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Março registra queda no número de empregos, revela pesquisa

Domingos Matos, 24/04/2019 | 13:44
Editado em 24/04/2019 | 09:10

O mercado de trabalho formal apresentou, em todo o país, saldo negativo de 43.196 empregos com carteira assinada em março. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira  (24), em Brasília, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, foram registradas 1.216.177 admissões e 1.304.373 demissões no período.

No mês anterior, o saldo havia ficado positivo, com 173.139 admissões (1.453.284 admissões e 1.280.145 demissões). Com isso, no acumulado do bimestre (fevereiro/março), o saldo está em 129.943.

A maior perda registrada em março foi no setor de comércio, que apresentou uma diminuição de 28.803 vagas, seguido de agropecuária (-9.545), construção civil (-7.781), indústria da transformação (-3.080) e serviços industriais de utilidade pública (-662).

Três setores tiveram resultados positivos: serviços (4.572), administração pública (1.575) e extrativa mineral (528).

Os estados que apresentaram os piores resultados foram Alagoas (-9.636 vagas), São Paulo (-8.007), Rio de Janeiro (-6.986), Pernambuco (-6.286) e Ceará (-4.638).

Os que anotaram saldo positivo foram Minas Gerais (5.163), Goiás (2.712), Bahia (2.569), Rio Grande do Sul (2.439), Mato Grosso do Sul (526), Amazonas (157), Roraima (76) e Amapá (48).

O salário médio das admissões registradas em março ficou em R$ 1.571,58, valor que, se comparado ao mesmo período do ano anterior, representa perda real de R$ 8,10 (-0,51%).

Já o salário médio que era pago no momento da demissão apresenta queda maior, de R$ 29,28 na comparação com março de 2018 – valor que representa perda real de -1,69%. (Com informações da Agência Brasil)

Itabuna: Patrulha do Som dispõe de novo número para denúncias

Domingos Matos, 14/03/2019 | 14:33

A Operação Patrulha do Som tem atuado em toda a cidade coibindo ações de perturbação sonora provocadas por bares, residências e veículos, através do recebimento de denúncias. Retomada neste mês de março por determinação da justiça, a Patrulha do Som passou a contar com dois novos canais de comunicação para denúncias, onde qualquer cidadão que se sentir incomodado com a poluição sonora pode entrar em contato pelos números 156 e (73) 9 8146-9483, que pode ser acionado através de chamada, inclusive a cobrar, ou pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.

O Diretor de Indústria e Comércio, Sandro Lopes (foto), lembra que a Patrulha do Som é realizada pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade Econômica e Meio Ambiente de Itabuna, via Departamento de Indústria e Comércio, de forma conjunta com o Ministério Público Estadual, Polícia Militar, Sesttran, via Guarda Civil Municipal (GCM), Secretaria de Saúde, via Vigilância Sanitária e Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur)

“Também contamos com o respaldo da Legislação Municipal de nº 1.710/95, que dispõe sobre o controle e a fiscalização dos meios que geram poluição sonora, e da Lei de nº 2.195/2011, que estabelece a política ambiental e consolida a legislação mediante a instituição do Código Ambiental e equilíbrio ecológico”, destaca. E lembra que qualquer cidadão que se sentir incomodado com poluição sonora provocada por estabelecimentos comerciais, carros de som ou mesmo residências pode entrar em contato com a Patrulha do Som, em qualquer horário, pelo 156 e o (73) 9 8146-9483.

 

Número de matrículas em Educação Profissional bate o recorde na Bahia

Domingos Matos, 20/02/2019 | 13:09

A qualificação profissional e o desenvolvimento de um novo ofício podem transformar realidades de muitos jovens e muitas famílias da Bahia. E é exatamente essa a proposta da Educação Profissional e Tecnológica (EPTEC), da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, que vem ganhando cada vez mais força no Estado. Prova disso é o salto de 42% no número de matrículas, que subiu de 67.155 em 2014 para 98.814 em 2018 – sendo 94.974 regulares, 1765 para o Mediotec e 2075 para o ProJovem, programas federais que aproximam o jovem do mercado de trabalho. 

O movimento continua ascendente e a expectativa é ultrapassar a marca de 110 mil matrículas neste semestre, com a oferta de 8 mil vagas para os cursos de Formação Inicial e Continuada, previstos para terem início em abril. O crescimento contínuo permitiu à Bahia passar na frente do Paraná no ranking de redes estaduais do Brasil – saindo de 5º para 4ª lugar.  Quando o assunto é número de oferta de vagas para Educação Profissional e Tecnológica, a Bahia só fica atrás de São Paulo.

A proposta é ofertar cursos que atendam demandas locais e contribuam para que o jovem estudante já conclua o curso com chances reais de empregabilidade. Quem explica é Durval Libânio, Superintendente da Educação Profissional, que reforça a importância da Educação Profissional e Tecnológica no Estado da Bahia ser contextualizada com as potencialidades e características econômicas, socioculturais e ambientais de cada território, valorizando as vocações regionais e dialogando com meios produtivos baianos, estimulando o desenvolvimento sustentável e o empreendedorismo. “Os números atestam o compromisso do estado da Bahia com a Educação e com a profissionalização dos nossos jovens, contribuindo para a construção de um futuro de possibilidades para essas gerações e promovendo impactos reais em suas comunidades, nos locais onde vivem”,  frisa.

Prouni 2019 abre inscrições para número recorde de bolsas de estudos

Domingos Matos, 31/01/2019 | 10:07

A edição do primeiro semestre de 2019 do Programa Universidade para Todos (Prouni) abriu na madrugada desta quinta-feira (31) o período de inscrições para candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2018 concorrerem a bolsas de estudo integrais e parciais em universidades privadas do Brasil.

Para se candidatar às bolsas é necessário acessar o site do programa. As inscrições terminam às 23h59 deste domingo (3).

Nesta edição, são oferecidas 243.888 bolsas de estudo, um recorde histórico desde o início do programa, em 2005, segundo o Ministério da Educação. Desse total, 116.813 são bolsas integrais e 127.075 são parciais, distribuídas em 1.239 instituições de educação superior de todo o país.

O MEC decidiu alterar as datas de inscrições do Sisu, Prouni e Fies depois de instabilidades no sistema do Sisu 2019. Antes, o prazo final estava previsto para 01/02. Agora, a inscrição estará disponível até às 23h59 do dia 03 de fevereiro. (Com informações do G1)

Baiana de Macaúbas - quem é a estudante que viralizou com discurso em formatura na PUC-SP

Domingos Matos, 20/02/2018 | 11:55
Editado em 20/02/2018 | 11:59

Publicado na Nova Escola

Diante de um auditório lotado no Citibank Hall, gigantesca casa de shows da capital paulista, uma aluna de uma das graduações mais tradicionais do país toma o microfone para um discurso duro. “Gostaria de falar sobre resistência. De uma em específico, a que uma parcela dos formandos enfrentaram durante sua trajetória acadêmica”.

Ela falava em nome dos alunos bolsistas do curso de direito da PUC-SP, em que as mensalidades são de 3.130 reais. “Somos moradores de periferia, pretos, descendentes de nordestinos e estudantes de escola pública”, enumerou. Descrevendo uma experiência de solidão e preconceito, a oradora apontava as dificuldades do convívio com alunos e professores de uma outra classe social:

“Resistimos às piadas sobre pobres, às críticas sobre as esmolas que o governo nos dá. À falta de inglês fluente, de roupa social e linguajar rebuscado. Resistimos aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram, na verdade, nossos pais.”

Migrante e filha da escola pública

A fala, aplaudida de pé, viralizou em áudio e vídeo nas redes sociais. NOVA ESCOLA conversou com exclusividade com a autora do discurso. Seu nome é Michele Maria Batista Alves, de 23 anos. Natural de Macaúbas, cidade de 50 mil habitantes no centro-sul baiano, ela é uma dos milhares de estudantes de classe popular que chegaram à faculdade a partir da criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), em 2004. É também um exemplo das dificuldades dessa trajetória.

Filha de mãe solteira, criada com a ajuda do avô, Michele veio para São Paulo aos 12 anos, para tratar de uma depressão. Sua família se estabeleceu numa casa alugada em Itapevi, cidade da Grande São Paulo onde mora até hoje, e de onde leva duas horas para ir e voltar ao centro da capital. A intenção inicial era regressar à Bahia, mas dois anos depois a descoberta de um tumor no pescoço adiou indefinidamente os planos. “Hoje estou curadíssima, mas por causa da doença fomos ficando. Minha mãe trabalhava de doméstica e eu comecei a ajudar no Ensino Médio como monitora numa escola infantil”, conta.

Sua história na Educação Básica foi toda em escola pública. “Estudei numa escola estadual perto de casa. Tive professores bons, mas a estrutura dificultava. Faltava água sempre, não tinha como ir ao banheiro, as classes eram lotadas e havia brigas. Eu sentia o quanto era difícil lecionar ali”, lembra ela, que diz nunca ter tido uma aula de Química – a professora só existia no papel, mas nunca apareceu. “Por tudo isso, acho muito difícil um aluno de escola pública entrar direto na faculdade.”

“Percebi que era pobre”

Ela própria teve de fazer cursinho. Duas vezes, a primeira delas num comunitário. “Foi uma experiência fundamental”, conta. “Tive vários professores de origem popular que me mostraram a diferença entre classes. Era a primeira vez que eu me reconhecia como pobre.”

A segunda foi no ingresso na PUC-SP. “Não tinha ninguém do meu círculo social. Não tinha recepção para bolsistas”, diz. No primeiro dia, uma menina contava animadamente sobre a viagem de férias à Europa. No terceiro, uma professora fez um comentário sobre métodos de estudos que deveriam ser evitados porque até a filha da empregada dela estudava assim. O impacto virou trecho do discurso:

“Naquele dia, soube que a faculdade não era para mim. Liguei para a minha mãe, que é doméstica, e disse que queria desistir. Ela me fez enxergar o quanto precisava resistir àquela situação e mostrar o quanto eu era capaz de obter aquele diploma”.

Espelho da realidade

Professores da PUC confirmam a situação narrada por Michele. “Ouvi de alguns bolsistas que a maior dificuldade não era preencher as lacunas de formação, mas conviver com a discriminação por parte de colegas”, diz Leonardo Sakamoto, professor do curso de jornalismo. “Se a PUC tivesse mais estudantes como eles, faria mais diferença do que faz hoje. Alguns dos meus melhores alunos foram bolsistas.”

“Os alunos beneficiários de bolsas são os mais dedicados, pois vêem no diploma da PUC a única chance de fugir de um destino cruel, previamente estabelecido”, confirma Adalton Diniz, professor do curso de Ciências Econômicas, que compara sua própria trajetória com o cenário atual. “Nasci no Jardim São Luiz, na periferia de São Paulo, fui operário metalúrgico e filho de uma dona de casa e um trabalhador que apenas completou o ensino primário. Estudei na PUC nos anos 1980 e não me recordo de ter enfrentado, de modo significativo, resistência, preconceito e hostilidade. Creio que a sociedade brasileira era mais generosa na época.”

Michele Alves seguiu em frente, mas não sem dificuldades. Passou os seis primeiros meses sem falar com ninguém. “Também por minha conta, porque antes eu era mais radical, mais intolerante. Acho que a gente tem de ser radical, mas não radical cego. Isso eu só aprendi depois, ao perceber como as pessoas me enxergavam e como eu poderia me aproximar delas. Aos poucos, fui criando métodos para dialogar com quem era diferente de mim. Ficar sem falar é muito ruim.”

Choro, apreensão – e aplausos

O episódio do discurso nasceu dessa espécie de diálogo radical. Com colegas, Michele fundou um grupo para discutir a situação dos bolsistas na PUC. A formatura se tornou uma pauta importante, porque o custo da colação de grau e do baile – na casa dos 6 mil reais – era proibitivo. Uma negociação com a comissão do evento garantiu quatro ingressos para cada bolsista e o direito do grupo a ter um orador.

Michele foi a escolhida. “Fiz o texto numa única noite. Chorei muito. É um relato carregado de histórias não só minhas, mas de todos os bolsistas, que eu revivia conforme ia escrevendo. Ensaiei 12 vezes e só na última consegui ler sem chorar”, conta.

Chegou o 15 de fevereiro, data da colação, e Michele aguardava sua vez de subir ao palco. O orador oficial fez um discurso leve, contando ‘causos’ do curso e arrancando risadas da plateia. Michele gelou. “Pensei: ‘e agora, como vai ser? Vou vir com um tapa na cara, agressivo, não sei como vão reagir’”. De cima do palco, tentou procurar a família – cunhado, uma amiga do Chile, três colegas de trabalho e a mãe, aniversariante da noite. Não viu ninguém. Leu tudo de um fôlego só.

Ao terminar, ainda meio atordoada, correu de volta para seu assento. “Achei estranho meus colegas se levantando. Depois entendi. Estavam me aplaudindo”, diz ela, contente também com a repercussão de sua fala nas redes sociais. “É uma vitória saber que minha reflexão está chegando a lugares que antes não debatiam esse assunto. Quem sabe cause algum impacto na vida dos bolsistas que virão depois de mim.”

Secretário pede pra sair e aponta possíveis irregularidades no governo

Vítor do Amor diz que pedidos "fora dos preceitos da legalidade" motivaram saída

Domingos Matos, 22/03/2017 | 21:55

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DE ITABUNA E À IMPRENSA

Senhoras e Senhores,

Informo que, a partir desta quarta-feira (22), não mais faço parte da equipe de trabalho da Prefeitura Municipal de Itabuna, tendo pedido a minha exoneração do cargo de Secretário de Saúde, durante reunião com a equipe de trabalho, com participação do prefeito desta cidade. Este comunicado visa alguns objetivos, os quais enumero:

1 – Esclarecer que ao atender o convite para assumir a SMS, deixei claro ser um gestor do sistema, portanto, um técnico, sem nenhum envolvimento político e, naquele momento, aceitava a tarefa planejar a recuperação da rede de saúde, que, de acordo com as informações passadas pela autoridade maior do município, precisava de adequações urgentes às necessidades exigidas pela população. Várias foram as reuniões, os contatos, todos deixando claro o objetivo técnico do meu trabalho. As promessas de que não havia envolvimento político partidário foram reforçadas a cada um desses encontros e, como demente à Deus, procurei acreditar;

2 – Ao longo dos primeiros dias de atividade, busquei levantar problemas decorrentes de problemas na gestão passada, que não se adequavam às diretrizes estabelecidas pela atual gestão. Uma das missões, foi trabalhar para as devidas correções, sem a preocupação de publicidade do que estava ou não errado. Naquele momento, muito mais importante que criticar o passado, era pensar no presente e no futuro, pois a cidade carecia de um sistema que pudesse transformar hospitais e postos de saúde, em ambientes propícios ao atendimento das necessidades da população, especialmente a mais carente. Os 32 Postos de Saúde, 12 Unidades de Média e Alta Complexidade e um Hospital Municipal, 3 Centros de Atenção Psicossocial, Odontocentro e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência(Samu), foram alvo da atenção de toda a equipe de trabalho, com levantamento das ações necessárias para oferecer dignidade a população, a exemplo de abertura de processos licitatórios para reformas que, por vezes agradaram, outras, não, mas, que tiveram um objetivo único: recuperar a autoestima da população da cidade em relação a um dos setores mais importantes da vida de Itabuna.

Ao longo dos pouco mais de quase três meses de contato com a cidade de Itabuna e com o seu gestor, comecei a encarar algumas dificuldades, algumas inerentes ao próprio cargo, outras por falta de total visão do prefeito em relação ao que deveria ser uma gestão voltada para os compromissos técnicos. E nesses conflitos que começamos a travar, notei algo que foge totalmente dos meus princípios: a falta de humanização nas relações e de respeito ao próximo.

Apesar de ainda jovem, aprendi que não é com gritos, gestos bruscos, atitudes com único objetivo de menosprezar as pessoas ou propostas indecentes que devemos basear as nossas vidas, especialmente quando o bem público está colocado sob a nossa responsabilidade. Temos, enfim, um compromisso com a população, ávida por dias melhores, insatisfeita com o atendimento em todas as unidades de saúde e, a principal missão de alguém com respaldo moral, é, no mínimo, diminuir esse sofrimento. E isso só pode ocorrer com trabalho, feito à base da honestidade.

A forma sugerida, muitas vezes, fugia ao que mandam os preceitos da legalidade e disso sempre fugi e estarei distante, sempre. Este meu comportamento pode ser atestado em órgãos onde trabalhei – Hospital Geral do Estado(HGE-Salvador), Hospital Roberto Santos(HRS-Salvador), Hospital Albino Leitão(São Sebastião do Passé) e Secretaria de Saúde de São Sebastião do Passé, da qual fui titular durante três anos.

A administração pública, na minha visão, sempre exigiu transparência e honestidade e disso nunca abri mão. Por isso, em todos os órgãos por onde passei, tive o grande mérito de ver as contas avaliadas e aprovadas pelo Tribunal de Contas da União, o que não significou nenhum tipo de favor. Afinal, a obrigação do gestor público, é cuidar do bem da população com total honestidade.

Sou brasileiro e, como tal, estou, a exemplo da população, cansado das “mumunhas” políticas, das jogadas sujas, dos dribles desconcertantes que a população tem encarado, todas dadas por gente que sempre busca o melhor para as suas vidas e sequer se importa com os caminhos sujos que seguem e com as práticas delituosas.

Por fim, agradeço a todos pelo carinho de gente que conheci há pouco tempo, mas entendeu as razões das mudanças que, naquele primeiro momento eram necessárias. Deixo um projeto de trabalho honesto e espero que ele seja levado adiante, ao menos nesse item – honestidade no trato com o dinheiro público.

Ao prefeito municipal, a expectativa de que possa cumprir com fidelidade as suas promessas e oferecer um serviço público de saúde à altura da população itabunense.

Aos veículos de comunicação, o agradecimento pelas notícias, entrevistas, destaques e, confesso ter entendido as cobranças. Os gestores públicos são obrigados a encarar com atenção às críticas que saem desses veículos de massa, pois são interlocutores dos anseios da população.

Obrigado a todos,

Vitor do Amor Santos Lavinsky

Por falar em saúde: número de fantasmas no Hblem chega a 72

Domingos Matos, 10/12/2011 | 14:13
Editado em 10/12/2011 | 23:21

Por mais que se tenha um secretário competente - pelo que fez no extremo-sul, Geraldo Magela poderia ter  como resolver os problemas -, sem o comando único das verbas da secretaria não há mesmo como mudar muita coisa no caos que se instalou na saúde de Itabuna. Falta senso de responsabilidade pública à administração como um todo, especialmente numa área tão sensível, como a da saúde pública. 

A última informação do fantasmômetro do Hospital de Base, por exemplo, é assustadora: seriam 72 cargos, indicados por vereadores diversos, que, no fim das contas, se transformam em (mais) 72 fantasmas na administração pública, especialmente direcionados para minar a Saúde.

"Quando algumas dessas pessoas aparecem no local de trabalho, vão para o computador brincar em joguinhos eletrônicos. Os cidadãos estão morrendo, e eles estão tirando a vaga de gente que poderia estar aqui, trabalhando de verdade. Por que não chama os concursados? Falta compromisso", afirma uma fonte, de dentro do próprio Hblem.

Como foi dito acima, por mais que Magela tente contornar os problemas, jamais conseguirá, de fato, solucionar todos - nem os mais graves e urgentes. O secretário sequer tem a chave do cofre. É a típica história: um faz - ou tenta - e pelo menos dois desfazem. No caso do Hospital de Base, são 72 a atravancar o progresso.

E se a gestão fosse plena?

Número de homicídios reduz 16% na Bahia

Domingos Matos, 13/07/2011 | 11:02
Editado em 13/07/2011 | 11:09

O índice de homicídios diminuiu no primeiro semestre de 2011, numa comparação com o mesmo período do ano passado. A redução de 16% é o principal destaque no balanço do primeiro semestre elaborado pela Secretaria da Segurança Pública.

Em Salvador, este índice apresentou queda de 13,5% e na Região Metropolitana, o decréscimo, para o mesmo tipo de crime, foi de 8,2%. Principal objetivo do programa Pacto Pela Vida, a diminuição do número de homicídios no estado é decorrente das operações policiais, do combate ao tráfico de drogas, desarticulação de quadrilhas e prisão de traficantes, além da ampliação da estrutura de investigação dos crimes.

Capital e RMS também reduzem

Em 2010, foram registrados na Bahia, nos primeiros seis meses, 2.706 assassinatos contra 2.273 casos neste ano. Na capital, foram computados 793 homicídios no primeiro semestre, em contraste aos 917 registrados no mesmo período do ano passado. Na Região Metropolitana de Salvador, ocorreram 306 assassinatos em 2010, número reduzido para 208 nos seis primeiros meses de 2011.

Tentativas e latrocínios crescem

O número de tentativas de homicídio na Bahia, neste mesmo período, apresentou um crescimento de 3,8%: 1.531 (2011) contra 1.474 (2010). Outro índice que seguiu a tendência de aumento foi o de latrocínio (roubo seguido de morte). Nos primeiros seis meses do ano foram registrados 51 casos, contra 61, no mesmo período de 2010, representando um crescimento de 19,6%.

Outros números

No quesito roubos, em todo o estado, os índices também apresentaram reduções nos primeiros seis meses deste ano: de 4% dos roubos de veículos (4.416 em 2010 e 4.240 em 2011); de 6,2% em estabelecimentos comerciais (2.058 em 2010 e 1.931 em 2011); de 1,1% em residências (704 em 2010 e 696 em 2011); e de 5% roubo a transeuntes (14.673 em 2010 e 13.935 em 2011), sempre comparando com o mesmo período do ano passado.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 20/02/2011 | 17:16
Editado em 20/02/2011 | 17:58

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

 Judiciário lá e aqui

A reação da Associação dos Magistrados Brasileiros – evidentemente corporativista, dentro do mais clássico sprit du corps – desacredita a magistratura quando em pauta a prolação de uma sentença em dois dias envolvendo a liberação de 2,3 bilhões de reais contra o Banco do Brasil, oriunda de uma Vara da Justiça Comum paraense e confirmada por uma desembargadora do Tribunal daquele estado. Maiores detalhes em http://www.advivo.com.br/luisnassif (“Juíza e desembargadora aprovam depressa golpe de 2,3 bi”).

A reação da AMB enfrentou uma decisão administrativa da Ministra Eliane Calmon, em sede do Conselho Nacional de Justiça, que anulou a decisão.

Não nos cabe o mérito – em que pese muito estranha a rapidez da decisão envolvendo volume tão grande de dinheiro, com o agravante de não ter sido ouvido o principal interessado (Banco do Brasil).

De orelha em pé

Estranhas decisões deixam o cidadão comum de orelha em pé. Por aqui, em não tão distantes dez anos, uma tutela antecipada (decisão que antecipa o que será definitivo na sentença), que exige, pela lei, verossimilhança (indiscutibilidade de provas, verdade absoluta etc.) foi concedida contra o Município de Itabuna, de quantia superior a 2,6 milhões de reais, sem que o município tomasse conhecimento da existência do processo, que se amparava tão somente em nota de empenho e nem mesmo comprovada estava a prestação do serviço.

Para encurtar: o município reverteu o prejuízo e a magistrada prolatora não é mais do quadro do judiciário baiano.

Deu no blog de Nassif

A imagem de Itabuna não anda lá essas coisas. No entanto, tornou-se título em matéria assinada por Rosana Lanzelotti, no dia 13 de fevereiro no portal de Luiz Nassif (A Musicologia de Itabuna). Ou seja, a terrinha estava presente em noticiário nacional. A leitura, no entanto, vinculava a cidade de Itabaiana, em Sergipe.

Nossa conclusão: Itabuna como notícia nacional ou é dengue ou erro de impressão.

Mototáxi I

mototaxisSomos contrário à liberação da atividade do transporte remunerado de passageiros através de motocicleta. Nossas razões se enfeixam, entre outras, no âmbito da segurança. Um veículo de quatro rodas teve de corresponder a inúmeros itens para asseguramento da incolumidade física de seus integrantes.

Tal circunstância se torna impraticável, se não inviável, na motocicleta, a começar por um simples componente: o cinto de segurança. Ainda que se fizesse conter na regulamentação uma velocidade compatível para o perímetro urbano – 20 quilômetros, por exemplo – não pode ser assegurada qualquer proteção em caso de acidente.

Outro, da higiene e saúde: ou cada passageiro terá de adquirir o próprio capacete, ou fica sujeito ao de uso coletivo e convivência com a utilização por portadores de várias doenças, que vão da tuberculose a sarnas e infecções da pele etc. (nesse aspecto a palavra fica com os técnicos).

Mototáxi II

Mesmo contrário, pelas razões acima, politicamente – considerando a preexistente promessa de candidatos e governantes, que não é nova – cumpra-se o prometido e se busque os meios de assegurar a proteção minimamente necessária ao passageiro.

Cada dia mais numerosa a classe motociclista itabunense que sobrevive da atividade de transporte de passageiros já ouviu de Geraldo Simões que se houvesse autorização legal – ou seja, lei federal – promoveria os estudos para a viabilização do transporte. Azevedo repetiu a promessa.

Cumpra!

A fórmula

formula coca colaAinda que seja jogada de marketing não nos furtamos à curiosidade da revelação da fórmula da Coca-Cola, decantado tema no ABC da Noite, visto que Cabôco Alencar exige a famosa alquimia para que forneça a de suas batidas. As anotações correspondem à receita original, de 1886, do próprio John Pemberton.

Naquele 1% crucial para o sabor característico estão relacionados álcool e gotas de óleo de laranja, de limão, de noz moscada, de coentro, de canela e de neroli (extraído das flores da laranjeira amarga).

A matéria com outros detalhes (“A receita original da Coca-Cola”) o leitor encontrara no blog de Luiz Nassif.

Paulo Alvim I

É como futucar casa de marimbondos qualquer crítica à CEPLAC. Muitos se juntam para a defesa intransigente sem análise do que está sendo posto. O passamento de Paulo Alvim nos fez lembrar texto por nós publicado quando redigíamos para o então Diário do Sul. Não o traremos nesse instante.

Mas, lembraríamos e recomendaríamos – neste tão decantado instante em que os resquícios de reserva da Mata Atlântica se tornam objeto de acalorados debates – a leitura de “A Ferro e Fogo – a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira” (Companhia das Letras, 1996), de Warren Dean, tradução de Cid Knipel Moreira.

Paulo Alvim II

Do renomado cientista nos vem também à memória o debate – para nós inesquecível e histórico – entre o palestrante José Lutzemberg e o ceplaqueano, ocorrido durante o II Seminário Brasileiro de Direito Agrário, em Ilhéus, no ano de 1979.

Vencido por Lutzemberg. Com um detalhe: o tempo de mais razões o agraciou.

Anúncios I

Anunciar-se pré-candidato dentro do PT é quase um lugar comum. Principalmente num partido que democraticamente admite até aquele decantado por nós “Bloco do Eu Sozinho” como tendência. Mas, entendemos que a pretensão esposada pelo vereador Vane do Renascer – se legítima – esbarra em muita coisa, que pode ser resumida numa palavra: amadorismo.

Seja-o pela realidade interna em Itabuna, seja-o pela dificuldade eleitoral.

Atualmente discutem vários observadores as dificuldades eleitorais a que se sujeita o próprio Geraldo Simões. O que dizer de nomes que não conseguiriam aglutinar outras agremiações por falta de densidade e liderança eleitoral?

Anúncios II

No entanto, para estar em evidência e manter o colégio eleitoral para a reeleição, a pretensão pode ser resumida em uma palavra: profissionalismo.

Novos tempos I

Entre encômios mil a reabertura dos trabalhos legislativos em Itabuna. Presente o Prefeito contribuindo para uma nova visão nas relações Executivo-Câmara Municipal.

Recomenda-se aguardar acontecimentos.

Novos tempos II

É o que parece sinalizar a administração municipal, com a assunção de Pedrassoli no comando das finanças. Realizando o trivial já atrai as atenções.

Como é da turma de Fernando Gomes, alimenta a “competência” do fernandismo.

AMURC

Anuncia planejamento estratégico e situacional. Como os cavaleiros de Granada, disparados em louca cavalgada pela madrugada. Para que? Para nada, já dizia Miguel de Cervantes.

Educação

Em São Paulo rodízio em escolas da Zona Sul motivado (pasmem!) por falta de carteiras nas escolas. Inovação tucana: escola sem carteira.

Reeleição I

A cidade tomada de faixas enaltecendo e destacando a parceria Azevedo e Wagner. Pessoalizada nos nomes, porque nos partidos de cada um daria “água e óleo” – para lembrar César Borges.

Sinal evidente: Azevedo lançou seu nome à reeleição.

Reeleição II

Azevedo aprofunda o projeto político-eleitoral e tirará um dos discursos do PT em 2012: de ser parceiro dos Governos Federal e Estadual. Integrará um partido da base, que pode ser o PP.

O que vinha sendo ensaiado começa a sair da planilha.

Reeleição III

A propósito, as muitas faixas distribuídas pela cidade enaltecendo a parceria Azevedo-Wagner sinaliza a pavimentação do terreno para 2012.

Para nós podem ser consideradas típica propaganda eleitoral antecipada.

PT e a militância

Nas comemorações locais pelos 31 anos do Partido dos Trabalhadores a exortação mais importante: levantar a militância para reencontrar o poder municipal.

O trabalho mais difícil da direção partidária será motivar essa militância. E, mais que isso, juntar alguns cacos quebrados nos últimos anos.

Dizia-nos uma fundadora do partido que não mais se abala para ir às ruas. Desencantou-se depois de ver num mesmo palanque figuras que a perseguiram em Itapé abraçadas às lideranças petistas.

Mas não agüentou mesmo foi quando a turma a chamou de “companheira”.

Militância

O trabalho fica difícil quando a motivação passa a ser emprego para um, para outro. Ainda que no poder não dá para todo mundo. O que é natural!

No entanto, fica difícil convencer quando um emprego ou outro cai no colo de algum carlista roxo e convertido neo-petista.

Precedentes

O blog de Luiz Nassif http://www.advivo.com.br/luisnassif publica “O plágio no concurso de textos de promotores” sobre a devolução de prêmio por um titular do Ministério Público Federal depois de admitir “possível plágio”.

Recomendamos ao blog a leitura de autor(res) itabunense(s) de costado. Não haverá surpresa se encontrarem na obra grapiúna Fernando Pessoa, Jorge de Lima.

Sem falar nos anônimos todos que não podem provar o surrupio.

Cala-te boca! – diria minha avó Tormeza.

Argolo I

Não se trata de discutir imposições e ingerências em relação a pontos de vista e convicções. Mas, para os que acompanharam as discussões na Câmara Federal na última quarta 16, a considerar o que foi dito pelos deputados Miro Teixeira e Paulinho da Força, havia uma solução intermediária que poderia encontrar consenso até mesmo junto a técnicos do Governo. Em torno ponderou o relator Vicentinho, quando respeitou em seu voto a existência do acordo em relação à emenda elevando o mínimo para 560,00 considerando a parcela de 15,00 como antecipação do aumento para 2012 (que tende a superar 12%)

A retirada de assinaturas de ACM Neto e do líder tucano a pedido do baiano demonstrou a jogada política feita por DEM-PSDB. Sabendo que 600,00 (sua proposta) nunca alcançaria aprovação, e como 560,00 envolveria amplo leque que afastaria “o pai da criança” da emenda o jogo ficou evidente.

Argolo II

Nesse sentido Argolo errou feio ao entrar na barca furada. Ainda que integrando a base do governo – que alcançou 361 votos – preferiu estar ao lado dos pouco mais de 100 que embarcaram no bico tucano.

Considerando as faixas dispostas em Itabuna a “parceria” Azevedo-Wagner precisa funcionar sob pena de perder liberações futuras, se assinadas por Luiz Argolo.

Amadorismo. E política não é para amadores. Principalmente se dissidente passar a ser tratado como dissidente.

Na disputa itabunense Geraldo deve estar às gargalhadas.

Itororó e suas contradições

adroaldoSe acompanhado por informações da imprensa itabunense o gestor do município da carne de sol – depois da árdua conquista de uma suplência no Conselho Fiscal da UPB – estaria em alta na terrinha, tantos encontros e contratos celebrados.

No entanto, não é a realidade em Itororó: se perder aliados de primeira hora é Purgatório o astral de Adroaldo já está no último estágio do Inferno.

E o que andam falando do prefeito extrapola até a administração.

Por outro lado, teria a seu favor algumas obras realizadas. Mas o povo tomou uma antipatia daquelas!

Utilidade pública

Sob o título “Dinastia ‘Dantas’ em Itajuípe” o blog Políticos do Sul da Bahia publicou no dia 13 de fevereiro – sem avaliar a possibilidade jurídico-eleitoral – a possível pretensão do prefeito Marcos Dantas de lançar sua atual vice à sucessão municipal, que seria sobrinha do alcaide.

Não deixa de ser singular a matéria veiculada, levando-se em conta que a observação – sob o condão do título – alcança somente Itajuípe. Temos, no entanto, como utilidade pública se sair de municípios menores para os maiores.

Se houver esquecimento pelo caminho, pode ser missa encomendada.

Se não for dois pesos e duas medidas!

Carnaval

As imagens de sábado dispensam comentários. A espontaneidade marca a tradição carnavalesca do tempo das marchinhas, quando o Carnaval ainda não fora privatizado. Muita gente de outros municípios acorreu para a programação centrada no Beco do Fuxico

A alegria, no entanto, deixa uma triste lição: a incompetência do poder público municipal em não assumir o evento em seu calendário de festas, contribuindo em muito para a economia local.

A melhor lição, entretanto, está no próprio povo: deixe-o em paz que ele faz a (melhor) festa.

Homenageando nossos foliões (abaixo) a eterna Emilinha Borba cantando no Sílvio Santos.

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Cantinho do ABC da Noite

cabocoO consagrado espaço é reconhecido como “escola” e os consumidores da alquimia alencarina como “alunos”. Daí porque não falta alguém trazendo um visitante para ser “matriculado”.

Assim, seu proprietário é dela diretor e professor. Por essa vertente, aparece alguém, ainda que consumidor habitual, para provocar o filósofo do Beco:

- Que dia é a matrícula, Cabôco?

- Pra você que é repetente vou lá gastar papel!

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Baiana de Macaúbas - quem é a estudante que viralizou com discurso em formatura na PUC-SP

Domingos Matos, 20/02/2011 | 00:00
Editado em 20/02/2018 | 11:56

Publicado na Nova Escola

Diante de um auditório lotado no Citibank Hall, gigantesca casa de shows da capital paulista, uma aluna de uma das graduações mais tradicionais do país toma o microfone para um discurso duro. “Gostaria de falar sobre resistência. De uma em específico, a que uma parcela dos formandos enfrentaram durante sua trajetória acadêmica”.

Ela falava em nome dos alunos bolsistas do curso de direito da PUC-SP, em que as mensalidades são de 3.130 reais. “Somos moradores de periferia, pretos, descendentes de nordestinos e estudantes de escola pública”, enumerou. Descrevendo uma experiência de solidão e preconceito, a oradora apontava as dificuldades do convívio com alunos e professores de uma outra classe social:

“Resistimos às piadas sobre pobres, às críticas sobre as esmolas que o governo nos dá. À falta de inglês fluente, de roupa social e linguajar rebuscado. Resistimos aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram, na verdade, nossos pais.”

Migrante e filha da escola pública

A fala, aplaudida de pé, viralizou em áudio e vídeo nas redes sociais. NOVA ESCOLA conversou com exclusividade com a autora do discurso. Seu nome é Michele Maria Batista Alves, de 23 anos. Natural de Macaúbas, cidade de 50 mil habitantes no centro-sul baiano, ela é uma dos milhares de estudantes de classe popular que chegaram à faculdade a partir da criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), em 2004. É também um exemplo das dificuldades dessa trajetória.

Filha de mãe solteira, criada com a ajuda do avô, Michele veio para São Paulo aos 12 anos, para tratar de uma depressão. Sua família se estabeleceu numa casa alugada em Itapevi, cidade da Grande São Paulo onde mora até hoje, e de onde leva duas horas para ir e voltar ao centro da capital. A intenção inicial era regressar à Bahia, mas dois anos depois a descoberta de um tumor no pescoço adiou indefinidamente os planos. “Hoje estou curadíssima, mas por causa da doença fomos ficando. Minha mãe trabalhava de doméstica e eu comecei a ajudar no Ensino Médio como monitora numa escola infantil”, conta.

Sua história na Educação Básica foi toda em escola pública. “Estudei numa escola estadual perto de casa. Tive professores bons, mas a estrutura dificultava. Faltava água sempre, não tinha como ir ao banheiro, as classes eram lotadas e havia brigas. Eu sentia o quanto era difícil lecionar ali”, lembra ela, que diz nunca ter tido uma aula de Química – a professora só existia no papel, mas nunca apareceu. “Por tudo isso, acho muito difícil um aluno de escola pública entrar direto na faculdade.”

“Percebi que era pobre”

Ela própria teve de fazer cursinho. Duas vezes, a primeira delas num comunitário. “Foi uma experiência fundamental”, conta. “Tive vários professores de origem popular que me mostraram a diferença entre classes. Era a primeira vez que eu me reconhecia como pobre.”

A segunda foi no ingresso na PUC-SP. “Não tinha ninguém do meu círculo social. Não tinha recepção para bolsistas”, diz. No primeiro dia, uma menina contava animadamente sobre a viagem de férias à Europa. No terceiro, uma professora fez um comentário sobre métodos de estudos que deveriam ser evitados porque até a filha da empregada dela estudava assim. O impacto virou trecho do discurso:

“Naquele dia, soube que a faculdade não era para mim. Liguei para a minha mãe, que é doméstica, e disse que queria desistir. Ela me fez enxergar o quanto precisava resistir àquela situação e mostrar o quanto eu era capaz de obter aquele diploma”.

Espelho da realidade

Professores da PUC confirmam a situação narrada por Michele. “Ouvi de alguns bolsistas que a maior dificuldade não era preencher as lacunas de formação, mas conviver com a discriminação por parte de colegas”, diz Leonardo Sakamoto, professor do curso de jornalismo. “Se a PUC tivesse mais estudantes como eles, faria mais diferença do que faz hoje. Alguns dos meus melhores alunos foram bolsistas.”

“Os alunos beneficiários de bolsas são os mais dedicados, pois vêem no diploma da PUC a única chance de fugir de um destino cruel, previamente estabelecido”, confirma Adalton Diniz, professor do curso de Ciências Econômicas, que compara sua própria trajetória com o cenário atual. “Nasci no Jardim São Luiz, na periferia de São Paulo, fui operário metalúrgico e filho de uma dona de casa e um trabalhador que apenas completou o ensino primário. Estudei na PUC nos anos 1980 e não me recordo de ter enfrentado, de modo significativo, resistência, preconceito e hostilidade. Creio que a sociedade brasileira era mais generosa na época.”

Michele Alves seguiu em frente, mas não sem dificuldades. Passou os seis primeiros meses sem falar com ninguém. “Também por minha conta, porque antes eu era mais radical, mais intolerante. Acho que a gente tem de ser radical, mas não radical cego. Isso eu só aprendi depois, ao perceber como as pessoas me enxergavam e como eu poderia me aproximar delas. Aos poucos, fui criando métodos para dialogar com quem era diferente de mim. Ficar sem falar é muito ruim.”

Choro, apreensão – e aplausos

O episódio do discurso nasceu dessa espécie de diálogo radical. Com colegas, Michele fundou um grupo para discutir a situação dos bolsistas na PUC. A formatura se tornou uma pauta importante, porque o custo da colação de grau e do baile – na casa dos 6 mil reais – era proibitivo. Uma negociação com a comissão do evento garantiu quatro ingressos para cada bolsista e o direito do grupo a ter um orador.

Michele foi a escolhida. “Fiz o texto numa única noite. Chorei muito. É um relato carregado de histórias não só minhas, mas de todos os bolsistas, que eu revivia conforme ia escrevendo. Ensaiei 12 vezes e só na última consegui ler sem chorar”, conta.

Chegou o 15 de fevereiro, data da colação, e Michele aguardava sua vez de subir ao palco. O orador oficial fez um discurso leve, contando ‘causos’ do curso e arrancando risadas da plateia. Michele gelou. “Pensei: ‘e agora, como vai ser? Vou vir com um tapa na cara, agressivo, não sei como vão reagir’”. De cima do palco, tentou procurar a família – cunhado, uma amiga do Chile, três colegas de trabalho e a mãe, aniversariante da noite. Não viu ninguém. Leu tudo de um fôlego só.

Ao terminar, ainda meio atordoada, correu de volta para seu assento. “Achei estranho meus colegas se levantando. Depois entendi. Estavam me aplaudindo”, diz ela, contente também com a repercussão de sua fala nas redes sociais. “É uma vitória saber que minha reflexão está chegando a lugares que antes não debatiam esse assunto. Quem sabe cause algum impacto na vida dos bolsistas que virão depois de mim.”

Incêndio em prédio da Oi continua

Domingos Matos, 21/12/2010 | 20:34
Editado em 21/12/2010 | 20:39

oi

Do Bahia Notícias

Desde o final da manhã desta terça-feira (21) os bombeiros tentam controlar o fogo que atingiu o prédio da Oi, no bairro do Itaigara, em Salvador. De acordo com a equipe, o incêndio já está na fase final de rescaldo. Entretanto, imagens feitas agora à noite, por pessoas que moram em prédios vizinhos, demonstram que o fogo ainda consome o prédio intensamente.

As linhas telefônicas, fixas e móveis, e o serviço de internet da Oi ainda estão com funcionamento comprometido em todo o estado e também em algumas cidades de Sergipe. De acordo com o Correio, os sistemas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal estão fora do ar. O 190, da Polícia Militar, também não funciona e as denúncias devem ser feitas por meio de números alternativos.

A Coelba também divulgou que sua central de atendimento está inativa. O incêndio começou por volta das 10h30min e não há feridos.

Foto: Saulo Pires / Bahia Notícias

Jaques Wagner já é considerado reeleito

Domingos Matos, 03/10/2010 | 20:48
Editado em 03/10/2010 | 20:53

O governador Jaques Wagner (PT) já é considerado reeleito - o principal adversário, Paulo Souto (DEM) já reconheceu a derrota. Com 75% dos votos apurados, o quadro é o seguinte:

Votação de deputados federais em Itabuna (10 primeiros)

Domingos Matos, 03/10/2010 | 19:57
Editado em 04/10/2010 | 15:58

Geraldo Simões (PT)                     - 23.639

Acm Neto (DEM)                           - 12.544

Luiz Argôlo (PP)                            -  4.289

Felix Jr (PDT)                                 -  3.484

Alice Portugal (PC do B)             -  3.447

Márcio Marinho (PRB)                 -  2.870

João Almeida (PSDB)                  -  2.419

Roberto Britto (PP)                    -  1.823

Fabio Souto (DEM)                      - 1.665

Antonio Imbassahy (PSDB)      - 1.601

Deputados estaduais mais votados em Itabuna

Domingos Matos, 03/10/2010 | 19:51
Editado em 04/10/2010 | 15:12

Wenceslau  (PC do B)                      13.676

Coronel Gilberto Santana (PTN)   13.143

Augusto Castro (PSDB)                   8.019

Renato Costa (PMDB)                      7.646

J. Carlos (PT)                                      5.403

Capitão Fabio (PRP)                         4.739

Glebao (PV)                                        4.419

Cesar Brandão (PPS)                       3.829

Solon Pinheiro (PSDB)                     2.345

Pastor José de Arimateia (PRB)   2.142

(Atualizada após apauração)

Votos apurados 30,62%: Wagner lidera

Domingos Matos, 03/10/2010 | 17:30
Editado em 03/10/2010 | 19:05

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