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Mortes violentas seguem em queda na Bahia nos últimos cinco meses, segundo Secretaria de Segurança

Domingos Matos, 05/06/2019 | 18:34
Editado em 05/06/2019 | 00:15

A diminuição de 14,8% das mortes violentas (homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte), na Bahia, nos cinco primeiros meses, foi discutida durante a reunião semanal de avaliação realizada pela Secretaria da Segurança Pública. Integrantes das polícias Militar, Civil e Técnica, além do Corpo de Bombeiros participaram do encontro, na tarde de terça-feira (4), no Centro de Operações e Inteligência (COI).

Em números absolutos, de janeiro a maio deste ano, foram contabilizados 2.159 casos, contra 2.535, em 2018. “São cinco meses com reduções e as preservações de 376 vidas, na Bahia, e seguimos trabalhando para mantermos esses índices. Lembro ainda que fechamos 2018 com o menor número de mortes dos últimos seis anos, aumentando o nosso desafio em 2019”, destacou o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa.

A redução na Bahia refletiu os números das macrorregiões, com as quedas em Salvador de 13,5%, na Região Metropolitana de 12,7% e no Interior de 15,6%. “Analisamos, nesta reunião, pontos relevantes, operações, casos emblemáticos, entre outras situações. O principal é que permanecemos com a filosofia de integrar as ações ostensivas e de inteligência”, finalizou Barbosa.

Bahia e mais quatro estados nordestinos reduzem mortes violentas

Domingos Matos, 11/02/2019 | 13:06
Editado em 11/02/2019 | 10:07

Cinco estados nordestinos, entre eles a Bahia, iniciou o ano de 2019 com redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) - homicídio, latrocínio e lesão corporal dolosa seguida de morte. No território baiano, janeiro de 2019 terminou com diminuição de 21,7% crimes contra a vida – na comparação com o mesmo período do ano passado. Rio Grande do Norte (-38,5%), Paraíba (-40%), Sergipe (-30,4%) e Alagoas (-32,7%) completam a lista.

Na capital baiana, a queda foi de 23%. Em números absolutos foram 107 casos, no ano de 2018, contra 82 registrados este ano. A Região Metropolitana de Salvador (RMS), por sua vez, teve recuo de 15,5%, com 49 crimes em 2019, enquanto no ano passado ocorreram 58. Por último, a macrorregião que engloba o interior do estado contabilizou decréscimo de 22,2%. Em números totais 388 mortes aconteceram em 2018 e neste ano a polícia investiga 302. No geral a Bahia teve 433 casos em 2019, contra 553 do mesmo período do ano anterior.

“Conseguimos um grande resultado no ano passado com uma redução histórica de 11,5%, menor número dos últimos seis anos. Continuaremos, este ano, perseguindo a meta de 6% determinada pelo programa Pacto Pela Vida (PPV)”, disse o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, ressaltando também o bom desempenho no Nordeste. “Estaremos mais unidos em 2019, ajudando quando for preciso e também solicitando apoio nas grandes operações contra quadrilhas interestaduais”, completou.

 

Primeira semana de 2019 tem queda de 21% nas mortes violentas, segundo SSP

Domingos Matos, 10/01/2019 | 13:01

A primeira semana (1 a 7 de janeiro) de 2019 se encerrou com uma queda de 21% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), que correspondem aos homicídios, latrocínios e lesões dolosas seguidas de morte. Em Salvador e Região Metropolitana a polícia contabilizou 26 casos este ano, enquanto em 2018 registrou 33. Em números absolutos foram sete mortes a menos na comparação do mesmo período.

Os números seguem a tendência de 2018 que terminou com redução de 11,5% na Bahia, menor dos últimos seis anos. “Ao contrário do que alguns falam, mesmo sem acompanhar de maneira séria o trabalho da polícia, fechamos o ano passado com uma grande diminuição dos crimes contra a vida e iniciamos 2019 no mesmo ritmo”, destacou o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa.

Lembrou ainda que o bom desempenho é mérito do trabalho realizado pelas polícias Militar, Civil e Técnica com ações preventivas e investigativas. “Em 2019 teremos um grande desafio, haja vista a redução no ano anterior, mas empenho não faltará”, garantiu Barbosa.

 

 

“Prisão preventiva virou instrumento de política pública de segurança”

Entrevista - Marcos Bandeira, juiz aposentado

Domingos Matos, 23/01/2017 | 12:03

“Todos nós, pobres mortais, não estamos imunes à prisão”

Marcos Antônio Santos Bandeira, juiz aposentado, atuou em Itabuna na Vara do Júri, Execuções Penais, além da de Infância e Juventude e dos Delitos de Imprensa. Aposentou-se recentemente, na Vara da Infância. Marcos Bandeira, hoje advogado, em sua passagem pela Vara das Execuções Penais foi um dos responsáveis pelo que hoje boa parte da população entende como um avanço na relação do encarcerado com a sociedade, especialmente a partir da instalação do Conselho da Comunidade, previsto na Lei de Execuções Penais e estimulado por ele, em parceria com a Pastoral Carcerária, da Igreja Católica.
Nessa entrevista, concedida ao jornalista Domingos Matos para O Trombone e o jornal Agora, Bandeira joga luzes sobre problemas que todos conhecem, mas ignoram suas origens. Por exemplo, como se dá a superlotação que origina a guerra entre facções, que aterrorizam Itabuna e todo o país. Está, em grande parte, na banalização do expediente da prisão preventiva. “Os juízes criminais, de uma forma geral, passaram a utilizar a prisão preventiva como instrumento de política pública de segurança. Hoje, mais de 44% dos presos brasileiros são presos provisórios, ou seja, não foram julgados”.

Leia a íntegra.

O Trombone – O senhor teve uma experiência na Vara do Júri e de Execuções Penais em Itabuna que marcou época. Fale dessa experiência.

Marcos Bandeira – Quando assumi a titularidade da Vara de Execuções Penais de Itabuna de em janeiro de 1998 eram quatro em um, ou seja, a Vara tinha competência para as demandas do Júri, Execuções Penais, Delitos de Imprensa e Infância e Juventude. Naquela época não havia Presídio e todos os presos provisórios e condenados ainda em grau de recurso permaneciam na Casa de Detenção de Itabuna, situada no Complexo Policial. Somente os presos condenados definitivamente eram encaminhados para a Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. As condições eram precárias, diria, péssimas. Pessoas sem qualificação alguma, já naquela época, tomavam conta de presos. Também, já naquela época, formavam-se lideranças dentro do cárcere, mas ali os presos reivindicavam melhores condições dentro da cadeia, e não havia o formato ou características das gangues de hoje (raio A, raio B entre outros), como ocorreu nos presídio de Salvador com as gangues de Perna e do Cláudio Campana, que loteiam toda a cidade, disputando o poder, principalmente as bocas de fumo.

Foi aí que surgiram as primeiras ações baseadas na Lei de Execuções Penais.

Sim. Na época, diante da situação caótica da Casa de Detenção de Itabuna, criamos o Conselho da Comunidade, previsto na Lei de Execuções Penais, derrubamos paredes e criamos duas salas de aulas com cerca de 40 detentos em cada uma, e passamos a fazer o que o Estado não fazia e nunca fez. Fizemos um convênio com a TV Futura e com a Fundação Helenilson Chaves, que nos cedeu gratuitamente duas professoras, para ministrar aulas para os detentos. Além disso, colocamos em cada cela filtros de água, colchões e outros utensílios, dando um pouco de dignidade aos presos que ali estavam. Havia cursos profissionalizantes e de artesanatos, além de aula de educação física. Toda terça-feira recebia os membros do Conselho da Comunidade e estabelecíamos ações e metas e, assim, conseguimos humanizar “aquilo”, coibindo, principalmente, a tortura, que era muito comum na época. Nesse período não houve uma rebelião ou fuga, inclusive, criamos uma seção eleitoral na Casa de Detenção, onde 51 presos provisórios votaram nas eleições do ano 2000, fato inédito no interior da Bahia.

O presídio trouxe organização onde imperava o descontrole”

No início de seu trabalho ainda não havia sido construído o Conjunto Penal.  Qual a diferença entre os presos que eram custodiados na cadeia pública e os do presídio, hoje?

O sonho e a realidade. A construção do Presídio de Itabuna foi uma luta hercúlea de muitos anos. Aqui, gostaria de destacar, se me permite, a figura incansável e destemida do Dr. David Pedreira, representante da Pastoral Carcerária, que foi um grande parceiro e que por diversas vezes estivemos juntos em Salvador no gabinete do Secretário de Justiça, reivindicando a construção do Conjunto Penal de Itabuna. Ele tem uma grande participação na concretização desse sonho. O presídio, na verdade, trouxe organização, profissionalismo, controle, onde imperava a desordem e o descontrole total. Foram recrutados agentes penitenciários, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissionais, indispensáveis para trabalhar com o custodiado.

Em tese, seria o sonho de qualquer sociedade desenvolvida. A realidade veio com a superlotação?

Durante o período que presidi a Vara de Execuções Penais nunca ultrapassamos o número de 440 detentos, que é a lotação máxima do Conjunto Penal de Itabuna. Hoje, sabemos que existem cerca de 1.200. Na verdade, inauguramos a sala de audiências do Conjunto Penal de Itabuna e realizávamos por mês dois mutirões – audiências concentradas – dentro do presídio. Começávamos por volta das 9 horas e só acabávamos às 21 horas, em regra, apreciando cerca de 70 a 80 processos de presos em cada mutirão. Isso evitava revoltas e insatisfações internas dos custodiados, pois os seus direitos à progressão do regime, à remição de pena, ao livramento condicional, quando preenchiam os requisitos, eram respeitados. O sentimento de injustiça em qualquer lugar gera revolta e pode desencadear ações violentas, principalmente, no interior do cárcere.

O senhor vê atuação do crime organizado, ao menos as grandes facções, no presídio e na criminalidade em Itabuna, ou esse sistema de divisão da cidade em "raios" apenas repete a divisão dos internos no presídio, sem ligação com as grandes organizações?

Na verdade, a liderança de facções em presídios não é uma particularidade de Itabuna, infelizmente está espraiada por todo o Brasil. O encarceramento em massa no Brasil passou a ter uma maior visibilidade a partir da década de 90, quando a prisão, como punição por excelência, passou a ser a grande resposta para a resolução dos conflitos sociais. O Brasil, hoje, é a 4ª população carcerária do planeta, só perde para os Estados Unidos, Rússia e China. Os juízes criminais, de uma forma geral, passaram a utilizar a prisão preventiva como instrumento de política pública de segurança. Hoje, mais de 44% dos presos brasileiros são presos provisórios, ou seja, não foram julgados. Isso tudo explica a superpopulação carcerária e o descontrole do Estado nessa seara. Na verdade, creio que muitos detentos oriundos da Lemos de Brito em Salvador trouxeram para Itabuna o que acontecia naquela penitenciária e na Casa de Detenção, que eram comandadas pelo assaltante Perna, Pitty e por Cláudio Campana, que passaram a fatiar Salvador.

Olhando para a crise vivida hoje no Brasil, essa questão do controle dos presídios por facções parece um problema irradiado, como o senhor destacou...

O grande problema é que essa “liderança” sempre foi tolerada pelo Estado, havendo assim uma espécie de pacto para que esses líderes controlassem a massa carcerária, evitando violências, tendo em contraprestação o reconhecimento da sua liderança e determinadas regalias. Acontece que dentre essas regalias, o acesso ao telefone celular e a comunicação com o mundo exterior, empoderaram as lideranças prisionais, que perceberam que a prisão é um excelente local para ganhar dinheiro e aumentar o seu poder. Assim, aconteceu em Itabuna, com a divisão dos raios e a disputa por pontos de drogas em várias partes da cidade. Existe uma ordem que vem lá de dentro para eliminar o inimigo e essa ordem é cumprida fielmente pelos seus asseclas. O Estado infelizmente perdeu o controle. Isso explica também a matança no Amazonas e em Roraima.

“A reincidência, segundo pesquisa recente, está na ordem de 70%”

Como juiz, o senhor foi um defensor da aplicação da Lei de Execuções Penais, o que, para muita gente, soava como um conjunto de benesses aos presos. Soltou presos que não precisavam mais estar encarcerados, levou assistência jurídica e chegou a criar uma relação da cadeia com a sociedade que não era comum. Como avalia essa percepção de parte da sociedade?

Não vivemos, embora pareça, num Estado autoritário ou inquisitorial, mas sim num Estado Democrático de Direito, onde os direitos e as garantias individuais de cada cidadão devem ser respeitadas, esteja ele preso ou não. Como juiz de Execuções Penais, nada mais fiz do que cumprir a minha obrigação, sendo guardião dos direitos constitucionais dos encarcerados. Nunca passei a mão na cabeça de ninguém e jamais fiz caridade a preso. Sempre pautei minha jurisdição pelo primado da legalidade e fui guiado em minha ações pelo sentimento de justiça e pelos valores elencados na Constituição Federal. Se alguém enxergou alguma benesse nesse trabalho certamente desconhece a lei ou o meu trabalho.

Vê algum fruto desse trabalho nos dias de hoje?

Como disse, o grande elo entre os encarcerados e a sociedade foi o Conselho da Comunidade que criamos na Vara de Execuções Penais e que funcionava efetivamente. É muito difícil falar em ressocialização num contexto prisional de Itabuna, é como tirar leite de pedra, diante da violência provocada principalmente pelo tráfico de drogas, onde muitos foram eliminados, entretanto, já tive a oportunidade ver vários daqueles detentos da época que presidi a Vara de Execuções de Itabuna trabalhando, constituindo família e totalmente integrados à sociedade. É verdade que muitos reincidiram na prática criminosa.

O encarceramento no Brasil cumpre as funções da pena - punitiva e educativa?

Absolutamente, não [enfatizando]. Como falei anteriormente o Estado Brasileiro perdeu as rédeas do controle no interior dos cárceres para as lideranças de gangues ou facções criminosas. Os líderes, com a tolerância do Estado, comanda tudo e exerce o seu poder a partir da prisão. Como disse Michel Foucault “a prisão é o único lugar onde o poder pode se manifestar em estado nu, nas suas dimensões as mais excessivas, e se justificar como poder moral”. Esse poder é sustentado evidentemente pela violência e pelo medo. Logicamente que o sistema prisional do Brasil está falido, não ressocializa. Pelo contrário, o indivíduo que cometeu um único delito e que não possuía antecedentes, de repente, ao interagir no interior dos cárceres com presos da mais alta periculosidade e com esses “lideres”, acaba ingressando nas carreiras criminosas quando sai do cárcere. É o que diz a escola criminológica “labelling approach”, que explica os processos seletivos de criminalização. Como se sabe, a reincidência com relação às penas privativas de liberdade, segundo pesquisa recente, está na ordem de 70%, constituindo, sem dúvida alguma, numa grande vertente da violência urbana.

O Brasil ficou horrorizado com o que aconteceu em Manaus e Roraima e já em outras partes, nas últimas semanas. Eram tragédias anunciadas, levando em conta a situação carcerária no País?

Sem dúvida alguma foram tragédias anunciadas. Evidentemente que o genocídio choca sempre, mas sempre haverá alguém, como aconteceu com um então Secretário de Juventude do governo Temer, que chegou a dizer que deveria haver mais matança, o que denota uma total indiferença e desumanidade. O grande problema dessas pessoas é que sempre enxergam o outro nessas condições como “inimigo” e a partir daí declaram abertamente “eles que se matam”. Eu respeito a opinião, mas lembro que todos nós, pobres mortais, não estamos imunes a prisão ou a ter algum parente, filho, irmão, amigo encarcerado. Talvez, a partir dessa experiência, conhecendo a realidade carcerária, mude seu ponto de vista. O que eu quero dizer é que todo cidadão preso à disposição da Justiça, seja provisório ou condenado, tem o direito à vida e a cumprir a sua pena em local minimamente digno, que lhe proporcione as condições para superar as suas dificuldades e voltar a conviver pacificamente na sociedade. É como penso.

“A família deve voltar à sua vocação de instância educadora”

Voltando à relação da sociedade com a cadeia. O que falta para que a sociedade veja o encarcerado como ser humano, cuja vida e segurança estão sob a guarda do Estado

Acho que falta ainda à sociedade esse sentimento de empatia e de compromisso. Fiquei muito comovido diante de uma tragédia como aquela do avião da Chapecoense, quando vi manifestações de afeto e de solidariedade de todo o mundo, que me fez acreditar que sempre haverá uma centelha divina no coração do ser humano, que muitas vezes é ocultada ou obnubilada pela rotina do dia a dia. Todavia, acho que os empresários e os banqueiros deveriam investir mais em projetos sociais que fossem capazes de reduzir um pouco mais a nossa gritante desigualdade social, principalmente assistindo crianças e adolescentes. A família deve voltar à sua vocação de instância educadora e a escola deve se adaptar às novas exigências e tecnologias, atraindo o aluno e o mantendo em suas fileiras.  Quando a educação for prioridade neste país, quando crianças e adolescentes forem vistas como investimento, e não simplesmente como problema, quando oportunizarem aos jovens o mercado de trabalho, quando as empresas assumirem o seu papel de responsabilidade social, quando o Estado respeitar os direitos e garantias individuais do cidadão, quando os gestores atuarem com probidade e espírito público, implementando políticas públicas, quando as penas alternativas forem efetivamente aplicadas, certamente o cárcere, a prisão, será uma exceção e reservada somente para os casos extremamente graves, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa humana.

Itabuna aparece como 3ª cidade mais perigosa para jovens no país

Domingos Matos, 24/02/2011 | 14:00
Editado em 24/02/2011 | 14:03

Do Pimenta

No intervalo de apenas um ano, Itabuna saltou de 11ª para 3ª cidade mais violenta do Brasil quando considerado o número de homicídios entre jovens na faixa de 15 a 24 anos em 2008 (confira o resultado do estudo de 2007). É o que revela o mais novo Mapa da Violência feito pelo pesquisador Júlio Jacobo, Instituto Sangari e Ministério da Justiça.

Conforme o estudo, o município registrou 92 assassinatos em que as vítimas eram jovens na faixa etária de 15 e 24 anos de idade. Maceió (AL) lidera o ranking de mortes violentas nessa faixa etária, seguido pela capixaba Serra.

O mapa da violência também traz em destaque no ranking as baianas Simões Filho (5ª posição), Lauro de Freitas (9ª), Porto Seguro (14ª), Salvador (21ª) e Eunápolis (22ª). Ilhéus aparece na 61ª colocação na relação das mais violentas para jovens de 15 a 24 anos.

A posição de Itabuna no ranking “melhora” quando comparados os dados envolvendo todas as faixas etárias. Neste caso, a cidade situa-se como a 13ª mais violenta do país. Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, é a 2ª mais violenta do Brasil, conforme o estudo.

Lauro de Freitas aparece na 16ª colocação, seguida por Porto Seguro (17ª).  Eunápolis aparece na 24ª posição. Itabuna, Porto e Eunápolis estão situadas na região sul da Bahia. Simões Filho e Lauro de Freitas, na região metropolitana.

O pesquisador Júlio Jacobo, autor do estudo, diz que ocorre uma desconcentração da violência das regiões mais ricas do país para o Nordeste. Segundo ele, o nordeste enfrenta uma maré positiva de geração de emprego e renda, mas sem a estrutura de segurança pública.

Política, preconceito e religião vitaminam intolerância

Domingos Matos, 17/11/2010 | 10:31
Editado em 17/11/2010 | 10:39

marcelo semerMarcelo Semer | marcelo_semer@terra.com.br  (Publicado inicialmente em Terra Magazine)

Não se pode dizer, ainda, que as agressões da Paulista que vitimaram gays, tiveram motivação homofóbica. Infelizmente não seria nenhuma novidade.

Faz tempo temos convivido com extremismos discriminatórios, que vez por outra transbordam para o noticiário policial. Nordestinos, mendigos, índios e homossexuais estão entre as vítimas preferenciais de operações de limpeza étnica ou expressões de pura arrogância.

Mas mesmo entre aqueles que não agridem, é de se notar que a intolerância e a discriminação têm alcançado índices alarmantes. Que o digam as violentas manifestações no twitter, culpando nordestinos pelo resultado da eleição.

Por pouco, a coisa não piora.

Recentemente soubemos que no começo de agosto grupos neonazistas preparavam manifestação em homenagem a Rudolf Hess, condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade, dos quais, aliás, morreu dizendo jamais se arrepender.

Denúncia de anarquistas ao Ministério Público paulista desarticulou a passeata que até então vinha sendo preparada em grupos de discussão na Internet, defensores do "orgulho branco".

Os neonazistas chamam Hess de "mensageiro da paz", mas as mensagens que eles mesmos produziam, entre louvações a Hitler e ao poder branco, estavam repletas de afirmações discriminatórias a "anarcos, judeus, pretos e comunistas".

As comunidades afirmam: "somos brancos nacionalistas; há milhares de organizações promovendo os interesses, valores e heranças dos não-brancos. Nós promovemos os nossos".

Lembrar o nazismo parece um absurdo de alucinados saudosistas da barbárie.

Mas o tom do recente manifesto "São Paulo para os Paulistas" não destoa muito destas palavras de reverência ao "orgulho branco".

Trocados migrantes por judeus e paulistas por arianos, a idéia de "defender o que é verdadeiramente nosso", tipicamente paulista, sem mistura, não está longe daquela que alavancou o nazismo, tenham eles consciência ou não disso.

O documento que circulou pela web se afirmou anti-racista e contra o preconceito. Mas está fincado, basicamente, na idéia de "soberania do paulista em sua terra".

Os migrantes, sobretudo nordestinos, são acusados de promover bagunças, invasões de propriedade e ocupar empregos dos paulistas, com a mesma contundência que se vê nos grupos xenófobos europeus em relação a árabes e africanos.

"A grande maioria dos crimes, violências e fraudes, está relacionada a migrantes", sustenta o abaixo-assinado, sendo estes, ainda, os que "mais se apoderam dos serviços públicos".

A campanha, para além de glorificar o "orgulho paulista", propõe absurdas limitações no uso de serviços estatais e acesso a cargos públicos, a serem restritos aos da terra. A migração deveria ser revertida, apregoam, lembrando que "os migrantes possuem altíssima taxa de natalidade e ocupam espaços que pertencem ao povo paulista"; ademais, "promovem arruaças em transportes públicos, saciam a fome e impõem seus costumes aos bandeirantes".

A xenofobia não é nada nova, mas foi recentemente vitaminada por uma campanha eleitoral repleta de desinformação e despolitização.

Durante a eleição presidencial, muitos foram os analistas que atribuíam uma possível vitória de Dilma a seu desempenho no Nordeste. Ouvimos ad nauseam tais comentários, insinuando um país eleitoralmente dividido, além do preconceito enrustido sob a crítica da eleição ganha por intermédio de favores aos mais pobres.

Os números foram severos com esses argumentos, pois Dilma venceu expressivamente no Sudeste e teria sido eleita mesmo sem os votos do Norte e Nordeste. Mas a impressão de um país rachado entre cultos e incultos, Sul e Norte, já havia conquistado muitos corações e mentes na elite paulista.

Afinal, como dizia Sartre, o inferno são os outros. São eles que responsabilizamos por nossos fracassos, porque é custoso demais atribuir os erros a nós mesmos.

A tática do vale-tudo e a adesão desesperada à estratégia típica dos ultraconservadores norte-americanos, de trazer a religião para os palanques, ou levar a política para os cultos, estimulou ainda uma nova rodada de preconceitos.

Não bastasse a questão do aborto ter sido tratada como ponto central da disputa, religiosos exigiam dos candidatos rejeição ao casamento gay e a não-criminalização da homofobia, instrumentos que apenas aprofundam a discriminação pela orientação sexual.

Os níveis diferenciados de crescimento das regiões mais pobres, a ascensão social provocada pelos mecanismos de transferência de renda, a ampliação da classe média e a redução da sensação de exclusividade são, paradoxalmente, condimentos para a evolução da intolerância.

Tradicionalmente os momentos de mobilidade social são tão sensíveis quanto aqueles de depressão.

Que saibamos evitar no crescimento a intolerância de que sempre soubemos desviar nos momentos de crise.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

Rir, pra não chorar!

Domingos Matos, 21/10/2010 | 20:54
Editado em 22/10/2010 | 01:04

game serraJá estão rolando na internet piadinhas com a "agressão" sofrida por Serra. Um joguinho também foi criado (foto). Nele, Serra se esconde atrás da bancada de Willian Bonner e Fátima Bernardes, no Jornal Nacional, e o jogador tenta acertar a careca do candidato.

Clique aqui para jogar (pode demorar ou mesmo não abrir, porque a página está carregadíssima, com gente do Brasil todo jogando, mas vale a pena tentar).

Veja abaixo alguns gracejos com o ataque mortal:

  • Serra é casado, mas não no papel
  • Diretor de Tropa de Elite diz que cortou as cenas com Bolas de Papel por considerá-las muito violentas
  • Serra, após atentado, aumenta segurança. Foram contratados 5 soldadinhos de chumbo fortemente armados com cartolina
  • Folha de papel: R$, 0,04. Tomografia computadorizada: R$ 500,00. Assistir ao SBT desmascarar Serra: não tem preço!
  • Do jeito que o Real tá valorizado, capaz do Serra ter sido atingido por uma bolinha de papel moeda
  • Pedra vence tesoura. Tesoura vence papel. Papel vence Serra!
  • Bolinha de Papel foragida manda carta ameaçadora para Serra: "Na próxima vai ser no olho!"
  • Ainda bem que foi uma bolinha de papel, se fosse bolha de sabão Serra diria que o PT usa armas químicas
  • Nunca antes na história desse país se viu uma bola de papel derrubar uma máscara tão perfeitamente.
  • Saiu o diagnóstico da tomografia do candidato Serra: FRESCURA
  • Ainda bem que foi uma bolinha de papel. Se fosse um aviãozinho iam dizer que foi um ataque terrorista
  • Sempre faz um desvio e cai na mesa do professor. Ou, pior, na cabeça dele
  • O Serra não será convidado ao HQGOL, pois é catimbeiro e não aguenta cabecear nem bolinha de papel!
  • ONU convoca reunião para discutir a nova arma de destruição em massa do momento, a bolinha de papel
  • A bolinha de papel é a shuriken do seculo XXI
  • O maior pesadelo de José Serra é tomar uma chuva de confetes
  • O Haduken foi criado para imitar a bolinha de papel. Só conseguiu imitar 1/10 da força
  • A única arma que derruba discos voadores é a bolinha de papel
  • O capitão Nascimento já foi atingido por uma bolinha de papel, mas ele estava de colete. Foi o que salvou-lhe a vida
  • CSI é chamado para investigar o caso da bolinha de papel
  • Os nazistas foram derrotados na segunda guerra mundial porque os Aliados descobriram a bolinha de papel antes
  • EUA e Rússia começam nova corrida armamentista. Querem ver quem consegue criar a bolinha de papel mais mortal
  • A estrela da morte é redonda para imitar a bolinha de papel
  • O que matou os dinossauros não foi um meteoro, e sim a abominável bolinha de papel
  • De olho no apoio de Marina, PT promete que de agora em diante, só bolinhas de papel reciclado
  • Chamex vai ficar rica com exportação de bolinhas de papel... Cada pacote: 500 armas!
  • Carga de Chamequinho é apreendida pelo Pentágono como Arma de Destruição em Massa
  • Lula perdeu um dedo, Dilma aguentou a tortura no regime militar, Serra tomou bolinha de papel na cabeça. Alguém tem dúvida de que o Serra sofreu mais?

(Para entender, veja post abaixo)

'Força (des)necessária' da PM gera protestos entre moradores do Zizo

Domingos Matos, 08/09/2010 | 21:20
Editado em 09/09/2010 | 00:27
janainaMoradores do bairro de Zizo estão reclamando do que consideram abuso de autoridade e excesso de força das polícias civil e militar nas abordagens que promovem na localidade, além de agressão e intimidação a pessoas de bem.

Muitos pais e mães de famílias estiveram no Complexo Policial hoje, prestando queixa contra os policiais que estiveram no Zizo desde o fim de semana até a noite de terça-feira (7). Para os moradores, violência e intimidação. A polícia, quando é questionada sobre isso, argumenta que "faz uso da força necessária".

As primeiras ocorrências foram na noite da última sexta-feira (3), quando a Polícia Civil realizou uma operação preventiva nos bairros que fazem parte da área da 1° Delegacia Circunscricional.  O saldo foi uma prisão, por porte ilegal de arma, no bairro Califórnia.

No entanto, as ações, que fazem parte do programa "Ronda nos Bairros", continuaram normalmente, inclusive - e especialmente - no bairro de Zizo, onde teriam ocorrido os excessos.

De acordo com a gari Janaína Venâncio de Paula, de 27 anos (na foto ao lado, exibindo a guia de exame médico-legal), ela foi agredida pelos policiais ontem à noite, quando estava no bar, localizado na rua Principal do Zizo, com familiares. Hoje pela manhã, Janaína mostrava as marcas da agressão que disse terem sido produzidas pelos ‘baculejos' da PM.

A gari ainda contou que no domingo (5), durante uma ronda, os policiais - "que sempre chegam em alta velocidade e em atitudes violentas" - fizeram revistas "no capricho" em todos que estavam à vista, sem exceção - incluindo mulheres, crianças e idosos.

Esse fato, diz, se repetiu na terça-feira, com maior número de policiais, mais violência e algumas pessoas detidas. Até cassetetes e spray de pimenta foram utilizados, relata.

Marcado pela fama

O Zizo é um bairro marcado pela fama de abrigar muita bandidagem e de ser violento e inseguro. Porém, muita gente que ali reside, a maioria das pessoas, na verdade, é de trabalhadores e pessoas de bem.

Ontem, por exemplo, muita gente estava no bar, na rua Principal, que foi palco das revistas policiais. Estavam comemorando, após um torneio de futebol. "Havia muitas pessoas no bar, muitas delas pais e mães de família e que foram humilhadas e detidas", relata a gari Janaína, que cita ela própria como exemplo e um outro morador, ‘Galego', que é feirante.

janaina e daianeA estudante Daiane da Silva Santana, de 20 anos, que também foi "baculejada" por um PM - homem - no bar, ontem, contou que se assustou com a intimidação dos policiais.Ela também esteve no Complexo Policial, onde aparece na foto, ao lado da amiga Janaína, após prestar queixa.

Não se tem dúvidas de que é bom e necessário o policiamento ostensivo em toda a cidade. Mas chegar arrepiando só faz com que os que são bandidos ouçam o furdúncio e fujam, enquanto os pais de família são pegos "para Cristo".

Além disso, moradores reclamam da alta velocidade com que as viaturas passam pelas ruas. Nessas idas e vindas, dois animais de estimação foram atropelados e uma criança, de seis anos, quase foi colhida por uma dessas viaturas em alta velocidade.

Melhor evitar, não?

Wagner adota discurso de 'resposta à insegurança'

Domingos Matos, 24/05/2010 | 11:50
Editado em 05/04/2010 | 22:31

wagnerUma das áreas mais sensíveis da atual gestão, a segurança pública começa a entrar na pauta do dia do discurso político visando as eleições de outubro.

Amanhã, em todo o estado, Wagner vai expor, em seu programa de rádio Conversa com o Governador, uma 'resposta' à sensação de insegurança que toma conta da Bahia.

Não é demais lembrar que a oposição identifica essa área como o 'calcanhar de aquiles' do governador na corrida pela reeleição. Wagner vai falar do programa Ronda nos Bairros, que está sendo implantado em Salvador e envolve as duas policias estaduais.

O programa prevê a fixação dos policiais militares e civis por 24 horas nas localidades mais violentas. Clique aqui e ouça primeiro o programa Conversa com o Governador dessa terça-feira. Basta clicar no título da nota.

A foto é de Arrison Marinho

Chacina no Gogó da Ema

Domingos Matos, 24/05/2010 | 11:50
Editado em 23/05/2010 | 10:53

A madrugada desse domingo começou com crime bárbaro, numa das regiões mais carentes e mais violentas do município, o local conhecido como Gogó da Ema, próximo ao Maria Pinheiro. Homens armados e encapuzados invadiram uma casa e abriram fogo contra um grupo de pessoas que estavam em seu interior.

Por volta da 01h25min, a Polícia Militar recebeu a informação de um tiroteio no local, em que quatro pessoas haviam sido alvejadas. Na verdade, quatro homens executados por disparos de escopeta calibre 12, pistola e, possivelmente, de uma pequena metralhadora.

O crime ocorreu no interior de uma residência na rua Hélio Aragão. Ainda não se tem a identificação dos autores nem de todas as vítimas. Vizinhos disseram que todos tinham envolvimento com o mundo das drogas.

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