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Atletas de Itacaré buscam vaga para o Mundial de Canoagem na China

Domingos Matos, 13/06/2019 | 10:12

Os atletas itacareenses Alberto Oliveira e Iury Souza, da Associação de Canoagem de Itacaré, estarão representando a cidade no  XXVIII Brasileiro de Canoagem - Maratona 2019 que será realizado na praia do Prata, em Palmas, nos dias 15 e 16 de junho. A competição é uma seletiva que vai definir a Seleção Nacional apta a representar o Brasil no Campeonato Mundial de Canoagem Maratona em Shaozing, na China, nos dias 10 a 13 de outubro.

Alberto Oliveira e Iury Souza seguiram na tarde de ontem para Tocantins e já na quinta-feira iniciam o reconhecimento das águas. Na bagagem muita força, preparo físico e a esperança de colocar Itacaré no lugar mais alto do pódio, garantindo assim a vaga para o Mundial na China. A viagem para Palmas contou com o apoio da Prefeitura de Itacaré, através da Secretaria de Juventude, Esporte e Cultura.

A prova terá o percurso de 28 quilômetros, mas os atletas de Itacaré mostraram estar preparados. “Treinamos bastante e estamos num bom condicionamento físico. Estamos prontos para representar a cidade”, disseram os atletas. No total, serão 34 categorias na disputa. O percurso será com águas profundas e limpas.

Os dois atletas fazem parte do projeto da Associação de Canoagem de Itacaré, que conta com cerca de 90 integrantes que treinam diariamente e já são campões nas águas e na vida. O prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, destacou o trabalho que vem sendo feito pela ACI de preparar esses jovens para que possam estar bem representando a cidade nas mais diversas competições no Brasil e em outros países. E a Prefeitura tem buscado ser parceira da ACI nesse trabalho, com ações nas áreas de saúde, assistência social, esportes e educação.

 

Exportações baianas crescem 27,4% no mês de maio

Domingos Matos, 11/06/2019 | 09:31

As vendas externas da Bahia se recuperaram em maio, alcançando US$ 758,2 milhões, o que representa um aumento de 27,4% ante o mesmo período de 2018. De acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), considerando o acumulado de janeiro a maio, as exportações cresceram 2,5%, indo a US$ 3,15 bilhões.

“O crescimento das exportações na Bahia é resultado de políticas públicas do Governo do Estado, que não tem poupado esforços para atrair novos empreendimentos que resultam no alargamento da base exportadora baiana”, analisa o secretário do Planejamento do Estado, Walter Pinheiro.

O bom desempenho das exportações em 2019 reflete a melhora dos volumes exportados, com alta de 22,3%, puxada por itens como petróleo, celulose, petroquímicos, metalúrgicos, algodão e derivados de cacau. No mês, as exportações para os Estados Unidos cresceram 35% e avançaram 46% para a Ásia, com a China registrando aumento de 9,1%. 

 

Importações

O crescimento de 38,6% das importações reflete o efeito da greve dos caminhoneiros no ano passado, já que a maior contribuição para o crescimento foi de produtos intermediários (cobre, trigo, fertilizantes, borracha e insumos químicos) que cresceram 81,7%, e que foram duramente atingidos na paralisação de maio do ano passado. Normalmente, as importações em 2019 vêm registrando maior aumento na categoria combustível, que lidera ainda com folga o crescimento no acumulado do ano com incremento de 159% (GNL, nafta, petróleo).

Com os resultados até maio, a Bahia voltou a acumular um superávit de US$ 116,1 milhões em sua balança comercial, resultado de US$ 3,15 bilhões em exportações com incremento de 2,5% e US$ 3,03 bilhões em importações com um aumento de 22,3%, comparado a igual período do ano anterior. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) chegou a US$ 6,18 bilhões, com crescimento de 11,4% no período.  

 

Comitiva de Rui está na China para tratar sobre investimentos do projeto Fiol

Domingos Matos, 15/05/2019 | 10:31

O governador da Bahia, Rui Costa e a comitiva baiana formada de secretários estão em Pequim, na China desde segunda-feira (13) para tratar sobre grandes investimentos para o Estado. A missão baiana em terras chinesas continuou na terça-feira (14), com dois encontros com empresas interessadas no projeto da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol) e na ponte Salvador-Itaparica. Os compromissos no país asiático seguem até a próxima quarta-feira (15), na cidade de Shenzen.

Na segunda-feira (13), Rui assinou um memorando de entendimento entre o Governo e a empresa chinesa Easteel, que pretende investir U$ 7 bilhões na implantação de um projeto de desenvolvimento integrado que deve gerar mais de 30 mil empregos diretos na Bahia. "Vamos trabalhar de forma firme, dedicada e determinada para que esse projeto marque a história da economia baiana e das relações do Brasil com a China", disse o governador.

Fazem parte do projeto, a construção de um parque industrial integrado, composto por siderúrgica, usina de energia e diversas unidades fabris, uma fábrica de cimento capaz de produzir anualmente 5 milhões de toneladas. Compõem o planejamento, a revitalização do Porto de Aratu, com aplicação de sua capacidade de movimentação, e a construção de uma cidade inteligente nas proximidades do parque industrial, para trabalhadores da empresa e seus familiares.

O prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre fez um destaque na última semana sobre a missão internacional do governador, que começou em Washington, na capital norte-americana. “Teremos, em breve, a instalação da empresa Forever Oceans, ou seja, um investimento de sessenta milhões de dólares na criação de peixes na costa de Ilhéus. Já a Fiol é um grande sonho para os ilheenses. Não tenho dúvidas que o crescimento regional passará pelos trilhos do desenvolvimento ”, salientou.

A Fiol - A Ferrovia de Integração Oeste-Leste tem extensão de 1.527 quilômetros, entre Ilhéus e Figueirópolis (TO). O objetivo do empreendimento é especificamente viabilizar o escoamento da produção de minério de ferro produzido na região. Importante corredor de escoamento de minério do sul do estado da Bahia (Caetité e Tanhaçu) e de grãos do oeste baiano, indo ao encontro do objetivo de integração das malhas ferroviárias e melhora das condições logísticas do país.

 

Em fórum na China, Rui faz palestra sobre transformação digital da Bahia 

Domingos Matos, 14/05/2019 | 16:26

A experiência exitosa do Governo do Estado no projeto de reconhecimento facial foi apresentada pelo governador Rui Costa em um dos mais importantes eventos de tecnologia do mundo, o Fórum Smart City, realizado na cidade chinesa de Shenzen, nesta terça-feira (14). Com 15 milhões de habitantes - mesma população da Bahia - Shenzen tem mais de 1,3 milhão de câmeras controladas por programas de computadores que tornam a cidade mais segura e inteligente, sobretudo na oferta de serviços à população. 

Na palestra "Transformação Digital do Estado da Bahia", o governador destacou os resultados alcançados através do projeto piloto, que possibilitou a captura de pessoas com mandados de prisão no Carnaval de Salvador e na micareta de Feira de Santana, após a identificação por meio do sistema de reconhecimento facial da Huawei. A empresa chinesa é sediada em Shenzen e convidou o governador para apresentar o case de sucesso no evento, que reuniu mais de 500 pessoas, entre gestores públicos de cidades de todo o mundo e empresários da área de tecnologia. "Estamos felizes com o resultado inicial, mas nosso objetivo é avançar e proporcionar mais segurança aos baianos, por isso estamos licitando este serviço para 55 cidades. Também contrataremos softwares para educação e saúde, áreas que considero fundamental o uso da tecnologia para melhorar e ampliar a oferta de serviços à população", afirmou o governador. 

Após o evento, Rui Costa visitou a sede da Huawei e conheceu novos equipamentos e softwares capazes de tornar as cidades mais inteligentes. Em seguida, se reuniu com o vice-presidente da companhia para o setor público, Xu Xujing, para esclarecer dúvidas sobre o processo licitatório que o Governo do Estado realizará com a finalidade de ampliar o uso da tecnologia na Bahia.

"O estado da Bahia hoje é uma referência mundial em aplicação da tecnologia na área da segurança e isso faz aumentar a nossa responsabilidade. O próximo passo é ampliar nossa cobertura e nossos serviços para melhorar a qualidade da segurança pública e reduzir os índices de criminalidade", afirmou o secretário estadual da segurança pública, Maurício Barbosa, que se integrou à comitiva do Governo nesta terça. Também cumpriram agenda com o governador os secretários da Casa Civil, Bruno Dauster; do Desenvolvimento Urbano, Sérgio Brito; e o senador Jaques Wagner.
 

Tragédia de Brumadinho: o maior acidente de trabalho do país e os limites da indenização

Domingos Matos, 29/01/2019 | 17:01

Daniel Moreno*
 

A cada hora que passa a tragédia provocada pelo rompimento de barragens da Vale em Brumadinho (MG) são registradas novas mortes e, assim, deve configurar o maior acidente de trabalho da história do Brasil. Isso porque, até então, o maior acidente registrado no Brasil até então tinha sido o desabamento de um galpão em Belo Horizonte, capital mineira, com o registro de 69 mortos em 1971. E outra grande tragédia no ambiente de trabalho aconteceu em Paulínia, cidade do interior de São Paulo, na Shell-Basf com a morte de 65 empregados vítimas de agrotóxicos usados pela empresa e que contaminaram o solo, sendo que, nesse mesmo caso mais de mil funcionários também foram afetados. 
 
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que 321 mil pessoas morrem por ano no mundo em acidentes de trabalho. O Brasil é o 4º colocado no ranking mundial e o primeiro no continente americano, atrás da China, Índia e Indonésia. O acidente de trabalho é aquele que ocorre no exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.
 
Os números sobre acidente do trabalho no Brasil são preocupantes. De acordo com dados Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), o país registrou cerca de 4,26 milhões de acidentes de trabalho de 2012 até o dia 3 de agosto de 2018. Ou seja, 1 acidente a cada 48 segundos ocorre nos mais diversos setores e ambientes do trabalho brasileiros. Desse total, 15.840 resultaram em mortes, ou seja, uma morte em acidente estimada a cada 3h 38m 43s.
 
E o desastre de Brumadinho já soma novas vítimas fatais para essa triste estatística. Importante ressaltar que em caso de acidente de trabalho fatal, os herdeiros das vítimas possuem direito a indenizações trabalhistas, que, via de regra, tem os valores arbitrados de acordo com a gravidade, culpabilidade e o poder econômico da empresa.  
 
Contudo, desde 11 de novembro de 2017,  com a entrada em vigor da reforma trabalhista, a nova lei passou a limitar as indenizações por danos morais a 50 (cinquenta) vezes o salário da vítima. Isto é, se o trabalhador recebia R$ 1 mil a título de salário, a indenização por danos morais, em tese, não poderá ultrapassar R$ 50 mil.
 
Esse tipo de indenização tem como objetivo, além de reparar minimamente a dor dos familiares, disciplinar a empresa, ou seja, penalizar o empregador para que tais fatos não se repitam. 
 
A Vale, além de estar avaliada em dezenas de bilhões de reais, é reincidente, o que, se não fosse a reforma trabalhista, certamente levaria as indenizações a um patamar superior este limite imposto pela lei.
 
O cenário acima ainda pode mudar, pois a Anamatra - Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho - já ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo Tribunal Federal (STF) requerendo a inconstitucionalidade do respectivo teto. A ação, de relatoria do ministro Gilmar Mendes, ainda não possui prazo para ser julgada.  
 
Vale ressaltar, que o teto em questão se aplica apenas aos processos trabalhistas, que certamente serão movidos pelos familiares dos trabalhadores. Eventuais indenizações devidas aos moradores atingidos não se limitam ao respectivo teto. A Vale certamente responderá uma série de processos trabalhistas, cíveis e criminais pelo desastre ocorrido em Brumadinho.
 
A posição do Judiciário brasileiro deverá ser exemplar neste caso, em todas as esferas. Não podemos mais assistir, inertes, tragédias que devastam nosso meio ambiente e resultam em mortes de centenas de trabalhadores. E a indenização das vítimas e de suas famílias também devem ser um novo norte nos casos de acidentes do trabalho no país.
 
*Daniel Moreno é advogado especialista em Direito do Trabalho e sócio do escritório Magalhães & Moreno Advogados

Exportações baianas crescem 9,1% em 2018

Domingos Matos, 10/01/2019 | 13:31

As exportações na Bahia fecharam 2018 com vendas de US$ 8,8 bilhões, um crescimento de 9,1% sobre 2017, de acordo com dados analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI). O fortalecimento da China como principal parceiro da Bahia — resultado do conflito comercial protagonizado entre o país asiático e os Estados Unidos — e uma trajetória de preços mais favoráveis, que resultou em uma valorização média de 6% na pauta comparada ao ano anterior, além de nova expansão da produção agrícola estimada em 17%, foram os principais responsáveis pelo melhor resultado para as exportações baianas desde 2014.

Já as importações cresceram cerca de 10%, alcançando US$ 7,92 bilhões, sinalizando um maior dinamismo da economia, apesar da ainda frágil recuperação da atividade industrial. Em dezembro, as exportações baianas alcançaram US$ 959,6 milhões, superando em 46,9% o resultado obtido em dezembro do ano passado — melhor resultado para o mês desde 2012 —, com destaque para as vendas de soja, algodão, celulose e derivados de petróleo.

Em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China, o pais asiático avançou sua fatia nas exportações baianas de 26,4% em 2017 para 32,8% em 2018, seguido pela UE com participação de 18,4%, os EUA com 11,2% e o Mercosul com 10,3%. A exportação para os chineses somou US$ 2,9 bilhões no ano passado, com crescimento de 35,3% na comparação com o ano anterior, numa variação bem acima dos 9,1% de alta nos embarques totais da Bahia. Já para a UE, EUA e Mercosul, as vendas recuaram 6,2%, 8,7% e 14%, respectivamente.

 

“Mais um passo, mais uma vitória", diz Rui após assinar acordo na China

Domingos Matos, 01/09/2017 | 10:17
Editado em 01/09/2017 | 11:19

“A assinatura de hoje representa a nossa determinação em colocar a Bahia num novo patamar de atração de investimentos. É mais desenvolvimento para o interior. É mais emprego e renda para milhares de baianos”, afirmou o governador Rui Costa após assinar na China memorando de entendimento com cinco empresas chinesas e a Bahia Mineração (Bamin) para financiamento do projeto do Porto Sul, da Fiol e da mina de Pedra de Ferro. O ato aconteceu no Palácio do Povo por volta das 8h desta sexta-feira (1º) na Bahia, 19h em Pequim.

“Nosso foco na China é garantir mais qualidade de vida para nossa gente, transformar a vida das pessoas. Somos um povo forte e não baixamos a cabeça diante da dificuldade. Prova disso é que estamos do outro lado do mundo trabalhando intensamente para levar resultados concretos para a Bahia, mesmo diante de um cenário de crise econômica no Brasil”, acrescentou o governador ao concluir um dos principais compromissos nesta sua terceira missão internacional à frente do Governo do Estado.

Em vídeo publicado no Facebook (veja aqui: https://goo.gl/fZqAgt), Rui destacou o trabalho realizado ao longo dos últimos dois anos até a assinatura desta sexta. “Foram dois anos de muito trabalho para chegar à formação de um consórcio envolvendo várias empresas chinesas e a empresa do Cazaquistão. Teremos até o ano que vem o leilão da ferrovia [Fiol] e o início das obras, um passo importante para a Bahia crescer. Mais um passo, mais uma vitória”, afirmou o governador na rede social.

O documento assinado nesta sexta estabelece que o Governo do Estado, as empresas chinesas e o Eurasian Resources Group, acionista da Bahia Mineração, “desejam cooperar para o desenvolvimento totalmente integrado do projeto do Porto Sul, da Fiol e da mina Pedra de Ferro”. 

Ainda de acordo com o memorando, a participação em grupo de investimento para financiar o desenvolvimento dos projetos será liderada pelo consórcio chinês formado pelas seguintes empresas - China Railway Group Limited; China Communications Construction Company Ltd; Minmetals Development Co. Ltd; Shougang Fushan Resources Group Limited; e Dalian Huarui Heavy Industry Group Co. Ltd.

Essas empresas orientais são de diversos ramos de atuação, como siderurgia, construção civil e mineração, e fecharam um cronograma de atividades com a Bahia Mineração envolvendo prazos para execução dos trabalhos.                        

Fotos: Divulgação/GOVBA

Empresários chineses visitam Ilhéus e assinam acordo para investimentos na Bahia

Domingos Matos, 14/07/2017 | 17:39

Empresários chineses e autoridades do comércio externo da China estiveram nesta sexta-feira (14) em Ilhéus para conhecer a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e o Porto de Malhado, interessados na construção de mecanismos que possibilitem a vinda de empresas da China para a Bahia. Ainda em Ilhéus, foi assinado um memorando de cooperação entre a Free Trade Zone Tianjin e a ZPE de Ilhéus. O evento o diretor-geral da Comissão de Comércio, Znhang Aiguo, disse ter “certeza de que faremos [Tiajin e Bahia] bons negócios no futuro”.

Tianjin, que fica na região nordeste da China, é a terceira plataforma exportadora mais importante do país e uma das maiores comunidades econômicas depois de Xangai e Pequim. A sua área de Desenvolvimento Econômico-Tecnológico serve de base praticamente para todos os polos industriais, comerciais e financeiros da região.

O secretário estadual da Casa Civil, Bruno Dauster, que representou o governador, afirmou que “Rui Costa definiu como prioridade de captação de investimentos trabalhar junto aos chineses no sentido de trazer indústrias daquele país para o sul da Bahia.  Durante a viagem até Ilhéus conversei com o presidente da zona franca de Tianjin na China, Gai Jian, que é uma das autoridades mais importantes do governo Chinês na área agrícola, e vimos possibilidades de trazer para o sul da Bahia, para a Zona Franca de Ilhéus,  indústrias de transformação de várias áreas e vimos também que, em breve, com a Fiol entrando em operação, isso será um grande facilitador da chegada dos grãos lá do oeste até aqui para receber beneficiamento nas industrias em Ilhéus, bem como outros tipos de indústrias do setor de transformação e de energia. Tianjin juntamente com Xangai e Pequim, formam os três mais importantes centros econômicos da China.”

Ainda segundo Bruno Dauster, “desenvolvimento só se faz com muito trabalho, com muito esforço. Este encontro está permitindo visualizar cada vez com mais clareza que em breve poderemos ter a concretização da Fiol, a construção do Porto Sul e do Aeroporto Internacional de Ilhéus”.

O vice-governador João Leão, um dos articuladores das conversas com os empresários e o governo de Tianjin no sentido dessa aproximação com a Bahia, embora não tenha podido estar presente aos eventos em Ilhéus, considerou “muito importante esta visita das autoridades e empresários de Tianjin a Bahia. Ilhéus e todo sul do nosso estado tem um potencial muito grande. Temos obras importantes de infraestrutura em andamento a exemplo da Fiol, temos a ampliação do aeroporto, em breve teremos o Porto Sul, estamos trabalhando para construir a ponte do desenvolvimento, ligando Salvador à Ilha de Itaparica. Temos a iniciativa empresarial de implantação da ZPE e o nosso governador Rui Costa vem realizando um governo que coloca o desenvolvimento do interior da Bahia em primeiro plano. Estou otimista quanto aos bons resultados que teremos nas relações da Bahia com a China”.

Para Paulo Guimarães, superintendente da SDE, “a região de Ilhéus tem um potencial enorme para receber novos investimentos. A vinda desta comitiva da China com autoridades e empresários que operam o maior parque de ZPE do mundo pode trazer empresas de grande porte para a região sul da Bahia. A assinatura do protocolo de cooperação entre as ZPE’s daqui e de Tianjin ampliará esta possibilidade”.

O secretário Vivaldo Mendonça, da Secti, disse que “este trabalho realizado pelo governador Rui Costa e o vice-governador João Leão, de captação de investimentos para trazer mais desenvolvimento a Bahia, será responsável por um futuro melhor para todo o estado”.

O presidente da ZPE de Ilhéus, empresário Otávio Pimentel, afirmou que “nós já temos hoje a lei que já beneficia as exportações. Com as ZPE’s nós deixamos de exportar só commodities e podemos multiplicar em mais de mil vezes a produção industrial baiana mineral e vegetal. Será um grande salto para o futuro exportarmos produtos manufaturados”.

A delegação da China veio composta por Zhang Aiguo, diretor-geral da Comissão de Comércio de Tianjin, Cai Qingfend, assessor do diretor-geral do Porto de Tianjin, Gai Jian, oficial da Comissão de Comércio, Mu Shengjun, chefe de divisão da Comissão de Comércio de Tianjin; Yin Bin, oficial da comissão de Comércio de Tianjin; Shao Weitong, primeiro secretário da Embaixada da China no Brasil, e Margarida Xu, vice presidente da Associação e Plataforma Intercontinental. 

Chocolate é comida de boi

Domingos Matos, 12/07/2017 | 07:52

Por Walmir Rosário

Calma, gente, isso acontece lá na Austrália, onde o chocolate serve como iguaria e tranquilizante para os animais da raçaWagyu (japonesa), que são transformados em kobe beef, uma das carnes mais saborosas do mundo. E como tudo tem seu preço, um quilo dessa carne é vendida em todo mundo pelo preço de arrobas que conseguimos vender por aqui.

Ao tomar conhecimento dessa notícia,pensei logo nos benefícios que poderiam trazer à cultura do cacau, com esse incentivo ao consumo do conhecido manjar dos deuses. Já imaginaram quanto embolsariam a mais os nossos produtores exportando mais cacau? Marketing a Canavieiras é o que não falta e teríamos como símbolo a fazenda Cubículo, primeira plantação de cacau da Bahia.

Mas ao relembrar as propostas de aumento da produção de cacau através da elevação do consumo, logo me aquietei pensando no histórico dessas tentativas anos a fio pelo antigo Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau (CCPC), que trocou o C de Consultivo pelo N de Nacional.

Ainda recordo das visitas de nossos conselheiros à China, que tinha como missão fazer com que apenas 10% dos chineses tomassem apenas uma pequena xícara diária de chocolate. Entre idas e vindas, a verdade é que se passeou muito e não conseguiram trocar o sagrado chá dos chineses pelo nosso cacau.

Uma lição caseira também me chama a atenção, que seria a introdução do chocolate na merenda escolar, com pioneiras tentativas, todas infrutíferas e de redundante fracasso. Não o porquê, mas a verdade é que essa ideia nunca foi transformada numa política pública, e não cabe a esse pobre escrevinhador pesquisar. É o papel dos cacauicultores.

Longe de mim afirmar – em alto e bom som – que a atitude do pecuarista australiano não irá produzir resultados positivos para o cacau. Também não vou sair por aí recomendando a introdução dessa nobre dieta aos pecuaristas brasileiros. Cabe-me apenas mostrar o que está sendo feito em terras distantes aos nossos patrícios. E vale a pena tomar conhecimento.

Antes de mais delongas, vale explicar que o kobe beef é considerada sinônimo de maciez, com gordura marmorizada e sabor inconfundível, que combina com o paladar dos consumidores que pagam em dólares e euros. Afinal, esses animais recebem um tratamento de luxo e carinho, sem falar da alimentação especial que recebem. Nada mais justo.

Tudo é uma questão de valor e disposição de pagar, como diriam os economistas para explicar a disposição desse seleto grupo de exigentes consumidores. De olho nessa demanda, o pecuarista Scott de Bruin, do Sul da Austrália, passou a investir na alimentação desses bovinos, oferecendo grãos especiais e frutas como maçãs.

Para agregar mais valor ao seu produto, Scott também passou a incluir o nosso chocolate na dieta do rebanho Wagyu, com a finalidade de aumentar as calorias consumidas. Com isso, conseguiu – segundo ele – a elevar o marmoreio da carne, tornando o kobe beef do seu rebanho ainda mais especial e de preço alto.

Acreditem que é a mais pura verdade. O pecuarista australiano consegue servir essa dieta composta por grãos, frutas e chocolate a todo o seu rebanho, formado por 7,5 mil cabeças, quando eles atingem os 30 meses. Ao sentir o cheiro do chocolate, as rezes se aproximam e comem à vontade (acredito que lambendo os beiços, como se diz popularmente).

Para o fazendeiro australiano, o consumo do chocolate faz com que o seu rebanho fique bem alimentado e mais feliz, transferindo esse bem-estar à qualidade e ao sabor da carne. A qualidade do tratamento a esses animais não se restringe ao chocolate e eles também ganham sessões de massagens, acupuntura, ouvem música clássica e dormem em tapetes térmicos, para que não sofram estresse. Um luxo!

Pelos meus parcos conhecimentos da pecuária, não sei se o chocolate é o elixir da felicidade para os nobres animais da raça Wagyu do Sul da Austrália, mas de cátedra, posso assegurar que no Brasil não merece confiança o chocolate por aqui consumido. Com raríssimas exceções, oriundas de fabricação caseira (artesanal) e pequenas fábricas.

Cada um tem o sonho de consumo que merece.

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Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado

“Prisão preventiva virou instrumento de política pública de segurança”

Entrevista - Marcos Bandeira, juiz aposentado

Domingos Matos, 23/01/2017 | 12:03

“Todos nós, pobres mortais, não estamos imunes à prisão”

Marcos Antônio Santos Bandeira, juiz aposentado, atuou em Itabuna na Vara do Júri, Execuções Penais, além da de Infância e Juventude e dos Delitos de Imprensa. Aposentou-se recentemente, na Vara da Infância. Marcos Bandeira, hoje advogado, em sua passagem pela Vara das Execuções Penais foi um dos responsáveis pelo que hoje boa parte da população entende como um avanço na relação do encarcerado com a sociedade, especialmente a partir da instalação do Conselho da Comunidade, previsto na Lei de Execuções Penais e estimulado por ele, em parceria com a Pastoral Carcerária, da Igreja Católica.
Nessa entrevista, concedida ao jornalista Domingos Matos para O Trombone e o jornal Agora, Bandeira joga luzes sobre problemas que todos conhecem, mas ignoram suas origens. Por exemplo, como se dá a superlotação que origina a guerra entre facções, que aterrorizam Itabuna e todo o país. Está, em grande parte, na banalização do expediente da prisão preventiva. “Os juízes criminais, de uma forma geral, passaram a utilizar a prisão preventiva como instrumento de política pública de segurança. Hoje, mais de 44% dos presos brasileiros são presos provisórios, ou seja, não foram julgados”.

Leia a íntegra.

O Trombone – O senhor teve uma experiência na Vara do Júri e de Execuções Penais em Itabuna que marcou época. Fale dessa experiência.

Marcos Bandeira – Quando assumi a titularidade da Vara de Execuções Penais de Itabuna de em janeiro de 1998 eram quatro em um, ou seja, a Vara tinha competência para as demandas do Júri, Execuções Penais, Delitos de Imprensa e Infância e Juventude. Naquela época não havia Presídio e todos os presos provisórios e condenados ainda em grau de recurso permaneciam na Casa de Detenção de Itabuna, situada no Complexo Policial. Somente os presos condenados definitivamente eram encaminhados para a Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. As condições eram precárias, diria, péssimas. Pessoas sem qualificação alguma, já naquela época, tomavam conta de presos. Também, já naquela época, formavam-se lideranças dentro do cárcere, mas ali os presos reivindicavam melhores condições dentro da cadeia, e não havia o formato ou características das gangues de hoje (raio A, raio B entre outros), como ocorreu nos presídio de Salvador com as gangues de Perna e do Cláudio Campana, que loteiam toda a cidade, disputando o poder, principalmente as bocas de fumo.

Foi aí que surgiram as primeiras ações baseadas na Lei de Execuções Penais.

Sim. Na época, diante da situação caótica da Casa de Detenção de Itabuna, criamos o Conselho da Comunidade, previsto na Lei de Execuções Penais, derrubamos paredes e criamos duas salas de aulas com cerca de 40 detentos em cada uma, e passamos a fazer o que o Estado não fazia e nunca fez. Fizemos um convênio com a TV Futura e com a Fundação Helenilson Chaves, que nos cedeu gratuitamente duas professoras, para ministrar aulas para os detentos. Além disso, colocamos em cada cela filtros de água, colchões e outros utensílios, dando um pouco de dignidade aos presos que ali estavam. Havia cursos profissionalizantes e de artesanatos, além de aula de educação física. Toda terça-feira recebia os membros do Conselho da Comunidade e estabelecíamos ações e metas e, assim, conseguimos humanizar “aquilo”, coibindo, principalmente, a tortura, que era muito comum na época. Nesse período não houve uma rebelião ou fuga, inclusive, criamos uma seção eleitoral na Casa de Detenção, onde 51 presos provisórios votaram nas eleições do ano 2000, fato inédito no interior da Bahia.

O presídio trouxe organização onde imperava o descontrole”

No início de seu trabalho ainda não havia sido construído o Conjunto Penal.  Qual a diferença entre os presos que eram custodiados na cadeia pública e os do presídio, hoje?

O sonho e a realidade. A construção do Presídio de Itabuna foi uma luta hercúlea de muitos anos. Aqui, gostaria de destacar, se me permite, a figura incansável e destemida do Dr. David Pedreira, representante da Pastoral Carcerária, que foi um grande parceiro e que por diversas vezes estivemos juntos em Salvador no gabinete do Secretário de Justiça, reivindicando a construção do Conjunto Penal de Itabuna. Ele tem uma grande participação na concretização desse sonho. O presídio, na verdade, trouxe organização, profissionalismo, controle, onde imperava a desordem e o descontrole total. Foram recrutados agentes penitenciários, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissionais, indispensáveis para trabalhar com o custodiado.

Em tese, seria o sonho de qualquer sociedade desenvolvida. A realidade veio com a superlotação?

Durante o período que presidi a Vara de Execuções Penais nunca ultrapassamos o número de 440 detentos, que é a lotação máxima do Conjunto Penal de Itabuna. Hoje, sabemos que existem cerca de 1.200. Na verdade, inauguramos a sala de audiências do Conjunto Penal de Itabuna e realizávamos por mês dois mutirões – audiências concentradas – dentro do presídio. Começávamos por volta das 9 horas e só acabávamos às 21 horas, em regra, apreciando cerca de 70 a 80 processos de presos em cada mutirão. Isso evitava revoltas e insatisfações internas dos custodiados, pois os seus direitos à progressão do regime, à remição de pena, ao livramento condicional, quando preenchiam os requisitos, eram respeitados. O sentimento de injustiça em qualquer lugar gera revolta e pode desencadear ações violentas, principalmente, no interior do cárcere.

O senhor vê atuação do crime organizado, ao menos as grandes facções, no presídio e na criminalidade em Itabuna, ou esse sistema de divisão da cidade em "raios" apenas repete a divisão dos internos no presídio, sem ligação com as grandes organizações?

Na verdade, a liderança de facções em presídios não é uma particularidade de Itabuna, infelizmente está espraiada por todo o Brasil. O encarceramento em massa no Brasil passou a ter uma maior visibilidade a partir da década de 90, quando a prisão, como punição por excelência, passou a ser a grande resposta para a resolução dos conflitos sociais. O Brasil, hoje, é a 4ª população carcerária do planeta, só perde para os Estados Unidos, Rússia e China. Os juízes criminais, de uma forma geral, passaram a utilizar a prisão preventiva como instrumento de política pública de segurança. Hoje, mais de 44% dos presos brasileiros são presos provisórios, ou seja, não foram julgados. Isso tudo explica a superpopulação carcerária e o descontrole do Estado nessa seara. Na verdade, creio que muitos detentos oriundos da Lemos de Brito em Salvador trouxeram para Itabuna o que acontecia naquela penitenciária e na Casa de Detenção, que eram comandadas pelo assaltante Perna, Pitty e por Cláudio Campana, que passaram a fatiar Salvador.

Olhando para a crise vivida hoje no Brasil, essa questão do controle dos presídios por facções parece um problema irradiado, como o senhor destacou...

O grande problema é que essa “liderança” sempre foi tolerada pelo Estado, havendo assim uma espécie de pacto para que esses líderes controlassem a massa carcerária, evitando violências, tendo em contraprestação o reconhecimento da sua liderança e determinadas regalias. Acontece que dentre essas regalias, o acesso ao telefone celular e a comunicação com o mundo exterior, empoderaram as lideranças prisionais, que perceberam que a prisão é um excelente local para ganhar dinheiro e aumentar o seu poder. Assim, aconteceu em Itabuna, com a divisão dos raios e a disputa por pontos de drogas em várias partes da cidade. Existe uma ordem que vem lá de dentro para eliminar o inimigo e essa ordem é cumprida fielmente pelos seus asseclas. O Estado infelizmente perdeu o controle. Isso explica também a matança no Amazonas e em Roraima.

“A reincidência, segundo pesquisa recente, está na ordem de 70%”

Como juiz, o senhor foi um defensor da aplicação da Lei de Execuções Penais, o que, para muita gente, soava como um conjunto de benesses aos presos. Soltou presos que não precisavam mais estar encarcerados, levou assistência jurídica e chegou a criar uma relação da cadeia com a sociedade que não era comum. Como avalia essa percepção de parte da sociedade?

Não vivemos, embora pareça, num Estado autoritário ou inquisitorial, mas sim num Estado Democrático de Direito, onde os direitos e as garantias individuais de cada cidadão devem ser respeitadas, esteja ele preso ou não. Como juiz de Execuções Penais, nada mais fiz do que cumprir a minha obrigação, sendo guardião dos direitos constitucionais dos encarcerados. Nunca passei a mão na cabeça de ninguém e jamais fiz caridade a preso. Sempre pautei minha jurisdição pelo primado da legalidade e fui guiado em minha ações pelo sentimento de justiça e pelos valores elencados na Constituição Federal. Se alguém enxergou alguma benesse nesse trabalho certamente desconhece a lei ou o meu trabalho.

Vê algum fruto desse trabalho nos dias de hoje?

Como disse, o grande elo entre os encarcerados e a sociedade foi o Conselho da Comunidade que criamos na Vara de Execuções Penais e que funcionava efetivamente. É muito difícil falar em ressocialização num contexto prisional de Itabuna, é como tirar leite de pedra, diante da violência provocada principalmente pelo tráfico de drogas, onde muitos foram eliminados, entretanto, já tive a oportunidade ver vários daqueles detentos da época que presidi a Vara de Execuções de Itabuna trabalhando, constituindo família e totalmente integrados à sociedade. É verdade que muitos reincidiram na prática criminosa.

O encarceramento no Brasil cumpre as funções da pena - punitiva e educativa?

Absolutamente, não [enfatizando]. Como falei anteriormente o Estado Brasileiro perdeu as rédeas do controle no interior dos cárceres para as lideranças de gangues ou facções criminosas. Os líderes, com a tolerância do Estado, comanda tudo e exerce o seu poder a partir da prisão. Como disse Michel Foucault “a prisão é o único lugar onde o poder pode se manifestar em estado nu, nas suas dimensões as mais excessivas, e se justificar como poder moral”. Esse poder é sustentado evidentemente pela violência e pelo medo. Logicamente que o sistema prisional do Brasil está falido, não ressocializa. Pelo contrário, o indivíduo que cometeu um único delito e que não possuía antecedentes, de repente, ao interagir no interior dos cárceres com presos da mais alta periculosidade e com esses “lideres”, acaba ingressando nas carreiras criminosas quando sai do cárcere. É o que diz a escola criminológica “labelling approach”, que explica os processos seletivos de criminalização. Como se sabe, a reincidência com relação às penas privativas de liberdade, segundo pesquisa recente, está na ordem de 70%, constituindo, sem dúvida alguma, numa grande vertente da violência urbana.

O Brasil ficou horrorizado com o que aconteceu em Manaus e Roraima e já em outras partes, nas últimas semanas. Eram tragédias anunciadas, levando em conta a situação carcerária no País?

Sem dúvida alguma foram tragédias anunciadas. Evidentemente que o genocídio choca sempre, mas sempre haverá alguém, como aconteceu com um então Secretário de Juventude do governo Temer, que chegou a dizer que deveria haver mais matança, o que denota uma total indiferença e desumanidade. O grande problema dessas pessoas é que sempre enxergam o outro nessas condições como “inimigo” e a partir daí declaram abertamente “eles que se matam”. Eu respeito a opinião, mas lembro que todos nós, pobres mortais, não estamos imunes a prisão ou a ter algum parente, filho, irmão, amigo encarcerado. Talvez, a partir dessa experiência, conhecendo a realidade carcerária, mude seu ponto de vista. O que eu quero dizer é que todo cidadão preso à disposição da Justiça, seja provisório ou condenado, tem o direito à vida e a cumprir a sua pena em local minimamente digno, que lhe proporcione as condições para superar as suas dificuldades e voltar a conviver pacificamente na sociedade. É como penso.

“A família deve voltar à sua vocação de instância educadora”

Voltando à relação da sociedade com a cadeia. O que falta para que a sociedade veja o encarcerado como ser humano, cuja vida e segurança estão sob a guarda do Estado

Acho que falta ainda à sociedade esse sentimento de empatia e de compromisso. Fiquei muito comovido diante de uma tragédia como aquela do avião da Chapecoense, quando vi manifestações de afeto e de solidariedade de todo o mundo, que me fez acreditar que sempre haverá uma centelha divina no coração do ser humano, que muitas vezes é ocultada ou obnubilada pela rotina do dia a dia. Todavia, acho que os empresários e os banqueiros deveriam investir mais em projetos sociais que fossem capazes de reduzir um pouco mais a nossa gritante desigualdade social, principalmente assistindo crianças e adolescentes. A família deve voltar à sua vocação de instância educadora e a escola deve se adaptar às novas exigências e tecnologias, atraindo o aluno e o mantendo em suas fileiras.  Quando a educação for prioridade neste país, quando crianças e adolescentes forem vistas como investimento, e não simplesmente como problema, quando oportunizarem aos jovens o mercado de trabalho, quando as empresas assumirem o seu papel de responsabilidade social, quando o Estado respeitar os direitos e garantias individuais do cidadão, quando os gestores atuarem com probidade e espírito público, implementando políticas públicas, quando as penas alternativas forem efetivamente aplicadas, certamente o cárcere, a prisão, será uma exceção e reservada somente para os casos extremamente graves, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa humana.

Diretores da Emasa fizeram clubinho da autoconsignação com antecipações de salários

Domingos Matos, 04/07/2016 | 18:51
Editado em 04/07/2016 | 18:52

Clubinho de autoconsignação. Sem juros. Sem cobranças. Um negócio da China, do tempo em que na China o deus-mercado não cobrava sua parte em juros e correção monetária. Assim poderia ser descrito o que o Ministério Público investiga como "antecipação de salários, no período compreendido entre janeiro de 2013 e junho de 2016", e cujos processos de pagamentos foram alvo de mandado de busca e apreensão na última quinta-feira (30), na sede da Emasa.

Funcionava assim: os diretores pediam para "o próprio si" vultosos adiantamentos de salários, que depois diluíam em suaves prestações, refinanciáveis a perder de vista, sem juros, sem consulta ao SPC e Serasa, enfim, sem prestar contas a ninguém. 

Uma frase atribuída ao promotor Inocêncio Oliveira por quem participou de uma das audiências resume a patranha: "A presidente Dilma caiu por muito menos que isso". Ou seja, é um crime de responsabilidade, um atentado ao serviço público e ao dinheiro do povo.

Diretor preso

O processo que investiga esse e outros crimes corre em segredo de justiça na 2ª Vara Crime de Itabuna. Já levou para a cadeia, em prisões preventivas, o ex-diretor de Planejamento e Expansão, José Antônio dos Santos, e o chefe do Serviço de Combate a Vazamentos, Pedro Barreto. Ambos foram transferidos para o Conjunto Penal de Itabuna no dia 30.

Segundo o blog apurou, mais duas pessoas ligadas à cúpula da Empresa Municipal de Águas e Saneamento devem ter sua prisão preventiva decretada nos próximos dias.

Wagner não vem

Domingos Matos, 08/12/2011 | 09:29
Editado em 08/12/2011 | 10:01

O governador Jaques Wagner não participará da solenidade de entrega dos apartamentos do Conjunto Habitacional Vida Nova, obra do programa Minha Casa, Minha Vida.

A informação é que Wagner está com a cabeça na China, onde busca investimentos para a Bahia, inclusive a consolidação da montadora JAC Motors no estado.

Azevedo e seu staff de campanha agradecem.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 04/12/2011 | 19:31
Editado em 04/12/2011 | 22:17

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Sobre aquele cheiro estranho no mar

navio celsoEnquanto aquele cheiro estranho no mar da Bacia de Campos ainda rende notícias, acumulando multas para a Chevron (aquela do golfo do México) e que levantou em nós a suspeita de boicote, o Brasil vai (re)ocupando o espaço da construção naval, que em tempos de neoliberalismo tupiniquim – leia-se, PSDB/PFL sob o comando de FHC – fora praticamente extinta.

Com o simbólico batismo de “Celso Furtado” – o economista que tinha o desenvolvimentismo como mola mestra para o Brasil – foi lançado ao mar a primeiro petroleiro dos muitos encomendados pela Petrobrás em estaleiros nacionais.

O pensamento tucano-pefelista não via futuro em gerar empregos no Brasil.

O que divulgam

Novas sanções ao Irã, iniciativa da União européia. A imprensa divulga com todas as letras.

O que não divulgam

O Brasil na linha de frente dos que enfrentam a “ordem mundial” estadunidense-europeia. Mantendo sua histórica linha de atuação, de respeito ao ordenamento internacional e à autodeterminação dos povos. Enquanto ensaiam a invasão do Irã (coisa que Israel anda louco para que aconteça), na reunião dos denominados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), ocorrida em Moscou no dia 24 consensuou, dentre outros temas, em bloquear a pretensão dos EEUU e da Europa no Oriente Médio, como registra o www.conversaafiada.com.br.

Os dados da reunião, em que pese disponíveis no http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2011/11/25/brics-blocks-the-us-on-middle-east/ não foram por aqui divulgados com a ênfase merecida.

A considerar-se o texto haverá dificuldade para a perpetração da invasão pretendida. A não ser que façam letra morta, de vez, do que resta de ordenamento mundial.

Ou seja, não respeitar o veto que a Rússia dispõe no Conselho de segurança da ONU. 

Algo não está dito I

A prisão de Marcos Valério pode estar eivada de vícios. O inquérito que a sustenta tramita desde 2005 e o próprio Valério nele já fora ouvido e, ao que parece, não há nenhum fato novo em relação ao até aqui apurado.

Caso verdadeira a informação, não há justificativa para o decreto da preventiva, mormente se considerarmos a cautela hoje vigente para tal decretação, a teor da Lei 12.403/2011. Se viola a lei Valério terá liberdade amparado em habeas corpus.

Sem ofertar defesas a assunto que não conhecemos de perto (o inquérito e a decisão judicial em si) ficamos apenas a matutar em torno do porquê da prisão.

Algo não está dito II

Não seja negado o que representa de sensacionalismo a prisão de Valério, determinada pelo juiz de São Desidério, na Bahia. No entanto algumas indagações não estão ocorrendo na imprensa, principalmente a de que Marcos Valério nunca se negou a atender intimações para depor, tem domicílio certo e profissão definida e compareceu espontaneamente às dezenas de inquéritos aos quais responde.

Algo não está dito III

Por outro lado, a demanda estaria apoiada em grilagem de terras. Bastante singular que a medida judicial venha o correr cinco/seis anos depois de iniciada a apuração.

Para nossos botões, teria algum escândalo a pipocar precisando ser acobertado ou ter a atenção desviada.

Não nos esqueçamos de que Valério foi testa de ferro de Daniel Dantas. Ou que o julgamento do chamado mensalão está próximo! E tem algo a ver com o valerioduto tucano de Minas, enquanto espoucam problemas com o governo do tucanato paulista.

Mas que tem alguma coisa, tem!

Evento internacional

O Mercado Cultural, em sua XI edição, também se fez acontecer em Itabuna, mais precisamente em Ferradas na quarta 30, uma conquista do produtor cultural Ari Rodrigues, que trabalha com o projeto em outros municípios baianos, com encerramento programado para Salvador, de 2 e 7 de dezembro.

A essência da iniciativa diz respeito à interação em vários níveis (musical, teatral e folclórico) entre culturas distintas de diferentes continentes, dando “espaço a talentos” e ampliando “o engajamento cultural, promove trabalhos artísticos, dá visibilidade à cultura e oferece oportunidades de intercâmbio artístico e cultural, além de possibilitar o desenvolvimento profissional” – assinala o catálogo 2001 do evento.

Em Ferradas, por exemplo, estiveram presentes Europa, África e América do Sul, representados por grupos e artistas da Argélia e França (Houria Aichi & I’Hijâz’Car), Guiana Francesa (Chris Combette) e Burkina Faso (Papa Zon), além de Marcelo Ganem (Brasil).

Participação

ferradas intSingular a convivência do público com códigos musicais que lhe pareceria até estranhos, como a música de Houria Aichi & I’Hijâz’Car (esq), de tradição instrumental-melódico árabe-muçulmana.

ferradas inteOu a africanidade do registro oral da história tribal da casta griot (da qual descende) traduzido por Papa Zon (dir) e seu koran.

Ou a encontrar a afinidade com a música de Chris Combette, ferradas intertransitando entre o samba e as diversas facetas do caribenho, no que denomina de “alquimia de culturas”.

Inegavelmente, o ponto alto da noite para o ferradense, foi a apresentação de Papa Zon, seguida da de Chris Combette, que levantou o público. A empatia estabelecida pode mesmo ser traduzida pela afinidade cultural entre a gente ferradense e a origem comum dos que se apresentavam.

Ferradas no mundo

ferradas internA inserção de Ferradas no catálogo do XI Mercado Cultural a torna também palco e centro de interação entre diferentes continentes, fazendo-a não só o berço de Jorge Amado, mas uma referência grapiúna no cenário internacional.

A isso o povo de Ferradas se fez presente.

Recorde!

Considerando a declaração atribuída ao presidente da OAB local, Andirlei Nascimento, referindo-se à presença de “cerca de 2 mil pessoas no ato público” contra a corrupção (Pimenta de sexta 2), a manifestação itabunense é, até o momento, a maior reunião de pessoas em atos desta natureza no Brasil.

A foto publicada na Carta ao Leitor do A Região, deste fim de semana, no entanto, ainda que refletisse a concentração, não alimenta possibilidade de 200 pessoas.

Quem lá esteve que confirme a declaração de Dr. Andirlei e desminta a fotografia do A Região.

De uma forma ou de outra, não deixa de ser recorde!

Pensando em 2012

Os ensaios de afunilamento das propostas de consolidação de forças contra o PT local (leia-se, Geraldo Simões) tomaram força esta semana. Declarações do PSDB, através do ex-deputado federal e membro do diretório nacional do partido, João Almeida, trilham para apoio à reeleição de Azevedo.

A razão está na formação de uma aliança que viabilize uma vitória da oposição. Que na Bahia também envolve o PMDB, não fora a natural presença do DEM e do PPS.

Pensando em 2014

Como já observamos em texto anterior, essa eleição de 2012 extrapola seus limites. É que a disputa municipal contribui para a formação de espaços político-eleitorais para fortalecer o processo das eleições estadual e nacional, ou seja, de governadores e presidente da república.

Prédio da Câmara

Anunciada com pompa e circunstância, a construção da sede própria do Legislativo local empacou.

Exemplo a ser seguido

“As más notícias, algumas necessárias, não podem se sobrepor às boas”. A mensagem de Ramiro Aquino no seu “Ramiro na Squina”, no Diário Bahia deste fim de semana, traz a imperiosa recomendação de que a exploração pura e simples da desgraça (o que se tornou lugar comum Brasil a fora) não pode superar a ordem natural das coisas. O que significa dizer que não só de notícia ruim deve ser feito o noticiário.

O imaginário de nossa gente está sendo construído no sangue e na desdita alheia. Há uma idéia de que isto é que dá ibope.

A proposta de Ramiro não é busca por otimismo e sim uma contribuição para uma vida melhor.

Questão de saúde

Há estudos sobre o tema – a exploração do ruim como centro do noticiário – que recomendam uma mudança neste comportamento, em razão dos malefícios que causa.

Não podemos exigir que somente sejam divulgadas as boas notícias. No entanto, centrar-se nas más é um desserviço ao semelhante: da criança, ainda em formação, ao adulto, que já sabe das coisas.

Canhoto da Paraíba

Nascido Francisco Soares de Araújo (1926-2008), a circunstância de ser canhoto lhe trouxe o nome artístico. Natural de Princesa, na Paraíba, terra da famosa “revolta” de José Pereira, nos estertores da República Velha, em 1928, o compositor e instrumentista encontra o respeito do universo musical brasileiro, recebendo homenagem pessoal do então Presidente Lula, no Palácio do Planalto, em 2004, quando da retomada do Projeto Pixinguinha.

Aqui dois momentos de sua execução: “Pisando em Brasas” (de sua autoria) e “Saxofone Por Que Choras?” (Severino Rangel de Carvalho – o Ratinho), que integram o álbum “O Violão Brasileiro Tocado Pelo Avesso” (1977), produzido por Paulinho da Viola.

Cantinho do ABC da Noite

CabocoO mestre do ABC da Noite leva tudo ao limite do riso. Há instantes em que fica observando a conversa, sem dar uma palavra, à espera de uma oportunidade para mais um improviso. Como no dia em que falavam da idade de um freqüentador, que costumava negá-la como informação, até que interrompeu:

– É, Cabôco, aquele ensinou o ABC a Matusalém!

_________________

Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Apoio de FG a Minas Aço pode provocar strike na cúpula de campanha

Domingos Matos, 25/11/2011 | 06:15
Editado em 25/11/2011 | 06:27

Tido por muitos como fiel da balança das próximas eleições, o ex-prefeito Fernando Gomes se bandeou para o lado do empresário Roberto Minas Aço. Entre os adversários, a reações foram variadas. Alguns temeram, outros tremeram e outros ainda até celebraram essa união 'progressista', por assim dizer.

Mas, nem tudo são flores, já dizia a abelha escaldada com tantos arranjos made in China que colorem as residências mundo a fora. A presença de FG na aba de Roberto Minas Aço já fez baixas no núcleo duro da campanha, e ameaça fazer um strike a qualquer momento.

Uma figura que causa boa parte do discenso é a senhora conhecida pela alcunha de Maria Rezadeira. Chegou dizendo que todos deveriam rezar pelo seu credo, o que não foi muito bem aceito pela turma adepta dos ensinamentos de São Tomé.

A cantilena dos insatisfeitos foi bastante objetiva: para ser tão prepotente, deveria ter, pelo menos, um caminhão de votos.

E tem?

Intolerância, não; indignação, sim; ou o stalinista que habita em nós

Domingos Matos, 25/09/2011 | 18:25
Editado em 25/09/2011 | 18:28

Walmir Rosário

Walmir“O direito de intolerância é absurdo e bárbaro: é o direito dos tigres, e é bem horrível; porque os tigres matam para comer e nós andamos a exterminar-nos por causa de parágrafos”. (Voltaire, - François-Marie Arouet - Tratado sobre a tolerância)

Até o século XVIII a intolerância de cunho religioso campeava absoluta. A igreja católica, ou mesmo as instituições religiosas, se intrometiam nos assuntos econômicos e políticos do Estado, o que era um hábito nocivo ao desenvolvimento e ao progresso da sociedade. O pensamento dogmático religioso era uma barreira colocada entre Deus e o homem, sem razões sólidas para se sustentar.

Os dogmas eram verdade absoluta e sequer podiam ser questionados, e as perseguições por acusações de impiedade e de ateísmo corriqueiras. A Igreja determinava, os reis atendiam. Era essa a moeda de troca entre os dominantes. Um impunha, o outro executava. Sem piedade, diga-se de passagem. Antes, a intolerância também tinha tomado a forma de luta ideológica, com Maquiavel advogando que os fins justificam os meios, para legitimar as ações do Estado contra seus opositores.

Na Europa, notadamente na França, um grupo de pensadores conhecido como os Iluministas, começou a se mobilizar em torno da defesa de ideias que pautavam a renovação de práticas e instituições vigentes. Os principais alvos mirados pelos iluministas eram a injustiça, a dominação religiosa, o Estado absolutista e os privilégios enquanto vícios de uma sociedade que cada vez mais afastava os homens do seu “direito natural” à felicidade.

A intolerância vinculava a religião e a política e o herege religioso era visto como um provocador da ordem estabelecida – a monarquia – indo de encontro ao dogma religioso adotado pelo Estado-nação.

Enfim, graças aos iluministas, a política terminaria por impor a sua autonomia em relação ao poder religioso. Historicamente, a intolerância está presente na esfera das relações humanas fundadas em sentimentos e crenças religiosas. É uma prática que se “autojustifica” em nome de Deus, adquirindo o status de uma “guerra santa” entre os homens.

Ainda hoje, não toleramos o pobre, as minorias. Não bastasse esse sentimento cultural que acompanha a humanidade por séculos, convivemos com os governos de totalitarismos, sejam de esquerda ou de direita. Além dessas ameaças nos nossos países, somos assolados pelo fanatismo, geralmente religioso vindo do oriente (onde impera o islamismo, religião que prega o bem).

Mas, apesar dessas mudanças, ainda somos obrigados a conviver com tamanha selvageria em pleno Século XXI, apesar dos constantes avanços nas áreas da saúde, das comunicações e da informática. O mais grave é que esses avanços são utilizados como instrumento de dominação, a exemplo do que acontece na República Popular da China. Soubemos criar e desenvolver a tecnologia, menos controlar nossos instintos perversos.

A injustiça campeia a passos largos. E tudo isso acontece com a nossa aquiescência. Assistimos a tudo passivamente, com medo de nos envolvermos, apesar de sabermos e termos consciência do mal que pessoas praticam contra as outras. Trata-se de violência praticada contra seres humanos, nossos semelhantes, e continuamos como que anestesiadas diante das injustiças que os atingem. Não nos indignamos, não protestamos e não reagimos.

No nosso planeta, a cada dia que passa aumenta a concentração de riquezas, enquanto milhões ou talvez bilhões de pessoas sobrevivem na fome e na indigência, condenados à morte por inanição. A educação e a saúde, garantidas na nossa Constituição – para ilustrar o nosso caso –, são apenas meros artigos de ficção.

Os seres humanos continuam sendo explorados como acontecia em períodos mais remotos, sem direitos a um trabalho digno e bem remunerado; impedidos de ir e vir por falta de infraestrutura, de meios de transporte, de recursos para pagar o transporte, e o que é o maior requinte da injustiça, de leis restritivas à imigração: é o globalitarismo denunciado pelo mestre baiano Milton Santos.

Com todos esses males assolando a humanidade não somos capazes de empreendermos uma ação sequer contra as injustiças sociais e as desigualdades. Pelo contrário, somos surpreendidos pelo grande número de adesismo aos governos estabelecidos. Até mesmo a cooptação, prática utilizada para conquistar pessoas pelos mais diversos métodos, hoje vem sendo abolida em nome do adesismo desenfreado, fazendo com que desapareça o contraditório, a diversidade de ideias.

A inversão de valores é grande, onde o certo é ser esperto e ser honesto é coisa de otário. A impunidade deixa a sociedade mais indignada ainda, com mandantes de assassinatos impunes, corruptos impunes. No primeiro quartel do século passado, o baiano Ruy Barbosa elaborou o discurso “Oração aos Moços”, para ser lido perante a turma de 1920 da Faculdade de Direito de São Paulo, em que retrata perfeitamente a situação atual.

Com base nessas lições deixadas pelos grandes pensadores da humanidade é que deveremos abominar de nossas vidas a intolerância e adotar como modelo de vida a prática da indignação. E para concluir, lembro mais uma célebre frase de Voltaire: "Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las".  

Walmir Rosário é advogado, jornalista e editor do site www.ciadanoticia.com.br

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