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Decretada prisão de homem suspeito de matar adolescente de 16 anos

Domingos Matos, 29/08/2019 | 18:32

O homem suspeito de matar a companheira de 16 anos, no bairro de São Cristóvão, em Salvador, teve a prisão temporária decretada. A informação foi divulgada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29).

André de Souza Santana, de 32 anos, possuía uma relacionamento com Gislane Luiza Herval Cerqueira. A adolescente, que foi estrangulada, havia terminado o namoro com o suspeito há 20 dias.

Por causa do mandado de prisão emitido, André de Souza Santana é considerado foragido.

O corpo da mulher foi encontrado em imóvel da Avenida Aliomar Baleeiro. No dia do crime, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionada, mas Gislane já estava sem vida. Ela foi enterrada na tarde desta terça-feira (27).

Emocionado, o pai da adolescente disse que espera justiça.

"O único pedido que a gente faz é o pedido de justiça, para que esse crime não fique impune. Minha filha jovem, 16 anos, teve a vida esfacelada por um indivíduo bruto e cruel. Covarde"

O crime é investigado pela 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), informou a Polícia Civil. (Com informações do G1)

 

TCM pune acumulação indevida de cargos em Alcobaça

Domingos Matos, 23/08/2019 | 11:17

Na sessão de quinta-feira (22), o Tribunal de Contas dos Municípios julgou parcialmente procedente termo de ocorrência lavrado contra o prefeito de Alcobaça, Leonardo Coelho Brito, em razão da não adoção de providências para evitar a acumulação ilegal de cargos públicos por servidores municipais, no exercício de 2018. O relator do processo, conselheiro Francisco Netto, multou o gestor em R$4 mil.

Também foi determinado ao atual gestor a adoção de providências imediatas para impedir a acumulação ilícita de cargos, empregos ou funções públicas pelos servidores municipais citados no processo.

O relator considerou irregular a acumulação de cargos públicos pelos servidores Aladia Ribeiro Aguiar (coordenador pedagógico com duas aposentadorias de professora no Funprev-inativo); Benedito de Souza Santos (dois cargos de professor na Prefeitura de Alcobaça e professor na Prefeitura de Teixeira de Freitas); Carlos Eduardo Torres (professor e auxiliar de Secretaria na Prefeitura de Alcobaça); Cleide Cardoso dos Santos (professora e auxiliar de Serviços Gerais na Prefeitura de Alcobaça); Gessival Santos de Oliveira (dois cargos de professor na Prefeitura de Alcobaça e professor na Prefeitura de Prado); Márcia Maria Guedes Caetano (secretária escolar na Prefeitura de Alcobaça e professora na Prefeitura de Caravelas); Hilda dos Santos Lima (professora na Prefeitura de Alcobaça e aposentada como auxiliar administrativo no Funprev-inativa); Maria Conceição Santos (dois cargos de professora na Prefeitura de Alcobaça e professora na Secretaria Estadual da Educação); Zenilde Rodrigues Mendes da Penha – auxiliar de serviços gerais na Prefeitura de Alcobaça e auxiliar de serviços gerais na Prefeitura de Teixeira de Freitas).

Cabe recurso da decisão.

 

TCM pune ex-prefeito de Santa Luzia

Domingos Matos, 05/06/2019 | 09:11

O Tribunal de Contas dos Municípios julgou parcialmente procedente o Termo de Ocorrência lavrado contra o ex-prefeito de Santa Luzia, Ismar Jacobina de Santana, referente aos exercícios financeiros de 2007 a 2013, em razão da omissão na cobrança de multas aplicadas pelo TCM, o que acarretou em prescrição. A decisão foi proferida pelo conselheiro Mário Negromonte, relator do parecer, na sessão de terça-feira (04).

Foi determinado ao ex-gestor o pagamento de uma multa, no valor de R$1 mil, além de ter que ressarcir os cofres municipais em R$44.812,40.

Cabe recurso da decisão.

Debates e panfletagens em Itacaré marcam dia nacional contra abuso sexual de crianças

Domingos Matos, 20/05/2019 | 07:08

A Prefeitura de Itacaré, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, realizou nos dias 16 e 17 de maio uma série de atos e debates em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual e do Adolescente. O objetivo foi envolver toda a comunidade, da sede e dos distritos de Itacaré, além dos turistas, para orientar sobre os crimes, as penas e como agir e denunciar em casos de abusos e exploração sexual de crianças e adolescentes no município.

Como parte das ações, no dia 16 foram realizadas panfletagens pelos bairros de Itacaré e também em pontos estratégicos, como a rodoviária, porta de entrada na cidade, abordando a importância de todos estarem junto no trabalho de combate ao abuso e a exploração. Já no dia 17 de maio foi realizado o seminário com o tema “As marcas violência: como identificar os sinais de um caso de abuso sexual contra a criança e o adolescente”, com orientações jurídicas e como a comunidade deve proceder e a quem procurar em caso de haver esses crimes. O evento aconteceu na Câmara de Vereadores de Itacaré e foi aberto a toda a comunidade.

A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Patrícia Leal, destaca a importância de todos estarem unidos, atentos e fortalecidos nesse trabalho de combater o abuso sexual, orientando as famílias e denunciando. A proposta é de levar as discussões, debates e atendimentos também para as comunidades rurais de Itacaré, As ações contam com o apoio de equipes do CREAS, CRAS e Programa Primeira Infância do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do Conselho Tutelar. De acordo com dados da Secretaria de Direitos Humanos, é assustador o número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no país. Por isso, foi criada esta data com o intuito de ajudar a combater este mal que destrói a vida de milhares de jovens todos os anos.

A escolha desta data é em memória do “Caso Araceli”, um crime que chocou o país na época. Araceli Crespo era uma menina de apenas 8 anos de idade, que foi violada e violentamente assassinada em 18 de maio de 1973. Este crime, apesar de hediondo, ainda segue impune. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído oficialmente no país através da lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000. No Brasil, o Disque 100 é um serviço gratuito disponibilizado pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República que registra denúncias anônimas de jovens que se sintam ameaçados ou que sofreram qualquer tipo de abuso ou exploração sexual.

FTC Itabuna realiza Semana de Combate ao Abuso Sexual de Crianças

Domingos Matos, 19/05/2016 | 15:58

Inserida no contexto nacional de luta contra um dos crimes que ainda envergonha a população brasileira e mundial, devido à alta incidência de casos registrados, a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Itabuna iniciou na última segunda-feira (16) a Semana de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes, que será encerrada  nesta sexta-feira (20), com exposição de trabalhos acadêmicos, ciclo de palestras e debates sobre o tema.

O evento tem a finalidade de informar a comunidade acadêmica sobre abuso sexual de crianças e adolescentes, enfatizando os direitos, os meios de denúncia, as formas de prevenção, diagnóstico e acompanhamento das vítimas de violência sexual, e que tipos de consequências podem ocorrer. O projeto envolve os colegiados de Fisioterapia, Nutrição, Enfermagem, Psicologia, Farmácia, Biomedicina, Direito e Sistema de Informação, utilizando diversas estratégias para a divulgação das informações, como dramatização, exposição de cartazes, atividades interativas, distribuição de panfletos entre outros.

Durante a abertura da programação, o diretor geral da FTC Itabuna, Januário Lima, ressaltou que a iniciativa tem uma relevância social muito importante, tendo em vista que o assunto “Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” é recorrente e exige uma mudança de postura da sociedade como um todo. “Pois, a partir do momento que nos omitimos, silenciando ou ignorando os fatos que acontecem todos os dias, estamos corroborando, mesmo que inconscientemente, para que aqueles que praticam violência tão nociva continuem impunes”.

“Além do mais, trazer esta temática para ser fonte de pesquisa e debates na academia é bastante salutar, levando em consideração que muitos dos profissionais que aqui estão sendo formados irão atuar diretamente com situações que envolverão denuncias e casos de crianças e adolescentes vitimas do abuso e exploração sexual, a exemplo dos futuros psicólogos, operadores do direito, biomédicos e enfermeiros”, contextualizou Januário Lima.

Para a coordenadora do evento, professora Amanda Maia, discutir a relação entre violência sexual e saúde pública ultrapassa o domínio exclusivo de uma área do conhecimento. “Deste modo, podemos interagir com várias áreas, pois entendemos o papel que cada uma apresenta em relação à rede de enfrentamento ao abuso e exploração sexual infanto-juvenil e, assim, despertar o interesse dos futuros profissionais para a prevenção, diagnóstico e acompanhamento das vítimas de abuso sexual garantindo integridade física e emocional da criança e adolescente”, argumentou.

Intolerância, não; indignação, sim; ou o stalinista que habita em nós

Domingos Matos, 25/09/2011 | 18:25
Editado em 25/09/2011 | 18:28

Walmir Rosário

Walmir“O direito de intolerância é absurdo e bárbaro: é o direito dos tigres, e é bem horrível; porque os tigres matam para comer e nós andamos a exterminar-nos por causa de parágrafos”. (Voltaire, - François-Marie Arouet - Tratado sobre a tolerância)

Até o século XVIII a intolerância de cunho religioso campeava absoluta. A igreja católica, ou mesmo as instituições religiosas, se intrometiam nos assuntos econômicos e políticos do Estado, o que era um hábito nocivo ao desenvolvimento e ao progresso da sociedade. O pensamento dogmático religioso era uma barreira colocada entre Deus e o homem, sem razões sólidas para se sustentar.

Os dogmas eram verdade absoluta e sequer podiam ser questionados, e as perseguições por acusações de impiedade e de ateísmo corriqueiras. A Igreja determinava, os reis atendiam. Era essa a moeda de troca entre os dominantes. Um impunha, o outro executava. Sem piedade, diga-se de passagem. Antes, a intolerância também tinha tomado a forma de luta ideológica, com Maquiavel advogando que os fins justificam os meios, para legitimar as ações do Estado contra seus opositores.

Na Europa, notadamente na França, um grupo de pensadores conhecido como os Iluministas, começou a se mobilizar em torno da defesa de ideias que pautavam a renovação de práticas e instituições vigentes. Os principais alvos mirados pelos iluministas eram a injustiça, a dominação religiosa, o Estado absolutista e os privilégios enquanto vícios de uma sociedade que cada vez mais afastava os homens do seu “direito natural” à felicidade.

A intolerância vinculava a religião e a política e o herege religioso era visto como um provocador da ordem estabelecida – a monarquia – indo de encontro ao dogma religioso adotado pelo Estado-nação.

Enfim, graças aos iluministas, a política terminaria por impor a sua autonomia em relação ao poder religioso. Historicamente, a intolerância está presente na esfera das relações humanas fundadas em sentimentos e crenças religiosas. É uma prática que se “autojustifica” em nome de Deus, adquirindo o status de uma “guerra santa” entre os homens.

Ainda hoje, não toleramos o pobre, as minorias. Não bastasse esse sentimento cultural que acompanha a humanidade por séculos, convivemos com os governos de totalitarismos, sejam de esquerda ou de direita. Além dessas ameaças nos nossos países, somos assolados pelo fanatismo, geralmente religioso vindo do oriente (onde impera o islamismo, religião que prega o bem).

Mas, apesar dessas mudanças, ainda somos obrigados a conviver com tamanha selvageria em pleno Século XXI, apesar dos constantes avanços nas áreas da saúde, das comunicações e da informática. O mais grave é que esses avanços são utilizados como instrumento de dominação, a exemplo do que acontece na República Popular da China. Soubemos criar e desenvolver a tecnologia, menos controlar nossos instintos perversos.

A injustiça campeia a passos largos. E tudo isso acontece com a nossa aquiescência. Assistimos a tudo passivamente, com medo de nos envolvermos, apesar de sabermos e termos consciência do mal que pessoas praticam contra as outras. Trata-se de violência praticada contra seres humanos, nossos semelhantes, e continuamos como que anestesiadas diante das injustiças que os atingem. Não nos indignamos, não protestamos e não reagimos.

No nosso planeta, a cada dia que passa aumenta a concentração de riquezas, enquanto milhões ou talvez bilhões de pessoas sobrevivem na fome e na indigência, condenados à morte por inanição. A educação e a saúde, garantidas na nossa Constituição – para ilustrar o nosso caso –, são apenas meros artigos de ficção.

Os seres humanos continuam sendo explorados como acontecia em períodos mais remotos, sem direitos a um trabalho digno e bem remunerado; impedidos de ir e vir por falta de infraestrutura, de meios de transporte, de recursos para pagar o transporte, e o que é o maior requinte da injustiça, de leis restritivas à imigração: é o globalitarismo denunciado pelo mestre baiano Milton Santos.

Com todos esses males assolando a humanidade não somos capazes de empreendermos uma ação sequer contra as injustiças sociais e as desigualdades. Pelo contrário, somos surpreendidos pelo grande número de adesismo aos governos estabelecidos. Até mesmo a cooptação, prática utilizada para conquistar pessoas pelos mais diversos métodos, hoje vem sendo abolida em nome do adesismo desenfreado, fazendo com que desapareça o contraditório, a diversidade de ideias.

A inversão de valores é grande, onde o certo é ser esperto e ser honesto é coisa de otário. A impunidade deixa a sociedade mais indignada ainda, com mandantes de assassinatos impunes, corruptos impunes. No primeiro quartel do século passado, o baiano Ruy Barbosa elaborou o discurso “Oração aos Moços”, para ser lido perante a turma de 1920 da Faculdade de Direito de São Paulo, em que retrata perfeitamente a situação atual.

Com base nessas lições deixadas pelos grandes pensadores da humanidade é que deveremos abominar de nossas vidas a intolerância e adotar como modelo de vida a prática da indignação. E para concluir, lembro mais uma célebre frase de Voltaire: "Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las".  

Walmir Rosário é advogado, jornalista e editor do site www.ciadanoticia.com.br

A imbecilidade é contagiante!

Domingos Matos, 02/07/2011 | 13:09
Editado em 02/07/2011 | 13:14

Eduardo Maron Rihan

rihanQue a cidade de Itabuna está entregue à sua própria sorte ou azar, todos sabem. O descaso em todas as áreas é visto, ouvido, percebido em todos os sentidos por todos os sentidos.

Essa caricatura de subadministração conseguiu o inusitado, o quase impossível: ser muito pior que todas as outras que a antecederam.

Mas os absurdos vão crescendo a cada dia, a cada momento, aniquilando até as previsões otimistas de alguns, que, esperançosamente, dizem: “Pior do que está? Não pode ficar!”.

Mas fica, vem ficando e vai ficar pior ainda!

Nunca se pagou tanto imposto no Brasil, nem no período colonial.

Mas os serviços públicos não servem. A polícia não policia. A medicina não socorre. A Educação deseduca. A justiça não é justa, é cega, surda e paralítica.

As filas se agigantam de véspera, nas madrugadas, mesmo sob a chuva, compactadas pelo frio da época, nos locais onde a população deveria ser, ao menos, dignamente atendida.

Que não há qualquer espírito cristão no serviço público, disso, todos sabem. Lá, o único desejo de servir é o de servir a si próprio. Uma forma concreta e palpável de egoísmo absoluto. Uma condensação incrível de quase todos os ditos “sete pecados” principais.

Não há mais esperança quando o assunto é o servir público. Muitos consideram caso perdido. Nada há a fazer, a não ser aceitar a todos os absurdos humilhantes que nos são impostos diariamente. A força do voto é esquecida e se transforma em motivadora de pilhérias e piadas sarcásticas.

Para alguns que professam alguma fé, a Igreja poderia ser um alento, um conforto, uma esperança.

Mas igrejas Católica, evangélicas e demais, não satisfeitas com os seus inúmeros escândalos recorrentes que denigrem a qualquer instituição, foram contagiadas também.

Ver padres, pastores, bispos ou rabinos com complexos, taras e deformidades mentais não é novidade. Pertencem à mesma categoria a que nós pertencemos, os seres humanos. Estão estatisticamente e biologicamente sujeitos a tais anomalias.

Mas quando as igrejas que se denominam cristãs, como um corpo único, que deveria ser o de Cristo, demonstram o total descaso pelos seus semelhantes, alguma coisa vai mal. Muito mal.

Ao que parece, os responsáveis por essas igrejas e seus membros estão levando a sério o “soar das trombetas” mesmo não sendo anjos.

Líderes religiosos se transformam em ridículos animadores de palco, impossíveis cantores e cantoras de trio elétrico, puxadores desajeitados de “cordão” e, impunemente, vão impondo, aos berros, a todos, mensagens absurdamente paradoxais - obviamente falsas - de amor e respeito.

Promovem e estimulam a algazarra, o barulho ensurdecedor e insuportável de milhares de decibéis e, não satisfeitos ainda, o amplificam para toda a cidade ao fazerem uso dos mesmos fogos usados pelos cartéis do tráfico de entorpecentes, que de "artifício" nada têm.

Perturbam a já quase inexistente paz, impossibilitando o ir e vir às nossas residências, impedindo o fluxo normal do trânsito e até a saída de ambulâncias do SAMU...

Não mais me refiro às normas de conduta cristãs, já que, visivelmente e explicitamente, não a possuem nem a cultivam, mas a qualquer que seja a norma de civilidade, cidadania e harmonia com seus vizinhos e semelhantes, em qualquer lugar do planeta.

Talvez eu até me junte ao bloco dos otimistas, àqueles do “Pior do que está? Não pode ficar!”.

Eduardo Maron Rihan é analista de sistemas, webdesigner, webmaster, consultor e assessor de TI, professor de Computação, Matemática e Estatística da Uesc, professor fundador do cursos de Licenciatura Plena em Ciências Físicas, Matemáticas e Biológicas e do de Ciência da Computação da Uesc; pós-graduado em Engenharia e Tecnologia Nuclear (UFRJ)

Aviso ao navegante

Domingos Matos, 21/03/2011 | 08:48
Editado em 21/03/2011 | 08:52

Triste fim espera aquele que, em plena era da comunicação instantânea, ainda acredite que possa fazer, impunemente, um imenso balcão de negócios de seu mandato.

Falamos aqui de negócios de cunho monetário, mesmo.

Convém uma reavaliação de valores morais, urgente. Um dia o povo acorda.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 26/12/2010 | 10:58
Editado em 26/12/2010 | 12:48

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Preocupações à vista I

Os incidentes envolvendo integrantes da Polícia Militar da Bahia deixam o cidadão que os remunera com a pulga atrás da orelha. Principalmente depois das declarações atribuídas ao representante classista, soldado Agnaldo Pinto (“PEC 300: opinião de Wagner desagrada PMS”, em www.pimenta.blog.br de 25 de novembro) considerando “que Wagner ‘desrespeitou os policiais’ e piorou o clima na polícia baiana”, o que nos parece ensaiar desafio à autoridade do Governador.

Invectivas contra Cel. Ivo Silva Santos, do Comando Regional, postas através da imprensa, como se não houvesse Corregedoria e caminhos outros, sinalizam mais que a existência de insatisfações.

Recentemente teria um policial chutado uma imagem religiosa durante protesto na Governadoria. E não custa lembrar de fatos como a perseguição com tiroteio que resultou na morte de uma criança, em Salvador ou a agressão a uma líder do Assentamento D. Hélder Câmara, em Ilhéus.

O trabalho dos comandantes será exigido para contornar os problemas causados por alguns subordinados.

Preocupações à vista II

Algo no horizonte, onde esses fatos aparentam ser pontuais. Há pouco tempo, testemunhamos: restaurante local costumava fornecer, a pedido, quentinhas para policiais militares que faziam a ronda no quarteirão. No dia em que suspendeu, alertado de que alimentava velada forma de corrupção, ouviu de um deles que precisavam daquilo porque ganhavam pouco. Como retrucasse que o problema não era dele, foi surpreendido: – Quem mandou vocês votarem nesse governador?

Detalhe: isso ocorreu antes do primeiro turno. E gratuitamente foi vinculado o governo.

Tudo isso também pode ser saudade da cultura do chicote, atualmente retirada das ações governamentais. Como naquela história do cão que todo dia apanhava. No dia em que não foi surrado mordeu o dono.

Dilma sinaliza

dilmaAo compor a equipe ministerial a Presidente Dilma Rousseff parece ter ocupado alguns espaços que para ela são estratégicos. Um, muito significativo, traduz a perda do controle da Globo sobre o Ministério das Comunicações, ainda mantido através de Hélio Costa; a tomada do Ministério da Saúde do PMDB entregando-o a Alexandre Padilha reflete também a possibilidade de domínio sobre área estratégica.

Lula sinaliza

LulaAo admitir candidatar-se em 2014 temos que Lula prepara um golpe de mestre para assegurar a governabilidade para Dilma, que de imediato enfrentará problemas com um jeito diferente de governar e sem o carisma do antecessor.

O recado de Lula está dado a empresários, latifundiários, sistema financeiro, grandes grupos em geral que sejam contrários e imaginem retomar o poder com o desgaste que venham a impingir ao novo governo: não pensem que bater em Dilma assegurará o retorno do PSDB-DEM ao poder, porque estou pronto para retornar por mais oito anos.

Para quem detém quase 90% de aprovação não deixa de ser um senhor recado.

Novidade

O servidor buscou a DIREC de Itabuna onde pretendia registrar uma senha para acesso ao contracheque. Foi informado de que a determinação doravante é de que seria fornecida através do Banco do Brasil. Ainda que questionasse que a senha era para acesso ao contracheque foi-lhe reafirmado a mudança.

Que possa até significar uma facilidade, estranhou que uma relação eminentemente entre servidor e a máquina do Estado, mais precisamente Secretaria de Administração do Estado da Bahia, tenha sido transferida para o sistema bancário. Ou seja, ao banco uma delegação de função típica do aparelho estatal.

Não tarda o servidor receber o contracheque através do banco. Ou na agência, ou em casa; pagando módica tarifa. Se não já que tiver que pagar pelo fornecimento da senha!

José Alencar

alencar e lulaDe grande simbolismo se revestiria a descida da rampa do Palácio do Planalto de José Alencar ao lado de Lula. O coroamento de uma antes inimaginável aliança capital-trabalho com a presença ao vivo de um lutador pela vida na batalha que enfrenta contra o câncer.

E, certamente, seria o maior presente para Lula.

Que Deus o permita!

Coisas da Globo

A Globo desenvolveu um formato televisivo de alta qualidade, tornando-se referência. Suas novelas e minisséries marcam época, tornam-se espelho para outras emissoras. Recentemente levou ao ar capítulos de “As Cariocas”, inspirados na obra homônima de Sérgio Porto (única assinada pelo próprio Sérgio e não pelo antológico Stanislaw Ponte Preta), dirigidos por Daniel Filho.

Em que pese a qualidade questionável de alguns momentos – “A Desinibida do Grajaú” já encontrou melhor resultado em outro instante global – fomos surpreendido com o inusitado trazido ao ar justamente no último capítulo (“A Traída da Barra”) por um detalhe particular: desafiar a nossa capacidade de tolerância a aceitar Angélica e Luciano Huck como atriz e ator. Foi de lascar!

Desse jeito o padrão Xuxa vai ocupar a programação. Aí é decadência total, digo, global!

Da Globo para O Globo I

“A Polícia Federal concluiu que não houve grampo ilegal nos telefones do então Presidente do STF, Gilmar Mendes, no episódio em que foi divulgado diálogo com o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO). – Ilmar Franco – O Globo de 25.12.2010.”

O material acima foi pinçado de http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif neste 25 de dezembro – “A Farsa do Grampo sem Áudio: Um Crime Impune”. Encerra uma camuflagem para a realidade que pode ser expressa simplesmente: NÃO HOUVE GRAMPO. Mas como O Globo integra o PiG (Partido da imprensa Golpista, para Paulo Henrique Amorim)  o texto esconde a verdade e a armação então cometida.

O alegado grampo, sem áudio, denunciado pela Veja, levou o Ministro Gilmar Mendes – na franciscana fase de conceder habeas corpus a Daniel Dantas – a “chamar às falas” o Presidente da República, numa postura desrespeitosa e anti-republicana, alimentando uma farsa que visava desconstituir a atuação do Delegado Protógenes Queiroz e do Juiz Fausto de Sanctis, justamente as autoridades encarregadas de apurar os crimes de Daniel Dantas.

Da Globo para O Globo II

Onde está a mentira? A nota de O Globo diz “que não houve grampo ilegal”. Presumir-se-ia que tenha sido legal. Por este viés, como somente o próprio Supremo Tribunal Federal poderia autorizar o grampo nas suas instalações ou escuta de qualquer de seus integrantes ou foi por ele concedido ou não existiu. Portanto, a nota de O Globo encobre uma verdade desviando o sentido.

O porquê de todo esse rodapé: a nefanda postura do arrogante Ministro Gilmar Mendes não dará em nada e teremos que suportá-lo até que alcance a compulsória. E nos faz cada dia mais defensor de um mandato temporário para Ministros e Desembargadores.

Ah! outro objetivo: não esquecer o que esta gente faz de errado, se apresentando como paradigma da moralidade. Lá e cá. No fundo, sepulcros caiados!

Quando a razão padece

congressoAtribui-se a Afonso Arinos de Melo Franco haver dito que ao legislador federal bastava votar o orçamento da Nação para haver cumprido com seu dever parlamentar, tamanha a importância que lhe atribuía o grande mineiro. Na quarta 22, o Orçamento da República, superando 2 trilhões de reais, foi aprovado com o Congresso vazio, simbolicamente. O Deputado Fernando Chiarelli (PDT-SP) denunciou a ausência de quorum e pedira que a sessão não tivesse continuidade.

Regimentalmente não encontrou apoio, mas a moralidade e a Ética cobriram-no de razão

E querem acabar com a Voz do Brasil

Ginaldo “Tonelada” dos Santos, sergipano de Maruim, dedicado funcionário da Pousada Copacabana ali na saída de Ilhéus para Olivença. Pouca conversa, tipo que só entra onde é chamado. Sempre foi eleitor de Geraldo Simões. No entanto tomara uma atitude neste 2010 e a expressou para um amigo nosso. – Não vou votar em Geraldo – disse ao surpreso amigo. Indagado da razão por que tomava aquela postura já que dizia gostar do político itabunense soltou a sua sinceridade: – Não “vejo” ele na Voz do Brasil. Ou seja, nunca ouviu qualquer fala de Geraldo no radiofônico oficial. Isso para sua leitura denotava ineficiência.

“Tonelada” é desses milhões de brasileiros que sabem da existência de uma lei muito antes de advogados e juristas, ouvido colado no rádio. Que acompanham a atuação de deputados e senadores, conforme sejam citados ou “discursem” no rádio. Que valorizam e respeitam o Poder Legislativo como instituição.

Desmentindo muita gente por aí que afirma não existir audiência para “A Voz do Brasil”.

Paranóia I

Ubaldo, o Paranóico – de Henfil – faria a festa com o incidente ocorrido com a Oi, materializado no incêndio que atingiu suas instalações, que cheira à armação e a prejuízo para o erário. Considerando o que representa o sistema de telefonia e sinais elétricos para a sociedade moderna, entrelaçado desde o agora simples e primitivo telefonar à gama de atividades que hoje lhe são tributárias (pagamentos, consultas, compras etc.) não se pode imaginar que mínimos detalhes envolvendo a segurança do sistema não se façam presentes. Tampouco que não haja um sistema de reserva que possa ser acionado imediata e concomitantemente.

Por causa disso, sei não! Ubaldo, o Paranóico, pode ter razão!

Paranóia II

PS.: Havíamos escrito o rodapé quando nos deparamos, nesta sexta 24, com “Jereissat e a BrOI devem $ 640 ao Louro” em http://www.conversaafiada.com.br/ e que os prejuízos montam a 400 milhões.

De imediato nos lembramos de que a junção das duas empresas tem aporte de recursos do BNDES, amparado em estórias cabulosas, o que inclui precipitada anuência do Governo Federal, sem falar-se que em alguma “moita” do processo está escondido Daniel Dantas.

Por causa disso, Ubaldo, o Paranóico, tem razão!

Idéias que não justificam o nome

Não pode ser considerado fruto da racionalidade humana a iniciativa da administração do Shoping Jequitibá de iniciar a ampliação de suas instalações no imediato das compras de Natal. Não porque não devesse fazê-la, mas por iniciá-la com a restrição do espaço oferecido para estacionamento.

Mais está para afastar o consumidor que para atrair. Ou alimentar a atividade médico-psiquiátrica e laboratórios a ela afins tanto o estressamento a que expõe a vítima consumidora.

O que justifica o internamento da mente fulgurante que idealizou o início das obras para esse instante.

Orestes Quércia

orestesCerto que em necrológio de políticos não cabe lembrar toda a sua história. Mais por compaixão para com a dor dos que ficam e usufruirão sua herança material. Mas, não dá para esquecer tudo, mormente diante de um proeminente exemplo de política patrimonialista.

Justifica um sussurrado eppur si muove, como se atribui a Galileu Galilei quando saía do Tribunal do Santo Ofício onde negara sua teoria helioocêntrica para salvar o próprio lombo da prisão, circunstância bem melhor que a de Giordano Bruno, assado na fogueira da Inquisição.

Não custa sussurrar: não foi só isso, não é bem assim!

Idéias que não justificam o nome

A Paulino Vieira, quarta 22, às 19h25min tinha seu último quarteirão de acesso à Otávio Mangabeira fechado. Tomado de mesas e cadeiras de plástico, instrumentista, teimoso repertório e esperança de interpretação, como sói ocorrer nestas noites grapiúnas de música ao vivo.

A engenharia de tráfego do Município, como não havia impedimento de acesso a partir da Olinto Leone, alimentava a piração de induzir o motorista a buscar a Camacã e fazê-lo manobrar para refazer o trajeto pela Cinqüentenário caótica.

Não dá para entender.

Reforma administrativa

Diante de tantos percalços, a reforma administrativa que dizem estar em andamento na Prefeitura – não se ouve do próprio Prefeito qualquer menção a ela – além de tardia não parece fadada a convencer. Mais ensaia “freio de arrumação” em veículo lotado e mal dirigido, onde peças serão trocadas para manter o status quo.

É aguardar para ver. E comentar!

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Cantinho do ABC DA NOITE

cabocoAparentando amalucado, olhar rútilo e sibilino, circulava no passeio em frente ao ABC da Noite, para cima e para baixo, tornando em quilômetros o traçado de quatro metros naquele trecho do Beco do Fuxico. Gesticulando e balbuciando, olhando para um lado e para outro, dava idéia de que buscava algo ou esperava alguém que não chegava apesar da hora marcada. Voltou a olhar para o boteco. Fixou-se na placa. Riu. A essa altura observado por todos os freqüentadores do ABC, despertados pelo estranho comportamento. Voltou a olhar para a placa, gargalhou e desandou fala:

– ABC da Noite... e me chamam de doido!

Mais intrigou. Repetiu a faina e novamente sorriu, com ar vitorioso de quem anuncia um axioma:

– ABC da Noite. Cabôco só abre de dia... e o doido sou eu!

A turma entendeu o recado e pediu mais uma a Cabôco Alencar. Antes que a noite chegasse.

(Delicie-se com o Cabôco Alencar lendo O ABC DO CABÔCO – Via Litterarum).

Depois de tudo

Rir pra não chorar!traços

traçasAdylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Mobilização na internet garantiu apuração de agressão e intolerância religiosa de PMs

Domingos Matos, 06/11/2010 | 18:49
Editado em 07/11/2010 | 08:59

Uma rede de informações, iniciada com movimentos sociais e blogs progressistas - com apoio de políticos, como o deputado eleito Valmir Assunção -, garantiu que o bárbaro ato de policiais militares em Ilhéus não ficasse impune - ou, pelo menos, sem a devida investigação.

O Trombone denunciou a absurda ação policial, em texto do advogado Adylson Machado, na coluna DE RODAPÉS E DE ACHADOS do dia 31 de outubro.

Ontem, a CUT Bahia divulgou nota de repúdio à ação da PM (leia abaixo). Hoje, o jornal Correio da Bahia publicou extensa reportagem sobre o assunto, ouvindo a Mãe de Santo Bernardete Souza Ferreira dos Santos, o que deu ares de 'autenticidade' à notícia e abriu os olhos de outros veículos. Que bom.

Agora é esperar que a "indignação" do governador, informada na matéria do Correio, se reverta em uma séria investigação interna, promovida pela Corregedoria da PM. Porque em nível criminal, o Ministério Público já está agindo. Graças à mobilização popular na internet. O mérito é desse trabalho coletivo.

Encontrado!

Domingos Matos, 04/08/2010 | 22:12
Editado em 04/08/2010 | 22:19
Daniel Thame | www.danielthame.blogspot.com

danielEliane Oliveira recebeu Francisco Paulo Lins da Silva, vindo não se sabe de onde, com a generosidade das mulheres apaixonadas.

Deu-lhe amor, uma família e até um emprego na instituição em que trabalhava.
Quando se descobriu que Francisco viera das trevas, Eliane estava morta, covardemente assassinada pelo homem a quem amara e acolhera.

Francisco, o bom companheiro, o amante gentil, era um lobo momentaneamente travestido de cordeiro, que já havia cometido assassinatos em São Paulo e no Mato Grosso.

Pousou em Itabuna como um foragido da Justiça, aqui viveu seu idílio com Eliane e quando ela não quis manter no relacionamento, transmutou-se novamente em lobo.

E fugiu de Itabuna como o assassino frio que é, perambulando pelos confins da Bahia e do Tocantins, até ser -finalmente- preso em Santa Luzia do Tude, cidadezinha perdida na imensidão do Maranhão.

Durante sete meses, familiares e amigos de Eliane promoveram uma ampla mobilização para que o crime não ficasse impune e que Francisco fosse localizado.

Para isso, espalharam cartazes com sua foto em locais de grande movimentação de pessoas e através dessa fantástica ferramenta (quando bem utilizada) que é a internet.

E foi através de um site em que sua foto estava estampada que Francisco foi reconhecido. Acionada, a polícia o prendeu quando ele, na condição do mais pacato dos cidadãos, fazia a limpeza do terreno da casa onde morava.

Francisco não ofereceu resistência e nem negou o assassinato de Eliane. Nem há como negá-lo, tantas são as provas contra ele, num crime planejado e executado com frieza.

Do Maranhão, será trazido para Itabuna, onde, espera-se, pague pela monstruosidade que cometeu.

Nada que traga Eliane de volta, mas ao menos se fará a Justiça que não foi feita nos assassinatos anteriores cometidos por Francisco.

Crimes pelos quais ele não foi punido e razão pela qual continuou livre para continuar cometendo atrocidades contra mulheres indefesas.

Que desta vez, a impunidade não prevaleça, posto que lugar de lobo não é necessariamente entre cordeiros.

É, no caso de facínoras como Francisco, prioritariamente atrás das grades.

Daniel Thame é jornalista, blogueiro, e autor do livro "Vassoura"

A responsabilidade é uma pista de mão dupla

Domingos Matos, 24/05/2010 | 11:50
Editado em 11/05/2010 | 14:02

Daniel Thame | www.danielthame.blogspot.com

danielÉ absolutamente compreensível que, diante de acidentes terríveis como o que ocorreu na tarde de sexta-feira na rodovia Ilhéus-Itabuna, em que um casal e o filho recém-nascido morreram presos entre as ferragens de um carro atingido de frente por um caminhão-guincho; a indignação das pessoas se volte contra as autoridades.

Afinal, há pelo menos duas décadas que se fala na duplicação da rodovia que une as duas maiores cidades do Sul da Bahia e que, além de ter em suas margens a Ceplac e a Universidade Estadual de Santa Cruz, é uma das portas de entrada para o crescente movimento turístico nas áreas litorâneas e possui um intenso fluxo de veículos entre municípios que se completam nas áreas de comércio, saúde, educação superior, prestação de serviços e lazer.

A duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna é, portanto, mais do que necessária e existem motivos para acreditar que, finalmente, a obra sairá do pantanoso terreno da promessa. Os recursos para a duplicação da rodovia estão disponíveis no PAC e o projeto final está em vias de aprovação.

A partir daí é, literalmente, colocar as mãos à obra.

O problema - e isso precisa ficar bem claro - é que a interminável lista de acidentes na rodovia Ilhéus-Itabuna, muitas vezes com vítimas fatais, não pode ser debitado necessariamente ao fato de que a rodovia possui uma única pista, com dois sentidos de direção.

Se há um fator preponderante nesses acidentes, que não ocorrem apenas na rodovia Jorge Amado (esse é o seu nome oficial), mas em rodovias de todo o Brasil, ele atende pelo nome de irresponsabilidade.

Uma irresponsabilidade que fica visível para quem trafega -e na prática arrisca a vida- num trecho de meros 28 quilômetros, que se pode fazer em 40 minutos numa velocidade razoável e respeitando-se as normas de trânsito.

No sábado, enquanto familiares e amigos ainda choravam as mortes do casal e do bebê de apenas um mês e dezoito dias e no local do acidente ainda se podiam ver as marcas da tragédia, motoristas continuavam cometendo as mesmas barbaridades de sempre: excesso de velocidade, ultrapassagens arriscadas, desrespeito à sinalização e até ausência do cinto de segurança.

A menos de 200 metros do posto da Polícia Rodoviária Federal (isso mesmo!) o motorista de um Fiat Uno, que retornava de Ilhéus, teve que jogar o carro no acostamento estreito para não bater de frente com uma Van, cujo motorista irresponsavelmente fez uma ultrapassem por vários carros e vinha, em alta velocidade, na contramão.

A duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna certamente desafogará o tráfego e dará um dinamismo ao fluxo de veículos, além de funcionar como vetor de desenvolvimento agregado a obras como o Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste e o Gasene.

Mas não evitará acidentes e mortes enquanto os irresponsáveis que usam seus veículos como armas letais continuarem cometendo suas atrocidades ao volante impunemente.

A responsabilidade é uma via de mão dupla.

Já a irresponsabilidade parece trafegar (e matar!) em todas as direções.

Daniel Thame é jornalista e blogueiro

Cadeia ou culéjo?

Domingos Matos, 08/04/2010 | 01:57
Editado em 08/04/2017 | 10:08

Por Domingos Matos

Recentemente o governador Rui Costa afirmou, segundo a mídia local, que não construirá novo presídio em Itabuna. Falou isso após, segundo as mesmas fontes, o prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, ter dito que “não autoriza” o estado construir em terras itabunenses uma nova unidade prisional. Isso sob o argumento de que o presídio fomenta o crime na cidade.

Não se sabe se Rui concordou tão prontamente com FG por causa da amizade que os une (!) desde as eleições de 2016, mas o fato é que – segundo quem disse que ele disse isso – concordou e justificou a posição semelhante à do prefeito dizendo que é melhor fazer “culéjo” do que cadeia, até por questões econômicas. O preso custa mais ao estado do que o aluno universitário.

Quem dera a vida fosse assim, tão simples! “O que é mais barato? Culéjo? Façam-se mil!”.

Não é, senhores.

Um parêntese. Como aqui o papo é reto, digo logo tenho vínculo com o Conjunto Penal de Itabuna, através da empresa que o administra, em regime de cogestão com o governo do estado, a Socializa. Digo isso pra facilitar o julgamento de quem lê. Mas também digo, por outro lado, até para que se equilibre esse julgamento hipotético, que sou petista, eleitor do governo Rui, tenho profunda ligação com a educação, especialmente no campo profissional, como assessor da APLB em Itabuna, e também assessor da própria SEC. Ou seja, já estive dos dois lados do balcão, profissionalmente. E, de quebra, sou casado com uma professora. Fecha parêntese.

Justamente por passar a conhecer por dentro o que é a cadeia, não na condição de preso, mas de colaborador da gestão, posso dizer que é fácil para qualquer um, até para um governador, dizer que não são necessárias mais vagas prisionais. Ou que, mesmo sabendo que são necessárias, que não as irá construir, o que é pior.

O presídio de Itabuna tem capacidade para 670 presos – não os chamarei nesse parágrafo de reeducandos, para não chocar – mas abriga, hoje, mais de 1.315. Desses, cerca de 35% são presos provisórios, ou seja, sem julgamento e sem pena determinada. Isso em Itabuna, porque a média baiana e nacional é bem maior, mais que 50% dos encarcerados não tem condenação definitiva.

O que, na prática, significa ser preso provisório? Significa ser um potencial criminoso profissional em poucos dias de "estágio". Em alguns casos, estão presos por crimes de menor potencial ofensivo. Roubou um celular e é companheiro de cela do chefe de uma facção. Sabendo que em breve aquele provisório deve sair, esse chefe já o instrui para praticar cá fora os crimes necessários à manutenção do seu poder de líder. Solução? Presídio para presos provisórios e condenados por crimes menores - por exemplo, aqueles não violentos.

Mas, voltando ao que é a cadeia. É a consequência da deformação da sociedade. O prefeito Fernando Gomes disse que não autoriza um novo presídio porque esse tipo de estabelecimento fomenta o crime cá fora. Fácil demais falar isso, para quem ocupa pela quinta vez a cadeira de prefeito, chefe de um poder responsável pela formação inicial do cidadão, desde a creche até o ensino médio – hoje, mais fortemente até o fundamental 1 –, responsável direta ou indiretamente por grande parte do desastre que é a educação municipal. Fácil demais falar que a última escala é quem cria as primeiras vítimas.

Do ponto de vista da ressocialização, o sistema prisional, incluído o CPI, tem sido a esperança de um conserto para essa deformação, enquanto não atingimos uma utópica formação cidadã plena. Antes de ser uma Suécia, precisamos de bons presídios enquanto Brasil.

Usando o exemplo da unidade prisional de Itabuna, olhando pelo quadro funcional, é possível ter essa esperança. Encontram-se lá, por exemplo, dezenas de profissionais de diversas áreas, que exigem uma formação universitária, como assistentes sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, odontólogos, farmacêuticos, pedagogos, terapeuta ocupacional, além de professores e coordenadores pedagógicos.

Fora isso, profissionais de nível médio-profissional, como instrutores de marcenaria, hortaliças, corte e costura, cabeleireiro etc. Isso sem falar nas centenas de agentes de disciplina, serviços gerais e cozinha. Uma massa salarial nada desprezível. Sem contar os impostos aqui recolhidos. Sem falar na economia adjacente, com fornecedores de alimentos, água, luz etc.

Mas a palavra é “ressocialização”. É uma palavra que pode não significar muita coisa para quem carrega em si o preconceito contra os encarcerados. Mesmo para quem, por pouco, não teve um ente numa situação de cárcere.

Mas, se houver um desses privados de liberdade que seja ressocializado, que possa voltar ao convívio social e familiar, ser produtivo, após ter pagado sua dívida com essa mesma sociedade, já terá dado sentido à existência de uma unidade desse tipo. Em qualquer município.

O que não quer dizer que município e estado não devam criar mais escolas - particularmente, preferiria que cuidassem melhor ou substituíssem as existentes - olhar para os profissionais como parceiros na formação de uma sociedade melhor, não como adversários, a quem pune com salários baixos, doenças do trabalho, insegurança etc. Vivem, muitos desses, em verdadeiras cadeias, para usar a imagem que mais assusta nosso prefeito.

Claro que aqui não se defende a cadeia apenas punitiva, muito menos a que pretende “ensinar” pela tortura e maus tratos. Fala-se de ressocialização, reeducação, formação cidadã. Sim, mesmo para encarcerados que tenham praticado crimes que nunca serão perdoados pelas vítimas ou mesmo pela sociedade. Mas são reeducandos. Agora os chamo pelo termo que a lei os identifica.

É caro fazer isso, trazê-los – ou tentar –, resgatá-los? É. Mas, mais caro será criar um exército de fornecedores de drogas, por exemplo, nas portas das novas e velhas escolas, deformadores da sociedade, bem debaixo das barbas do sistema que repudia a cadeia.

Eis um problema que nossos governos talvez finjam que não veem, porque afinal, são criminosos do nosso convívio diário. Não sabem, porém, que estamos presos aqui fora com todos eles.

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Jornalista e blogueiro

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