A concorrência dos municípios do interior do Brasil com as capitais e regiões metropolitanas para atrair e manter médicos sempre foi desigual. Além da possibilidade de maior clientela e mais opções em hospitais e clínicas, os profissionais levam em consideração fatores como estrutura das unidades hospitalares e infraestrutura nas cidades que escolhem para morar. A pouco mais de 430 quilômetros de Salvador, Itabuna, no sul da Bahia, tem conseguido ser atrativa para os novos médicos.

O município de pouco mais de 220 mil habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o destino escolhido por dezenas de médicos que saíram das universidades e faculdades de medicina nos últimos anos. Eles foram atraídos, principalmente, pelo Programa de Residência Médica da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, que oferta vagas nas áreas de Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral, Ginecologia/Obstetrícia e Oncologia Pediátrica.

Entre os profissionais de outros estados que escolheram a residência médica dos hospitais Calixto Midlej Filho e Manoel Novaes estão Arthur Rodrigues, Camila Sotheri e Némerson Kaim. Dentre os pontos que pesaram para a decisão deles na opção por Itabuna foi a estrutura oferecida pelas duas unidades hospitalares e a localização do município do sul da Bahia, que é cortado por duas rodovias federais, as BR-s 415 e 101 e o Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus.

A RECEPTIVIDADE DOS ITABUNENSES

Outro fator determinante para que permanecessem no município foi a forma cuidadosa como foram recebidos pelos colegas com mais tempo de profissão, e sobretudo, a receptividade do itabunense. “As pessoas aqui são muito acolhedoras e comunicativas e o Hospital Manoel Novaes é referência em diversas especialidades na região”, afirma o médico Arthur Rodrigues, que trocou Goiânia (GO) pelo sul da Bahia.

Arthur Rodrigues destaca ainda a estrutura da cidade, principalmente, no que se refere a oferta de serviços, comércio e o número de vagas para acesso ao ensino superior. Ele lembra que o eixo Itabuna-Ilhéus conta com, pelo menos, quatro faculdades e duas universidades, uma delas federal. “São poucas as cidades brasileiras que ofertam vagas em curso de Medicina. Itabuna está nesse seleto grupo”.. Ele está no sul da Bahia há um ano e seis meses.

Antes de chegar a Itabuna, a médica residente Camila Sotheri trabalhou em Feira da Mata. Depois decidiu fazer a prova aplicada pela Comissão Estadual de Residência Médica da Bahia (Cerem) e teve a opção de escolher entre Itabuna, Salvador e Feira de Santana. Escolheu o Programa de Residência Médica da Santa Casa sem conhecer a cidade. “Fui muito bem acolhida pelo hospital e por todos. Uma excelente escolha que fiz”, resume Camila, que é do estado de Rondônia. Ela fazendo especialização em Ginecologia/Obstetrícia.

Conterrâneo de Camila, Némerson Kaim trabalhou, durante três anos, nas cidades baianas de Jacobina e Capim Grosso antes de escolher o Programa Residência em Itabuna. Não se arrependeu. Fazendo especialização em Clínica Médica no Hospital Calixto Midlej Filho, o médico se diz encantado com o tratamento respeitoso que lhe deram. Camila e Némerson prometem retribuir o carinho atuando por mais tempo no sul e extremo-sul da Bahia.

A coordenadora da Comissão de Residência Médica (Coreme) do Hospital Manoel Novaes e Supervisora do Programa de Residência na Unidade, a médica Saraly Silva Costa, explica que a Residência Médica é o caminho fundamental para formar e capacitar especialistas. É nesta fase da carreira que os profissionais têm contato intenso com os pacientes e são orientados como agir em diferentes situações durante o atendimento ao paciente.

COSTA RICA

Quem também escolheu Itabuna para trabalhar foi a médica Reyli Cubillo, que nasceu na Costa Rica e está há oito anos morando na Bahia. Casada com um colega médico da Chapada Diamantina, ela conta que se apaixonou pelo interior do estado e não pensa mais em mudar-se para outra região. “Saí de Itabuna apenas para fazer minha especialização em Ginecologia/Obstetrícia e, por isso, fiquei fora por três anos. Em um deles fazendo o trajeto entre Itabuna e Vitória da Conquista, onde dava plantões”, recorda-se.

Desde 2019 que a médica é plantonista no Hospital Manoel Novaes e é coordenadora da Residência de Genecologia/Obstetrícia desde março deste ano. Além de acolhida por colegas e pacientes, a médica destaca que escolheu a cidade pelas condições de trabalho, estrutura que a região oferece e a proximidade com o um aeroporto, a pouco de 30 quilômetros. “A Santa Casa trata todos como uma grande família”, declara.

Na segunda-feira (13), a Santa Casa de Misericórdia de Itabuna promoveu, no auditório do Hospital Manoel Novaes, um encontro entre os residentes e profissionais veteranos.