e “agentes públicos”.

Ansiamos pelos nomes. Pelo menos dos agentes públicos não policiais.

Para refletir II

Em São Paulo um acusado de tentativa de furto teve a prisão decretada imediatamente pela Magistrada. O atrasado, que não chegou a tempo para audiência, por morar no outro extremo da “vila”, não foi perdoado pelo atraso, ainda que tenha chegado ao fórum, o que ocorreu três horas depois de condenado a um ano e seis meses de reclusão em regime fechado.

O crime cometido: tentativa de furto de três latas de atum e de uma lata de óleo, que, juntos, somavam 20,69.

Celeridade judicial é isso! E para azar do infeliz, não tem como impetrar habeas corpus ao Ministro Gilmar Mendes no STF.

Comunicação

Ainda que seja melhoria na comunicação a presença do PT na administração municipal de Ilhéus sinaliza eficiência. A presença do prefeito Newton Lima, acompanhado do deputado Josias Gomes, ocupa o noticiário.

Noticiário positivo.

Descobrindo a pólvora

Muitos pepistas itabunenses andam empolgados com campanhas contra a corrupção.

Para não perder o embalo seria oportuna a presença de lideranças nacionais no movimento local.

Começando por Paulo Maluf.

Cultura I

O Ministério da Cultura – ou simplesmente Minc – viveu fase de propostas inovadoras, tendo Gilberto Gil como Ministro, sucedido por Juca Ferreira. Baianos que redimensionaram a visão de como construir projetos tendo a cultura e as tradições de nossa gente como alavanca da identidade nacional.

Ficaram famosos os “Pontos de Cultura” e “Cultura Viva”.

E uma pretensão de Lula estava em andamento: uma espécie de “vale cultura”, incentivo ao consumo cultural. Quem o portasse poderia trocá-lo por livros, revistas, teatro, cinema, DVDs, discos.

Cultura II

No governo do nordestino retirante e ex-metalúrgico, Luís Inácio Lula da Silva, os recursos – por ele prometidos para alcançar 1% do Orçamento – saíram de 397,4 milhões, em 2003, para 2,29 bilhões em 2010.

Caíram para 2,13 bilhões em 2011 e despencam para 1,79 bi em 2012.

Esperávamos de Ana de Hollanda que, caso não avançasse com o “vale cultura”, pelo menos não retrocedesse nas políticas implantadas durante o governo Lula.

Cultura III

Coisas deste Brasil. Tem gente que envereda na área cultural só pela exposição. Alguns, também pela remuneração.

No fundo, edificar o álbum pessoal com fotografias ao lado de famosos torna-se mais importante.

Itororó I

Duelo singular vai sendo travado na terra da carne de sol. Enquanto o ex-companheiro Milton Marinho desanca a administração municipal Itororó vai conseguindo lauréis nacionais e internacionais.

Como as premiações não podem ser atribuídas a “agrados” do premiador, dá a entender que Milton enfrenta mesmo é uma briga pessoal com Adroaldo.

Itororó II

Chegam informações de que em Itororó, muitos dos pretensos adversários de Adroaldo não poderão candidatar-se. Problemas com a Justiça Eleitoral. Ainda que por irregularidades banais – mas fatais – como filiar-se em partido sem desfiliar-se do anterior.

Tempos mornos I

Ultrapassada a fase de filiações, marcada por arregimentação de novos quadros ou cooptação de nomes de expressão aqui e ali trazidos para siglas de maior expressão, a eleição de 2012 se encontra em fogo brando.

As conversas de bastidores vazam, dando o rumo desta ou daquela liderança a procura deste ou daquele candidato em potencial que possa cerrar fileiras com seu projeto. Não mais como filiado, mas como integrante de uma “grande coligação” para salvar Itabuna.

Tempos mornos II

Nada mais se ouviu de Geraldo Simões sobre o teatro e o centro de convenções. Acabou o “amor” pelas artes e cultura local, traduzido nas falas há pouco com Fernando Gomes, intermediadas por Raimundo Vieira.

Dissemos, em algum instante, que beirava o nonsense imaginar que Geraldo defendesse a continuidade das obras em terras de Fernando por simples altruísmo.

Tempos mornos III

GS tentou atrair parcela do PMDB através de FG que, como descobriram alguns, nem mesmo filiado estava ao partido. Mas o via com peso e densidade eleitoral para seu projeto político. Inimigo (não mais tanto) útil.

Deu com os burros n’ água até esse instante. Fica para um segundo momento. Caso Roberto Barbosa não descole para uma campanha capaz de derrotar Azevedo.

Tempos mornos IV

O PCdoB afirma candidatura própria em Itabuna. O PT de Ilhéus está melando a possibilidade de apoio do PP itabunense ao PT local. Dissensão interna afasta Vane do partido.

PMDB com candidatura própria ou aliado a Azevedo (no primeiro instante).

Geraldo corre para repor as perdas, já que não pode juntar os cacos.

De apoio concreto, a rejeição de Azevedo.

Tempos não tão mornos

No entanto, para muitos, difícil mesmo será Geraldo Simões inverter o conceito que lhe atribuem no momento político: de pensar só em seu projeto pessoal.

Itabuna Faz parte dele: pela a fatia de votos. Ainda nada desprezível.

a.M – d.M

Assim vemos a CEPLAC sob a nova chefia: antes e depois de Maynart.

Leituras de viola

Assim titulamos o rodapé passado, tratando a viola de Jayme Alem, para nós um “cultor qualificado”. Dando sequência às “leituras” hoje trazemos uma geração que marcou os anos 60, transitando de modo irreverente pela caipira: Os Mutantes (Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias). A música “Dois mil e um” (Rita Lee-Tom Zé), apresentada no Festival da Record de 1968, utiliza todos os motivos da “rebeldia” do experimentalismo daqueles anos, desde estereotipar o sotaque das duplas caipiras tradicionais a enveredar por arranjos impressionistas que definiram o estilo Rogério Duprat, mesclando instrumentos não tidos como naturais à natureza musical, como guitarra e contrabaixo elétricos, linha melódica traduzindo uma arquitetura que é marca de Tom Zé.

A proposta estética da geração faz falta nestes dias. E como faz! Ainda que sujeita a chuvas e trovoadas.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoCabôco Alencar não se basta em servir uma batida ao cliente fiel ou ao que descobre o ABC da Noite. Acompanha os diálogos da freguesia, conhece suas idiossincrasias.

Depois de fechada a última banda de porta e o cadeado sacramentado o encerramento do expediente, descia o Beco do Fuxico rumo à Cinqüentenário, gastando assunto com o aluno que lhe fazia companhia e fazia crítica à intervenção feita por um freguês, que se mostrara erudito nos primeiros goles e “desembestara na burrice” depois do quarto.

- É preciso compreender, “Cabôco”. E perdoar – encerra Alencar, com o sorriso no canto da boca, conciliador e magnânimo – é ainda aluno do ABC.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Mexicanização do Brasil – a contribuição de Itabuna

Domingos Matos, 22/09/2011 | 17:16
Editado em 22/09/2011 | 17:34

Domingos Matos

domingos matosO México talvez seja, ao lado da Rússia, o principal exemplo da radicalização do crime organizado, ao ponto de torná-lo quase endêmico e, aos olhos de quem está de fora, totalmente institucionalizado nas entranhas do país. Deve haver outros, mas esses são os exemplos que nos vêm à mente agora. Para ficar no mais próximo, inclusive culturalmente, falemos do caso México: os cartéis do tráfico tomaram conta de boa parte do território, o que significa dizer que avançam, como o crime organizado faz em qualquer lugar, sobre o setor público, corrompendo autoridades, assumindo o papel do Estado, seduzindo hordas de crianças e mulheres – os homens são os primeiros a cair em suas garras – e formando seu exército paralelo. O Brasil está nesse caminho, e se destaca com louvor.

Mas, o que seria o crime institucionalizado? Quem se lembra do episódio protagonizado em São Paulo pelo grupo denominado Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2006, entende o que é e o poder de fogo do crime organizado e institucionalizado. Naquele ano, a partir de um presídio, ataques coordenados desestabilizaram todo o sistema policial daquele estado, chegando a refletir em diversos outros – na Bahia, Itabuna foi uma das cidades em que ônibus foram queimados.

Também naquele ano, descobrimos que o PCC estava dando um salto em direção ao verdadeiro crime institucionalizado: em vez de gastar dinheiro corrompendo representantes do sistema, passou a financiar os estudos de jovens valores para torná-los advogados, juízes, promotores e outras autoridades que trabalhariam a seu serviço. Pelo tempo em que a prática foi implantada, é fácil deduzir que muitos desses doutores do crime já estão em plena atuação pelo país afora.

No México, conta-se às dezenas o número de prefeitos e outros políticos que as gangues matam ao ano, além de demais autoridades que se interponham em seus caminhos. Aqui, juízes estão sob ameaça e a categoria se vê assustada após o assassinato de uma magistrada no Rio de Janeiro, executada porque combatia o crime institucionalizado dentro das forças policiais. Mas, engana-se quem imagina que coisas desse tipo só acontecem em cidades como Rio e São Paulo. Acostumamo-nos a esse pensamento por tê-las como as metrópoles onde tudo é ‘normal’, de tudo acontece. Como dizia um ditado dos anos 80: “é onde filho chora e mãe não vê”.

A realidade hoje é outra. Cidades como Itabuna estão invertendo essa sentença: aqui, ou em qualquer parte do país, ‘mãe chora e filho não vê’, porque já está morto. O crime organizado matou, de um jeito ou de outro. Alguns exemplos de crimes institucionalizados nos dão a certeza de que, com a contribuição de cidades como Itabuna, o Brasil corre a passadas largas, para uma mexicanização completa.

Vejam o caso da própria Itabuna. Há cerca de um mês, um homem foi assassinado em frente a um posto de combustíveis no centro da cidade. Passado o choque, as informações. Era o motorista que levava da fonte ao destino a maioria dos veículos roubados na cidade e na região. Havia sido preso três dias antes e foi solto a cerca de 72 horas de seu encontro com a morte.

Investiga-se um pouco mais e chega-se à constatação óbvia: fazia parte de uma rede enorme de roubo de carros, foi executado porque, ao ser preso, virou um arquivo. Como pagou fiança e saiu, quem garantia que não seria seguido pela polícia e entregaria todo o esquema de bandeja? Vendo por outro viés: quem garante que não levaria a gente graúda, que financia o roubo desses carros, dá proteção aos operários e lucra com a revenda do produto? Quem também garante que essa vertente do crime institucionalizado está totalmente dissociada da que opera o tráfico de drogas no atacado no município? Aliás, o que foi feito a partir da descoberta de que, no bairro Nova Itabuna, há um local acima de qualquer suspeita que abriga um cemitério de carros roubados e ali depenados?

Mas o crime institucionalizado não nasce e não morre aí, senhores. Esse é o ponto intermediário, aquele em que até se permite a descoberta de um ou outro esquema. Chamo de o “estágio da estabilidade relativa”. Sua origem é incerta. Alguém consegue estabelecer se ele nasce no ninho da águia, na mais alta das copas, ou se nas entranhas da terra, em ninhadas de bichos que rastejam? Para mim, é tão fácil crer que o exemplo de nossos políticos, que desviam milhões de reais da saúde pública, serve de estímulo às pessoas simples a também se corromperem, quanto acreditar que tudo vem da base: o menino que vê o pai não devolver o troco a mais na padaria e toma isso como exemplo tem grande potencial para se transformar em um chefe de gangue no bairro ou em um vereador, prefeito ou deputado corruptos.

Como na Grécia antiga, ele pode nascer na tragédia. Como na história contemporânea, ele pode vir do drama. Aqui, “tragédia” é o conjunto de dificuldades que fazem com que só o mais forte sobreviva. Por falta de um anticoncepcional ou de planejamento, a mãe tomou chá amargo, mas não perdeu o bebê. Nasceu em falta de tudo. Teve que roubar o lanche do coleguinha, depois o lápis, depois o celular, o tênis. Acabou roubando a vida. Mas sobreviveu. Já o “drama” é representado pela nossa política. Vemos de tudo, político que cai em desgraça num dia, que é julgado no outro, mas que sempre encontra seu final feliz. Drama autêntico. Na Grécia antiga, o drama acabou por matar a tragédia como expressão artística. Aqui, ainda brigam, mas pela paternidade do maior mal do país, o crime generalizado e institucionalizado.

O que se percebe é que, nas mais altas ou nas mais baixas castas da sociedade, o crime foi institucionalizado e banalizado. Dia desses, paciente que passava a noite na fila do Posto de Saúde do bairro Califórnia, depois de ter sido o primeiro a chegar, lá pelas 19 horas, viu um sujeito entrar em sua frente, com o dia quase amanhecendo. Achando que seria apenas um folgado, interpelou-o: “moço, esse lugar é meu, cheguei aqui ontem à noite”. O sujeito pouco falou. Foi em casa, ali nas proximidades, e voltou armado. Algum tempo depois, pegou a ficha número um. As pessoas da fila achavam que era um viciado, um nóia, que estaria marcando o lugar para alguém, mas era um dos líderes do tráfico.

Na mesma zona, alguém com trânsito nos meios políticos retém em seu poder dezenas de autorizações para procedimentos médicos na rede pública, e as vende ou as dá, de acordo com o grau de amizade com ‘seus’ pacientes ou com seus próprios interesses, inclusive políticos. Do outro lado da cidade, funcionário público exige propina para facilitar a retirada de um documento de veículo, uma carteira de habilitação. Nos hospitais, técnicos operam em benefício próprio aparelhos de última geração para exames sofisticados, caríssimos e inacessíveis aos pacientes da fila do posto de saúde do Califórnia. Basta pagar um por fora.

Na política, a Câmara de Vereadores está sob investigação da polícia federal, que busca desvendar um dos maiores esquemas de desvio de dinheiro público dos últimos anos. Tudo já detectado por uma investigação interna e, depois, por uma auditoria externa. Perguntado por que não se abre um processo de cassação contra os acusados, uma autoridade responde: “Como fazer isso, se praticamente todos ali se beneficiaram do esquema?”. Na prefeitura, a coisa flui de um simples desvio de material para construção da casa de praia de um pobre coitado até esquemas inconfessáveis, que visariam à privatização da Emasa.

É quase parte da cultura. Mas, no fim, o que choca é o fato de não encontrarmos guarida onde seria nosso último refúgio, as leis e o Judiciário. Não esqueçamos que temos exemplos de juízes que se aposentaram compulsoriamente para fugir de investigações, escrivã que é presa (injustamente?) acusada de formação de quadrilha e advogados que agem como mulas do tráfico de influência até junto às cortes superiores. Mais institucional que isso, impossível. Parece que tudo virou uma grande quadrilha, e o que se salvam são as exceções.

Felizmente, essas existem e são maioria, embora não pareça.

Domingos Matos é jornalista e blogueiro, editor do blog O Trombone e do jornal Agora

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 24/07/2011 | 18:30
Editado em 24/07/2011 | 20:40

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Dendê no Haicai I

O projeto Dendê no Haicai, da Via Litterarum, coordenado por Gustavo Felicíssimo, tecnicamente aprovado no valor de R$ 70.000,00, depois de dois anos de tramitação, acaba abortado pela Fundação Pedro Calmon na sua etapa de finalização do processo. Motivo: na constituição societária da empresa, o sócio fundador da empresa, Agenor Gasparetto, constava como possuidor de cotas da mesma, ainda que sem função de direção.

Quem manda Gasparetto abrir editora, difundir literatura? Esqueceu o gaúcho que está Bahia!

Dendê no Haicai II

Mas, apesar disto, a Via Litterarum continuará seguindo seu curso, trazendo novos selos, para melhor atender ao mercado. São eles: Sertões, para novos autores e o nosso vasto interior; Jus Litterarum, para obras na área jurídica; AutoEditor, em que prevalecerá o desejo do autor em ter sua obra reconhecida; Caminhos, para os campos da espiritualidade e conexos.

E, seguramente, o Dendê no Haicai, em momento oportuno, deverá chegar ao público. Ainda que sem os auspícios do Governo da Bahia.

Estranha moralização

A legislação baiana veda a participação de servidores em projetos culturais, o que estende “aos parentes até segundo grau, bem como cônjuges e companheiros...” (Lei Estadual 9.431/2005, art. 14, IV e § 1º).

Ou seja, Jorge de Souza Araujo – e parentes, cônjuge ou companheira – premiado Brasil afora, nome referido e referenciado, está impossibilitado de participar de qualquer promoção com recursos públicos na Bahia por ser mestre, doutor e pós doutor ensinando em universidade estadual (UEFS).

Como a lei é de 2005, o governo petista dá a entender que servidor tem que “servir” e não entrar por essa coisa de escrever e pesquisar para concorrer a prêmios promovidos pelo Estado.

Ó glória!

Por essas e outras...

Mangabeira permanece com razão: “Pense num absurdo e na Bahia já há precedente”. A alegada moralidade como objetivo remete ao absurdo de entendermos que é incompatível a convivência da pratica da pesquisa intelectual com a de servidor da rede pública estadual.

Com o detalhe de ser objeto de uma insinuação nada sutil: os avaliadores de projetos não traduzem a ilibada autonomia, independência intelectual e honestidade, tampouco servidor público carece de motivação para pesquisar.

Para simplificar, considerando que a punição ultrapassa a pessoa do “delinqüente”: até nossos parentes, cônjuges e companheiros estão fadados ao anonimato pelo crime de o serem de um “abastado” servidor estadual.

Só mesmo rede e água de coco!

Nova arma no front

 “Um comprimido para disfunção erétil com sabor de menta e que se dissolve na boca acaba de ser lançado no mercado brasileiro”, em www.advivo.com.br (A nova pílula contra a impotência), de sexta 22.

Que alegria!

Bolo sem cereja

Para quem imagina que Ubaldo Dantas teria se afastado da política não custa observar outdoor subscrito pelo ilustre ex-prefeito para o aniversário de Itabuna: “Dias melhores virão”.

Que, certamente, não o são com Juçara, Azevedo, Geraldo Simões?

O recado está dado.

Caso a cúpula do PMDB não se entenda com GS – o que não vemos tão facilmente como alguns imaginam – Ubaldo pode contribuir para melar a dobradinha sonhada pelo PT local.

Dois pesos

Zé Elias, ex-jogador do Coríntians, foi recolhido ao xadrez, com direito à exposição de sua imagem, porque não honrou a pensão alimentícia que diz não poder pagar, diante da insuficiência de renda, depois que a Justiça lhe negou a redução. (Não esquecer que o Zé Elias não mais joga futebol e não se sabe de nenhum contrato milionário que o sustente).

Já a turma do Ministério dos Transportes – acusada de desvio de milhões dos cofres públicos – alvo da limpeza promovida por Dilma, anda flanando em céu de brigadeiro.

Estilos confluentes

Há uma insistência da grande mídia em sinalizar para um rompimento entre Dilma e Lula, partindo da premissa (que enxergam) de que os estilos são diferentes e que a Presidente combate a corrupção enquanto o ex dizia não saber de nada ou mesmo que não existia.

Engana-se, no entanto, quem assim imagina. Até porque o voo da criatura seria curto sem apoio do criador. Não fora o fato, concreto, de que a circunstâncias que alimentam o primeiro governo Dilma são inteiramente distintas do de Lula. Se o ex-metalúrgico não fizesse as concessões que fez – amparadas na Carta aos Brasileiros – não teria sido eleito, tampouco governado. Sabiamente aceitou dar dedos para não perder anéis e conquistou a maioria da Nação.

O que não querem perceber é a sintonia de uma ação que simplesmente deixa a oposição acuada para o projeto 2014: reeleição de Dilma ou retorno de Lula.

Os estilos, estrategicamente, confluem para o objetivo comum: continuidade de um projeto de poder que, criticado ou não, entendem ser propulsor do futuro para o Brasil.

Escândalo alcança o PCdoB

A denúncia da ÉPOCA (“Agência Nacional da Propina”), ainda que amparada em revista de tradição contra o governo e em perícia de Ricardo Molina para um vídeo que a prova, pode abrir outra frente de faxina para Dilma Rousseff.

O detalhe, até que esclarecimentos ocorram, insere um partido que parecia estar à margem de tais quejandos; o PCdoB.

Detalhes em www.advivo.com.br de sábado 23 (“Inquérito da PF sobre a Agência Nacional de Petróleo”).

Aula

Aderbal Duarte no Aprovado da TVE de sábado 23, falando sobre João Gilberto – objeto de sua pesquisa há trinta anos. E Jackson Costa mostrando o que temos e não conhecemos: um excelente instrumentista, não fora o compositor e arranjador que é.

Indignação

A mobilização nas ruas européias, da Grécia a Espanha, da Irlanda a França traduzem a reação das massas excluídas, humilhadas e jogadas às traças por um sistema cruel e desumano, onde a concentração da riqueza é a tônica, ainda que ao custo da miséria, para privilegiar elites e ricos, sejam pessoas ou países.

No entanto, ainda têm forças esses excluídos... para protestar. Pelo menos, alguma ração diária os alimenta.

Indignação só não basta

fomeEnquanto bilhões de dólares são gastos em guerras cada vez mais incentivadas alguns milhões que poderiam salvar milhares de crianças não acorrem. E ainda chamam a isso de Civilização.

Esse genocídio tem responsável: as nações ricas que exploraram e exploram o continente africano.

Eis o estado em que se encontram 780 mil crianças na Somália (foto), que somadas às da Etiópia e Quênia alcançam 2,3 milhões.

Surpresa?

bessinhaQuem votou em Dilma nem mesmo imaginou a postura ética que gera insatisfações em vários escalões da política nos coroados partidos da base. A varredura que faz a Presidente no PR “dos Transportes” pode alcançar qualquer partido que não se comporte com a dignidade que o exercício do cargo exija.

Não temos em nossa lembrança uma vassourada na dimensão que ocorre no Ministério dos Transportes. Dilma Rousseff põe a nu a dimensão e a sanha de certos partidos quando ocupam o poder. Já eram 13 na terça – número cabalístico – os nomes alcançados pela caneta presidencial. Não é algo de pouca monta, mormente se atentarmos para as funções exercidas.

Que o povo compreenda e contribua para que a Presidente avance na limpeza que o país espera e tanto exige.

E as empreiteiras?

E se Dilma, na cátedra da Presidência, resolver avançar sobre as empreiteiras financiadoras da corrupção/ Conseguirá? Ou não o fará?

Pode estar sinalizando que pode fazê-lo, esperando, de forma pedagógica, que percebam as insinuações.

Afirmações

eduardoO PT define a impossibilidade – a não ser com anuência da Executiva Estadual – de alianças com o PMDB, o PSDB e o DEM, colocando-os todos no mesmo saco. Observados os fatos sob esse prisma coberto de razão estaria Eduardo Anunciação ao afirmar a inexistência de tratativas entre Geraldo Simões e Fernando Gomes com vistas a 2012.

O destacado colunista político também duvida da participação de Raimundo Vieira como intermediador entre GS e FG, a ponto de taxativamente expressar, em POLÍTICA, GENTE, PODER, no Diário Bahia de quarta 20: “só existe na imaginação de Raimundo Vieira”.

Não queremos crer que Eduardo não esteja suficiente informado.

Contra-afirmações...

Estabelece o colunista uma vertente distorcida do que está acontecendo, ao imaginar que a atuação de Raimundo Vieira se encontraria no plano de sua densidade político-eleitoral. É o que se pode deduzir do seguinte texto, publicado naquela oportunidade: “Isso é encenação, fantasia, ilusão...” “Fernando Gomes, principalmente e especialmente Fernando Gomes, com representação democrática, sem mandato, PMDB, depois Geraldo Simões, com representação democrática, deputado federal, com mandato, PT, têm compreensão suficiente, lucidez, sabe que eleitoralmente-politicamente Raimundo Vieira em nada contribui, não multiplica, não soma, não une”.

Na edição de fim de semana do Diário Bahia Eduardo volta ao tema, debruçado e preocupado, para afirmar que “Isso é desinformação... esse encontro não aconteceu”.

...Por acontecer

Ainda, caro Eduardo, ainda. E pode mesmo nunca ocorrer. No entanto já aconteceram os contatos entre Geraldo Simões e Fernando Gomes, através de Raimundo Vieira. Isso é tão verdadeiro como acreditar em Deus para o crente.

Por outro lado, ninguém comenta que Raimundo Vieira seja apoio eleitoral para quaisquer dos políticos. Mas, como intermediário Raimundo é peça concreta e atualmente o único caminho que une os dois inimigos, já não tão “inimigos” assim.

Se alguém admite ou não que se materialize a união de jacaré com cobra d’água – isso em passado não tão distante – comece a mudar de pensamento. Só não se materializará se a cúpula do PMDB não deixar. E isso é possível. Basta que Gedel perceba – e certamente já o percebeu – que a união GS-FG fortalece Geraldo e não ele, que esperava encontrar mais apoio de seu coordenador regional na campanha de 2010.

Ou seja, a estranha unidade política beneficia mesmo somente aos dois protagonistas. Fernando encontrando o sonhado apoio do Estado para a implantação de equipamentos públicos em seu loteamento; Geraldo, buscando consolidar a candidatura de Juçara. Caminho para que ele permaneça nos limites federais, como deputado.

Eis a análise fria do momento.

Sofre o observador

Para Eduardo, com sua experiência, não custa compreender que briga mesmo fica para o andar de baixo, que se engalfinha na defesa de seus líderes/ídolos enquanto estes se esfalfam em jantares e brindes na cobertura.

Caso o Governador Wagner, em visita que fará a Itabuna, sinalize com a possibilidade de conclusão do teatro e centro de convenções e Gedel não concorde com as tratativas de Geraldo-Fernando não seria absurdo imaginar que FG deixe o PMDB. A filiação partidária é possível até um ano antes de eleições.

Quando em jogo interesses e não o idealismo tudo é possível.

E “o futuro a Deus pertence”.

Até despacho em encruzilhada

Geraldo luta para dar uma volta por cima diante na atual situação, buscando fazer com que o governo do Estado “aceite” seu projeto eleitoral.

Para ver consolidado o nome de Juçara Geraldo “acende vela até para o Diabo”, como já o disse em círculos fechados. E, obviamente, se o Diabo não é tão feio como se pensa, Fernando não é o Gramulhão.

Afinal, perder ele não quer. Em todos os sentidos.

Brasileiros mundo a fora

Uma correção se impõe: John Williams não executou Heitor Villa-Lobos e seu Estudo Para Violão n  1, na edição passada, e sim “Prelúdio nº 1.

Disponibilizamos nesta edição o famoso “Estudo”, com Narciso Yepes, que com ele inicia um recital no Teatro Real de Madrid, em 1979.

Zé Rodrix

O solo aqui revelado traduz, mais que o tradicional sucesso, a introspecção do canto, de quem cantou. E como nos faz falta! E se acontece com Elis Regina sonhando na cadeira de balanço!

Os que só pensam ter uma casa na praia dificilmente entenderão o verso e a canção.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoClássicas são as observações de Cabôco Alencar e a denominação circunstancial que a elas oferta, como a que fez definindo o cliente rarefeito no ambiente, que acabava de entrar:

– Esse está igual a paletó de maçonaria. Só circula na rua em dia enterro de maçom.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Marmelada na eleição do Fátima

Domingos Matos, 29/05/2011 | 13:13
Editado em 29/05/2011 | 15:15

Cheiro de marmelada na eleição para a Associação dos Moradores do Bairro de Fátima. A ação de um candidato a presidente está provocando uma desigualdade na disputa dos votos. Segundo um morador-eleitor, ele deixou de votar em determinada chapa porque recebeu uma propina de 30 litros de combustível de outro candidato.

Como o homem não topa se identificar, manteremos também no anonimato a chapa que estaria corrompendo o processo. Mas, a título de dica, registre-se que o candidato que hoje compra votos é o mesmo que ontem (sábado), percorria o bairro dizendo que já estava eleito, que não tinha como perder.

O engraçado é que, independente de qual o pleito, as práticas não mudam. E a impunidade também.

Alô, Ministério Público!

Polícia Federal investiga fraudes contra a Previdência em Ilhéus

Domingos Matos, 14/04/2011 | 11:42
Editado em 14/04/2011 | 11:55

O já conhecido golpe da aposentadoria - há várias modalidades, inclusive a de dopar os pacientes para que pareçam doentes mentais - pode estar com os dias contados em Ilhéus. A Polícia Federal está, na manhã de hoje, realizando a Operação Radar, e cumpre três mandados de busca e apreensão e um de condução coercitiva contra um funcionário da Previdência Social, lotado naquele município.

Uma investigação sigilosa da PF, em conjunto com a própria Previdência e o Ministério Público Federal, identificou o que seria um esquema de fraudes contra o órgão da seguridade social. Um funcionário, que ainda não teve o nome revelado, estaria atuando irregularmente na intermediação e concessão de benefícios de várias modalidades, principalmente pensão por morte, benefícios assistenciais e auxílio-doença, mediante o recebimento de propina.

Segundo a assessoria de comunicação da PF, as investigações apontaram para uma possível atuação de quadrilha, com participação de membro de etnia indígena, que se utilizava de  documentação falsa, inserção de dados fictícios nos sistemas da previdência Social e de documentos com dados inverídicos para a obtenção de benefícios indevidos, inclusive para familiares.

As investigações chegaram ao possível envolvimento de seis pessoas, sendo que as irregularidades remontam ao ano de 2003. Estima-se que o prejuízo causado aos cofres públicos ultrapasse R$ 500.000,00, o que deverá ser comprovado com a revisão dos benefícios considerados irregulares.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 05/12/2010 | 12:24
Editado em 06/12/2010 | 12:52

Lições do Rio I

A vontade política do Estado determina o que pretenda. Em qualquer aspecto. Isto ficou demonstrado no Alemão. No entanto, no particular instante do Rio de Janeiro a apoteótica “tomada” de morros controlados pelo tráfico (incluindo o piegas hasteamento da Bandeira Nacional e da Estadual), nos remete a conclusões distintas; 1. sinal de velados acordos, a ponto de não entendermos como, de um universo de cerca de mil traficantes em fuga, nem 10% tenham sido presos; 2. que não há bandido bem armado diante do Estado determinado a combatê-lo; 3. confissão de que o Estado estava omisso, tanto que os “hasteamentos” confessam uma “retomada” de um território que não lhe pertencia.

Lições do Rio II

“Pobre não dá lucro para a boca de fumo, quem compra as drogas são as classes média e os ricos” (sic) é parte de um texto que estaria circulando nos morros cariocas (como o diz em artigo Carlos Newton, na Tribuna da Imprensa on line, de 30 de novembro), mais precisamente no complexo do Alemão, que integra uma manifestação do tráfico pela união de grupos criminosos com vistas à resistência.

O expressar traduz verdade que a hipocrisia busca esconder: em negócio de milhões tostões são quebra galho. Muita gente “participa” do lucro do tráfico. Da corrupção que alcança policiais e autoridades a negócios paralelos que vão da lícita indústria da segurança privada à ilícita atividade das milícias.

Para entender descubra o leitor quem as compõe e quem são os seus dirigentes.

Lições do Rio III

É de se esperar uma tomada de consciência de que a hipocrisia esconde a realidade; de que a solução para o problema da droga não está pura e simplesmente na repressão, mas na educação, na distribuição de renda, na defesa de valores da família e da sociedade, na melhor programação televisiva, no reduzir a violência que vitima a infância ainda em tenra idade etc.

Nesse sentido, hipocrisia das maiores é tolerar as drogas lícitas – dando a entender que não seriam drogas – e satanizar as ilícitas.

Desde os tempos da lei seca proibição sempre foi um convite ao consumo de qualquer coisa. Em contrapartida, lucro seguro para os que disponibilizam o proibido.

Lições do Rio IV

Por outro lado, voltando ao “Pobre não dá lucro para a boca de fumo”, precisamos fugir do lugar comum da estereotipada responsabilização pura e simples dos menos favorecidos pela distribuição de renda, os que não podem pagar bons advogados ou não têm como cooptar autoridades desonestas.

A esse propósito, há tempo uma autoridade policial nos contou decepcionado: investigara e prendera uma figura de classe média alta que traficava a partir de sua residência localizada em bairro nobre de Itabuna. A prisão ocorrera pouco antes da meia-noite, em flagrante. Não chegara a zero hora e o “artista” (o nome nos fora preservado) estava solto, amparado em habeas corpus prontamente expedido por autoridade judiciária (o nome nos foi revelado), que não se dignou nem a pedir informações ao delegado.

Quanto ao delegado, foi admoestado no despacho do magistrado.

Algo há além do jardim I

Se não dava para entender o fato da quase inexistência de prisões no Alemão, especialmente depois da desabalada fuga do Cruzeiro (filmada e fotografada), pior fica a explicação de que os que escaparam o fizeram através de redes pluviais de esgotos.

Recomendamos uma leitura de como agiram os alemães diante da resistência dos jovens poloneses em Varsóvia, durante a Segunda Guerra, assistindo a “Kanal”, do mestre Andrzjey Wajda.

Algo além do jardim II

Considerando a quantidade de droga encontrada e observando-se que, à exceção da maconha, outras precisam de produtos químicos para desdobramentos, que só podem ser conseguidos fora das favelas, quem os adquiria para os traficantes?

Cremos que não seria lúcida a idéia de que aviões do tráfico, e muito menos os próprios traficantes, fossem os compradores diretos. No mesmo viés, os armamentos.

É o que faltava

A baixaria da grande imprensa – a Globo pelo meio (ela que influencia e forma opinião) – deu de noticiar que os bandidos do Alemão fugiram pelos esgotos construídos pelas obras do PAC.

Apelação sutil, bandida como sempre. Só falta dizer que o Governo Federal preparou galerias para escoar a água pluvial para atender aos reclamos da bandidagem em caso de necessidade de rotas de fuga.

Haja paciência para tanto asco!

Lições de Itabuna

Uma moradora do Bairro Urbis IV não sabe mais o que fazer. Assaltada várias vezes – três só no espaço de 10 dias – vê-se desamparada, resistindo na própria casa para evitar que esta venha a ser incendiada. “É o que falta” – comenta. Todos conhecem os delinqüentes, que a têm assaltado em plena luz do dia.

A Polícia tem comparecido depois de denunciados os fatos. Mérito. Mas, será que a bandidagem teria a mesma liberdade se a Polícia Militar exercesse vigilância como o faz no Bairro Góes Calmon?

Na mesma cidade, cuidados diferenciados, ausência de tratamento isonômico. Diríamos, apenas, que num caso o Estado se omite (Urbis IV), noutro protege (Góes Calmon).

Lições para Itabuna

Em que pese o policiamento ostensivo posto em prática pela Polícia Militar em Itabuna, parece faltar “um quê”, um detalhe. E nos faz recordar a práxis disponibilizada pelo Coronel Souza Neto, quando comandante em Itapetinga quanto à eficiência demonstrada em Itororó (DE RODAPÉS... de 24.10).

Não sabemos se o 15º Batalhão disporia dos meios para efetivá-la. Talvez multiplicar mobilidade na ação ostensiva fosse um caminho, que demanda veículos, combustível, manutenções várias.

Mas, bem que uma esperança podia alimentar nossa terra e nossa gente: de que as lições do Rio chegassem aqui, ceifadas dos defeitos e semeadas das virtudes.

Espionagem

O Wikileaks divulga, para nós em dimensão contemporânea graças à internet, o que sempre aconteceu. Não custa reler “Dentro da Companhia – Diário da CIA”, de Philip Agee, aqui publicado em 1976 (não localizamos nosso exemplar) ou conhecer as articulações de Lincoln Gordon e mesmo saber que a IV Frota dos EEUU manobrava no Atlântico para o caso de convir ao golpe de 64, caso houvesse resistência. O livro desnuda as ações estadunidenses para derrubada de governos na América Latina. Na oportunidade não custa o leitor (re)ver “Estado de Sítio” de Costa Gavras.

Imaginemos quão interessante será o Wikileaks publicar em torno de propinas e comissões para que os “nacionais” correspondessem aos interesses dos internacionais. Aí a terra vai tremer. Inclusive no Brasil.

Onde há muita fundação financiada por interesses americanos, algumas através da CIA.

Cyro na mira

Chega-nos a informação de que um grupo de artistas locais e figuras da área literária estão promovendo movimento para afastar Cyro de Mattos da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania.

Opinião particular: ou Azevedo exonera ou Cyro não sai nunca. Cyro é como mordida de pitbul; trava a mandíbula e tarda a destravar. Para o pitbul, o objeto mordido; para Cyro, a remuneração e quejandas.

Devagar com o andor

Não embarcamos nessa de Geraldo Simões para Ministro da Agricultura. Até porque o Ministério seria da cota do PMDB. Se o momento fosse outro, tudo bem. Em primeiro plano precisaria – antes das loas – que se verificasse a convergência de interesses e lideranças baianas do PT em torno de Geraldo.

O próprio Geraldo, intimamente, deve dar seus risinhos. Mormente ele que viu, quando indicado para a CODEBA, a briga de foice no escuro que retardou a sua nomeação por tempo mais do que o devido. Para uma liderança como a dele, não fora o fato de ser compadre do presidente da República.

De nossa parte, seria maravilhoso, considerando o que representaria para Itabuna no cenário nacional.

PT versus PT

Os fatos que envolvem o PT local no curso do processo sucessório (?) da Câmara Municipal revelam que se encontra em fritura em fogo alto a continuidade da Profa. Miralva Moitinho à frente da agremiação.

E a realidade que a frita, atualmente, não deixa de ser kafiquiana: ter agido conforme as diretrizes do Partido. Ao contrário, contra o ideário do partido manifestou-se o deputado Geraldo Simões.

Os desdobramentos podem ser avaliados, como o faremos em futuros “DE RODAPÉS E DE ACHADOS”, começando pela permanência ou não de Miralva à frente da DIREC.

Considerando que Miralva é tida como imposição de Geraldo Simões, demonstração de sua força e pleno controle sobre o Diretório Municipal o seu destino pode revelar emblemática circunstância.

Ou Geraldo Simões escanteia Miralva e reconhece que errou ao impô-la como Presidente do Diretório local, ou apóia Miralva, reconhecendo que errou ao desautorizar o Diretório.

Quo vadis Globo

Lemos, estarrecido, que a próxima edição do Big Brother Brasil (toc-toc-toc mangalô três vezes) vai liberar geral. Isso quer dizer que, além da baixaria em que se constitui o programa (melhor programa, lembrando aquela antiga profissão), pretende incluir bebidas, agressões físicas e quejandos. Tudo pelo faturamento fácil, com tão nefanda programação, por sinal imitada por outros canais

Descobrimos a pérola inovadora através da matéria “Baixaria cada vez maior” inserida em texto de Nogueira Lopes na Tribuna da Imprensa on line de 2 de dezembro.

“A agressão física não será mais proibida no programa (nas edições anteriores, resultava em eliminação imediata). ‘Nada mais é proibido no BBB, pode fazer o que quiser. Esse ano… liberado! Vai valer tudo, até porrada’, revelou Boninho,adiantando que agora o programa não servirá aos participantes apenas bebidas leves. ‘Vai ser power… chega de bebida de criança’, decretou”.

E para tristeza, o programa (para nós, aquele) está liberado para a faixa etária de 12 anos (antes 14) o que significa que, em que pese exibido depois das 20 horas, será retalhado em horários como o da manhã.

Mijadinha canina

A aproximação do PCdoB em direção ao prefeito José Nilton Azevedo, envolvendo teimosas insinuações que passam pela ocupação de uma Secretaria – preferencialmente a da Saúde, que poderia cair nos braços de Dra. Conceição Benigno, tudo facilitado pelo desgaste de Dr. Vieira – tem prazo para começar a se aperfeiçoar: janeiro/fevereiro de 2011. Não haverá incoerência político-partidário-ideológica, uma vez que o Prefeito estará em algum partido da base dos governos Wagner e Dilma. O álibi é perfeito.

Desdobramentos: início da luta pela Prefeitura, o que pode ocorrer em 2016, tendo como candidato Davidson Magalhães. Candidatura do PCdoB em 2012 só para marcar posição, reservar território, como aquela mijadinha canina.

Fato a considerar, em tudo isso, é o afastamento do PCdoB em relação a Geraldo Simões, hoje não bem visto por muitos correligionários que consideram ser o seu projeto apenas pessoal, individual.

Conversões no horizonte

Na esteira destas considerações o PR e PMDB trabalharão contra Geraldo Simões. A não ser que César Borges se converta ao geraldismo ou perca a influência nas decisões. No mesmo caminho o PMDB, a não ser que Gedel trilhe por outra estrada.

O PDT migrará conforme as conveniências para onde possa avançar. Mormente se Dinailton voltar a se interessar pela política em Itabuna, a pedidos, possível sinal de mais um no barco contra Geraldo.

PT, se não se recompuser inteiramente em torno de Geraldo Simões, o que exige a reconquista de militantes históricos lançados ao limbo a partir de conflitos com GS, se dividirá, no plano municipal, fazendo com que parte dele exercite corpo mole na campanha.

E Fernando Gomes quieto, mineiramente comendo o mingau pelas beiradas. Ainda que não seja candidato.

Eu sou você amanhã

Geraldo Simões assim caminha – o que entendemos lamentável para a administração pública local – para o isolamento. Novo Ubaldo Dantas no futuro. Ou, parodiando aquela publicidade: eu sou você amanhã.

Quem nos chamou a atenção para a realidade do “Ubaldo amanhã” foi um taxista local.

Geraldista, diga-se passagem.

Lula

Ainda que cedo para afirmações, pelo andar da carruagem – leia-se fritura de GS em fogo não tão lento por históricos(?) aliados – a presença do PT em 2012 estará vinculada a de Lula no palanque petista. Isso demonstraria prestígio das lideranças locais, porque pedido idêntico ocorrerá em mais de 5 mil municípios brasileiros.

Itabuna, parece-nos, não deixará de ser privilegiada, considerando o relacionamento pessoal – que não é de hoje – entre Lula e Geraldo Simões.

Para conferir, uma visita ao ABC da Noite.

2012 não será 2000

Certo que o cenário da sucessão municipal trará profundas mudanças, não só no campo dos possíveis candidatos, mas, necessariamente, no leque da composição político-partidária em torno das candidaturas, em especial a liderada por Geraldo Simões, lendo-se, aí, ele ou quem venha a indicar.

Geraldo não pode repetir erros. O primeiro ocorreu em 2008, quando dependia da campanha de Capitão Fábio para consolidar a vitória de Juçara. Quando o PMDB minguava os recursos para Fábio faltou Geraldo entender que municiar financeiramente o Capitão lhe asseguraria a vitória.

No entanto optou pelo desastre: trazer Fábio para a aliança. Nenhum inocente imaginaria que o eleitorado de Fábio aceitasse o PT de Geraldo.

Talvez tenha faltado, ou recursos ou abrir a munheca e descosturar o bolso!

 

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