Por Domingos Matos

O Partido dos Trabalhadores, desde 1980, ofereceu ao povo brasileiro uma alternativa democrática que atendesse aos anseios de transformação social. Está no artigo 1° de seu Estatuto. Em 1993, em Itabuna, após conquistar seu primeiro mandato em uma cidade de médio porte no interior do Brasil, o PT logrou implementar seu programa de governo com a inspiração partidária de seu líder local, o sindicalista Geraldo Simões, que meses antes aplicara o drible da vaca (do jegue? da zebra?) em políticos experientes – três ex-prefeitos, se contarmos candidatos e apoiadores.

Anos depois, em 2001, após a volta da “exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria” de que fala o citado artigo estatutário, o PT elege novamente Geraldo Simões, agora um experiente político, já tarimbado nas lides sindicais, parlamentares (estaduais e nacionais) e executivas, desta vez acompanhado de um grupo político mais robusto. Um governo de excelência, que poucos entendem o porquê da não-reeleição.

Observando apenas a trajetória do PT no Executivo itabunense, vê-se um partido consolidado no município, fruto também do que se tem no estado e no Brasil. Se incluídos os mandatos parlamentares nos três níveis, fica fácil entender que o itabunense gosta do partido. E é exatamente isso o que dizem as pesquisas: o PT é o partido mais querido dos itabunenses – como também o é em nível nacional.

Ora, se temos o melhor partido, se nesse partido se tem um nome conhecido massivamente – além de outros, incluindo parlamentar e ex-parlamentares, sindicalistas, médicos, professores e inúmeros petistas com estofo -, por que alguns petistas não querem saber da possibilidade de um mandato legitimamente petista na prefeitura local?

Se observarmos que temos no governo do estado e na Presidência da República governantes do Partido dos Trabalhadores, essa questão ganha ainda mais relevância. Por mais que Jerônimo e Lula digam – e provem – que governam para todos, de forma republicana, não há de se negar que, quando se tratam de companheiros, as relações serão diferenciadas, até porque entram em jogo as relações de amizade, de identidade e objetivos comuns, sejam eles políticos, administrativos, éticos e estéticos.

Não se pode, ainda, descurar do caos que resulta da gestão do prefeito Augusto Castro. A prova disso, sem desmerecer todas as outras, são os constantes protestos – espontâneos – promovidos pela população em diversos bairros. No âmbito político-administrativo, o conluio com a Câmara Municipal gerou, entre outros desastres, o bate-cabeça da reforma tributária, que super-onerou quem aqui investe, sem a devida contrapartida, mas com reflexos negativos para a população.

Há mais, muito mais a ser dito, mas há também que se preservar a sanidade geral. Paremos por aqui. Potém, diante de tudo isso, uma pergunta mais é imprescindível: afinal, o que quer o petista que não quer candidato petista disputando a Prefeitura de um município onde a própria experiência petista é muito vitoriosa?

Não temos a resposta, mas certamente não é o que está descrito no artigo 1º do Estatuto do Partido dos Trabalhadores, já que esses objetivos só o PT defende.

P. S. 1: Para conhecimento, eis o Art. 1º do Estatuto do PT: O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs que se propõem a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático.

P. S. 2: Por tudo que representa, a foto em destaque, que ilustra esse texto, é um documento para a posteridade.

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Domingos Matos é jornalista