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Ministério Público brasileiro realiza operações simultâneas para combater o crime organizado em todo o país

Domingos Matos, 15/08/2019 | 09:35
Editado em 15/08/2019 | 09:55

Nove Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) do Ministério Público brasileiro realizam, nesta quinta-feira (15/08), operações contra integrantes de organizações criminosas em todo o país. A ação nacional é articulada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) - colegiado que reúne os Gaecos de todos os estados brasileiros.

As diligências desta quinta-feira estão sendo realizadas simultaneamente pelos estados de Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro. Com auxílio de forças policiais, os Gaecos de cada um desses estados cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes de grupos criminosos. No total, estão sendo cumpridos mais de 300 mandados judiciais, entre prisões e busca e apreensões.

Acompanhando os trabalhos em uma sala especial da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), o presidente do GNCOC, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, garantiu que esse tipo de enfrentamento seguirá ocorrendo em todo o Brasil. “Os Gaecos do país inteiro estão trabalhando incessantemente para combater as organizações criminosas que tanto afrontam as forças de segurança do país. Seguiremos nesse propósito todos os dias”, assegurou Gaspar, que é também procurador-geral de Justiça de Alagoas.

 

As operações nos estados:

Acre – está sendo realizada uma grande revista na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde, na Capital. O foco está em pavilhões dominados pelo PCC e a facção local Bonde dos 13, aliada ao Primeiro comando da Capital. A ação visa a apreensão de ilícitos e prospecção de informações, além da identificação de pessoas que exercem posição de liderança nessas organizações. Paralelamente, foram denunciadas à Justiça 69 pessoas presas na Operação Hemolíse, realizada no dia 24 de julho, na Capital e outros quatro municípios. Os denunciados são integrantes do Comando Vermelho.

Alagoas – a operação cumpre 37 mandados de busca e apreensão e 42 de prisão contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, todos os mandados estão sendo cumpridos em municípios do litoral norte do estado. Os pedidos têm por base três Procedimentos de Investigação Criminal do GAECO local e um inquérito da Delegacia de Narcóticos – DENARC.

Amapá – com alvos em Macapá, Santana e Porto Grande, a operação, que também tem foco no combate ao tráfico de drogas,  é contra a organização criminosa “Família Terror do Amapá”.

Amazonas – estão sendo cumpridos três mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão. Dentre os alvos da medida, encontram-se lideranças da organização criminosa Família do Norte, considerada a terceira maior facção do Brasil.

Bahia – São 19 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. A operação está sendo realizada nos municípios de Senhor do Bonfim, Jacobina, Juazeiro, Capim Grosso, Serrolândia e Lauro de Freitas. Entre os alvos, estão integrantes de organização criminosa ligada ao PCC que atua com tráfico de drogas e é responsável por diversos homicídios no estado. Onze promotores de Justiça, 74 policiais militares e 99 policiais rodoviários federais participam da ação.

Ceará – as operações “JERICÓ” e “AL QAEDA” tiveram investigações que resultaram na expedição de 35 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão contra integrantes do PCC a serem cumpridos em todo o Estado do Ceará.

Mato Grosso do Sul – 15 mandados de prisão estão sendo cumpridos contra integrantes do PCC com atuação no estado.

Pernambuco –  cumpre um mandado de prisão e busca e apreensão  em apoio a operação que combate a lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. O mandado está sendo cumprido na cidade de Petrolina.

Rio de Janeiro – três operações em andamento. Uma cumpre 41 mandados de busca e apreensão contra policiais militares , sendo oito denunciados por associação criminosa e crime de corrupção passiva,  um denunciado por associação para o tráfico de drogas , tendo sido  todos afastados de suas funções pela Justiça. A segunda, mandados de prisão  contra  sete traficantes em comunidades do Complexo de Madureira. A terceira, visa prender acusados de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, com denunciados que atuavam como “laranjas” para ocultar o dinheiro ilícito do tráfico de integrantes da facção Comando Vermelho.

 

 

Operação Caixa-Forte prende traficantes que atuavam em 4 estados

Domingos Matos, 09/08/2019 | 09:29

Uma força-tarefa formada pelas polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil de Minas Gerais deflagrou hoje (9) a Operação Caixa-Forte. É para combater crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, praticados em âmbito nacional.

A ação conta com a participação de 250 agentes públicos para cumprir 52 mandados de prisão preventiva, 48 mandados de busca e apreensão, 45 mandados de sequestro de valores/bloqueio de contas bancárias em 18 cidades e unidades prisionais de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Até o início da manhã, seis pessoas já tinham sido detidas. Expedidos pela Vara de Tóxicos de Belo Horizonte, os mandados foram cumpridos nos municípios mineiros de Uberaba e Conceição da Alagoas; em Campo Grande e Corumbá, em Mato Grosso do Sul; nos municípios paulistas de São Paulo, Ribeirão Preto, Itaquaquecetuba e Embu das Artes; e nas cidades paranaenses de Curitiba, Londrina, São José dos Pinhais, Almirante Tamandaré, Colombo, Fazenda Rio Grande, Goioerê, Mandirituba, Matinhos, Paranaguá, Pinhais e Piraquara.

Segundo nota divulgada pela Polícia Federal, os presos são investigados pelos crimes de tráfico de drogas, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas podem chegar a 33 anos de prisão.

Estrutura

Iniciadas em novembro de 2018, as investigações identificaram a existência de uma seção “rigidamente estruturada” dentro de uma facção chamada Geral do Progresso. Segundo a PF, o setor era responsável por gerenciar o tráfico de drogas, “distribuindo os entorpecentes que garantem o sustento da organização criminosa, bem como por orquestrar a lavagem de dinheiro dos valores oriundos dos crimes praticados”.

Ainda segundo os investigadores, “pessoas aparentemente estranhas ao grupo criminoso” tinham suas contas bancárias cooptadas com o objetivo de “ocultar e dissimular a natureza ilícita do montante movimentado”.

Nas contas, pequenas quantias eram depositadas de forma a evitar chamar a atenção de autoridades de controle de atividades financeiras (Coaf). Posteriormente, o dinheiro era transferido a outras contas ou mesmo sacado em terminais eletrônicos.

Quarenta e cinco contas bancárias já foram identificadas e bloqueadas pela Justiça, responsáveis por uma movimentação superior a R$ 7 milhões. (Com informações da Agência Brasil) 

Cadela Laika ajuda a capturar três traficantes em Paulo Afonso

Domingos Matos, 11/06/2019 | 08:35

Reidson Renan Barbosa de Oliveira, 29 anos, e Cláudio Luiz Marques Ramos, 20, foram presos na manhã da última sexta-feira (7), após policias do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM/Paulo Afonso) receberem informações sobre o tráfico de drogas na rua Félix Benzota, em Paulo Afonso.

A ação contou com o apoio da cadela labrador K9 Laika, do canil do 20ª BPM, que rapidamente localizou os entorpecentes. Jonas dos Santos Queiroz, 24, que comprava drogas no momento da abordagem, também foi preso após os PMs consultarem o banco de dados e constatarem que contra ele havia um mandado de prisão em aberto. Ele era procurado por tráfico de drogas.

Reidson já esteve preso anteriormente por tráfico e ameaça à ex-mulher. Com ele e Cláudio foram encontrados três sacolas de maconha, 94 gramas da mesma substância em um pote plástico, dois comprimidos de ecstasy e uma balança digital. “Cláudio é um dos grandes traficantes aqui de Paulo Afonso e Reidson é um dos seus passadores de drogas. Com a prisão dos dois vamos tentar chegar ao resto da quadrilha”, contou o comandante do 20º BPM, tenente-coronel Carlos Humberto Moreira.

Os três criminosos foram encaminhados para a 18ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Paulo Afonso).

 

Meia tonelada de maconha é apreendida após apuração de acidente

Domingos Matos, 08/04/2019 | 11:21
Editado em 08/04/2019 | 09:03

Guarnições da 85a Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Luís Eduardo Magalhães) encontraram meia tonelada de maconha, na manhã de domingo (7), no município de São Desidério. O flagrante aconteceu durante apuração de um acidente automobilístico.

Chegando na BA-463, entre a cidade de São Desidério e o distrito de Roda Velha, os PMs acharam o veículo modelo Montana, placa EBN-1637, de São Paulo, capotado. Durante varreduras em busca de encontrar possíveis vítimas, os militares encontraram tabletes de maconha cobertos por uma lona preta, no meio de uma plantação.

"Provavelmente quem estava no veículo transportava os 500 kg dos entorpecentes e tentou esconder. Agora a Polícia Civil aprofundará o caso e chegará ao destino final do material e aos traficantes", ressaltou o comandante de Operações da PM, coronel Paulo Uzêda.

 

Traficantes são presos durante Festa do Pó em condomínio de luxo

Domingos Matos, 11/02/2018 | 12:08
Editado em 11/02/2019 | 09:57

A Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Polo Industrial encerrou, na tarde de sábado (9), uma festa recheada de drogas dentro de um condomínio de luxo, na Região Metropolitana de Salvador. O flagrante aconteceu em Barra do Jacuípe, município de Camaçari, após denúncia anônima.

Quando os PMs chegaram no condomínio Vilas do Jacuípe encontraram oito homens e uma mulher, integrantes de uma organização criminosa que atua na cidade de Simões Filho. Entre os presos estão Jonathan Souza Vieira, 23 anos, o 'Negueixo'. Ele lidera o bando determinando mortes, comércio de entorpecentes, roubos, entre outros crimes.

Responsáveis pela gerência e distribuição de armas e drogas foram também capturados Pedro Vinícius da Silva Loyola, 21, Antônio Bispo de Paula Neto, 19, Romário Santana Prado, 37, e Elisson dos Santos Teixeira, 27. Completam a lista de integrantes da facção e também flagranteados Robert Wesley dos Santos Chagas, 21, Adriano Silva Pereira, 31, Anderson Oliveira das Virgens, 32, e Aline Lúcia Oliveira da Anunciação, 24.

Com o grupo de criminosos foram apreendidos 121 pedras de crack, cinco pinos de cocaína, sete trouxas de maconha, balança, embalagens plásticas, celulares e pouco mais de R$ 1 mil reais em espécie conquistados com o comércio ilícito.

"Grande flagrante. Agradecemos a população pela confiança. Qualquer ação suspeita deve ser denunciada através do 190. Iremos apurar", avisou o comandante da Cipe Polo Industrial, major Orlando Rodrigues.

 

Tentativa de assassinato assusta moradores do Conceição

Domingos Matos, 22/07/2016 | 11:34

Um homem foi baleado agora há pouco - por volta das 10h40min - na rua Bela Vista, no bairro Conceição. A tentativa de assassinato ocorreu enquanto a vítima trabalhava na perfuração braçal de um poço. Assustados, moradores relataram que, pelo barulho, os disparos podem ter sido de pistola semi-automática.

Segundo um colega da vítima, a pessoa chegou a pé e, calmamente, fez os três disparos. Seguiu, ainda a pé, arma em punho, até montar na moto que o esperava a alguns metros, e fugiu, com a ajuda de um comparsa que pilotava a motocicleta. "Só o que lembro é de ter caído no buraco que estamos cavando", diz, assustado o ajudante de pedreiro que não revelou seu nome.

Pela forma como tudo ocorreu, parece cobrança por dívida com traficantes. "Cheguei de São Paulo há pouco tempo. Não tenho envolvimento com nada. Mas, pelo que sei, ele tinha. Estava saindo do crime, trabalhando", relatou.

Se for assim, seguindo script do crime em Itabuna, ao menos alguma dívida deixou para trás, e hoje ela foi cobrada. O Samu levou a vítima para o Hospital de Base.

Cinco traficantes são presos durante operação em Itacaré

Domingos Matos, 03/01/2012 | 21:07
Editado em 03/01/2012 | 21:10

Com o objetivo de combater o tráfico de drogas no bairro da Passagem, no município de Itacaré, cinco pessoas foram presas durante operação policial.

O delegado Territorial de Itacaré, Joaquim José Tenório de Azevedo, disse que foram presos cinco traficantes que estavam com grande quantidade de drogas.

Foram presos Cristiano dos Santos Moreira (Zulu), Maurício da Hora Souza, Alvina dos Santos Barbosa (Rasta), seu filho Ítalo Barbosa Nunes (Talinho) e Cristina Mendes Nascimento.

Com Cristiano e Maurício os policiais apreenderam 185 papelotes de cocaína, três buchas de maconha, R$ 3.600 em dinheiro, três celulares e uma motocicleta Honda CG 125 FAN, placa NZG 3839. Com Alvina e seu filho Ítalo foram apreendidos 52 trouxinhas de maconha prensada e embalada em papel de alumínio, três celulares e um computador.

Cristiano foi autuado por tráfico de drogas e Maurício por associação ao tráfico. Os três foram encaminhados para o Presídio Advogado Ariston Cardoso, em Ilhéus.

Já Alvina, autuada por tráfico de drogas e Cristina estão custodiadas na carceragem do Conjunto Penal de Itabuna, à disposição da justiça.

Cristina estava com 600 gramas de crack - ela foi flagrada em ônibus da empresa Rota, durante blitz realizada na entrada de Itacaré.

Segundo a polícia, ela tem passagem pela polícia porte ilegal de arma. Conduzida à 7ª Coorpin, Cristina foi autuada por tráfico de drogas. Em outro ônibus da mesma empresa, PMs encontraram um tablete com 800 gramas de pasta base de cocaína, abandonado.

O dono da pasta base fugiu do local. Toda a droga foi encaminhada ao Departamento de Polícia Técnica de Ilhéus. (Com informações do Correio da Bahia).

Afinal, de que lado estão?

Domingos Matos, 21/12/2011 | 14:41
Editado em 21/12/2011 | 11:14

Domingos Matos

domingosCrimes de maior ou de menor potencial ofensivo têm tratamento diferenciado nas instâncias policiais. Os mais graves, são investigados antes, são direcionados a agentes especializados, têm mais recursos à disposição, enfim. Os menos graves, como um desentendimento entre irmãos, são levados para o lado do aconselhamento, da tentativa de conciliação etc. Essa é a regra.

Mas, se pararmos para observar, nesses dias que correm em Itabuna, estamos vendo uma inversão desses valores: estimula-se a caça aos nanicos, enquanto os gigantes dão risadas e passam desapercebidos. Uma Pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, mostra que os pequenos traficantes ou os usuários de drogas são mais reprimidos pela polícia do que os grandes traficantes (veja nota abaixo). Assim também é na vida política. Itabuna que o diga.

Como saber se um bandido ou um político corrupto é grande ou pequeno? Ora, ora. Indícios, amigos. Indícios. Sabendo-se que todos os grandes traficantes são mapeados pela polícia, fica fácil deduzir que esse ou aquele bandido está operando em alta. A mesma coisa é na política. A prefeitura não tem um sistema de monitoramento de seus ‘colaboradores’, uma espécie de corruptômetro? Pronto. A evolução do patrimônio, que bandido nenhum faz questão de esconder, os denunciaria.

Vejamos a inversão do princípio da potencialidade aplicada no dia-a-dia da política itabunense. A Câmara Municipal, por exemplo, é alvo de uma devassa, em que se busca o paradeiro de recursos desviados, que somariam, no máximo, R$ 5 milhões – incluindo-se aí dinheiro tomado de bancos em empréstimos irregulares e farras do ex-presidente Clóvis Loiola e de outros “sete ou oito vereadores”, segundo denúncia de Kleber Ferreira, ex-chefe dos Recursos Humanos (e monetários), acusado ser o operador do esquema. Maravilha, o dinheiro é público e deve ser retomado pelo povo.

Mas...

Acontece que a Câmara detém apenas 3% do orçamento do município – esse ano foram mais de R$ 400 milhões no Centro Administrativo. Isso significa dizer que ou estamos sendo muito bem ludibriados ou perdemos nossa capacidade de fazer contas. Acredito mais na primeira. Não são sem importância as mensagens que o Centro Administrativo manda para a sociedade: estímulo à criação de CEIs para que vereadores investiguem vereadores, os acusem e cobrem ações do Ministério Público para o ressarcimento da grana sumida.

Mas, quem investiga o Executivo? Não são os vereadores, ocupados que estão na busca pela cassação de um potencial concorrente nas próximas eleições – eis o que move a maioria dos inquisidores legislativos –, nem o Ministério Público, cujos promotores não têm elevado sua voz para além das portas dos bem guardados gabinetes.

Vamos aos exemplos: quantas denúncias foram ouvidas, desde a tribuna da Câmara até os mais “insignificantes” representantes da imprensa alternativa sobre a obra da avenida do Cinquentenário? Alguma providência? Quantas ações foram instruídas no escândalo dos remédios? Daria umas três... Sim, os remédios, aqueles que eram descartados no Centro de Zoonoses, onde, segundo denúncia de um ex-diretor, se fazia eutanásia de animais a três por quatro, na base da barbárie... E quanto às denúncias no superfaturamento da contratação da empresa de lixo – esse, logo no comecinho do governo...?

Claro que nada foi, é ou será feito, porque a Câmara, que deveria ser a primeira a investigar os malfeitos do Executivo, está de joelhos, cumprindo as ordens para afastar todas as denúncias do “outro prédio”. Preferem investigar seus pares a contrariar as ordens de cima. Deveriam, sim, investigar os pares, sem esquecer, principalmente, do princípio da potencialidade ofensiva. Nem do seu dever constitucional e regimental.

Por último, àqueles que me acusarão de cobrar investigações sobre denúncias que não tiveram provas apresentadas, uma questão lógica: se já tivéssemos provas de tudo, de que adiantaria eleger 13 marionetes? A investigação é, justamente, para que se consigam as provas e se tomem as providências cabíveis. Não esqueçamos de uma prova importante, a prova indiciária: bandido, qualquer que seja a cor de seu colarinho, não esconde os indícios. E quantos indícios de enriquecimento desproporcional temos visto nesses dias que aqui correm... desde 2009.

Domingos Matos é editor d’O Trombone

Atuação da polícia atinge mais a pequenos traficantes

Domingos Matos, 20/12/2011 | 11:28
Editado em 20/12/2011 | 09:19

Pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo mostra que os pequenos traficantes ou os usuários de drogas são mais reprimidos pela polícia do que os grandes traficantes.

O levantamento, feito a partir do acompanhamento e análise de 667 autos de flagrante de tráfico de drogas, constatou que a média das apreensões ficou em 66,5g de drogas. Em apenas 7% das 2.239 apreensões observadas os acusados portavam mais de 100 gramas de maconha, e em apenas 6,5% estavam com a mesma quantidade ou mais de cocaína.

A pesquisa, feita no estado de São Paulo ouviu 71 profissionais do sistema de justiça criminal (promotores públicos, delegados de polícia, juízes e defensores públicos) de São Paulo, Santos e Campinas.

A coordenadora da pesquisa, Maria Gorete Marques de Jesus, disse que quanto ao registro de antecedentes criminais dos detidos por tráfico, a pesquisa mostrou que 57% dos acusados não apresentavam antecedentes e que 43% tinham algum registro, dos quais 17% haviam sido processados por crime de tráfico.

O estudo verificou ainda que 84% das pessoas apreendidas não contaram com a assistência de advogado no momento da prisão. Como não há defensores públicos nos distritos policiais, somente acusados que puderam contratar um advogado particular foram defendidos judicialmente no momento seguinte à prisão. Entre o que foram assistidos pela Defensoria Pública (61% dos casos) o contato com os defensores públicos demorou em média, entre três e cinco meses para ocorrer.

Maria Gorete Marques de Jesus ressaltou que a “mesmo que o detido seja apenas um usuário, ele só vai ter, meses depois, possibilidade de defesa, para poder dizer para o juiz que ele, na verdade, estava com a droga para consumi-la e não para traficar”. (Com informações da Agência Brasil).

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 13/11/2011 | 17:07
Editado em 14/11/2011 | 07:39

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

São Paulo – Brasil

USPSem maiores aprofundamentos sobre o que acontece em São Paulo, fica-nos o cheiro de que algo anda errado. As cracolândias são o caos da atualidade, seja-o pelo que representam em si de degradação social, seja-o por alimentar o que há de mais deletério: o tráfico e os traficantes, que deram de andar protegidos por aparato do Estado, como no Rio (a segurança do traficante Nem se constituía de policias fazendo um “extra”).

Mas, sem proselitizar o uso de qualquer droga (lícita ou ilícita), o caso da USP deixa um quê de estranho, quando o Estado, sob o pálio da proteção à comunidade acadêmica, se volta para prender “perigosos maconheiros” que andam usando o objeto do particular hedonismo no campus da tradicional universidade paulista.

Ainda que anárquico, ficamos com o chargista diante do que aparenta ser uma nova organização criminosa. Por sinal tão antiga como uma velha profissão, mudado apenas o caminho para a estesia. E, como aquela, presente em todas as camadas sociais desta contemporaneidade.

Palavra técnica

Não está fora de propósito a observação de Walter Fanganiello Maierovitch no Terra Magazine – “A hora e a vez da Rocinha e o campus da USP: Rio prende traficante e, São Paulo, universitários usuários de maconha” – postado por Luis Nassif Online, desta sexta 11:

 “A propósito, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta a criminalidade organizada com uma adequada política de segurança (substituiu a militarizada e populista posta em prática irresponsavelmente pelo governador Sergio Cabral), a do governador Geraldo Alckmin optou, com apoio na linha neofascista da Lei&Ordem, pela perseguição a universitários que fumam maconha no campus da Universidade de São Paulo (USP). Isto com finalidade lúdico-recreativa (não medicinal)”.

“Em tempo de imunidade penal pelo mundo civilizado, como se nota por vários institutos premiais (plea bargaining, delação premiada, pattegiamento, bagatela, remição, desassociação etc), investe-se em São Paulo no de menor potencial ofensivo, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização criminosa que já desmoralizou as polícias paulistas, espalha-se e difunde o medo na periferia da capital”.

Para refletir I

À Polícia Federal, na madrugada de quinta-feira, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, Rio de Janeiro, afirmou que “Metade do dinheiro que eu ganhava era para o ‘arrego’” (propina), que em alguns momentos lhe tomava 100% de tudo. (De Antônio Werneck – werneck@oglobo.com.br – n’ O Globo.com.

Ainda que não confirmado, o faturamento do ilustre Nem chegava a 100 milhões de reais ano.

A matéria diz que o traficante deu nome aos bois – policiais civis e militares e “agentes públicos”.

Ansiamos pelos nomes. Pelo menos dos agentes públicos não policiais.

Para refletir II

Em São Paulo um acusado de tentativa de furto teve a prisão decretada imediatamente pela Magistrada. O atrasado, que não chegou a tempo para audiência, por morar no outro extremo da “vila”, não foi perdoado pelo atraso, ainda que tenha chegado ao fórum, o que ocorreu três horas depois de condenado a um ano e seis meses de reclusão em regime fechado.

O crime cometido: tentativa de furto de três latas de atum e de uma lata de óleo, que, juntos, somavam 20,69.

Celeridade judicial é isso! E para azar do infeliz, não tem como impetrar habeas corpus ao Ministro Gilmar Mendes no STF.

Comunicação

Ainda que seja melhoria na comunicação a presença do PT na administração municipal de Ilhéus sinaliza eficiência. A presença do prefeito Newton Lima, acompanhado do deputado Josias Gomes, ocupa o noticiário.

Noticiário positivo.

Descobrindo a pólvora

Muitos pepistas itabunenses andam empolgados com campanhas contra a corrupção.

Para não perder o embalo seria oportuna a presença de lideranças nacionais no movimento local.

Começando por Paulo Maluf.

Cultura I

O Ministério da Cultura – ou simplesmente Minc – viveu fase de propostas inovadoras, tendo Gilberto Gil como Ministro, sucedido por Juca Ferreira. Baianos que redimensionaram a visão de como construir projetos tendo a cultura e as tradições de nossa gente como alavanca da identidade nacional.

Ficaram famosos os “Pontos de Cultura” e “Cultura Viva”.

E uma pretensão de Lula estava em andamento: uma espécie de “vale cultura”, incentivo ao consumo cultural. Quem o portasse poderia trocá-lo por livros, revistas, teatro, cinema, DVDs, discos.

Cultura II

No governo do nordestino retirante e ex-metalúrgico, Luís Inácio Lula da Silva, os recursos – por ele prometidos para alcançar 1% do Orçamento – saíram de 397,4 milhões, em 2003, para 2,29 bilhões em 2010.

Caíram para 2,13 bilhões em 2011 e despencam para 1,79 bi em 2012.

Esperávamos de Ana de Hollanda que, caso não avançasse com o “vale cultura”, pelo menos não retrocedesse nas políticas implantadas durante o governo Lula.

Cultura III

Coisas deste Brasil. Tem gente que envereda na área cultural só pela exposição. Alguns, também pela remuneração.

No fundo, edificar o álbum pessoal com fotografias ao lado de famosos torna-se mais importante.

Itororó I

Duelo singular vai sendo travado na terra da carne de sol. Enquanto o ex-companheiro Milton Marinho desanca a administração municipal Itororó vai conseguindo lauréis nacionais e internacionais.

Como as premiações não podem ser atribuídas a “agrados” do premiador, dá a entender que Milton enfrenta mesmo é uma briga pessoal com Adroaldo.

Itororó II

Chegam informações de que em Itororó, muitos dos pretensos adversários de Adroaldo não poderão candidatar-se. Problemas com a Justiça Eleitoral. Ainda que por irregularidades banais – mas fatais – como filiar-se em partido sem desfiliar-se do anterior.

Tempos mornos I

Ultrapassada a fase de filiações, marcada por arregimentação de novos quadros ou cooptação de nomes de expressão aqui e ali trazidos para siglas de maior expressão, a eleição de 2012 se encontra em fogo brando.

As conversas de bastidores vazam, dando o rumo desta ou daquela liderança a procura deste ou daquele candidato em potencial que possa cerrar fileiras com seu projeto. Não mais como filiado, mas como integrante de uma “grande coligação” para salvar Itabuna.

Tempos mornos II

Nada mais se ouviu de Geraldo Simões sobre o teatro e o centro de convenções. Acabou o “amor” pelas artes e cultura local, traduzido nas falas há pouco com Fernando Gomes, intermediadas por Raimundo Vieira.

Dissemos, em algum instante, que beirava o nonsense imaginar que Geraldo defendesse a continuidade das obras em terras de Fernando por simples altruísmo.

Tempos mornos III

GS tentou atrair parcela do PMDB através de FG que, como descobriram alguns, nem mesmo filiado estava ao partido. Mas o via com peso e densidade eleitoral para seu projeto político. Inimigo (não mais tanto) útil.

Deu com os burros n’ água até esse instante. Fica para um segundo momento. Caso Roberto Barbosa não descole para uma campanha capaz de derrotar Azevedo.

Tempos mornos IV

O PCdoB afirma candidatura própria em Itabuna. O PT de Ilhéus está melando a possibilidade de apoio do PP itabunense ao PT local. Dissensão interna afasta Vane do partido.

PMDB com candidatura própria ou aliado a Azevedo (no primeiro instante).

Geraldo corre para repor as perdas, já que não pode juntar os cacos.

De apoio concreto, a rejeição de Azevedo.

Tempos não tão mornos

No entanto, para muitos, difícil mesmo será Geraldo Simões inverter o conceito que lhe atribuem no momento político: de pensar só em seu projeto pessoal.

Itabuna Faz parte dele: pela a fatia de votos. Ainda nada desprezível.

a.M – d.M

Assim vemos a CEPLAC sob a nova chefia: antes e depois de Maynart.

Leituras de viola

Assim titulamos o rodapé passado, tratando a viola de Jayme Alem, para nós um “cultor qualificado”. Dando sequência às “leituras” hoje trazemos uma geração que marcou os anos 60, transitando de modo irreverente pela caipira: Os Mutantes (Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias). A música “Dois mil e um” (Rita Lee-Tom Zé), apresentada no Festival da Record de 1968, utiliza todos os motivos da “rebeldia” do experimentalismo daqueles anos, desde estereotipar o sotaque das duplas caipiras tradicionais a enveredar por arranjos impressionistas que definiram o estilo Rogério Duprat, mesclando instrumentos não tidos como naturais à natureza musical, como guitarra e contrabaixo elétricos, linha melódica traduzindo uma arquitetura que é marca de Tom Zé.

A proposta estética da geração faz falta nestes dias. E como faz! Ainda que sujeita a chuvas e trovoadas.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoCabôco Alencar não se basta em servir uma batida ao cliente fiel ou ao que descobre o ABC da Noite. Acompanha os diálogos da freguesia, conhece suas idiossincrasias.

Depois de fechada a última banda de porta e o cadeado sacramentado o encerramento do expediente, descia o Beco do Fuxico rumo à Cinqüentenário, gastando assunto com o aluno que lhe fazia companhia e fazia crítica à intervenção feita por um freguês, que se mostrara erudito nos primeiros goles e “desembestara na burrice” depois do quarto.

- É preciso compreender, “Cabôco”. E perdoar – encerra Alencar, com o sorriso no canto da boca, conciliador e magnânimo – é ainda aluno do ABC.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

Número de homicídios reduz 16% na Bahia

Domingos Matos, 13/07/2011 | 11:02
Editado em 13/07/2011 | 11:09

O índice de homicídios diminuiu no primeiro semestre de 2011, numa comparação com o mesmo período do ano passado. A redução de 16% é o principal destaque no balanço do primeiro semestre elaborado pela Secretaria da Segurança Pública.

Em Salvador, este índice apresentou queda de 13,5% e na Região Metropolitana, o decréscimo, para o mesmo tipo de crime, foi de 8,2%. Principal objetivo do programa Pacto Pela Vida, a diminuição do número de homicídios no estado é decorrente das operações policiais, do combate ao tráfico de drogas, desarticulação de quadrilhas e prisão de traficantes, além da ampliação da estrutura de investigação dos crimes.

Capital e RMS também reduzem

Em 2010, foram registrados na Bahia, nos primeiros seis meses, 2.706 assassinatos contra 2.273 casos neste ano. Na capital, foram computados 793 homicídios no primeiro semestre, em contraste aos 917 registrados no mesmo período do ano passado. Na Região Metropolitana de Salvador, ocorreram 306 assassinatos em 2010, número reduzido para 208 nos seis primeiros meses de 2011.

Tentativas e latrocínios crescem

O número de tentativas de homicídio na Bahia, neste mesmo período, apresentou um crescimento de 3,8%: 1.531 (2011) contra 1.474 (2010). Outro índice que seguiu a tendência de aumento foi o de latrocínio (roubo seguido de morte). Nos primeiros seis meses do ano foram registrados 51 casos, contra 61, no mesmo período de 2010, representando um crescimento de 19,6%.

Outros números

No quesito roubos, em todo o estado, os índices também apresentaram reduções nos primeiros seis meses deste ano: de 4% dos roubos de veículos (4.416 em 2010 e 4.240 em 2011); de 6,2% em estabelecimentos comerciais (2.058 em 2010 e 1.931 em 2011); de 1,1% em residências (704 em 2010 e 696 em 2011); e de 5% roubo a transeuntes (14.673 em 2010 e 13.935 em 2011), sempre comparando com o mesmo período do ano passado.

Teleanálise: ''Da tragédia ao escândalo''

Domingos Matos, 26/06/2011 | 15:58
Editado em 26/06/2011 | 16:40

Malu Fontes

maluO que era apenas uma tragédia (o que já não seria pouco) na noite da sexta-feira 17 no mar de Porto Seguro, foi se transformando, ao longo da semana, em um escândalo político com direito à multiplicação de especulações, versões e pautas nas grades dos telejornais e nas páginas jornais do país. No início da noite da fatídica sexta, um helicóptero transportando seis pessoas e pilotado pelo empresário Marcelo Mattoso de Almeida, dono de um hotel resort em Trancoso, caiu no mar, matando todos. Provavelmente a tragédia permaneceria enquadrada tão somente como tal se, entre os mortos, não estivessem um piloto com habilitação vencida há seis anos, usando o nome de outro para voar, a mulher de um dos maiores empreiteiros de obras públicas do país e a namorada de um dos filhos do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

O diabo, como se sabe, mora nos detalhes e adora brechas para urdir tramas. Imediatamente após o anúncio de que a namorada do filho do governador estava no vôo, telejornais anunciaram que Cabral viajara a Porto Seguro para acompanhar as buscas. Ah, tá. A mentira e suas pernas curtas deveriam ter respeitado a circunstância fúnebre. Só essa informação falsa da viagem posterior à tragédia já seria capaz de causar uma calça justa. Mas, descobriu-se em seguida, que ele não apenas já estava em Porto Seguro como seria um dos próximos a embarcar na aeronave nas próximas viagens que a aeronave ainda faria naquela noite entre Porto Seguro e Trancoso, onde a família do governador ficaria hospedada no resort do piloto-empresário morto.

FAXINAÇO - Por que a mentira da assessoria do governador? Por duas razões, ambas nem um pouquinho republicanas, para usar o verbete da modinha entre a classe política: primeiro, Cabral havia viajado no super jato Legacy, emprestado por ninguém menos que o multibilionário Eike Batista (que além de ter trocentos contratos com o governo do Rio revelou-se, justamente no meio das tramas descobertas após a tragédia, beneficiário de outros trocentos incentivos fiscais no RJ); depois porque o governador havia viajado para a festa de aniversário de Fernando Cavendish, o dono da Delta Construções, a construtora com maior poder de fogo em contratos e obras sem licitação no Rio, coisa de milhões e milhões, incluindo irregularidades nas obras de reforma do Maracanã.

Por fim, Cabral iria hospedar-se na fazenda resort de Mattoso, um ex-doleiro acusado de fraude cambial e crime ambiental por sua empresa no Rio, a First Class. Portanto, amizades, circunstâncias e freqüências perigosíssimas, sobretudo para um governador que sai de casa às escondidas num fim de semana, de carona e bancado por empresários com contratos sob suspeita em sua gestão, deixando para trás o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, incumbido da nada leve tarefa de fazer mais um faxinaço de traficantes, com ampla cobertura midiática, claro, no morro da Mangueira. Enquanto as câmeras mostravam a Mangueira, a privacidade e os laços íntimos entre o governador e os empreiteiros estariam protegidos num paraíso na Bahia. Uma fatalidade pôs tudo escancarado.

QUEM MANDOU – Depois de ter saído do enquadramento de notícia trágica, migrado para as hostes dos escândalos políticos, chegado às editorias de economia (por conta das benesses fiscais de Eike Batista e do pulo do gato no volume de contratos da Delta nos últimos anos sob a gestão de Sérgio Cabral, o assunto ganhou na quinta-feira contornos judiciais. O Ministério Público da Bahia decidiu que quer porque quer saber como e porque os corpos da seis vítimas financeiramente empoderadas do acidente (a exceção foi uma babá, enterrada na Bahia) foram trasladadas para o Rio em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Por que o custeio da missão foi feito pelos cofres públicos e não pelas famílias das vítimas, como é o padrão. O Ministério Público quer saber do Comando Aéreo Regional de onde partiram as ordens.

Diante de um folhetim desses, com contornos trágicos, policiais, econômicos, políticos e jurídicos, que seja longa a vida do jornalismo impresso. Os telespectadores de notícias não ficaram sabendo dessa missa a metade. Resta o questionamento nem um pouco impertinente: se a TV não aborda um fato como este sob todas as variáveis contidas nele, não o faz porque sua própria natureza informativa dificulta a tradução para o público médio ou por que os laços de Cabral não são fortes apenas com os Cavendishes e os Eikes da vida?

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2011, no jornal A Tarde, Salvador/BA. maluzes@gmail.com

A legalização da maconha

Domingos Matos, 08/06/2011 | 09:26
Editado em 08/06/2011 | 10:27

Sione Porto

delegada sione portoApesar do grande esforço dos usuários em marchas pacíficas, a fim de convencer as autoridades brasileiras que a descriminalização é o avanço para combater o fogo intenso dos traficantes, esse comportamento dos simpatizantes e dos que apóiam a legalização, parece-nos equivocado.

A ampla maioria dos médicos psiquiatras, preocupada com a saúde pública e psicológica dos dependentes, diverge totalmente dessa multiplicação de ideias, cujos defensores trazem como exemplo a Holanda.

No reino dos Países Baixos, a Holanda, com território de 41.526 quilômetros quadrados, a população de 16.418.826 milhões habitantes, economia próspera na agricultura, pecuária, comércio, transporte, comunicação, indústria química, metalúrgica, prestação de serviços com excelência, meio ambiente sustentável, e uma das maiores produções de gás natural, é inigualável com a extensão do Brasil (9.372,614 km2), pouco menor do que toda Europa, tendo uma população de 190.755.799 habitantes, conforme o Censo Demográfico 2010 do IBGE.

A Holanda, que teve na sua visão comercial, juntamente com a Inglaterra, voltada para o comércio de ópio, por décadas, inclusive exportando para outros países, foi depois da Segunda Guerra Mundial que a marijuana (maconha) foi introduzida na Holanda, por soldados e músicos de jazz, inicialmente mantendo o consumo restrito, pois até então o governo holandês nada sabia sobre a nova droga. Crescendo o consumo, o governo holandês passou então a fazer um estudo mais abrangente.

Nos anos 70, período de crescimento e consumo de drogas em todo o mundo, especialmente o uso da cannabis sativa, foi apresentado, em 1972, um estudo sobre drogas na Holanda, conhecido como Boon, e, em 1975, com um novo relatório, denominado relatório Cohen, foi proposta a legalização da cannabis sativa, cuja justificativa tinha por base a rejeição da Teoria do Degrau (teoria que dispõe que a maconha faça com que o usuário parta para drogas mais pesadas), como entendia a maioria dos países europeus. Assim, em 1978, o governo holandês alterou a lei, fazendo uma distinção entre drogas leves e pesadas. A partir daí, a venda usual passou a ser feita nos coffeeshops e em clubes de jovens. Entretanto, passou a ser tolerada, com certas condições, assim afastando o comércio negro.

Hoje, com todo volume do uso de drogas sintéticas pesadas, tipo heroína, o governo holandês cuida não só do controle, mas com todo o aparato, fornecendo seringas, a fim de evoluir a contaminação de novos usuários e de suas conseqüências, o que certamente o governo brasileiro não teria com os seus usuários. Os partidos políticos holandeses, democratas cristãos (CDA) e o movimento da direita liberal (VVD), com todo esse controle, querem ainda uma atuação mais rigorosa.

O Brasil, na sua extensão territorial, não se pode comparar com a Holanda, pois o menor estado brasileiro é bem maior que esse país, sem esquecer as peculiaridades e falta de controle das fronteiras. Para se ter uma ideia, a falta de fiscalização do nosso governo, no desmatamento da Floresta Amazônica, é motivo de preocupação de todos ambientalistas, vez que temos 333 mil km2 desmatados, que significa 11 Bélgicas.

A favor da legalização da maconha, temos, no Brasil, o deputado federal Fernando Gabeira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua falecida mulher, a antropóloga Ruth Cardoso, entidades não-governamentais, simpatizantes, políticos, ministros, intelectuais, artistas, estudantes, dentre outras pessoas comuns.

Entendemos que o Estado brasileiro ainda não está preparado cultural e economicamente para equipar todos os estados da Federação, no suporte de fiscalização para plantio e venda da droga, como acreditam os simpatizantes. O problema não é só regulamentar e descriminalizar. Além desses problemas, questionamos ainda se, para as redes de saúde pública, farmácias, hospitais, postos de saúde, casas de acolhimento para dependentes químicos, com acompanhamento médico e psicológico, e assistência social, há investimentos previstos em lei para tal finalidade.

Como jurista e conhecedor de todos os problemas que afetam os dependentes de substâncias entorpecentes, o juiz Erick de Castro posiciona, com muita propriedade, contra os argumentos dos que estão a favor, devido aos malefícios que a maconha traz aos seus dependentes. O psiquiatra Içami Tiba considera que a maconha vicia, com o poder viciante de 50%, o que provoca dependência psicológica, produzindo conseqüências severas, como a chamada Síndrome de Abstinência (falta da droga), provocando perda da concentração e produzindo alto índice de agressividade.

O próprio instituto holandês de saúde mental (Trimbos Netherlands Institute of Mental Health), publicou no British Journal of Psychology, um estudo que prova a relação da maconha com a agressividade entre crianças e adolescentes, além do baixo nível de aprendizagem (baixo rendimento escolar).

Diante de todo exposto, para se regulamentar e legalizar o uso da maconha (cannabis sativa), considerando principalmente a realidade brasileira, há muito em que se pensar antes, pois se trata de tema que gera muitas controvérsias, sobretudo sociais e econômicas, pois o Brasil gasta milhões na repressão ao narcotráfico, em vez de se concentrar seus esforços no tratamento e recuperação dos sujeitos, por meio de políticas públicas eficientes e eficazes.

(Reprodução de publicação no jornal Agora dessa quarta-feira, 8)

Sione Porto é delegada da Polícia Civil e membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)

Censura ao jornal Agora - ridícula e inaceitável

Domingos Matos, 18/05/2011 | 09:05
Editado em 18/05/2011 | 09:23

censuraO jornal Agora chegou hoje às bancas denunciando atitudes arbitrárias da Polícia Civil de Itabuna, que anunciou censura oficial à publicação. A atitude inaceitável do comando da Civil em Itabuna se deve a um artigo do dono do diário, o jornalista José Adervan de Oliveira, que denuncia a insegurança reinante na cidade.

Na verdade, o que mais incomodou os policiais foi o último parágrafo do artigo - veja íntegra abaixo - em que o jornalista fala da venda de armas à bandidagem promovda por policiais. Basta uma busca no Google para ver afirmativas semelhantes, de representantes do comando de corporações policiais, falando do mesmo assunto: há venda de armas de policiais para bandidos.

Depois de prenderem gente como o ex-delegado-coordenador da 6ª Corpin Nélis Araújo, acusado de atuar dos dois lados do crime, querem agora negar a existência da banda podre na polícia?

Leia o artigo que desencadeou a censura ao Agora:

Cidade insegura

Em que pese a afirmativa do governador Jaques Wagner de que houve queda acentuada no índice de violência em toda Bahia, o que se observa é exatamente o contrário e configura-se a inoperância das ações policiais no combate à criminalidade, assaltos à mão armada a cidadãos indefesos ou a empresas.

Itabuna, como de resto todo o Estado, é a terceira cidade do País onde os crimes contra jovens se avolumam, sem que as providências das Polícias Militar e Civil mostrem resultados e, a continuar assim, muito em breve atingiremos o patamar mais elevado dentre todos os municípios brasileiros.

A própria polícia não tem viaturas suficientes e nem meios para superar a bandidagem que impera na Bahia, com o auxílio da Justiça, que tem sido benevolente com os criminosos, ao libertá-los bem antes que a pena seja cumprida.

Por outro lado, para contribuir com o círculo vicioso, a juventude se mostra bastante participativa no auxílio à venda de drogas e robustece a receita dos traficantes que vêm se mostrando eficientes e eficazes quando se trata de atrair desempregados, de prestar assistência social às famílias no papel que deveria caber ao Estado e, mais do que tudo isso, inexistem projetos educacionais que contribuam com a juventude no sentido de sair e superar a triste caminhada em direção ao abismo.

Entretanto, mais do que tudo isso, o sistema policial tem revelado a própria inaptidão para o combate às drogas, em que pese todas as dicas que os bandidos disponibilizam. Os pontos de vendas são conhecidos e se sabe, de antemão, quem são os jovens eternamente viciados. Como na fábula dos três macaquinhos, a polícia não sabe, não vê e não ouve o clamor da sociedade, da mesma forma que se sabe quem são os maiores traficantes do País, por onde a droga circula desde a origem e as fronteiras continuam desguarnecidas, quando não protegidas pelo próprio sistema.

Os pequenos assaltos rendem recursos para a compra de crack ou qualquer outra droga. Todos sabem quais são os bairros mais procurados pelos bandidos e os atingidos são adolescentes que ousam andar por ruas dos bairros Castália, Jardim Vitória ou Góes Calmon, sujeitos a mortes trágicas e sem qualquer defesa. O objetivo é fazer dinheiro para adquirir as  mercadorias” proibidas. No entanto, a dúvida persiste: quem vai dar garantia de vida a estudantes que precisam se deslocar até suas escolas? É o mesmo que perguntar que vai oferecer educação de qualidade às pessoas de baixa renda ou quem vai colocar na mesa desses cidadãos de terceira categoria o pão nosso de cada dia para evitar suas frustrações e raivas que os levam ao perigoso caminho da marginalidade? Eis a questão.

De qualquer forma, cabe à Polícia Militar ou à Polícia Civil proteger o cidadão brasileiro. Quem sabe, um plano simples, de inteligência, para traçar os caminhos percorridos pelos marginais e que possa diminuir as rotas do crime com alguma antecedência. Mas, antes de mais nada, é bom lembrar que o brasileiro é quem paga a carga tributária mais elevada entre os países em desenvolvimento e não é justo que paguemos esse novo tributo com a vida de filhos, irmãos ou netos, pois o preço é bastante elevado, sobretudo quando se fala em desarmar o cidadão, enquanto os bandidos continuam armados e muitas vezes adquirem os revólveres das mãos dos próprios policiais. Nesse caso, solicitar proteção e planos de combate ao crime à polícia é como chover no molhado...

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Domingos Matos, 17/04/2011 | 16:57
Editado em 17/04/2011 | 19:05

Adylson MachadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

UESC I

O movimento que paralisa a instituição é mais uma tentativa de sensibilizar – “palavra fácil de pronunciar”, da composição “Amigo, Palavra Fácil” (1964) de Verinha Falcão e Jorge de Castro, gravada por Nelson Gonçalves – o Governo Estadual para encarar com a devida responsabilidade o ensino superior na Bahia. Há, em nível de projeto nacional, o propósito de dotar o país de uma educação melhor nos próximos vinte anos.

Sob esse aspecto não pode ser descurada a importância da formação do professor da instituição, que repercutirá em vários segmentos, inclusive naquele voltado para qualificar a escolaridade no ensino fundamental.

Por outro lado, a formação universitária carece de apoio em vários aspectos, não somente na oportunidade de ingresso na graduação. Esta, sem um amplo compromisso da instituição com a formação plena, apenas certificará profissionais não suficientemente preparados para enfrentar as exigências da sociedade.

UESC II

Um exemplo das distorções por que passa a UESC pode ser vista na atuação de discentes do Curso de Biomedicina, enquanto exercendo atividade prática em escolas da rede pública estadual. Não fora o desembolso pelos próprios alunos e não disporiam de reagentes e materiais outros para realizar o exercício.

Enquanto a imagem física da UESC se apresenta caminhando bem, o aprendizado existe na dependência de recursos particulares. Dos próprios alunos.

Lições para não esquecer

Certos temas – se vêm à tona – não devem ser comentados. Especialmente quando envolvem casos públicos e notórios. As reações causam mais prejuízos com a busca de esconder o que existe(iu). É como jogar farinha no ventilador. Um desses, que desconhecíamos, chegou ao nosso imaginário justamente porque a ele reagiram. Isso é igual a rastilho de pólvora depois de atiçado. Enquanto não explodir...

No caso, já explodiu.

Arrancador de portão

Diante do inusitado de os portões de acesso ao campus da UESC terem sido retirados para manutenção em meio a um semestre em atividade e no imediato da deflagração de uma greve somente permite duas conclusões: ou a prefeitura do campus não acompanha a situação dos bens a que está obrigada a administrar – a ponto de fazê-lo no curso de um período de aulas – ou foi determinação superior.

Se determinação superior o Magnífico Reitor Joaquim Bastos pode receber a delicada alcunha de “arrancador de portão”.

Terreno pantanoso

Não repercutiu bem no jogo a escancarada publicidade da Bahiagás em jornais de Itabuna (releia “Publicidade e utilidade” neste DE RODAPÉS E DE ACHADOS, de 13 de abril). As unhas cururus afiaram-se antes do tempo, precipitaram ataques que invadem inclusive a seara ética – muitos assim entenderam.

Outro detalhe que não deixa de agredir escalões superiores: ao defender-se das críticas de uso eleitoreiro o PCdoB distribuiu Nota fazendo inserir a pérola: “Davidson está no cargo na cota do PCdoB”.

Isso o autorizaria a utilizar os cofres da Bahiagás para fins eleitoreiros?

De incerteza em incerteza...

Por falta de experiência... em tomar decisões que não possam demorar, Azevedo vai terminar não sendo candidato. Quando se decidir terá perdido o prazo.

O inusitado será partir para a reeleição amparado por Paulo Souto.

Da lua de mel à de fel

Há poucos dias Geraldo Simões flanava como centro de atenções, anunciando entendimentos com o PMDB. Apesar de um breve “esfrega” de Geddel, enquanto Fernando Gomes ausente, tudo estava bem para o petista.

Lua de mel!

Essa semana, o inferno astral. Perdendo espaço para o PCdoB no universo das nomeações em Itabuna, enfrenta um clima de tempestade em noite escura diante do encolhimento dos cargos disponíveis. Não fora isso, administrando profundas dissensões internas, que podem repercutir no projeto 2012.

Lua de fel!

Acredite!

Suspensão do 14º e 15º salários, redução da verba de gabinete de 60 para 48 mil (20%), redução – de 25 para nove – do número de assessores, a cota de gabinete de 23 mil para 4,6 (mais de 80%). Uma economia em torno de 500 mil reais por ano, como o diz matéria em www.advivo.com.br 30 de março (“As verbas parlamentares de Reguffe”).

Autor do exemplo: o deputado federal José Antônio Reguffe, do PDT do Distrito Federal.

Pagando para ver e aplaudir

Ainda que represente a unidade da Federação onde tem sede o próprio Legislativo Federal, não custa deixar a indagação aos nossos representantes na Câmara dos Deputados, começando por Geraldo Simões e Josias Gomes, o que poderiam fazer para economizar.

Se entenderem que não deveriam fazer como o brasiliense, fica a sugestão: doar a diferença conseguida – que sejam 200 ou 300 mil – para instituições sociais.

Em campanha

Geddel Vieira Lima em Itabuna para participar de aniversário de João Xavier. João Xavier que nada! Fiscalizar as obras da Amélia Amado.

Nova competência (função) institucional fixada para quem exerce a Presidência da Diretoria para as Pessoas Jurídicas da Caixa Econômica Federal.

Êta Brasil!

FHC criticado Ifhc1

Delimitamos (“Por que tudo deu errado”, O TROMBONE, de 13 de abril) as razões por que a oposição perdeu o rumo e particularmente de o PSDB se encontrar num beco sem saída – a não ser a extrema-direita. (Nesse particular – extrema-direita tucana – vemo-la comandada por José Serra – em que pese relações de Alckmin com a Opus Dei – diante da fundamentalista campanha do tucano nas eleições de 2010).

Mas, voltando ao Fernando Henrique, no texto antecipadamente divulgado pela internet, do artigo “O Papel da Oposição” a ser publicado na Interesse Nacional, recomenda o “príncipe dos sociólogos” a fixação de uma estratégia voltada para a classe C (classe média) em detrimento da base da sociedade – o povão – o que alimentou o raciocínio dos que veem o PSDB como o “partido dos ricos”.

FHC criticado II

fhc criticadoTeria dito o ex-presidente, em crítica direta ao PSDB, que se os tucanos continuarem tentando dialogar com o “povão”, acabarão falando “sozinhos” – “A reação de FHC às críticas” http://www.advivo.com.br/ de 13 de abril.

E recomenda a ocupação de todos os espaços sociais (internéticos, inclusive) para fazer frente aos ocupados pelo “lulapetismo” – sindicatos etc.

Não encontrou unanimidade no ninho tucano, à exceção expressa por José Serra, tanto que a atual liderança maior do PSDB, o Senador Aécio Neves, dele discordou.

FHC visionário I

Por outro lado, se observarmos a mobilidade social atribuída ao período Lula, e venha a ser massificada a migração das classes D e E para a classe C, o raciocínio de FHC se torna altamente inteligente. Ou seja, vislumbrando a redução de pobres e miseráveis – ainda que não as reconheça a partir das políticas sociais implementadas por Lula e continuadas por Dilma – pouco restaria da população para apelos político-eleitorais em nível de ideologias à esquerda.

Como mea culpa a posição de FHC é visionária: não tendo pobres e miseráveis tenho que localizá-los. Em que classe social? Na classe C.

Genial, pá!

FHC visionário II

Caberia, apenas, adaptar o discurso aos limites da compreensão pela nova classe a ser alcançada pelo ideário do PSDB pensado por FHC.

E nesse sentido o PSDB já entraria com um forte argumento, favorável em qualquer campanha política: a redução da carga tributária; tema sempre sensível à classe média.

Bestial, pá!

FHC visionário III

Na genialidade falta apenas explicar um detalhe: se a mudança de classe permitiria, de imediato, a compreensão do discurso proposto por FHC.

A propósito

fhc 2014Quando redigimos “Por que tudo deu errado” (O TROMBONE, de quarta 13) não imaginaríamos que o Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim publicaria essa pérola do Bessinha. Tanto que reproduzimos aqui a parte final do artigo para justificar a publicação da charge:

Ao PSDB “...só lhe restará rezar pelo quanto-pior-melhor em relação ao PT, sensacionalizar escândalos (não deu certo com o caixa 2, que difundiu como mensalão),  por profundas repercussões decorrentes de mudanças econômicas ou guinar de vez para a extrema-direita. Aliás, nos moldes do Tea Party norteamericano, como já ensaiado na eleição de 2010 ao assumir o discurso fundamentalista centrando a disputa presidencial em quem era contra ou a favor do abortamento, ou se acreditava ou não em Deus, podendo ampliar o roteiro com a defesa da redução da maioridade penal e da pena de morte”.

Desabafo...

O TROMBONE publicou nesta quinta 14, “Professor, profissão de risco – um desabafo”, do docente Marcos Bispo Santos. Um texto que diz respeito não só àquele citado estabelecimento de Ferradas, mas à escola pública. A rede estadual padece das mesmas mazelas e não se diga que trabalha com alunos com perturbações mentais pura e simples.

Há uma patologia social que está a se refletir na escola. Os desajustes e conflitos latentes, do ambiente familiar ao convívio exterior levam a uma evidente patologia, auxiliada em muito pelo noticiário nos meios de radiodifusão que parece atingir um orgasmo ao publicar mortes, assaltos, estupros acompanhados de verdadeira convocação à aplicação da pena de talião. O número de programas deste jaez dá o mote do imaginário da população.

As autoridades educacionais parecem desconhecer a crua realidade e o professor vem aceitando funções e competências que não lhe são afetas – de assistente social, de psicólogo, de psicopedagogo etc. – quando deveriam estabelecer o enfrentamento da questão, iniciando um processo de conscientização de luta para que as escolas – algumas recebendo em cada turno até 800 alunos – tenham em seu quadro profissionais aptos a lidar com atividades e exercício em torno do comportamento e das inter-relações escola-aluno, escola-família, escola-comunidade.

Na contramão há um velado respeito a garantias e direitos individuais mal compreendidos e interpretados, levando muitos dirigentes escolares e professores a temerem ameaças tipo “vou ao Ministério Público” ou “à Direc”.

...e denúncia

Quem quiser conhecer de perto a fábrica de loucos em que se torna a escola pública faça uma visita aleatória a alguns estabelecimentos de ensino – recomendamos os de maior quantidade de alunos – e assista ao que ocorre nos pátios, a delicadeza no tratamento entre alunos onde “vá tomar no aqui e ali” é tão natural como beata rezar o Pai Nosso.

Aproveite para acompanhar a reação de certos pais e mães quando chamados ao estabelecimento e perceberá que a ação dos filhos é a lição recebida em casa. Pródiga em palavrões e quejandos.

E sobre os professores e dirigentes também a responsabilidade impossível que não lhes compete: educação doméstica.

Limites

Até que enfim – como delineado e sugerido por nós semana passada neste DE RODAPÉS, “Limites” – o deslocamento de membros da Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembléia Legislativa da Bahia para uma vistoria in loco ao ponto da discórdia. Que por si só define a solução.

Caso os senhores Deputados tenham se utilizado de transporte coletivo itabunense para buscar o Atacadão e o Makro encontraram o argumento definidor para a alteração dos atuais limites.

Restará apenas, para erudição do parecer conclusivo, instruí-lo com subsídios sócio-econômicos, históricos, sócio-culturais, entrevistas com consumidores e funcionários daqueles estabelecimentos, fotos etc.

Fernando Gomes está chegando

O retorno de Fernando deve agitar o universo da eleição 2012. Geraldo Simões e Davidson Magalhães ocuparam espaço nestes dias, cada um dentro dos limites a que se propôs.

Considerando o PMDB, como lembramos dia desses, as confabulações preliminares entre o gedelismo e o geraldismo necessitam do referendo do líder local, já que nem Renato Costa, nem João Xavier detêm a palavra sobre o partido em Itabuna, atuando como coadjuvantes.

A última palavra é de Fernando. Ainda que seja para deixar o partido.

Ou contribuir para o inimaginável: FG e GS de mãos dadas em defesa do futuro desta terra!

Quosque tanden

Passeava tranqüila pelo Jequitibá ilustre magistrada acompanhada de dois seguranças. Ninguém a reconheceria se não fosse a indumentária dos protetores: terno e gravata escuros. Não se negue o direito à proteção. Afinal, em que pese inúmeros juízes desta Comarca andarem leves e soltos ainda que pondo traficantes e criminosos outros atrás das grades, temor pode haver à luz da consciência de cada um.

O que chamou a atenção de muitos, no entanto, foi a circunstância de os seguranças estarem de terno e gravata. O que de imediato remetia à indagação: quem é a pessoa protegida? Ou seja, a desconhecida magistrada para a totalidade dos que por lá estavam passou a ser conhecida pela ostensiva proteção.

O tempora o mores

Não tardou também por lá chegou outro magistrado, conhecido por todos e inteiramente “desacompanhado”, distribuindo e recebendo sorrisos e abraços.

Alguém observou: – Bons tempos aqueles em que o juiz não precisava de segurança!

E complementaríamos: e se entendia com a comunidade, que o reverenciava, tampouco se dava por impedido de atuar em centenas de processos por guardar mágoa no frízer.

Itororó sai na frente

A terra da famosa carne de sol vive inusitada circunstância à luz da realidade brasileira: tornou-se um “pólo formador de leitores”, tudo motivado pelo livro recentemente lançado pelo prefeito Adroaldo Almeida. É o assunto da cidade em esquinas, bares, igrejas, farmácias, consultórios e, naturalmente, salões de beleza etc.

A polêmica que “discute” o conteúdo da obra – transformando em críticos uma parcela de itororoenses, que descobriu o gosto pela leitura – alimenta, segundo comentários, outro dado: a mais lida no Brasil de hoje.

Não tivesse a obra nenhuma importância literária já teria o condão, altamente positivo, de elevar o número de leitores no âmbito do município. Afinal, ainda que o índice de leitura anual do Brasil tenha saído de 1,8 para 4,7 livros por habitante entre 2000 e 2010 (www.vermelho.org.br/noticia, “Índice de leitura no Brasil cresce mais de 150% em dez anos”, de 27 de fevereiro de 2011), Itororó está em muito superando os indicativos nacionais.

Itororó I

Descobriu-se em Itororó um excelente passatempo e – como diriam os de antigamente – um perfeito “desopilador para o fígado”: ouvir as transmissões da sessão semanal da Câmara Municipal.

Afirmam ser o melhor programa humorístico da radiofonia nacional, tendo gente pensando em gravar para fins de comercialização.

Itororó II

Temas palpitantes têm sido abordados em debates pelos ilustres pares. À guisa de ilustração, um vereador levou à dialetização edilício-itororoense a “página 157” do livro de Adroaldo.

Afirmam os que acompanharam a tertúlia de suas excelências que foi muito proveitoso para o futuro do município.

Tamanha a repercussão que os que convivem e se comunicam com o Além informam: Stanislaw Ponte Preta, a propósito da atuação dos senhores vereadores, pretende lançar uma edição psicografada de seu famoso “Febeapá” apenas se utilizando das pérolas registradas em ata.

Itororó III

A obra tornou-se o frisson no pequeno município que luta para superar as 20 mil almas, que dividiu-se em torno da livro publicado por Adroaldo Almeida, menos por sua dimensão literária e mais pela paixão política. Afinal, é o primeiro prefeito escritor e não deixa de incomodar aos que não dispõem de igual veia poético-contista.

Mas, como natural em instantes tais, algumas línguas ferinas já destacaram no alcaide uma virtude: a de haver introduzido (ops!) na cidade a “literatura de bordel” para contrapor-se àquela teimosa literatura de cordel.

Que maldade!

Mudanças à vista

A tradicional “malhação do judas” tende a não se realizar em Itororó neste sábado de Aleluia, substituída pela “malhação do livro de Adroaldo”, que – dizem – é muito mais interessante.

Pena Branca e Xavantinho

Ainda com o caipira mineiro de Pena Branca e Xavantinho essas duas marcas: “Poeira”, de Luiz Bonan e Serafim C. Gomes e “Cio da Terra”, de Milton Nascimento e Chico Buarque em inigualável e único expressar estético-musical.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoImaculada manhã de sábado, sol escaldante ferventando o asfalto, impregnando de suor quem transita o Beco do Fuxico. O ABC da Noite em operação acolhe a freguesia fiel. Conversas variadas vão-se atropelando. Cabôco Alencar, atento e diligente, desdobra-se. Num estalo um tema concentrou maior atenção: a cidade de Itabuna e o amor dos que ali estavam pela terra que os acolhera ou os fizera nascer, o que motiva vaidoso comentário:

– Eu moro aqui há mais de vinte anos! – declara-se romântico aluno.

A verve alencarina não perde a deixa:

– Não tarda completar a pena máxima, Cabôco.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

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